domingo, 2 de outubro de 2016

A la inmensa mayoría

Blas de Otero

Aquí tenéis, en canto y alma, al hombre
aquel que amó, vivió, murió por dentro
y un buen día bajó a la calle: entonces
comprendió: y rompió todos sus versos.

Así es, así fue. Salió una noche
echando espuma por los ojos, ebrio
de amor, huyendo sin saber adónde:
a donde el aire no apestase a muerto.

Tiendas de paz, brizados pabellones,
eran sus brazos, como llama al viento;
olas de sangre contra el pecho, enormes
olas de odio, ved, por todo el cuerpo.

¡Aquí! ¡Llegad! ¡Ay! Ángeles atroces
en vuelo horizontal cruzan el cielo;
horribles peces de metal recorren
las espaldas del mar, de puerto a puerto.

Yo doy todos mis versos por un hombre
en paz. Aquí tenéis, en carne y hueso,
mi última voluntad. Bilbao, a once

de abril, cincuenta y uno.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ernesto Geisel, o ‘pai da distensão lenta, gradual e segura’ da ditadura militar

Quarto presidente após o golpe de 64, general, que morreu há 20 anos, iniciou processo de abertura política do país. No seu governo, reprimiu linha-dura, mas fechou Congresso

Próximo ao poder. Ernesto Geisel, então capitão do Exército, 
Geisel baixa o ‘Pacote de abril’
Após mortes no DOI-Codi de São Paulo, general Ednardo D’Ávila é exonerado
Teotônio Vilela, líder da luta pela anistia, visitou presos políticos no Rio em 1979
Anistia mobilizou o Brasil nos anos 70
Exilados voltam ao Brasil
Bomba explodiu no Riocentro e matou sargento do Exército, ferindo capitão
No fim da ditadura, carta-bomba explodiu na OAB, no Rio, matando secretária
Criado em 1890, STF sofre cassação na ditadura e apoia a redemocratização
Após redemocratização, Brasil escolhe presidente no 2º turno em cinco eleições

Natasha Correa Lima*

“Morre Geisel, o patrono da distensão". Foi com esse título que O GLOBO noticiou a morte do ex-presidente Ernesto Geisel, em sua edição de 13 de setembro de 1996, ocorrida no Rio na véspera, de insuficiência respiratória, motivada por uma broncopneumonia, quando se tratava de um câncer. Quarto presidente militar a assumir o poder, o general governou entre 1974 e 1979, período no qual iniciou o desmantelamento do regime militar, pavimentando o caminho que levaria o Brasil de volta à democracia.

Ernesto Beckmann Geisel, caçula de cinco filhos, nasceu em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, em 3 de agosto de 1907. Seguindo os passos de dois de seus irmãos, Henrique e Orlando – que se tornou ministro do Exército no governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) –, o menino Ernesto ingressou cedo na vida militar. Em 1921, entrou no Colégio Militar de Porto Alegre, onde terminou os estudos como melhor aluno da turma. Ocupando o posto de primeiro-tenente, participou da Revolução de 1930, movimento que depôs o presidente Washington Luís e alçou Getúlio Vargas ao poder. Geisel também teve participação decisiva em outros dois movimentos militares na década de 1930: combateu a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, ainda como tenente, e, em 1935, já como capitão, reprimiu o levante comunista na Escola de Aviação Militar no Campo dos Afonsos, no Rio, dentro do movimento conhecido como Intentona Comunista.
A partir daí, Geisel ampliou cada vez mais sua participação na política. Foi chefe da secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional entre 1946 e 1947, no governo de Eurico Gaspar Dutra, e subchefe do Gabinete Militar, no governo de João Café Filho, em 1955, o vice que assumiu após o suicídio de Vargas. Desempenhou, também, a função de adido militar no Uruguai entre 1947 e 1950. No governo Jânio Quadros, foi nomeado oficial de gabinete do ministro da Guerra e chefiou o Comando Militar de Brasília. Em meio à crise política gerada pela renúncia do presidente, Geisel foi nomeado chefe do Gabinete Militar do então presidente interino, Ranieri Mazzili. Nesse contexto, atuou como uma espécie de negociador entre os militares – que tentavam a todo custo impedir a posse do vice-presidente João Goulart – e os setores civis da política brasileira, que defendiam a posse. A solução encontrada para garantir a posse de Jango foi a adoção do parlamentarismo. Diante da expressa insatisfação de João Goulart, Geisel dirigiu-se ao presidente e, como publicado no GLOBO de 13 de setembro de 1996, lhe disse:

