sábado, 22 de agosto de 2015
Dona Ondina e Seu Teto.
Samizdat
Desde a mudança para o novo apartamento, aqueles passos
vinham lhe martelando a cabeça. Pesados, firmes, marciais, passos de quem
nenhuma consideração nutria pelo vizinho de baixo. E o morador sob aqueles pés
que pisavam com tamanha voracidade era ela, viúva, inválida, prisioneira de uma
cadeira de rodas, clamando por sossego no apagar de sua existência, sossego
quebrado pelos maus modos do morador do 802.
Menos de uma semana convivendo forçosamente com aqueles pés
de pedra e pouco sobrara da curta paciência de Dona Ondina. Bastava o morador
do 802 chegar em casa e o tormento se iniciava. Passos, a qualquer hora do dia.
Uns secos, denunciando os pés descalços do vizinho em contato com o assoalho -
Dona Ondina tinha a certeza pela natureza dos sons que o chão acima de sua
cabeça era forrado por tacos - outros, agudos, quando a criatura portava
sapatos. "Maldito! Se ao menos tivesse um piso para amenizar o
trote", lamentava.
Certa noite, despertada pelo andar paquidérmico do vizinho,
Dona Ondina, abandonou sua cama e embarcou na cadeira de rodas rumo ao
interfone. Reclamou com o sonolento porteiro do comportamento anti-social do
morador do 802 e pediu providências. Minutos depois, o empregado, agora
desperto, certo assombro modulando a voz, informou à importunada velhinha que o
"Seu Rosalvo" havia demonstrado bastante irritação com a abordagem
àquela hora da madrugada e, como conseqüência, mandara um recado à reclamante.
— Que tipo de recado, Diderot?
O porteiro, iluminista só no registro de nascimento, ainda
tentou amenizar a situação.
— Com todo o respeito, Dona Ondina, ele mandou a senhora
tomar naquele lugar onde o sol não bate...
O incidente fez que dela germinasse profundo ódio em relação
ao morador do 802. O rude trotar de Rosalvo tornou-se apenas um componente no
manancial de insatisfações que a anciã cultivava por ele. Suas gargalhadas,
visitas, músicas escutadas, barulho da descarga, cheiro das suas frituras de
homem solteiro, tudo era motivo de reclamações. Diderot ainda tentava apaziguar
a contenda porém, Dona Ondina era resoluta: “Até a respiração desse calhorda me
incomoda”, dizia ela ao porteiro da noite.
A solidão de Dona Ondina provocada por sua dificuldade em
locomover-se era, diluída pela visita semanal da faxineira e pela internet. Os
netos, presença bissexta no apartamento, costumavam provocá-la, chamando-a de
“Vovó Internauta”. Ela assentia rejubilada àquelas homeopáticas manifestações
de carinho dos seus enquanto conectava-se em ondas cibernéticas com o mundo que
lhe era privado pela fraqueza das pernas. Cadeira de rodas em frente ao
computador, Dona Ondina surfava na rede,
comprando o que era necessário para sua sobrevivência de mulher que
pouco ia à rua, fazendo amigos virtuais, trocando receitas por e-mails,
vasculhando a vida alheia nas páginas de relacionamentos pipocantes no universo
web.
Foi quando ela chegou, obra do acaso, em curioso endereço
eletrônico intitulado “Despacho.com”. No site a anciã descobriu, num misto de
encantamento e horror, diversos trabalhos de religiões afros para o bem e para
o mal. Numa seção, o internauta poderia enviar
o seu “ebó virtual” para prosperidade, saúde, doença ou morte de algum
desafeto.
Rosalvo estava impossível naquele dia, sapateando nos miolos
de Dona Ondina, cd dos sambas-enredos no último volume. Ela olhou a tela
iluminada à sua frente, encarou o teto como se dali brotasse o barulho
provocado pelo morador do 802, suspirou e pediu perdão a Santa Prisciliana, de
quem era devota.
Selecionou com o mouse o mais perverso dos ebós.
Clicou em “enviar”.
Os dias correram em velocidade banda larga e Dona Ondina
esqueceu por completo Rosalvo, macumbas virtuais e netos ingratos, mergulhando
por inteira em sua invalidez e no passatempo da internet. Em certo momento,
percebeu que há dias nenhum barulho partia do andar de cima. Agora era o
silêncio que a incomodava. Incômodo de mãos dadas com o remorso. Temeu que o
ebó encomendado houvesse surtido efeito e internamente se justificava: “Foi um
momento de desespero, o homem me perturbava o dia inteiro”. Ou ainda: “Não
levei a sério o Despacho ponto com, foi uma brincadeirinha de velha”.
Entrou em pânico ao sentir o cheiro da carne apodrecida
vindo do andar de cima. Imediatamente ligou para a portaria. Aristófanes,
porteiro do dia, atendeu e de pronto foi averiguar. Minutos depois o interfone
soou no apartamento de Dona Ondina:
— Ligue não, Dona. Era um pacote de carne podre que alguém
jogou fora e ficou entalado na porta da lixeira do oitavo andar. Seu Rosalvo
deve estar vivo e gozando a vida por aí.
— E você sabe dele, Aristófanes?
O porteiro do dia, que de gracejador possuía algo além do
nome de batismo, não perdeu a oportunidade de vomitar um gracejo:
— Seu Rosalvo viaja muito. Faz uma semana que eu não vejo
ele. Deve estar queimando a rosca em algum lugar.
— Como?
— Essas coisas, Dona. Tenho até vergonha de falar com a
senhora. Esses negócios estranhos, de homem com homem, a senhora entende?
Dona Ondina entendia, mas não eram os gostos sexuais do
vizinho do 802 o alvo de suas preocupações. Queria o silêncio pairando sobre
sua cabeça e temeu o regresso de Rosalvo, pisando duro, gargalhando alto,
ladrão de sua paz.
— Quem sabe ele se casa, Dona, com um gringo bonitão que
leve ele lá pras estranjas? Copacabana tá cheia deles!
Se casou, não deu notícias. Meses avançaram sem que um único
barulho escapasse do andar de cima. Nem o som de uma chave girando dentro da
fechadura chegava aos ouvidos de Dona Ondina. Arrependida por julgar haver
vitimado Rosalvo com as artes do ciberfeitiço, a anciã acendeu uma vela virtual
e deixou uma oração pela suposta alma no “Santa Prisciliana on line”.
Alívio percorreu seu ser quando foi acordada uma noite pelos
passos de Rosalvo. Por debaixo das cobertas, chegou a sorrir ao reconhecer as
passadas familiares, rítmicas, do vizinho do 802. Ele estava de volta. Nada
acontecera. Certamente, largado pelo namorado estrangeiro que não deveria
existir somente na cabeça maledicente de Aristófanes, Rosalvo retornara. Dona
Ondina reencontraria o sossego de
espírito, roubado pelo silêncio que tanto ansiara. Jurou nunca mais reclamar de
Rosalvo, emitir-lhes pensamentos rancorosos ou botar seu nome em bocas de sapos
de mentira nas páginas da internet.
Tentaria selar a paz com o morador de
cima.
Porém, dias transcorriam e os baques provocados pelos pés de
Rosalvo tornaram-se insuportáveis. Houve momentos em que ele chegou a andar por
horas a fio massacrando os miolos da anciã a qual deixou de lado a trégua e
acionou o porteiro da noite.
— Diderot, avisa para o Seu Rosalvo que ele está me deixando
doida com esse barulho na minha cabeça.
— Como assim, Dona Ondina?
— Os passos, Diderot, desse cavalo batizado do Rosalvo.
Percebeu uma sensação de constrangimento do outro lado da
linha.
— Dona Ondina, Seu Rosalvo morreu. O corpo foi encontrado
semana passada lá na estrada das Paineiras. Desovaram o coitado...
— Tem alguém no apartamento?
— Não, os parentes dele vêm amanhã para tirar a mobília.
