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terça-feira, 29 de janeiro de 2013



Portami con te lontano
...lontano...
nel tuo futuro.
Diventa mio padre, portami
per la mano
dov'è diretto sicuro
il tuo passo d'Irlanda -
l'arpa del tuo profilo
biondo, alto
già più di me che inclino
già verso l'erba.

Giorgio Caproni


(da "A mio figlio Attilio Mauro che ha il nome di mio padre", in "Il muro della terra", 1975)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

REGRESSO

Voltei a esse lugar

onde nunca tinha estado.

Do que não foi, nada mudado.

Sobre a mesa (de oleado

aos quadrados) meio vazio

encontrei o mesmo copo

nunca cheio. Tudo

permanece tal e qual

eu o não tinha deixado.

EXPERIÊNCIA

Todos os lugares que vi,

que visitei,

agora sei – estou certo:

nunca lá me encontrei.

CONDIÇÃO

Um homem só,

fechado no seu quarto.

Com todas as suas razões.

Com todos seus erros.

Só, nesse quarto vazio,

e falando. Aos mortos.

PEDRADAS

Também eu tentei falar.

Sem talvez saber a língua.

Todas as frases erradas.

Em resposta: só pedradas.

AMANHECER

Meu amor, nos vapores dum café

ao amanhecer, meu amor que inverno

longo e que calafrio estar à tua espera! Cá

aonde o mármore do sangue é gelo, e sabe

a frescura até o olho, agora no ermo

ruído além da geada eu que elétrico

ouço, abrindo e fechando eternamente

as portas desertas?… Amor, está parado

o meu pulso: e se o copo no fragor

subtil tem um tremor nos dentes, talvez

seja o eco dessas rodas. Mas tu, amor,

não me digas que agora em vez de ti está o sol

brotando, não me digas que daquelas portas,

eu cá, com teus passos, já estou a aguardar pela morte.

Giorgio Caproni – Poesia & Lda.






(de «Il passaggio d’Enea», 1956)