- Presidente, tenha certeza de que tivemos imensas dificuldades aqui em Brasília para Vossa Excelência assumir. E nós esperamos que conduza o governo de modo a que se pacifique a nação.
A História, porém, tomou outros rumos. Após a antecipação, de 1965 para 1963, do plebiscito sobre o regime do país, o povo escolheu o presidencialismo e teve início uma grave crise institucional, que culminou com o golpe que depôs João Goulart, comandado pelos militares e com o apoio de líderes civis. Com a instauração do regime autoritário, Geisel ajudou a articular, junto ao alto comando militar, o nome do marechal Humberto Castelo Branco para a Presidência. Com a posse deste, em 15 de abril de 1964, Geisel foi nomeado chefe do Gabinete Militar e percorreu a Região Nordeste, a fim de averiguar denúncias de tortura, prática que sempre rechaçou. Na verdade, ele se opunha não só à tortura, como também ao excessivo endurecimento do regime e a consequente ascensão ao poder dos setores mais radicais do Exército, a chamada linha-dura. Isso porque o general acreditava que a repressão corrompia a hierarquia militar, a censura protegia ladrões, e a existência de poderes absolutos, em vez de fortalecer o presidente, na verdade, o enfraquecia.

Essa postura de Ernesto Geisel era vista pela linha-dura como uma ameaça à própria existência do regime. Retirá-lo da alta cúpula do governo passou, então, a ser algo necessário e urgente. Dessa forma, a ascensão dos militares conservadores ao poder ocasionou uma espécie de ostracismo político para Geisel, que foi mantido longe das funções de confiança do governo militar entre 1967 e 1973, nos mandatos de Arthur da Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici. Nesse período, foi ministro do Superior Tribunal Militar (1967-1969) e presidente da Petrobras (1969-1973).
Em 15 de março de 1974, Geisel toma posse na Presidência da República, após ser eleito pelo colégio eleitoral, em janeiro do mesmo ano. Em 29 de agosto, durante entrevista coletiva, anunciou o projeto político que seria a marca de seu governo: a distensão lenta, segura e gradual do regime militar, o que significaria maior oportunidade para o diálogo com a oposição e a sociedade civil. A edição do GLOBO de 30 de agosto de 1974 trouxe a íntegra do discurso, no qual o presidente afirmou que o processo de abertura ocorreria dentro da ordem vigente:

- Prosseguirá o Governo na missão que lhe cabe de promover para toda a nação o máximo de desenvolvimento possível com o mínimo de segurança indispensável. E deseja, mesmo, empenhando-se o mais possível para isso, que esta exigência de segurança venha gradativamente a reduzir-se. Erram os que pensam que podem apressar este processo pelo jogo de pressões manipuladas sobre a opinião pública (…). Tais pressões só servem para provocar contrapressões (…) invertendo-se o processo de lenta, gradativa e segura distensão, desejado pelo Executivo.

Ernesto Geisel defendia um Estado política e economicamente forte. A política econômica de seu governo, definida no II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), apontava para o investimento no setor energético, ao mesmo tempo em que considerava primordial o desenvolvimento de indústrias de base, como forma de preparar a economia brasileira para os impactos do choque do petróleo, ocorrido em 1973. Teve destaque na área econômica, também, a assinatura do acordo nuclear entre Brasil e Alemanha, bem como o lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A economia do período Geisel teve média de crescimento de 5,5% ao ano; no entanto, a inflação saltou de 16% para 45% e a dívida externa subiu de US$ 6 bilhões, no início do governo, para US$ 45 bilhões, no final do mandato.

A política externa do período foi marcada pela busca de novas oportunidades para o comércio exterior brasileiro. Tendo isso em mente, o governo Geisel deixou de lado a concepção ideológica de bipolaridade que ainda era forte no momento – devido à Guerra Fria – e optou por uma aproximação com a Ásia e a África. O Brasil reatou as relações diplomáticas com a China, rompidas desde a ocorrência da Revolução Chinesa, em 1949, e estabeleceu novas relações com os Emirados Árabes e o Bahrein. Além disso, o Brasil foi o primeiro país a reconhecer o governo português estabelecido após a Revolução dos Cravos, movimento que pôs fim à ditadura salazarista em Portugal. O governo também reconheceu os direitos do povo da Palestina e pediu a Israel que retirasse suas tropas dos territórios árabes ocupados desde 1967.

A maior marca do governo, no entanto, está na política interna adotada, no intuito de garantir a distensão do regime militar. Ernesto Geisel não queria a prática de atos de tortura em seu governo. Quando assumiu o poder, tratou de emitir comunicados aos comandantes de Exército para que enquadrassem os chefes dos DOI-Codi, a fim de evitar a ocorrência de torturas. O tema, inclusive, apareceu em várias comunicações entre o presidente e o chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), general João Figueiredo. Em um desses diálogos, publicado no GLOBO em 13 de setembro de 1996, Geisel afirma não concordar com as prisões e perguntava a Figueiredo, que viria a ser seu sucessor na Presidência:

- Não será o caso de fazer um honesto exame crítico, rever o que está errado e imaginar novos e melhores procedimentos?