Dona Ondina negou-se a consultar um psiquiatra. Os filhos,
agora mais presentes, tentaram de todas as formar dissuadi-la da decisão, mas
ela manteve-se firme. Era o finado vizinho que estava lá, sapateando sobre sua
cabeça como forma de vingança por ela ter encomendado sua morte através das
forças ocultas. E ela, pecadora, teria que permanecer ali até o final dos seus
dias purgando a sua maldade com um semelhante. “Deixe de besteira, mãe” dizia
um filho. “Se ouvem a senhora falando deste modo, acabam acreditando e te
denunciam”, dizia o outro. “Vocês não o percebem porque ele é esperto. Fica
quietinho quando tem mais alguém em casa. Ele só que me atormentar, e com
justiça”. Os filhos desistiram. Que a mãe ficasse com suas loucuras.
Dona Ondina passou a pesquisar em sites sobre fenômenos
mediúnicos e descobriu que o modo mais fácil de se comunicar com aquele tipo de
espírito seria através das pancadas que ele emitia.
Logi que as batidas no teto voltaram, ela perguntou com
firmeza:
— É você que se manifesta, Rosalvo? Se for você, bata duas
vezes.
Três batidas secas.
Repetiu a pergunta diversas vezes. Sempre as mesmas três
pancadas em negativa.
Intrigada, ela catou caneta e papel para em seguida
pergunta:
— Pode então soletrar seu nome através de um número de
batidas correspondente a cada letra do alfabeto? Um batida para a letra
"A", duas para "B" e assim por diante? Se concordar, bata
uma vez.
Uma batida.
— Então, vamos ao trabalho.
Gastou a tarde inteira conversando com o morto pelo método
das pancadas. Descobriu chamar-se Ângelo e que vivera naquele apartamento 30
anos atrás. Permanecera no imóvel sempre assustando àqueles que se aventurassem
nele morar, porém, estava cansado dessa vida de fantasma batucador de tetos.
Antes, tentara fazer o mesmo com ela, Ondina, mas ficara decepcionado com a
confusão que a velhinha fizera entre suas batidas e os passos de Rosalvo,
realmente barulhentos. Estava mesmo surpreso por ela imaginar ser ele o
espírito de Rosalvo. Tranqüilizou a anciã afirmando que o morador do 802 não
fora vítima dele, nem tão pouco dos seus ebós à distância. Rosalvo morrera por
obra de um assaltante especializado em seduzir homens para roubá-los.
"Reagiu, o pobre coitado".
Aperfeiçoaram o método de comunicação, passando das batidas,
alvo das reclamações do vizinhos, para a escrita no computador. Dona Ondina
digitava e Ângelo respondia logo abaixo, guiando o cursor como por encantamento.
Dona Ondina viveu seus últimos anos assim, em colóquio
diário com o espírito batedor. Soube noticias do outro lado, inclusive de
parentes. Ângelo revelou-se um ótimo correspondente do além. Guardou segredo
até o fim. Ninguém acreditaria mesmo...
Un sueño
Iván Turgueniev
I
Yo vivía entonces con mi madre en una pequeña ciudad del
litoral. Había cumplido diecisiete años y mi madre no llegaba a los treinta y
cinco: se había casado muy joven. Cuando falleció mi padre yo tenía solamente
seis, pero lo recordaba muy bien. Mi madre era una mujer más bien bajita,
rubia, de rostro encantador aunque eternamente apenado, voz apagada y cansina y
movimientos tímidos. De joven había tenido fama por su belleza, y hasta el
final de sus días fue atractiva y amable. Yo no he visto ojos más profundos,
más dulces y tristes, cabellos más finos y suaves; no he visto manos más elegantes.
Yo la adoraba y ella me quería... No obstante, nuestra vida transcurría sin
alegría: se hubiera dicho que un dolor oculto, incurable e inmerecido, consumía
permanentemente la raíz misma de su existencia. La explicación de aquel dolor
no estaba sólo en el duelo por mi padre, aun cuando fuese muy grande, aun
cuando mi madre lo hubiera amado con pasión, aun cuando honrara piadosamente su
memoria... ¡No! Allí se ocultaba algo más que yo no entendía, pero que llegaba
a percibir, de modo confuso y hondo, apenas me fijaba fortuitamente en aquellos
ojos apacibles y quietos, en aquellos maravillosos labios, también quietos,
aunque no contraídos por la amargura, sino como helados de por siempre.
He dicho que mi madre me quería; sin embargo, había momentos
en que me rechazaba, en que mi presencia le pesaba, se le hacía insoportable.
Experimentaba ella entonces una especie de involuntaria repulsión hacia mí, de
la que se espantaba luego, pagándola con lágrimas y estrechándome sobre su
corazón. Yo cargaba la culpa de estos intempestivos brotes de hostilidad a la
alteración de su salud y a su desgracia... Verdad es que estas sensaciones
hostiles podían haber sido provocadas, hasta cierto punto, por unos extraños
arrebatos de sentimientos malignos y criminales, incomprensibles para mí mismo,
que despertaban de tarde en tarde dentro de mí... Pero estos arrebatos no
coincidían con aquellos instantes de repulsión. Mi madre vestía siempre de
negro, como si guardase luto. Llevábamos un tren de vida bastante holgado,
aunque apenas nos relacionábamos con nadie.
II
Mi madre había concentrado en mí todos sus pensamientos y su
solicitud. Su vida se había fundido con mi vida. Este género de relaciones
entre padres e hijos no favorecen siempre a los hijos... Suele ser más bien
nocivo. Por añadidura, mi madre no tenía más hijo que yo... y los hijos únicos,
por lo general, no se desarrollan adecuadamente. Al educarlos, los padres se
preocupan tanto de sí mismos como de ellos... Eso es un error. Yo no me volví
caprichoso ni duro (una y otra cosa suele aquejar a los hijos únicos), pero mis
nervios estuvieron alterados hasta cierta época; además, tenía una salud
bastante precaria, saliendo en esto a mi madre, a quien también me parecía
mucho de cara. Yo evitaba la compañía de los chicos de mi edad, en general
rehuía a la gente e incluso con mi madre hablaba poco. Lo que más me gustaba
era leer, pasear a solas y soñar... ¡soñar...! ¿De qué trataban mis sueños? No
podría explicarlo. A veces tenía la impresión, es cierto, de hallarme delante
de una puerta entornada que ocultaba ignotos misterios, y yo permanecía allí, a
la espera de algo, anhelante, y no trasponía el umbral, sino que cavilaba en lo
que podría haber al otro lado... Y seguía esperando, y me quedaba transido... o
transpuesto. Si hubiera latido en mí la vena poética, probablemente me habría
dedicado a escribir versos; de haberme sentido atraído por la religión, quizá
me hubiera hecho fraile. Pero, como no experimentaba nada de eso, continuaba
soñando y esperando.
III
Acabo de referirme a cómo me quedaba transpuesto, en
ocasiones, bajo el influjo de ensoñaciones y pensamientos confusos. En general,
yo dormía mucho, y los sueños desempeñaban un papel considerable en mi vida.
Soñaba casi todas las noches. Los sueños no se me olvidaban, y yo les daba
importancia, los consideraba premoniciones, procuraba desentrañar su sentido
oculto. Algunos se repetían de vez en cuando, hecho que siempre me parecía
prodigioso y extraño. Un sueño, sobre todo, me hacía cavilar. Me parecía que
iba caminando por una calle estrecha y mal empedrada de una vieja ciudad, entre
altos edificios de piedra con los tejados en pico. Yo andaba buscando a mi
padre, que no había muerto, sino que se escondía de nosotros, ignoro por qué
razón, y vivía precisamente en una de aquellas casas. Yo entraba por una puerta
cochera, baja y oscura, cruzaba un largo patio abarrotado de troncos y tablones
y penetraba por fin en una estancia pequeña que tenía dos ventanas redondas. En
medio de la habitación estaba mi padre, con batín y fumando en pipa. No se
parecía en absoluto a mi padre verdadero: era un hombre alto, enjuto, con el
pelo negro, la nariz ganchuda y ojos sombríos y penetrantes, que aparentaba
unos cuarenta años. Le disgustaba que hubiera dado con él; tampoco yo me
alegraba en absoluto de nuestro encuentro y permanecía allí parado, indeciso.
Él giraba un poco, empezaba a murmurar algo entre dientes y a ir de un lado
para otro con paso menudo... Luego se alejaba poco a poco, sin dejar de
murmurar y mirando a cada momento hacia atrás por encima del hombro; la
estancia se ensanchaba y desaparecía en la niebla... Espantado de pronto ante
la idea de que perdía nuevamente a mi padre, yo me lanzaba tras él, pero ya no
lo veía, y sólo llegaba hasta mí su rezongar, bronco como el de un oso...
