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domingo, 19 de junho de 2016

1901: Unificação da ortografia alemã



No dia 17 de junho de 1901, a Conferência para a Unificação da Ortografia Alemã impôs regras fundamentais para a língua, uniformizando-a na Alemanha, na Suíça e na Áustria.


Uma língua, uma grafia

Quando a língua alemã começou a substituir oficialmente o latim, na Idade Média, houve muita confusão nos mosteiros e entre os escrivães da Alemanha. O idioma oral era razoavelmente compreensível, mas, no papel, havia até três versões para a mesma palavra. Por isso, era necessário estabelecer uma ordem ortográfica.
Regras valem em parte até hoje

Suas regras fundamentais foram formuladas pelo filósofo e linguista Johann Christoph Adelung (1732-1806). A implementação dessas regras, porém, foi mais difícil do que se imaginava, porque só se dispunha do alfabeto latino para escrever em alemão. Adelung recorreu a combinações de consoantes e vogais para representar certos sons da língua alemã.

Nas suas Normas da Ortografia Alemã, de 1782, ele definiu uma forma escrita para cada palavra. A obra serviu de base para a unificação linguística da Alemanha e, em grande parte, continua valendo até hoje.
As regras de ortografia, que antes serviam apenas de orientação para uso geral, viraram lei no Império Prussiano. O primeiro principado alemão a transformá-las em norma escolar obrigatória foi Hannover, em 1855, seguido por Württemberg. O Ministério da Cultura da Prússia convocou, então, uma conferência para unificar a ortografia em todo o império.

Difícil consenso

Mas nem todos os estados alemães adotaram imediatamente a nova ortografia. A conferência teve de ser adiada.

Um dos participantes, o linguista Konrad Duden (1829-1911), tentou um consenso, apresentando um Dicionário Ortográfico Completo da Língua Alemã. Ao mesmo tempo, seu concorrente Wilhem Wilmanns escreveu o livro Regras e Vocabulário para a Ortografia Alemã a serem usados nas escolas prussianas.
Lutero como precursor

O chanceler imperial Otto von Bismark (1815-1898) optou pelo Dicionário Ortográfico – hoje conhecido como Duden. No final do século 19, a Suíça e a Áustria também adotaram a ortografia prussiana, proclamada oficial pela Conferência de 1901.

Adelung e Duden transformaram em regras parte do que Martinho Lutero (1483-1546) já havia testado, na prática, séculos antes. Ao traduzir a Bíblia em linguagem acessível em 1522 (publicada em 1534), ele foi o pioneiro de uma língua alemã unificada.

Autoria Catrin Möderler (gh)


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terça-feira, 28 de julho de 2015

1794: Robespierre é executado na guilhotina


No dia 28 de julho de 1794, revolucionário francês Maximilien de Robespierre foi guilhotinado, após boatos de endurecimento da Lei do Terror. Sua morte marcou o começo da última fase da Revolução Francesa.

"Os reis, aristocratas e tiranos, independentemente da nação a que pertençam, são escravos que se revoltam contra o soberano da Terra, isto é, a humanidade, e contra o legislador do universo, a natureza", declarou em 24 de abril de 1793 Robespierre, uma das figuras mais importantes da Revolução Francesa.
O jovem advogado Maximilien François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794) pretendia mudar o destino da França. Desde o início de sua carreira política, destacou-se pela firmeza e pela forma radical de defender suas ideias. Influenciado por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ele pleiteava um Estado voltado para o bem comum e a vontade geral, estabelecido em bases democráticas. "O indivíduo é nada; a coletividade é tudo", afirmava, lembrando o famoso Contrato Social de Rousseau.

Político "incorruptível"

Robespierre foi cofundador e líder do Partido Jacobino na Convenção Nacional (parlamento francês de 1792 a 1795). Seus discursos captavam o espírito da França revolucionária. "É natural que o bom senso avance lentamente. O governo viciado encontra nos preconceitos, nos costumes e na educação dos povos um poderoso apoio. O despotismo corrompe o espírito humano a ponto de ser adorado e, à primeira vista, torna a liberdade suspeita e terrível", afirmara no discurso Contra a Guerra.
Os ideais da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – compunham seu slogan predileto. Robespierre tornou-se famoso como político sério e "incorruptível". Seu objetivo era eliminar oa privilégios e instituições do Antigo Regime. Ele propagou ideias revolucionárias para a época, como o sufrágio universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória, e imposto progressivo segundo a renda.
"Os habitantes de todos os países são irmãos; os diferentes povos devem se apoiar mutuamente como cidadãos de um Estado. Quem oprime uma nação declara-se inimigo de todas as nações. Quem faz guerra contra um povo, para impedir o progresso da liberdade e sufocar os direitos humanos, deve ser perseguido por todos os povos. Não apenas como inimigo comum, mas como assassino rebelde e bandido."

A lei da guilhotina

Proclamada a república, em 1792, Robespierre mostrou sua nova face. Não hesitou muito para selar o destino do rei, aprisionado por revolucionários. Luís 16 foi julgado, condenado e, a 21 de janeiro de 1793, decapitado na guilhotina. Robespierre justificava o reinado do terror, o qual "nada mais é do que a justiça rápida, violenta e inexorável. É, portanto, uma expressão da virtude".
A pretexto de defender a revolução, os jacobinos instalaram um regime de terror na França em 1793-1794. Sob o comando de Robespierre, a Constituição foi suspensa e foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário. Esses órgãos descambaram depois para a conspiração e execução na guilhotina de membros do próprio partido jacobino, como Georges-Jacques Danton (1759-1794), confundindo inimigos e aliados.

A guilhotina funcionava sem parar. Com a ameaça de morte pairando sobre todos, deputados moderados da Convenção Nacional tramaram a prisão de Robespierre e seus colaboradores mais próximos. Em 28 de julho de 1794, deram aos ilustres prisioneiros o mesmo destino que estes haviam dado ao rei Luís 16: a guilhotina.

De um despotismo para outro

Robespierre havia assumido poderes ditatoriais. Calcula-se que o terror jacobino causou dezenas de milhares de vítimas, entre elas o químico Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794). Em apenas 49 dias, mandou-se executar 1.400 pessoas. No final, o terror engoliu os terroristas. Um ano após a morte de Robespierre, a França obteve um novo governo, comandado por cinco "diretores".
O chamado Diretório representou o fim da supremacia e do terror dos jacobinos. Em 1795, a Convenção promulgou uma nova Constituição, que, segundo seu relator, Boissy d'Anglas, centrou-se em "garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do industrial e a segurança de todos".
De 1795 a 1799, o poder foi organizado sob a forma de uma república colegiada de notáveis, tendo o Diretório como poder executivo. Nesse período, a França mergulhou numa nova crise econômica e social, agravada por ameaças externas. Para manter seus privilégios políticos, a burguesia entregou o poder a Napoleão Bonaparte, que o exerceu com o mesmo absolutismo que havia sido derrubado pela Revolução Francesa.

Autoria Catrin Möderler (gh)


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