A preocupação em barrar a tortura, entretanto, não evitou a ocorrência de mortes nos porões militares. As mais emblemáticas foram a do jornalista Vladimir Herzog, que apareceu enforcado no DOI-Codi de São Paulo em outubro de 1975, e a do operário Manuel Fiel Filho, no mesmo DOI-Codi, em janeiro de 1976. Estas mortes levaram Geisel a demitir o comandante do II Exército e, posteriormente, o próprio ministro do Exército, Sylvio Frota.

Se, por um lado, Ernesto Geisel parecia empenhar-se pelo fim das torturas e pelo desmonte da máquina repressora do Estado – através da Emenda Constitucional número 11, de 1978, o presidente aboliu oficialmente a censura, restabeleceu o habeas corpus e revogou todos os atos institucionais em vigor, inclusive o AI-5 – por outro, o general não hesitou em utilizar a máquina da repressão a seu favor, a fim de manter a ordem em seu governo. Tal como um ditador, Geisel cassou 11 mandatos parlamentares, fechou o Congresso por duas semanas (no chamado Pacote de Abril, que também criou os senadores biônicos), censurou 47 filmes, 117 peças de teatro, 840 músicas e diversas reportagens. Também foram registrados 39 desaparecimentos, além de mais de mil casos de tortura.
Ernesto Geisel deixou o poder em 1979 e recolheu-se da vida política. O general da abertura era um homem discreto, de hábitos simples, amante da música clássica, apreciador do clima da cidade de Teresópolis, na Serra do Rio, onde mantinha uma casa, e dono de uma inteligência astuta: foi aprovado em primeiro lugar em todos os concursos militares que prestou. A discrição e a quietude, no entanto, escondiam uma imensa dor, a qual Geisel carregaria pela vida toda: a morte do filho Orlando, atropelado por um trem aos 17 anos. A perda fez com que nunca mais tivesse gosto por comemorações, e vê-lo em atos da vida social era uma raridade. Geisel morreu de câncer, aos 89 anos, deixando a viúva Lucy, a filha Amália e seu lugar na história como “o general que matou a ditadura no país”, ou como O GLOBO o definiu, "o pai da distensão lenta, gradual e segura".
* com edição de Matilde Silveira

Avanços e retrocessos. O presidente Geisel fecha o Congresso, por decreto: Pacote de Abril também cria senador biônico
Avanços e retrocessos. O presidente Geisel fecha o Congresso, por decreto: Pacote de Abril também cria senador biônico Orlando Brito 30/04/1977 / Agência O Globo
Leia mais sobre esse assunto em http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/ernesto-geisel-pai-da-distensao-lenta-gradual-segura-da-ditadura-militar-20071730#ixzz4LlkmIjRi
© 2016.
PAÍSPublicado: 25/09/13 - 16h 49minAtualizado: 09/09/16 - 23h 52min
Geisel baixa o ‘Pacote de abril’Para conter a oposição, governo pôs o Congresso em recesso e criou o ‘senador biônico’
Próximo ao poder. Ernesto Geisel, então capitão do Exército, e Getúlio Vargas em 1940, no Recife
EM FOCO: A TRAJETÓRIA DE GEISEL, DE VARGAS A FH
Geisel baixa o ‘Pacote de abril’
Após mortes no DOI-Codi de São Paulo, general Ednardo D’Ávila é exonerado
Teotônio Vilela, líder da luta pela anistia, visitou presos políticos no Rio em 1979
Anistia mobilizou o Brasil nos anos 70
Exilados voltam ao Brasil
Bomba explodiu no Riocentro e matou sargento do Exército, ferindo capitão
No fim da ditadura, carta-bomba explodiu na OAB, no Rio, matando secretária
Criado em 1890, STF sofre cassação na ditadura e apoia a redemocratização

Após redemocratização, Brasil escolhe presidente no 2º turno em cinco eleições

Em 1977, a abertura política - que o então presidente, general Ernesto Geisel, pretendia gradual, lenta e segura - avançara demais, em função do crescimento eleitoral da oposição a partir de 1974. Os estudantes voltaram às ruas e logo ocorreriam mais prisões e cassações políticas.

No dia 13 de abril, Geisel fechou o Congresso Nacional por duas semanas e, nesse vácuo, outorgou um conjunto de leis, o "Pacote de abril", constituído de uma emenda constitucional e seis decretos-leis.