Angustiado el corazón, me despertaba y ya no podía volver a conciliar el sueño
en mucho tiempo... Me pasaba todo el día siguiente cavilando en este sueño sin
que mis cavilaciones, como es natural, me llevaran a ninguna conclusión.
IV
Llegó el mes de junio. Por esa época, la ciudad donde
vivíamos mi madre y yo se animaba extraordinariamente. En el muelle atracaban
multitud de barcos, y en las calles aparecían multitud de rostros nuevos.
Entonces me gustaba deambular por la costanera, delante de los cafés y los
hoteles, observando las diversas siluetas de marineros y demás gentes sentadas
bajo los toldos de lona, en torno a los veladores blancos, con sus jarras de
metal llenas de cerveza.
Conque una vez, al pasar delante de un café, vi a un hombre
que atrajo inmediatamente toda mi atención. Vestía un largo guardapolvos negro,
llevaba el sombrero de paja encasquetado hasta los ojos y permanecía inmóvil,
con los brazos cruzados sobre el pecho. Unos rizos negros y ralos le caían casi
hasta la nariz; los labios finos apretaban la boquilla de una pipa corta. Este
hombre me pareció tan conocido, mi recuerdo conservaba tan indudablemente
grabado cada rasgo de su rostro moreno y bilioso, así como toda su figura, que
no pude por menos de detenerme ante él y preguntarme: ¿quién es este hombre,
dónde le he visto? Al notar probablemente mi mirada fija, levantó hacia mí los
ojos negros, penetrantes... No pude reprimir una exclamación ahogada...
¡Aquel hombre era el padre a quien yo había encontrado, a
quien yo había visto en sueños!
Imposible equivocarse: el parecido era demasiado rotundo.
Incluso el largo guardapolvos que envolvía sus miembros enjutos recordaba, por
el color y el corte, el batín con que se me había aparecido mi padre.
-¿Estaré dormido? -me pregunté-. No... Es de día, hay
multitud de gente alrededor, el sol brilla en el cielo azul, y lo que tengo
delante de mí no es un fantasma, es un hombre vivo...
Me dirigí hacia un velador desocupado, pedí una jarra de
cerveza y un periódico y me senté a escasa distancia de aquel ser misterioso.
V
Con el periódico desplegado a la altura del rostro, seguí
devorando con los ojos al desconocido, que apenas hacía un movimiento y sólo de
tarde en tarde alzaba un poco la desmayada cabeza. Evidentemente, esperaba a
alguien. Yo seguía mirando, mirando... A veces me parecía que todo aquello era
invención mía, que en realidad no existía la menor semejanza, que yo había
cedido a una fantasía de mi imaginación... Pero «aquél» giraba un poco en su
silla de pronto o alzaba ligeramente una mano, y de nuevo veía yo a mi padre
«nocturno» delante de mí.
Acabó por advertir mi pertinaz curiosidad y, a poco de
mirarme, primero perplejo y luego contrariado, hizo intención de levantarse. Un
pequeño bastón que tenía recostado contra el velador cayó entonces al suelo. Yo
me precipité a recogerlo y se lo entregué. El corazón me latía con fuerza.
El hombre me dio las gracias con una sonrisa forzada y,
aproximando su rostro al mío, enarcó las cejas y entreabrió los labios como si
algo le sorprendiera.
-Es usted muy amable, joven -pronunció de pronto con voz
gangosa, áspera y dura-. Por los tiempos que corren, es cosa rara. Permítame
que lo felicite: le han dado a usted una buena educación.
No recuerdo exactamente lo que repliqué, pero pronto hubimos
entablado conversación. Supe que era compatriota mío, que había vuelto
recientemente de América, donde había vivido muchos años y adonde regresaría en
breve plazo... Se presentó con el título de barón..., pero no pude captar bien
el nombre. Lo mismo que mi padre «nocturno», terminaba cada una de sus
oraciones con una especie de confuso murmullo interno. Se interesó por conocer
mi apellido... Al oírlo pareció sorprenderse otra vez; luego me preguntó si
llevaba mucho tiempo residiendo en aquella ciudad y con quién. Contesté que
vivía con mi madre.
-¿Y su señor padre?
-Mi padre falleció hace mucho.
Preguntó el nombre de pila de mi madre y al oírlo soltó una
risa extraña, de la que luego se disculpó diciendo que se debía a sus modales
americanos y que, además, él era un tipo bastante raro. Luego tuvo la
curiosidad de conocer nuestro domicilio. Yo se lo dije.
VI
La emoción que me había embargado al iniciarse nuestra
plática se aplacó gradualmente; nuestro acercamiento me parecía algo extraño,
pero nada más. No me agradaba la sonrisita con que el señor Barón me
interrogaba, ni tampoco me agradaba la expresión de sus ojos cuando me miraba
como clavándomelos... Había en ellos algo rapaz y protector... algo que
sobrecogía. Aquellos ojos, yo no los había visto en mi sueño. ¡Qué rostro tan
extraño tenía el Barón! Marchito, cansado, pero aparentando al mismo tiempo
menos años, lo que causaba una impresión desagradable. Mi padre «nocturno»
tampoco estaba marcado por el profundo costurón que cruzaba oblicuamente toda
la frente de mi nuevo conocido y que yo no advertí hasta hallarme más cerca de
él.
Apenas había yo informado al Barón del nombre de la calle y
el número de la casa donde habitábamos cuando un negro de elevada estatura,
embozado en su capa hasta las cejas, se le acercó por detrás y le rozó un
hombro. El Barón volvió la cabeza, profirió: «¡Ah! ¡Por fin!» y, haciéndome una
leve inclinación de cabeza, se dirigió con el negro hacia el interior del café.
Yo seguí bajo el toldo con la idea de esperar a que saliera el Barón, no tanto
para reanudar la conversación con él pues en realidad no sabía de qué podríamos
haber hablado, como para contrastar nuevamente mi primera impresión. Pero
transcurrió media hora, luego una hora entera... El Barón no reaparecía.
Penetré en el establecimiento, recorrí todas las salas, pero en ninguna parte
vi al Barón ni al negro... Se conoce que se habían ausentado los dos por la
puerta de atrás.
Se me había levantado un ligero dolor de cabeza y, para
refrescarme, me encaminé a lo largo de la orilla del mar hasta un vasto parque
plantado en las afueras unos doscientos años atrás. Después de pasear un par de
horas a la sombra de los robles y los plátanos gigantescos, volví a casa.
VII
En cuanto aparecí en el recibimiento, nuestra sirvienta
corrió a mí toda alarmada. Por su expresión adiviné al instante que algo malo
había sucedido en nuestra casa durante mi ausencia. Y así era: supe que, hacía
cosa de una hora, se escuchó de pronto un grito terrible en el dormitorio de mi
madre. La sirvienta, que acudió corriendo, la encontró tendida en el suelo, sin
conocimiento, y su desmayo había durado varios minutos. Mi madre recobró al fin
el sentido, pero se vio obligada a acostarse y tenía un aire asustado y
extraño. No decía ni una palabra, no contestaba a las preguntas, y todo era
mirar a su alrededor y estremecerse. La sirvienta envió al jardinero en busca
de un médico. Llegó el doctor, le recetó un calmante, pero tampoco a él quiso
decirle nada mi madre. El jardinero afirmaba que a los pocos instantes de
escucharse el grito en la habitación de mi madre, él había visto a un
desconocido que corría hacia la puerta de la calle pisoteando los macizos de
flores. (Vivíamos en una casa de una sola planta cuyas ventanas daban a un
jardín bastante grande.) El jardinero no tuvo tiempo de fijarse en el rostro de
aquel hombre, pero era alto, enjuto, llevaba un sombrero de paja muy
encasquetado y una levita de faldones largos... «¡El atuendo del Barón!», me
pasó en seguida por la mente. El jardinero no pudo darle alcance. Además, lo
llamaron inmediatamente de la casa y lo enviaron en busca del médico. Pasé a
ver a mi madre. Estaba acostada, más blanca que la almohada sobre la que
reposaba la cabeza. Sonrió débilmente al reconocerme y me tendió una mano. Tomé
asiento a su lado y me puse a hacerle preguntas. Al principio eludía las
respuestas, pero acabó confesando haber visto algo que la asustó mucho.
