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terça-feira, 9 de abril de 2019

DESOBJETO OU A ANTIMATÉRIA





No meio do quintal acima do varal tinha um belo pente,
O pente no quintal se esforçava para não ser belo pehte.
Estava próximo de ser apenas folha dentada for formigas.
Junto com caramujos, todos oa sapos e as suas queridas.
Bactérias e o tempo roeram sua vísceras e esse estrupício.
Mas quem pode afirmar que o pente é um organismo vivo?

Faltrava ao pente coluna vertebral, costelas e uma medula.
Não se poderia dizer que o objeto era um pente ou medusa.
Grampos deram local a cachos de cores meio vede musgo.
Cães e moribundos aproveitavam e mijavam no lusco fusco.
Parecia que o pente perdera sua personalidade e desobjeto.
Nem as carolas sentiam falta de um calafrio, tesão ou afeto.

O poeta destro deparou com a cena e viu o estágio terminal.
O pente nem se quisesse poderia passar como objeto tal.
Já estava incorporado ao universo como partícula, átomo.
Ou então dizem os poetas rio, osso, montanhas, ou lagarto.


Eduardo Ribeiro Toledo             

 20 de agosto de 2011 16:20

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

NOTAS SOBRE O ENSINO E A ARTE DE ESCREVER

         
§2.

Questiono se a didática educacional, incluindo, obviamente, as atividades de pensar, saber,ler e escrever ficariam prejudicadas pela abundância de informações
generalizadas e assistemáticas. Tempo e espaço fazem parte, inegavelmente, da nossa condição humana. Ou se adquire com clareza e profundidade um conhecimento específico – não confundam isso com especialização – ou não nos sobram tempo e espaço para obter os atributos desejáveis e necessários para uma formação humanística. O fluxo de informações incessantes no ensino assemelhar-se-ia às vozes ouvidas pelos esquizofrênicos, diante da pressão auditiva, saindo ilesas dos corpos, sem serem processadas. Não processar o conhecimento prejudica a instrução. Não adquirir um conhecimento interdisciplinar prejudica as ações e políticas. Ainda por cima, não se lê como se deveria. E o pior, não se escreve como se poderia. Não seria uma surpresa, hoje, ao lermos os discursos escritos pelos alunos de escolas superiores, construirmos a contraditória ilação de
que os autores nem mesmo teriam pensado para construir seu raciocínio.



Eduardo Ribeiro Toledo      

terça-feira, 12 de setembro de 2017

MIMESIS


MIMESIS - para Waldo Motta ( Ivo Xavier, Fabio Freire ):

Seguindo a linha da convergência e síntese do pensamento humano, descobri a seguinte relação.

METEXIS

Em suma, diz-se sobre "participação". Platão usou o termo para indicar uma das relações entre a realidade e as idéias (Parm, 132, d). A mesma concepção foi utilizada para descrever a mimesis e a imitação (Republica, 597, a). Note que, adiante, o termo foi utilizado por Gioberti para designar "o ciclo de retorno do mundo a Deus, retorno este que atinge seu ápice numa renovação final ou palingenesia" (Gioberti, Protologia, II). Gioberti então utiliza o termo "mimesis" para indicar o equivocado afastamento do mundo de Deus, além de, na minha opinião, pecar, com o perdão do pleonasmo, ao simplificar o assunto e dualizar a caracterização de um termo como diversos pares de coisas ou entes do mundo, como: o corpo é a mimesis e a alma é a metexis, a fêmea é a mimesis e o o macho a metexis... Gioberti, na minha opinião, partiu da premissa científica certa, para inferir conclusões não necessariamente correspondentes (não digo verdadeiras, tampouco menciono método dedutivo). Mas há precedentes... Achei a ponta do novelo...




 Eduardo Ribeiro Toledo