Antevendo nova derrota eleitoral em 1978, o governo militar estabeleceu, entre outras medidas, restrições nas campanhas eleitorais e eleição indireta para a ocupação de metade das vagas em disputa no pleito. Com isso, um terço do Senado foi preenchido pelos chamados "senadores biônicos".

Além disso, o mandato presidencial foi ampliado de cinco para seis anos e as leis passaram a ser aprovadas por maioria simples no Congresso. O objetivo de desarticular a oposição foi alcançado. A Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido da ditadura, desde a eleição de 1974 não detinha mais dois terços dos votos nas duas Casas do Congresso, porém mantinha a maioria das cadeiras.

Dessa forma, em São Paulo, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido da oposição, 
reelegeu Franco Montoro para o Senado, pelo voto popular, enquanto a Arena conseguiu emplacar o senador Amaral Furlan, escolhido pelo colégio eleitoral.

Por ter discursado contra as decisões tomadas por Geisel, o líder do MDB na Câmara dos Deputados, Alencar Furtado, teve seu mandato cassado em junho de 1977.

Leia mais sobre esse assunto em http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/geisel-baixa-pacote-de-abril-10144638#ixzz4LllRJuH4
© 2016.


PAÍSPublicado: 18/05/15 - 21h 05minAtualizado: 12/09/16 - 11h 59min

Criado em 1890, STF sofre cassação na ditadura e apoia a redemocratização

Atos institucionais pós-golpe de 64 elevam total de magistrados e aposentam Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Victor Nunes Leal. Entulho autoritário só acabou nos anos 80

17 de Janeiro de 1969, Geral, 

Atentado dos Guararapes. O vice-almirante Nelson Fernandes, diretor da Chesf, morto após a explosão de bomba no aeroporto do Recife, onde desembarcaria o marechal Costa e Silva, sucessor de Castello Branco na Presidência da República

Matheus Guedes*

Criado em 1890, o Supremo Tribunal Federal (STF) surgiu com a responsabilidade de ser a instância máxima de um dos três poderes recém-instituídos pela República, o Judiciário. E assim permaneceu até 9 de abril de 1964, data da promulgação do primeiro dos Atos Institucionais (AIs) impostos pela ditadura militar. Ele permitia ao governo que derrubara o presidente João Goulart demitir ou aposentar os magistrados. Era o início de uma escalada de sanções que chegaria ao seu ápice com o AI-5, de 1968, e a aposentadoria compulsória de Evandro Lins e Silva, Victor Nunes Leal e Hermes Lima, ministros do STF. No ano seguinte, viria o AI-6, que transferia ao Superior Tribunal Militar (STM) o poder de julgar em caráter definitivo aqueles que se opusessem ao regime.

Apesar de o AI-1 permitir que o governo pudesse arbitrar sobre a composição do Supremo, a ditadura não atuou de fato até baixar o segundo Ato. Baseado na Constituição de 1934 criada no governo Getúlio Vargas, o AI-2, de 27 de outubro de 1965, aumentava de 11 para 16 o total de ministros do STF e tinha, segundo opositores na época, a intenção de enfraquecer a instituição. Embora permitido, nem na época da ditadura de Vargas durante o Estado Novo (1937-45) o aumento do número de ministros foi instituído.

Mas foi em 13 de dezembro de 1968, com o AI-5, que a ditadura iniciou sua fase mais autoritária. Com ele, o presidente Artur da Costa e Silva aposentou compulsoriamente os ministros Evandro Lins e Silva, Vitor Nunes Leal, que também seria afastado de seu cargo na UFRJ, e Hermes Lima. Em solidariedade, os também ministros Lafaiete de Andrade e Antônio Gonçalves de Oliveira pediram aposentadoria. Além das destituições, Costa e Silva retirou o poder do tribunal de conceder habeas corpus nos casos de “crimes políticos contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular”, dando mais poderes à Justiça Militar.

Hoje todos falecidos, os ministros cassados haviam ocupado cargos de destaque antes da ditadura. Lins e Silva fora procurador-geral da República entre 1961 e 1963, chefe de Gabinete da Presidência em 1963 e ministro das Relações Exteriores, no mesmo ano. Nunes Leal, por sua vez, chefiou o gabinete do presidente Juscelino Kubitschek, entre 1956 e 1959, e se tornou consultor geral da República em 1960. Já Lima, dono de vasto currículo, foi deputado federal pelo Distrito Federal entre 1946 e 1951 (à época, na cidade do Rio de Janeiro), chefe do Gabinete da Presidência nos governos de Jânio Quadros e Jango, entre 1961 e 1962, ministro do Trabalho em 1962 e das Relações Exteriores entre 1962 e 1963, além de primeiro-ministro do país entre 1962 e 1963.