-¿Ha entrado aquí alguien? -inquirí.
-No -se apresuró a contestar-. No ha venido nadie, pero a mí
me pareció... se me figuró...
Calló y se cubrió los ojos con una mano. Iba yo a decirle lo
que había sabido a través del jardinero y a contarle, de paso, mi encuentro con
el Barón... pero, ignoro por qué, las palabras expiraron en mis labios. Sin
embargo, hice observar a mi madre que los fantasmas no suelen aparecerse de
día.
-Deja eso, por favor -susurró-. No me atormentes ahora.
Algún día lo sabrás...
De nuevo enmudeció. Tenía las manos frías y el pulso
acelerado e irregular. Le administré la medicina y me aparté un poco para no
molestarla. No se levantó en todo el día. Estaba tendida, quieta y callada, y
sólo de vez en cuando exhalaba un profundo suspiro y abría los ojos con
sobresalto. Todos en la casa estaban extrañados.
VIII
Al llegar la noche le dio un poco de fiebre a mi madre, y me
pidió que me retirase. Sin embargo, no me fui a mi cuarto, sino que me tendí
sobre un diván de la habitación contigua. Cada cuarto de hora me levantaba,
llegaba de puntillas hasta la puerta y prestaba oído... Todo continuaba en
silencio, pero no creo que mi madre conciliara el sueño en toda la noche.
Cuando entré a verla a primera hora de la mañana, me pareció que tenía el
semblante arrebatado y un extraño brillo en los ojos. Durante el día pareció
aliviarse un poco; al atardecer volvió a subir la fiebre. Hasta entonces había
guardado un silencio pertinaz, pero de pronto rompió a hablar con voz anhelante
y entrecortada. No deliraba: sus palabras tenían sentido, aunque ninguna
ilación. Poco antes de la medianoche se incorporó de repente en el lecho con
brusco movimiento (yo estaba sentado junto a ella) y con la misma voz
precipitada se puso a contar, apurando a sorbos un vaso de agua y moviendo
débilmente las manos, sin mirarme ni una sola vez... Se interrumpía, pero
reanudaba el relato haciendo un esfuerzo... Todo aquello era tan extraño como
si lo hiciera en sueños, como si ella estuviera ausente y fuese otra persona
quien hablara por su boca o la hiciera hablar a ella.
IX
-Oye lo que te voy a contar, -comenzó-. Ya no eres un
muchachuelo. Lo debes saber todo. Yo tenía una buena amiga... Se casó con un
hombre al que amaba de todo corazón y era muy feliz con su marido. El primer
año de matrimonio hicieron un viaje a la capital para pasar allí algunas
semanas divirtiéndose. Se hospedaban en un buen hotel y salían mucho, a teatros
y a fiestas. Mi amiga era muy agraciada, llamaba la atención y los hombres la
cortejaban. Pero entre ellos había uno, un oficial, que la seguía
constantemente y adondequiera que ella fuese, allí se encontraba con sus ojos
negros y duros. No se hizo presentar ni habló con ella una sola vez: solamente
la miraba de manera descarada y extraña. Todos los placeres de la capital los
echaba a perder su presencia. Mi amiga empezó a hablarle a su marido de
marcharse cuanto antes, y así lo dispusieron, en efecto. Una tarde, el marido
se fue a un club: lo habían invitado a jugar a las cartas unos oficiales del
mismo regimiento al que pertenecía aquel otro... Por primera vez se quedó ella
sola. Como su marido tardaba en volver, despidió a la doncella y se acostó...
De pronto le entró tanto miedo que se quedó fría y se puso a temblar. Le
pareció oír un ruido ligero al otro lado de la pared -como si arañara un
perro-, y se puso a mirar fijamente hacia aquel sitio. En el rincón ardía una
lamparilla. Toda la habitación estaba tapizada de tela... Súbitamente, algo
rebulló allí, se alzó, se abrió... Y de la pared surgió, largo, todo negro,
aquel hombre horrible de los ojos duros. Ella quería gritar, pero no podía.
Estaba totalmente paralizada del susto. El hombre se acercó a ella rápidamente,
como una fiera salvaje, y le cubrió la cabeza con algo asfixiante, pesado,
blanco... De lo que sucedió después, no me acuerdo... ¡No me acuerdo! Fue algo
parecido a la muerte, a un asesinato... Cuando aquella espantosa niebla se
disipó al fin, cuando yo... cuando mi amiga volvió en sí, no había nadie en la
habitación. De nuevo se encontró sin fuerzas para gritar, durante mucho tiempo,
hasta que por fin llamó... y luego se embrolló todo otra vez...
Después vio junto a ella a su marido, que había sido
retenido en el club hasta las dos de la madrugada... Estaba demudado y se puso
a hacerle preguntas, pero ella no le dijo nada... Luego cayó enferma... Sin
embargo, recuerdo que al quedarse sola en la habitación fue a inspeccionar
aquel sitio de la pared. Debajo de la tapicería había una puerta secreta. Y a
ella le había desaparecido de la mano el anillo de casada. Era un anillo de
forma poco corriente, con siete estrellitas de oro y siete de plata alternando:
una antigua joya de familia. El marido le preguntaba qué había sido del anillo,
pero ella no podía contestar nada. Pensando que se le habría caído
inadvertidamente, el marido lo buscó por todas partes. No lo encontró. Presa de
extraña angustia, decidió que volverían a su casa lo antes posible y, en cuanto
lo permitió el doctor, el matrimonio abandonó la capital... Pero imagínate que
el día mismo de su marcha se cruzaron en la calle con una camilla... En la
camilla yacía un hombre con la cabeza partida al que acababan de matar. Y ese
hombre era el terrible visitante nocturno de los ojos duros. ¡Imagínate!... Lo
habían matado durante una partida de cartas...
Mi amiga se trasladó luego al campo..., fue madre por
primera vez... y vivió varios años en compañía de su marido. Él nunca supo
nada. Además, ¿qué podría haberle dicho ella? Ella misma no sabía nada.
Sin embargo, su anterior felicidad desapareció. En sus vidas
se hizo la oscuridad, y esa oscuridad no se disipó ya nunca... No tuvieron más
descendencia, como tampoco la habían tenido antes... y aquel hijo...
Toda temblorosa, mi madre se cubrió el rostro con las manos.
-Y ahora, dime -prosiguió con redoblada energía-, ¿tenía
alguna culpa mi amiga? ¿Qué podía reprocharse? Fue castigada; pero, ¿no tenía
derecho a declarar, incluso ante Dios, que el castigo era injusto? Entontes,
¿por qué se le representa al cabo de tantos años y en forma tan horrible lo
ocurrido, como si fuese una criminal atormentada por los remordimientos?
Macbeth mató a Banquo, y no es sorprendente que se le apareciera... Pero yo...
Al llegar a este punto, el discurrir de mi madre se hizo tan
incoherente, que dejé de comprenderlo. Ya no dudaba de que estuviese delirando.
X
Cualquiera comprenderá fácilmente la estremecedora impresión
que me produjo el relato de mi madre. Desde sus primeras palabras adiviné que
estaba hablando de sí misma y no de una amiga. La propia estratagema confirmó
mis sospechas. De modo que aquel era efectivamente mi padre, al que yo había
encontrado en sueños, al que había visto en persona. No lo habían matado, como
suponía mi madre, sino herido solamente. Y había ido a verla, huyendo luego,
asustado por el susto de ella. Todo lo comprendí de repente: comprendí el
involuntario sentimiento de repulsión que yo despertaba a veces en mi madre, su
constante pesar, nuestra vida de aislamiento... Recuerdo que se me iba la
cabeza, y yo la agarré con ambas manos como queriendo mantenerla en su sitio.
Pero una decisión se clavó en mi mente: la de encontrar nuevamente a aquel
hombre; encontrarle sin falta, costara lo que costara. ¿Para qué? ¿Con qué fin?
No me lo planteaba, pero el hecho de encontrarlo, de dar con él, se había
convertido para mí en cuestión de vida o muerte. A la mañana siguiente se calmó
por fin mi madre... cedió la fiebre y se quedó dormida. Después de recomendarla
a los cuidados de los dueños de la casa y de la servidumbre, salí para ponerme
en campaña.
