Mostrando postagens com marcador Sérgio Cohn. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sérgio Cohn. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de março de 2013



Ontem, uma amiga me perguntou como estava a Azougue. Ao responder para ela, consegui finalmente definir o que tenho percebido sobre a editora: que ter uma editora de cultura no Brasil (talvez qualquer empresa que leve cultura a sério) é nunca atravessar a linha de rebentação. A gente nada e nada, e sempre tem outra onda para mergulhar por baixo, para nos dar um caldo, para tirar o nosso fôlego. Algumas vezes o mar fica mais manso, outras uma ressaca mais brava nos faz comer areia. Mas nunca podemos confiar que agora dará para respirar com calma. Então, o jeito é fazer com muito amor, porque não dá para esperar ter paz. E o jeito é se resignar que será assim, e aprender que é "preciso arrancar alegria ao futuro", como queria o poeta russo. Ficar feliz das pequenas e grandes conquistas, e seguir em frente. Ontem, quando vi que estava na gráfica finalmente o "Conglomerados Newyorkaises", o livro reunindo os facsímiles dos textos do Hélio Oiticica em Nova York, nos anos 1970, organizado pelo Cesinha Oiticica e pelo Fred Coelho, foi um desses momentos. Fizemos o livro com um orçamento que outras editoras não fariam nem um livro de bolso de poesia, e está maravilhoso, quatro cores, capa dura, bombástico. E assim vamos fazendo a roda da cultura brasileira girar, meio na loucura, total no tesão.
 Sérgio Cohn