Após a saída dos cinco ministros, o governo militar impôs o Ato nº 6, em 1º de fevereiro de 1969. Com ele, os poderes da Justiça Militar aumentavam ainda mais e era restabelecido o número de 11 ministros. Cabia ao STM, a partir de então, o julgamento em última instância dos civis processados nos casos de “crimes contra a segurança nacional ou as instituições militares”. O STF não tinha mais o poder de julgar estes réus em recurso. Foi o tiro de misericórdia da ditadura na instituição mais importante do Judiciário brasileiro.

A mordaça do regime ao STF só começaria a ser superada em 19 de janeiro de 1979, no final do governo do presidente Ernesto Geisel, que seria sucedido por João Figueiredo, o quinto e último dos generais a comandar o país. A Emenda Constitucional nº 11 revogava todos os atos institucionais e restituía ao Supremo os seus poderes. O papel do STF seria fundamental no apoio aos novos rumos jurídicos do país.

Mais de três décadas depois, em solenidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2 de dezembro de 2002, os três ministros do Supremo cassados foram restituídos de suas condecorações militares, retiradas na aposentadoria compulsória. Apenas Lins e Silva pôde receber a medalha, uma vez que Nunes Leal e Hermes Lima já haviam morrido, em 1985 e 1978, respectivamente. Fundador do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e membro da Academia Brasileira de Leras (ABL), Lins e Silva faleceria duas semanas depois, no dia 17 do mesmo mês. “Jurista da democracia” foi o título do GLOBO no dia seguinte ao seu sepultamento, que fora acompanhado por personalidades e políticos, entre eles o recém-eleito presidente Lula.

* com edição de Gustavo Villela, editor do Acervo O GLOBO
Juristas. Hermes Lima (à esq.) passa o comando do Ministério das Relações Exteriores a Evandro Lins e Silva: após AI-5, aposentadoria compulsória no STF
Juristas. Hermes Lima (à esq.) passa o comando do Ministério das Relações Exteriores a Evandro Lins e Silva: após AI-5, aposentadoria compulsória no STF 20/06?

Leia mais sobre esse assunto em http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/criado-em-1890-stf-sofre-cassacao-na-ditadura-apoia-redemocratizacao-16197190#ixzz4LlmFVNfY


© 2016.

Rio Grande do Sul, Brasil



Enquadramento Histórico e Urbanismo

Com a descoberta das minas de ouro no Brasil, no fim do século XVII, aumentaram as preocupações das autoridades portuguesas no sentido de garantir a ocupação da região Sul do continente. Ao mesmo tempo, as constantes escaramuças e invasões sofridas pela Colónia de Sacramento e a grande distância a que aquela colónia ficava do Rio de Janeiro, a que estava subordinada administrativamente, faziam com que pensassem num ponto de apoio mais próximo. Daí, “fazer porto no Rio Grande de São Pedro” passou a ser cogitado com mais frequência pela metrópole. Em 19 de abril de 1730, o Conselho Ultramarino redigiu um parecer onde dizia que era evidente o quanto seria conveniente ao rei de Portugal fortificar o porto do Rio Grande de São Pedro da banda do sul, e sugeria que o tenente‐general David Marques Pereira fosse nomeado para essa empresa. É importante salientar que o porto acima mencionado está localizado no canal de saída para o mar das águas da Lagoa dos Patos, então conhecido como Rio Grande de São Pedro. A decisão de se fundar um povoado nessas paragens levou ainda algum tempo, pois somente em 1737 se efetivou uma grande operação naval para cumprir as ordens régias, que visavam impedir o prosseguimento do avanço espanhol na região e continham também a ordem de fundar um presídio no local anteriormente definido pelo Conselho Ultramarino. Assim, em 19 de fevereiro daquele ano, foi fundado, pelo brigadeiro José da Silva Paes, o Presídio de Jesus, Maria, José, primeiro assentamento português no Rio Grande do Sul, que deu origem à atual cidade do Rio Grande. O presídio cresceu, embora com dificuldades, e em 1747 foi elevado a vila, só instalada em 1751, com o nome de vila do Rio Grande. Para ali foram os imigrantes açorianos, a partir de 1752 e os engenheiros militares que iriam iniciar as demarcações das fronteiras resultantes do Tratado de Madrid. Com este objetivo se deslocou o governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, que chegou ao Sul em 1751. Em 1763, a vila do Rio Grande foi invadida pelos espanhóis de Buenos Aires, que se mantiveram por treze anos no local. Com isso a vila perdeu seu título e teve um forte declínio populacional, só vindo a florescer após a retomada pelos portugueses, em 1776. Sua localização estratégica permitiu a incursão dos portugueses pelos caminhos fluviais do interior do Rio Grande do Sul, que deram origem a vários outros pequenos aglomerados urbanos, solidificando a ocupação da região.