XI
Ante todo, como es natural, fui al café donde había
encontrado al Barón, pero nadie lo conocía allí. Ni siquiera habían advertido
su presencia. Era un cliente casual. En el negro sí se habían fijado los
propietarios del establecimiento, pues llamaba demasiado la atención, si bien
nadie sabía tampoco quién era ni dónde vivía. Después de dejar, a todo evento,
mi dirección en el café, me lancé a rondar por las calles y las costaneras de
la ciudad, alrededor de los muelles, por las avenidas, asomándome a todos los
establecimientos públicos. No encontré a nadie que se pareciera al Barón o a su
acompañante. Como no había retenido el apellido del Barón, estaba en la
imposibilidad de acudir a la policía. Sin embargo, di a entender a dos o tres
celadores del orden (que por cierto me contemplaron con sorpresa sin dar del
todo crédito a mis palabras) que recompensaría generosamente su celo si
encontraban la pista de los dos individuos cuyas señas personales procuré
darles con la mayor exactitud posible. Después de corretear así hasta la hora
del almuerzo, regresé a mi casa rendido de cansancio. Mi madre se había
levantado. Su habitual tristeza tenía un matiz nuevo, cierta absorta
perplejidad que se me clavaba en el corazón como un cuchillo. Pasé la tarde con
ella. Apenas hablamos: ella hacía solitarios y yo contemplaba en silencio los
naipes. No hizo la menor alusión a su relato ni a lo sucedido la víspera. Era
como si hubiéramos acordado tácitamente no referirnos a todos aquellos hechos
terribles y extraños... Daba la impresión de que estaba contrariada y cohibida
por lo que se le había escapado sin querer. O quizá no recordara muy bien lo
que había dicho durante aquel conato de delirio febril y tuviese la esperanza
de que yo me mostrase compasivo con ella... Así lo hacía, efectivamente, y ella
se daba cuenta, pues rehuía mi mirada lo mismo que la víspera. No pude
conciliar el sueño en toda la noche. Se había desencadenado de pronto una
tormenta espantosa. El viento aullaba y se arremolinaba frenéticamente, los
cristales de las ventanas temblaban y tintineaban, silbidos y lamentos
desesperados cruzaban el aire como si algo se desgarrase en lo alto y volara
con furioso llanto sobre las casas estremecidas. Poco antes del amanecer, me
quedé transpuesto... Súbitamente, tuve la impresión de que alguien había entrado
en mi cuarto y me llamaba, pronunciando mi nombre a media voz, pero
imperiosamente. Levanté un poco la cabeza y no vi nada. Pero, cosa extraña,
lejos de asustarme me alegré: llegué de pronto a la convicción de que ahora
alcanzaría sin falta mi meta. Me vestí a toda prisa y salí de casa.
XII
La tormenta había amainado, aunque se notaban todavía sus
últimos estremecimientos. Era muy temprano, y no andaba nadie por las calles.
En muchos sitios había trozos de chimeneas, tejas, tablas arrancadas a las
vallas, ramas partidas... «La noche ha debido de ser terrible en el mar», me
dije al ver las huellas de la tormenta. Pensé dirigirme al embarcadero, pero
los pies me llevaron hacia otra parte como si obedecieran a una irresistible
atracción. A los diez minutos escasos me encontraba en una parte de la ciudad
que nunca había visitado hasta entonces. Caminaba paso a paso, sin premura pero
también sin detenerme, con una extraña sensación interna: esperaba algo
extraordinario, imposible, y al mismo tiempo estaba persuadido de que aquello
extraordinario se cumpliría.
XIII
Y, en efecto, ocurrió lo extraordinario, lo que esperaba.
Repentinamente descubrí, a unos veinte pasos delante de mí, al mismo negro que
habló con el Barón en el café en presencia mía. Embozado en la misma capa que
ya advertí yo entonces, pareció surgir de bajo tierra y, dándome la espalda,
echó a andar a buen paso por la estrecha acera de una calleja tortuosa. Me
lancé al instante tras él, pero también él aceleró el paso, aunque no volvió la
cabeza y, de pronto, dobló la esquina de una casa que formaba saliente. Corrí
hasta aquella esquina, la doblé con la misma celeridad que el negro... ¡Qué
cosa tan extraña! Ante mí se abría una calle larga, estrecha y totalmente
desierta. La niebla matutina la invadía toda con su plomo opaco, pero mi mirada
penetraba hasta el extremo opuesto, permitiéndome discernir cada uno de los
edificios... ¡Y en ninguna parte rebullía un solo ser viviente! El negro de la
capa había desaparecido tan repentinamente como surgió. Me quedé sorprendido,
pero sólo un instante. En seguida me embargó otra sensación: ¡había reconocido
la calle que se extendía ante mis ojos, toda muda y como muerta! Era la calle
de mi sueño. Me estremecí, encogido -la mañana era tan fresca-, y en seguida avancé
sin la menor vacilación, impelido por cierta medrosa seguridad.
Empecé a buscar con los ojos... Allí estaba: a la derecha,
haciendo saliente sobre la acera con una de sus esquinas, la casa de mi sueño;
allí estaba la vieja puerta cochera, con adornos de piedra labrada a ambos
lados... Cierto que las ventanas no eran redondas, sino cuadradas, pero eso no
tenía importancia... Llamé al portón. Llamé dos veces, tres veces, arreciando
en los golpes. Hasta que el portón se abrió, lentamente, rechinando mucho, como
si bostezara. Me hallaba ante una criada joven, con el cabello alborotado y
ojos de sueño. Al parecer, acababa de despertarse.
-¿Vive aquí un Barón? -pregunté a la vez que inspeccionaba
con rápida mirada el patio, profundo y estrecho... Todo, todo era igual: allí
estaban los tablones y los troncos que había visto en mi sueño.
-No -contestó la criada-. El Barón no vive aquí.
-¿Cómo que no? ¡Imposible!
-Ahora no está... Se marchó ayer.
-¿A dónde?
-A América.
-¡A América! -repetí sin querer-. Pero, volverá, ¿verdad?
La criada me miró con aire suspicaz.
-Eso no lo sabemos. Quizá no vuelva nunca.
-¿Ha vivido aquí mucho tiempo?
-No. Cosa de una semana. Ahora, ya no está.
-¿Y cuál era el apellido de ese barón?
La criada me observó extrañada.
-¿No lo sabe usted? Nosotros lo llamábamos Barón, sin más.
¡Eh! ¡Piotr! -gritó al ver que yo intentaba pasar-. Ven acá. Hay aquí un
extraño que hace muchas preguntas.
Desde la casa se dirigió hacia nosotros la recia figura de
un criado.
-¿Qué pasa? ¿Qué desea? -preguntó con voz tomada- y, después
de escucharme hoscamente, repitió lo dicho por la sirvienta.
-Bueno, pero, ¿quién vive aquí? -murmuré.
-Nuestro amo.
-¿Y quién es?
-Un carpintero. En esta calle todos son carpinteros.
-¿Podría verle?
-Ahora no. Está durmiendo.
-¿Y podría entrar en la casa?
-Tampoco. Retírese.
-Bueno; pero, más tarde, ¿estará visible tu amo?
-¿Por qué no? Claro que se le puede ver siempre... Para eso
es un comerciante. Sólo que ahora, retírese. ¿No ve usted que es muy temprano?
-Oye, ¿y el negro ese? -inquirí de pronto.
El criado nos miró perplejo, primero a mí y luego a la
sirvienta.
-¿A qué negro se refiere? -profirió finalmente-. Retírese,
caballero. Puede usted volver luego y hablar con el amo.
Salí a la calle. El portón se cerró detrás de mí, pesada y
bruscamente, sin rechinar esta vez.
Me fijé bien en la calle y en la casa, y me alejé de allí,
pero no hacia la mía. Me sentía como decepcionado. Todo lo que me había
ocurrido era tan extraño, tan inusitado... Y, por otra parte, el final
resultaba tan absurdo... Yo estaba seguro, estaba persuadido, de que
encontraría en aquella casa la estancia que recordaba y, en el centro, a mi
padre, el Barón, con su batín y su pipa... En lugar de eso, el amo de la casa
era un carpintero, se le podía visitar cuantas veces se deseara e incluso
encargarle algún mueble, quizá...
