«Resto lì a lungo, la mano appoggiata al bordo della finestra, a fissare il punto in cui è sparita. Magari potrebbe accorgersi di aver dimenticato di dirmi qualcosa, e tornare indietro. Ma non torna. In quel punto rimane solo una specie di cavità invisibile che ha la forma della sua assenza».
Haruki Murakami, "Kafka sulla spiaggia"
"Descanse lá por muito tempo, a mão apoiada na borda da janela, olhando para o local onde ela desapareceu. Talvez você possa perceber que você esqueceu de me dizer alguma coisa, e voltar. Mas não vá. Nesse ponto permanece apenas um tipo de cavidade invisível que tem a forma de sua ausência. "
Haruki Murakami, "Kafka on the Shore"
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Em 33 rotações
" O disco chega ao fim. A agulha ergue-se e o braço regressa ao seu suporte. O empregado do bar aproxima-se do gira-discos para mudar o 33 rotações. Levanta com todo o cuidado o LP de vinil e guarda-o dentro da respectiva capa. Depois tira outro, examina a superfície à luz e coloca-o em cima do prato. Carrega no botão e a agulha desce sobre o disco. Ouve-se um leve arranhar, após o que «Sophisticated Lady» de Duke Ellington começa a tocar. Ouve-se um solo calmo de Harry Carney no clarinete baixo. O barman move-se com todo o vagar, fazendo com que o tempo no bar se escoe a um ritmo muito próprio.
Mari pergunta ao homem:
- Só põe a tocar discos de vinil?
- Não gosto de CD - responde ele.
- Porquê?
- São demasiado brilhantes.
Kaoru mete a sua colherada.
- Por acaso é algum corvo ou quê?
- Com o vinil, a chatice é ter de estar sempre a mudar o disco - diz Mari.
O barman ri-se.
- Repare, estamos a meio da noite. Não há comboios até de manhã. Qual é a pressa?
Excerto de " After Dark/Os passageiros da Noite ", de Haruki Murakami, Trd. Maria João Lourenço, Ed. Casa das Letras
Mari pergunta ao homem:
- Só põe a tocar discos de vinil?
- Não gosto de CD - responde ele.
- Porquê?
- São demasiado brilhantes.
Kaoru mete a sua colherada.
- Por acaso é algum corvo ou quê?
- Com o vinil, a chatice é ter de estar sempre a mudar o disco - diz Mari.
O barman ri-se.
- Repare, estamos a meio da noite. Não há comboios até de manhã. Qual é a pressa?
Excerto de " After Dark/Os passageiros da Noite ", de Haruki Murakami, Trd. Maria João Lourenço, Ed. Casa das Letras
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