Luiz Fernando Rhoden

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Por Jânio de Freitas

‘Está claro que não se trata de Sérgio Moro, ou de uma tribo de fanáticos religiosos empenhados em autos-da-fé (os livros em inglês preservam a expressão no original português). A decisão do tribunal do Sul (ah, o Sul dos saudosos do Duce e do Fuhrer, dos soldados da Falange e crentes da Opus Dei!) revela que se trata de contágio mais amplo Mostra-se a face da Justiça que nasceu para castigar escravos, roubar terras e fraudar impostos; espalhou-se em milhares - mais do mesmo em todo o mundo junto - de faculdades onde se ensina, ao lado de rudimentos da arte sofística, que o melhor Direito reside onde está a força e a grana."

 Nilson Lage (Linguista)


Mesmo para quem já pesquisou muito o Império e a República Velha, quem pesquisou o uso político-partidário da polícia como milícia privada, instrumentalizada como cabos eleitorais a serviço dos arcaicos interesses dos mandonismos de plantão, a serviço de tribunais de exceção - não se encontram ocorrências como a da prisão política de Palocci, com tantos deboches no colégio eleitoral local a partir de um ministro da Justiça. Também o atual nepotismo regional no ministério dos golpistas é ainda maior do que o nepotismo verificado há 100 ou 150 anos.

RCO
Tradicional nepotismo das Alagoas - "Cotado para assumir o ministério do Turismo no governo de Michel Temer, o deputado Marx Beltrão (PMDB) tem percorrido todo o Estado de Alagoas em busca votos para candidatos aliados na disputa por prefeituras. Mas em cinco cidades, uma possível vitória terá sabor especial: Jequiá da Praia, Coruripe, Feliz Deserto, Penedo e Piaçabuçu, onde disputam a prefeitura, respectivamente, irmã, tio, tia e dois primos."
RCO
Candidato na frente das pesquisas em São Paulo, João Dória, João Agripino da Costa Dória Júnior, surge como o maior símbolo e fenômeno do atraso político, genealógico e pós-moderno de direita nestas eleições. Procede de algumas das mais antigas genealogias baianas, já estudadas por Francisco Antonio Doria, desde senhores de engenho escravistas, militares, burocratas, intelectuais. Filho de deputado federal e publicitário, João Dória, um dos inventores do dia dos namorados no Brasil, para ampliar vendas, sua mãe era prima próxima de Ruy Barbosa. Agora Dória Jr. declarou um patrimônio de quase 200 milhões, sempre subestimado, com muitas mansões, luxos cafonas e empresas de fachada. João representa o capitalismo imaterial contemporâneo imbricado no extrativismo estatal, marketing corporativo, editora de modas, alta gastronomia, programas em mídias e TVs. O grupo pouco produz de produtos físicos, além de articulações políticas e empresariais, como a LIDE, Grupo de Líderes Empresariais, conexões com o judiciário, como a famosa foto com o Juiz Moro. Seguem os típicos padrões comportamentais da classe dominante histórica brasileira, como o esbulho de terras públicas em Campos do Jordão, promiscuidade entre o público e o privado, sonegações, offshores, propriedades em Miami, Panama Papers. Na mesma chapa do PSDB entra como vice o deputado federal Bruno Covas, neto do ex-governador Mário Covas, fechando pesadamente o circuito oligárquico-familiar na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Um retrato das elites sociais, econômicas, ideológicas e políticas brasileiras em 2016, no Brasil pós-golpe. Dialética entre o passado escravista para o capitalismo imaterial, pós-moderno, subordinado, excludente, contemporâneo do processo existencial da classe dominante brasileira.