¡Y mi padre se había marchado a América! ¿Qué iba a hacer yo
ahora? ¿Contárselo a mi madre o enterrar por los siglos incluso el recuerdo de
aquella entrevista?... Era rotundamente incapaz de aceptar la idea de que un
principio tan sobrenatural y misterioso pudiera conducir a un final tan
descabellado y prosaico.
No quería volver a casa, y eché a andar sin rumbo, dejando
atrás la ciudad.
XIV
Caminaba cabizbajo, sin pensar ni apenas sentir nada,
totalmente ensimismado. Me sacó de aquella abstracción un ruido acompasado,
sordo y amenazador. Levanté la cabeza: era el mar que rumoreaba y zumbaba a
unos cincuenta pasos de mí. Me percaté de que caminaba por la arena de una
duna. Estremecido por la tormenta nocturna, el mar estaba salpicado de espuma
hasta el mismo horizonte, y las altas crestas de las olas alargadas llegaban
rodando una tras otra a romperse en la orilla lisa. Me acerqué a ellas y seguí
andando justo a lo largo de la raya que su flujo y reflujo dejaba en la arena
gruesa, salpicada de retazos de largas plantas marinas, restos de caracolas y
cintas serpenteantes de los carrizos. Gaviotas de alas puntiagudas y grito
plañidero llegaban con el viento desde la lejana sima del aire, remontaban el
vuelo, blancas como la nieve en el cielo gris nublado, se desplomaban
verticalmente y, lo mismo que si saltaran de ola en ola, volvían a alejarse y a
desaparecer en destellos plateados entre las franjas de espuma arremolinada.
Algunas, según observé, giraban tenazmente sobre una roca grande que
despuntaba, solitaria, en medio del lienzo uniforme de la orilla de arena. Los
ásperos carrizos marinos crecían en matojos desiguales a un lado de la roca y
allí donde sus tallos enmarañados emergían del amarillo saladar negreaba algo
alargado, redondo, no muy grande... Me fijé más... Un bulto oscuro yacía allí,
inmóvil, junto a la roca... Conforme me acercaba, sus contornos aparecían más
nítidos y definidos...
Me quedaban sólo treinta pasos para llegar a la roca...
¡Pero, si eran los contornos de un cuerpo humano! ¡Era un
cadáver, un ahogado que había arrojado el mar! Llegué hasta la misma roca.
¡Aquel era el cadáver del Barón, de mi padre! Me detuve como
petrificado. Sólo entonces comprendí que desde primera hora de la mañana me
habían conducido ciertas fuerzas ignotas, que yo me hallaba en su poder; y,
durante unos momentos, no hubo en mi alma nada más que el incesante rumor del
mar y algo de temor ante el destino que se había adueñado de mí...
XV
Yacía de espaldas, un poco ladeado, con el brazo izquierdo
extendido sobre la cabeza... y el derecho doblado bajo el cuerpo encogido. Un
lodo viscoso absorbía sus pies, calzados con altas botas de marinero; la
chaquetilla azul, toda impregnada de sal marina, no se había desabrochado; una
bufanda roja ceñía su cuello con nudo apretado. El rostro acezado, vuelto hacia
el cielo, parecía burlarse; bajo el labio superior enarcado asomaban unos
dientes pequeños y prietos; las pupilas opacas de los ojos entreabiertos apenas
se diferenciaban de los glóbulos oscurecidos; el cabello enmarañado, salpicado
de pompas de espuma, se esparcía por el suelo, descubriendo la frente lisa con
la línea lilácea de la cicatriz; la nariz, fina, trazaba en relieve una neta
raya blancuzca entre las mejillas hundidas. La tormenta de la noche anterior
había hecho su obra... ¡No había llegado a ver América! El hombre que había
agraviado a mi madre, mutilando su vida, mi padre -¡sí, mi padre, pues no podía
dudarlo ya!-, yacía en el fango a mis pies. Me embargaba un sentimiento de
venganza satisfecha, compasión, asco y horror... incluso de doble horror: por
lo que estaba viendo y por lo sucedido. Ese fondo malvado y criminal del que he
hablado ya, esos impulsos incomprensibles que nacían dentro de mí... que me
ahogaban. «¡Ah! -me decía-. Por eso soy así... De esa manera se manifiesta la
sangre.» De pie junto al cadáver, lo contemplaba, atento por ver si se
estremecían aquellas pupilas muertas o temblaban aquellos labios helados. ¡No!
Todo estaba inmóvil. Incluso los carrizos adonde lo había arrojado la marea
parecían estáticos; incluso las gaviotas que se habían alejado volando. Y no se
veía en ningún sitio ni un fragmento de nada, ni una tabla ni un aparejo roto.
Vacío por todas partes... Solamente él -y yo- y el mar rumoreando a lo lejos.
Miré hacia atrás. Idéntico vacío. Una cadena de colinas sin vida recortándose
sobre el horizonte... ¡Y nada más! Me angustiaba dejar a aquel desdichado en
semejante soledad, sobre el lodo de la orilla, como pasto para los peces y las
aves. Una voz interior me decía que yo debía buscar y llamar a alguien, ya que
no fuera para prestarle auxilio -¿de qué podría servir?-, al menos para
retirarlo de allí y conducirlo bajo techado. Pero un inefable pavor me embargó
de pronto. Me pareció como si aquel hombre muerto supiera que yo había llegado
allí, como si él mismo hubiese amañado aquel último encuentro, y hasta creí
escuchar el sordo murmujeo de otras veces... Precipitadamente, me aparté un
poco... de nuevo miré hacia atrás... Un objeto brillante llamó mi atención, me
hizo detenerme. Era un cíngulo de oro en la mano extendida del cadáver.
Reconocí el anillo de matrimonio de mi madre. Recuerdo el esfuerzo que me
impuse para volver sobre mis pasos, acercarme, inclinarme..., recuerdo el
contacto viscoso de los dedos; recuerdo cómo jadeaba, cerraba los ojos y
rechinaba los dientes al tirar del anillo que se resistía...
Por fin cedió, y yo emprendí una carrera alejándome de allí
a toda prisa, perseguido por algo que intentaba darme alcance y apresarme.
XVI
Todo lo sufrido y experimentado se reflejaba probablemente
en mi rostro cuando volví a casa. Apenas entré en su habitación, mi madre se
incorporó súbitamente y posó en mí una mirada de interrogación tan tenaz, que
yo terminé por presentarle el anillo, sin palabras, después de haber intentado
en vano explicarme. Ella se puso horriblemente pálida, sus ojos se abrieron
mucho, desorbitados y sin vida, como los de aquél. Exhaló un grito débil, me
arrebató el anillo, vaciló y cayó sobre mi pecho, donde quedó como paralizada,
vencida la cabeza hacia atrás y devorándome con aquellos ojos dementes muy
abiertos. Yo rodeé su cintura con mis brazos y allí mismo, sin moverme y sin
prisa, le referí todo a media voz: mi sueño, el encuentro, todo... No le oculté
el menor detalle. Ella me escuchó hasta el final. No pronunció ni una palabra,
pero su respiración se hacía más agitada, hasta que sus ojos se animaron de
pronto y bajó los párpados. Luego se puso el anillo en el dedo y, apartándose
un poco, buscó un chal y un sombrero. Le pregunté adónde pensaba ir. Levantó
hacia mí una mirada sorprendida y quiso contestarme, pero le falló la voz. Se
estremeció varias veces, frotó sus manos una contra otra, como intentando
calentarlas, y al fin profirió:
-Vamos allá ahora mismo.
-¿A dónde, madre?
-Donde está tendido... quiero ver... quiero saber... lo
sabré...
Intenté disuadirla; pero estuvo a punto de sufrir un ataque
de nervios. Comprendí que era imposible oponerse a su deseo, y salimos juntos.
XVII
De nuevo caminaba yo por la arena de la duna, pero esta vez
no iba solo. El mar se había retirado, alejándose más. Se calmaba; pero, aunque
debilitado, todavía era pavoroso y tétrico su rumor. Por fin se divisaron la
roca solitaria y los carrizos. Yo miraba con atención, tratando de discernir el
bulto redondo tendido en tierra, pero no veía nada. Nos acercamos más. Yo
aminoraba instintivamente el paso. Pero ¿dónde estaba aquello negro, inmóvil?