RCO

domingo, 25 de setembro de 2016

UM BARÃO INUSITADO: A história de Chico Castellano


Desde os tempos do império, das primeiras formas de abastecimento de água de Curitiba, como as bicas, cariocas, pipeiros, redes de encanamento para água e esgoto, até chegarmos aos modernos reservatórios, foi percorrido um longo caminho na história de Curitiba. Nesta trilha, encontramos personagens inusitados, que por algum fato marcaram época em uma cidade bem diferente, desta que conhecemos atualmente.
A partir do final do século XIX, a presença de carroças equipadas com barris de água, fazia parte da paisagem curitibana. Eram os chamados "pipeiros" ou "aguadeiros", que faziam o transporte de água pelas ruas da capital paranaense.
- Aguadeiro abastecendo pipa na praça Zacarias
A população que naquela época, dependia das "bicas" para abastecer suas casas, também se utilizava deste serviço de distribuição de água. Durante cerca de 40 anos, estes profissionais venderam este precioso líquido, para os curitibanos que pudessem arcar com tal despesa, e segundo SCHUSTER (1994), um pouco antes da virada do século, ocorreu uma espécie de revolta, na qual a população se mobilizou contra o aumento "de um tostão" impostos pela Câmara de Vereadores para cada pipa (Barril) d'água. Nesta mesma época, somente algumas casas já possuíam sanitários, e na grande maioria das moradias era utilizada a famosa "casinha" no quintal. Porém com o avanço das técnicas de construção, os sanitários foram inseridos dentro das casas, e o esgoto era despejado em fossas através de encanamentos. Tais fossas sofriam constantes entupimentos, e aí surge um personagem curioso, Francisco Castellano, que viu no esgoto, uma forma de lucrar. Tal cidadão desenvolveu um sistema mecânico de sucção de fossas, que era comandado por uma alavanca, e esta era presa a uma carroça, puxada por dois burricos. O negócio de "Chico" como era chamado, cresceu e prosperou, e o tornou um empresário bem sucedido na cidade. As más línguas da população, passaram a se referir ao engenhoso inventor, como Chico "Bosta", ou ainda, o Barão da "Merda", fato que o transformou, em um dos mais interessantes personagens da história curitibana.

REFERÊNCIAS:

Schuster, Zair.L.L. Resgate da Memória do Saneamento Básico do Paraná. 1° Edição, Curitiba, Sanepar, 1994.

Por: Rafael Briones Matheus


http://parquedaciencia.blogspot.com.br/…/um-barao-inusitado…

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Rotina diária do poder golpista

 De manhã atacam direitos humanos e civis, com prisão arbitrária e desnecessária. De tarde atacam direitos educacionais e democráticos, com medida provisória, ignara e superficial de escola desvinculada dos direitos sociais e políticos. Humanidades andam juntas com a matemática, ciências, tecnologias, linguagens, artes, educação física, filosofia e sociologia, se quiserem evitar novas Auschwitz e Hiroshima. Tudo isto é a própria cidadania moderna, bem além do QI dos golpistas bananeiros.

Ricardo Costa de Oliveira

sábado, 17 de setembro de 2016

Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho


"Mal se sentou outra vez no canapé, bateram três horas no relógio da casa. O silêncio era profundo; e, como a divergência dos relógios é o princípio fundamental da relojoaria, começaram todos os relógios da vizinhança a bater, com intervalos desiguais, uma, duas, três horas. Quando o espírito padece, a coisa mais indiferente do mundo traz uma intenção recôndita, um propósito do destino. Brotero começou a sentir esse outro gênero de mortificação. As três pancadas secas, cortando o silêncio da noite, pareciam-lhe as vozes do próprio tempo, que lhe bradava: Vai dormir. Enfim, cessaram; e ele pôde ruminar, resolver, e levantar-se, bradando:
— Não há outro alvitre, é isto mesmo."
.

Leia o conto completo no site: http://goo.gl/ul9UNj

Fonte : Eli Fenske
Перед каждым однажды встаёт выбор: с кем ты, на чьей стороне ты ведешь свой незримый бой? Какой след ты оставишь в истории своей Родины?..

Antes de cada um fica a escolha: Quem és tu, de que lado você vai levar sua batalha invisível? O que você deixar rastro na história da sua terra natal?..

http://pereprava.org/trust/3735-voiny-duha-zemli-russkoy-peresvet.html

Stasis. Homo sacer II, 2

"... povo é um conceito contraditório e fantasmático. O povo, que só pode ser representado, desaparece no seu representante – o qual é, por sua vez, o fruto do engano visual que compõe muitos seres em um só. Portanto, a multitudo dissoluta, única presença na cidade, se dá por conta da constituição do soberano. Mas ela é também o sujeito da guerra civil (Behemoth) que permanece assim inseparável do Leviatã como uma projeção do estado de natureza, da luta de todos contra todos, no coração da civitas. Behemoth e Leviatã convivem e, seja segundo a tradição (na origem talmúdica), seja segundo a lógica rigorosa (isto é, profética) de Hobbes, acabarão por matar um ao outro. Somente então, com o desaparecimento do estado profano, poderá afirmar-se, entre os homens, o Reino de Deus: a ficção da representação será apagada e a multidão restituída a si mesma."