Sólo los tallos de los carrizos resaltaban en oscuro sobre la arena ya seca.
Llegamos hasta la propia roca... El cadáver no aparecía por ninguna parte, y
sólo en el lugar donde estuvo tendido quedaba todavía un hoyo que permitía
adivinar el sitio de los brazos, de las piernas... Los carrizos parecían
aplastados en torno, y se advertían huellas de pisadas de una persona; cruzaban
la duna y desparecían luego al llegar a un rompiente de rocas.
Mi madre y yo nos mirábamos, asustados de lo que leíamos en
nuestros rostros...
¿Se habría levantado y se habría marchado él solo?
-Pero, ¿no lo viste tú muerto? -preguntó mi madre en un
susurro.
Yo sólo pude asentir con la cabeza. No habían transcurrido
ni tres horas desde que yo tropecé con el cadáver del Barón... Alguien lo
descubriría y lo retiraría de allí. Había que buscar al que lo hubiera hecho y
enterarse de lo que había sido de él.
XVIII
Mientras se dirigía hacia el sitio fatal, mi madre estaba
febril, pero se dominaba. La desaparición del cadáver la aplanó como una
desdicha irreparable. Yo temía por su razón. Me costó gran trabajo llevarla de
vuelta a casa. De nuevo hice que se acostara y de nuevo requerí los cuidados
del médico para ella. Pero, en cuanto se recobró un poco, mi madre exigió que
yo partiera inmediatamente en busca de «esa persona». Obedecí. Sin embargo,
nada descubrí a pesar de todas las pesquisas imaginables. Acudí varias veces a
la policía, visité todas las aldeas próximas, puse anuncios en los periódicos,
fui buscando datos por todas partes, pero en vano. Me llegó la noticia de que
habían llevado a un náufrago a uno de los pueblos de la costa. Allá fui
corriendo, pero lo habían enterrado ya y, por las señas, no se parecía al
Barón. Me enteré del barco que había tomado para irse a América. Al principio,
todo el mundo estaba persuadido de que se había ido a pique durante la
tempestad; sin embargo, al cabo de algunos meses empezaron a cundir rumores de
que lo habían visto anclado en el puerto de Nueva York. No sabiendo ya qué
emprender, me puse a buscar al negro que había visto, ofreciéndole a través de
los periódicos una recompensa bastante fuerte si se presentaba en nuestra casa.
Cierto negro, alto y vestido con una capa, vino efectivamente a vernos en
ausencia mía... Pero se alejó de pronto después de hacerle algunas preguntas a
la sirvienta y no volvió más.
Así se perdió la pista de mi... de mi padre. Así desapareció
irremediablemente en la muda tiniebla. Mi madre y yo no hablábamos nunca de él.
Sólo una vez, recuerdo, se extrañó de que jamás hubiera aludido yo antes a mi
extraño sueño. Enseguida añadió: «Conque, era precisamente...», y no terminó de
formular su idea. Mi madre estuvo enferma mucho tiempo, y cuando al fin se
repuso no volvieron ya a su cauce nuestras relaciones anteriores. Hasta su
muerte, se encontró violenta a mi lado. Violenta, sí; justamente. Y ésa es una
desgracia que no se puede remediar. Todo se embota con el tiempo. Incluso los
recuerdos de los sucesos familiares más trágicos pierden gradualmente su fuerza
y su acuidad. Pero, si entre dos personas entrañables se introduce una
sensación de violencia, eso no hay nada que lo extirpe. Jamás volví yo a tener
aquel sueño que tanto me angustiaba, ya no «encontraba» a mi padre, pero en
ocasiones se me figuraba -y aún ahora se me figura- escuchar en sueños alaridos
lejanos y tristes lamentos inextinguibles. Resuenan en algún lugar, tras un
alto muro que no es posible trasponer, me desgarran el corazón y yo lloro con
los ojos cerrados, incapaz de comprender si es un ser vivo el que gime o si
escucho el prolongado y salvaje rumor del mar encrespado. Y de nuevo se
transforma en el murmujeo de una fiera, y yo me despierto con angustia y pavor
en el alma.
FIN
Biblioteca Digital Ciudad Seva
Y los ojos del loco fagocitan la luz
Y las venas del ojo son um mapa de rios
Y el brazo se contrae chapotea
Poco a poco se inunda
Andrés Neuman. In “Patio
de locos”
Leia todo o poema em :
“Patio de locos”, de Andrés Neuman ¡Disponible en Argentina! > Poemas del
Alma http://www.poemas-del-alma.com/blog/especiales/patio-locos-andres-neuman#ixzz3jZrPR7mt
terça-feira, 18 de agosto de 2015
No caminho com Maiakóvski
"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"
Eduardo Alves da Costa
AGOSTO 1964
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro – Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida
eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
(FERREIRA GULLAR, 1991, p. 164)
Afinal, o que raios é “fascismo”?
17/08/2015 Flavio Morgenstern
Texto publicado na edição impressa da Gazeta do Povo de 17 de agosto de 2015
Nenhuma palavra é mais usada no vocabulário político do que
“fascismo”, e nenhuma parece mais apartada da realidade. Vendo os discursos de
políticos, jornalistas e intelectuais no Brasil, parece que sairemos à rua e
nos depararemos com camisas negras, glorificações a Mussolini e exigências de
tudo ser colocado dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado.
Na vida real, não vemos nada disso. Aliás, vemos o último: mas quem pede a
estatização total da vida são justamente os que mais acusam os outros de
fascistas.
Isso tem explicação. Lew Rockwell já alertou, em A ameaça
fascista, que nenhuma outra palavra é mais pesada no vocabulário político.
“Fascismo” é visto como o mal em si, algo que une a direita e a esquerda em seu
repúdio. Entretanto, ao se pedir para as mesmas pessoas que detestam fascistas
que descrevam o sistema político que defendem, muitas acabarão justamente
defendendo o fascismo.
Sobretudo graças ao Holocausto promovido pelos nazistas,
espécie de ultrafascistas, a narrativa histórica parece apenas promovê-los como
assassinos desmotivados. Pelo contrário: o genocídio fascista do século 20
tinha profunda base filosófica – o que é uma violência ainda mais perigosa. E
esta base continua movendo corações e políticas mundo afora.
O grosso do fascismo é justamente o que é defendido pelos
supostos “críticos”, que adoram chamar seus adversários de fascistas
O jornalista John T. Flynn analisa os pontos que definem um
governo fascista. O governo é totalitário, pois desconhece limites para seu
poder. É uma ditadura, baseada no princípio da liderança. Permite algum
mercado, mas atolado numa imensa burocracia. A economia é cartelizada e
controlada por sindicatos. O planejamento econômico é baseado no princípio da
autarquia. O governo se sustenta com gastos e empréstimos. Os gastos são sobretudo
militares, e com fins imperialistas. Excetuando-se estas últimas definições,
nada muito diferente do sistema atual do Brasil, por exemplo. Para subir ao
poder, fascistas disputam eleições livremente, e logo começam com conchavos com
empresários que aceitem trocar a livre concorrência no mercado por monopólios
com o Estado. Familiar?
Tentar encarar o fascismo apenas pelo militarismo tampouco
convence. Fascistas promovem amplas campanhas de desarmamento para concentrar o
poder nos líderes do Estado. Parece com os militares brasileiros ou com seus
críticos, hoje no poder?
O coletivismo é a tônica, com total subordinação das
liberdades individuais – seja ter uma opinião, escrever em um jornal ou criar
uma empresa e lucrar o quanto quiser – aos ditames de um Estado total, com um
planejamento central. Parece mais algo de “coxinhas” ou justamente dos
progressistas atuais?
Na narrativa típica, vemos o fascismo por seus aspectos
periféricos. Na realidade, o grosso do fascismo é justamente o que é defendido
pelos supostos “críticos”, que adoram chamar seus adversários de fascistas.
Inclusive os judeus, as maiores vítimas dos fascistas, foram vítimas justamente
por serem a “burguesia”, a elite de hoje.
Xingar um fascista de fascista não ofende. Todavia, chamar alguém
que repudia o fascismo disso ofende. Sem perceber, ao chamar tudo de
“fascista”, progressistas não percebem que provam que os liberais são
radicalmente adversários do fascismo.