Resenha de "Stasis. Homo sacer II, 2" feita por Andrea Cavalletti (traduzida no Flanagens):

“Um mal menor é sempre menor que um subsequente possivelmente maior. Todo mal resulta menor em comparação com outro que se anuncia maior e assim até o infinito. A fórmula do mal menor, do menos pior, não é mais que a forma que assume o processo de adaptação a um movimento historicamente regressivo cujo desenvolvimento é guiado por uma força audaciosamente eficaz, enquanto que as forças antagônicas (ou melhor, os chefes das mesmas) estão decididas a capitular progressivamente, em pequenas etapas e não de uma só vez (...)." (Antonio Gramsci, Cadernos do Cárcere, Caderno 16, §25).



Soneto


Para Paula


Es una rubia furia desatada,
Gatea, sube y baja, embiste, grita.
Caléndula que araña, uñas de pita,
Torito bravo, más: una manada.

Comedora de flores desmadrada,
Vesubio en miniatura. Es la rayita
Que no cesa, pimienta y dinamita,
Torbellinita desencadenada.

¿La imagináis durmiendo una muñeca?
La Bubu es domadora, es karateca,
Pulgón y filoxera de la vida.

¡Ay madre mía, cuando tenga dientes!
Prepárense sus deudos y parientes.
¡Y aún creen sus padres que esto es una niña!

José Hierro

Biblioteca Digital Ciudad Seva


domingo, 11 de setembro de 2016

Desigualdades e Democracia


¿Por qué no habrían de rabiar los viejos?


W. B. Yeats

¿Por qué no habrían de rabiar los viejos?
Algunos vieron a un muchacho de futuro
Que buen pulso tenía en la pesca con anzuelo
Convertirse en un periodista borracho;
A una muchacha que supo todo Dante de memoria
Vivir para parir hijos de un necio;
A una Helena de sueño benéfico y social
Subir a gritar a una vagoneta.

Algunos piensan que es cosa natural que el destino
Deba matar de hambre a los buenos
Y a los malos hacerles progresar;
Que si sus vecinos imaginaran claramente,
Como en una pantalla iluminada,
Ni una sola historia encontrarían
De una mente feliz que no quebrara
O de un final digno del comienzo.

Los jóvenes no saben nada sobre esto,
Los viejos, que todo observan, bien lo conocen;
Y cuando sepan lo que dicen los libros de antes
Y que nada mejor podemos esperar,
Entonces sabrán por qué habría de rabiar un viejo.



Biblioteca Digital Ciudad Seva

"Han pasado cuarenta años, y todo lo que podemos decir es que sabemos sus nombres,
Sabemos sus domicilios
Sabemos como se enriquecieron
Sabemos el lugar de sus vacaciones
Sabemos donde torturaron, donde violaron, donde asesinaron
Sabemos a que iglesias asisten
A que fiestas concurren, a que supermercados van de compras con sus nietos
Sabemos que obispos, que cardenales
Rezaron y rezan por ustedes
Sabemos que jueces los amparan, que Dios los protege.
Y algún día
Sabremos donde enterraron a nuestros muertos.
Pero eso no es todo, no,
También sabemos que ninguna oración posible, que ningún arrepentimiento,
Que ningún acto humano conocido o desconocido
podrá remediar jamás lo que nos hicieron.
Ustedes son los padres
Del triunfo violento,
Amargo
Y definitivo del mal.
Nos duelen unánimes todas las partes del cuerpo y del alma,
Y nos dolerán hasta el fin de nuestros días.
Pero no teman, pueden vivir en paz.
De nosotros no teman actos de coraje
Ni actitudes de desafío
De nosotros no teman siquiera una mirada que acuse.
Así no puede ser, lo sabemos,
Pero así es, así es, así es,

¡Perdón, perdón, perdón, por nosotros, los cobardes!"


Juan Radrigán. Dramaturgo Chileno

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Estado se torna o comitê executivo das famílias mais oligárquicas da nossa história. O golpe político no Brasil é um golpe das forças mais retrógradas da classe dominante tradicional brasileira. A força do Antigo Regime que nunca acabou no Brasil. Querem jornadas de trabalho de 12 horas e aparelham o Estado com os mais atrasados quadros. O aparelhamento político do Ministério Público é mais um desfecho do golpe. A família Andrada é a mais antiga no legislativo nacional e com maior continuidade por lá. O pai do novo vice-procurador, Bonifácio de Andrada, é o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), fundador e reitor da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), defendeu dias atrás uma desvinculação entre pesquisas e universidades, um lobby das privadas. Pioraram muito em 200 anos porque o Bonifácio de Andrada original era um pesquisador internacional. Nem o PIG consegue esconder os vínculos com o PSDB !

RCO