Flavio Morgenstern é analista político e autor de “Por trás
da máscara – do passe livre aos black blocs”.
domingo, 16 de agosto de 2015
"O regime democrático é tratado na Constituição como
"cláusula pétrea",
que se pretende com solidez granítica. O que não significa ser impossível
transgredi-lo. Mas significa que quem o faça ou tente fazê-lo comete crime. E
quem o comete criminoso é de fato, haja ou não a condenação que assim o defina.
Tal é a condição que muitos ostentam e outros tantos elaboram para si.
.
A pregação de parlamentares identificáveis como um núcleo de
agitação e provocação atenta contra a democracia. A excitação de hostilidades
que esses parlamentares propagam pelo país é indução de animosidade
antidemocrática –sem que isso suscite reação alguma, o que é, por si mesmo,
indício da precária condição da democracia e da Constituição.
.
O que se passa hoje na Câmara, como método e objetivos da
atividade, não é próprio de Congresso de regime democrático. Em muitos
sentidos, restaura a Câmara controlada e subserviente da ditadura. Em outros
aspectos, assume presunções autoritárias, de típico teor antidemocrático, ao
ameaçar até aprovações do Senado de punitivas suspensões da sua tramitação.
.
Um exemplo que recebeu tolerância incompatível com sua
importância: difundir informações inverídicas e sensacionalistas à imprensa, e
ao país, "para estimular mais informantes" –como feito e dito por um
procurador–, não é ético nem democrático. É autopermissão abusiva.
…
E os jornais, a TV, as revistas, o rádio –na verdade, os
jornalistas que os fazem– nesse país que concebe a democracia como uma bola,
tanto a ser chutada sempre, como a oferecer grandes e efêmeras euforias?
Agradeço à sogra de um jogador de futebol, Rosangela Lyra, que me dispensa de
alguns desagrados. Disse ela, à Folha, das pequenas e iradas manifestações que
organiza pela derrubada do resultado da eleição presidencial: "As redes
sociais amplificam e a mídia quintuplica". Entregou. Delação de dar inveja
aos gatunos da Petrobras.
.
"Isso é democracia" como slogan de antidemocracia
só indica que o Brasil ainda não é ou já não é democracia."
Janio de Freitas
Podemos refletir: como fazer para que não sejamos tolhidos pela enorme confusão que assola o mundo?
No Brasil atual, as ruas denunciam os mais completos
disfarces e inverdades pelas quais o povo não tem a menor chance de enxergar. A
escuridão é completa.
A classe média, dividida em duas partes: a mais embrutecida,
capaz de clamar inclusive pela intervenção militar, que tenta forçar
necessidade de uma outra ditadura, nos levando a pensar que ela não aprendeu
nada com 1964. No outro lado, vemos uma população mais esclarecida sofrer
tentativas de golpe contrário aos seus legítimos direitos, ações criminosas que
negam a reeleição da presidente Dilma Rousseff tentado impedi-la de exercer seu
mandato.
Na real, temos nações com muito mais problemas que este país
que segue com avanços conquistados embora esteja sob ventos de turbulência
política e social.
O Brasil contudo, é maior que os golpistas criminosos e essa
classe média medíocre. A população mais consciente deve se organizar já,
reunindo forças para não permitir retrocessos inúteis.
Pra cima deles meu povo.
Sergio Moura
Episódio magnífico da vida de Tchekhov, narrado no livro Três Russos, de Máximo Górki:
“Um dia, recebeu a visita de três senhoras suntuosamente
vestidas. Depois de terem enchido a sala com o ruído de suas saias de seda e
com o odor de perfumes capitosos, sentaram-se com cerimônia em frente ao dono
da casa, e, afetando grande interesse por assuntos políticos, passaram a fazer
‘perguntas inteligentes’:
- Antonio Pavlovitch! Por qual modo terminará a guerra?
Antonio Pavlovitch tossiu ligeiramente, refletiu e respondeu
com doçura, em um tom sério e afável:
- Provavelmente pela paz ...
- Naturalmente!... Mas quem será o vencedor? Os gregos ou os
turcos?
- Parece-me que serão vencedores os mais fortes.
- E na sua opinião, quais são os mais fortes? – perguntavam
com insistência as senhoras.
- Os mais bem nutridos e os mais instruídos.
- Oh, como é espirituoso! – exclamou uma das visitantes.
- E de quem gosta mais, dos gregos ou dos turcos? –
perguntou uma das outras senhoras.
Antonio Pavlovitch mirou-a gentilmente e respondeu com um
amável e doce sorriso:
- Gosto de torta de frutas ... a senhora gosta?
- Muito! – exclamou vivamente a dama.
- Vem um perfume tão bom dessas tortas! – confirmou
enfaticamente uma outra das visitantes.
E todas três se puseram a falar com animação, dando provas,
nessa questão de torta de frutas, de uma admirável erudição e de um perfeito
conhecimento do assunto. Estavam evidentemente encantadas por não terem mais de
puxar pela inteligência e de fingir interesse por turcos e gregos, nos quais,
até antes do encontro com Tchekhov, sem dúvida nunca haviam pensado.
E ao partirem, prometeram com alegria a Antonio Pavlovitch:
- Nós lhe mandaremos uma torta de frutas.
- Linda conversação!.. – disse eu, quando partiram.
Antonio Pavlovitch riu docemente e acrescentou:
- É necessário que cada um fale a sua língua...”.
Diário XIII
Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga
SOBREVIVENTES
Um estrondo: a verdade
em pessoa compareceu
avançando entre os homens,
até o centro do turbilhão de metáforas.
Paul Celan
IMPEACHMENT
"IMPEACHMENT. PARA OS jovens que não viram e ainda por
cima fugiram da aula de história. O Collor NÃO sofreu Impeachment. Ele assinou
sua saída do governo. A pressão contra ele não era difusa, era da sociedade
organizada: sindicatos, partidos, etc. Itamar tomou posse, e era considerado um
político honesto. Fez um bom governo. A atual pressão sobre Dilma não vem de
setores que querem combater a corrupção, e muito menos Temer é alguém
confiável, tanto é que ele é que facilitou a vida de Cunha, para este chegar
onde chegou. O contexto é diferente. Sem Dilma, a Lava Jato tende a parar, e
não a andar, ao contrário do que alguns pensam."
Por Paulo Ghiraldelli
Max Weber
Autor
Karl Emil Maximilian Weber (pronúncia em alemão: ˈmaks ˈveːbɐ;
Erfurt, 21 de abril de 1864 — Munique, 14 de junho de 1920) foi um intelectual,
jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da Sociologia. Seu
irmão foi o também famoso sociólogo e economista Alfred Weber. A esposa de Max
Weber, Marianne Weber, biógrafa do marido, foi uma das alunas pioneiras na
universidade alemã e integrava grupos feministas de seu tempo.
É considerado um dos fundadores do estudo moderno da
sociologia, mas sua influência também pode ser sentida na economia, na
filosofia, no direito, na ciência política e na administração. Começou sua
carreira acadêmica na Universidade Humboldt de Berlim e, posteriormente,
trabalhou na Universidade de Freiburg, na Universidade de Heidelberg, na
Universidade de Viena e na Universidade de Munique. Personagem influente na
política alemã da época, foi consultor dos negociadores alemães no Tratado de
Versalhes (1919) e da comissão encarregada de redigir a Constituição de Weimar.
Grande parte de seu trabalho como pensador e estudioso foi
reservado para o estudo do capitalismo e do chamado processo de racionalização
e desencantamento do mundo. Mas seus estudos também deram contribuição
importante para a economia.
Sua obra mais famosa são os dois artigos que compõem A ética
protestante e o espírito do capitalismo, com o qual começou suas reflexões
sobre a sociologia da religião. Weber argumentou que a religião era uma das
razões não-exclusivas do porque as culturas do Ocidente e do Oriente se
desenvolveram de formas diversas, e salientou a importância de algumas
características específicas do protestantismo ascético, que levou ao nascimento
do capitalismo, da burocracia e do estado racional e legal nos países
ocidentais. Em outro trabalho importante, A política como vocação, Weber
definiu o Estado como "uma entidade que reivindica o monopólio do uso
legítimo da força física", uma definição que se tornou central no estudo
da moderna ciência política no Ocidente. Em suas contribuições mais conhecidas
são muitas vezes referidas como a "Tese de Weber".
Biografia[editar | editar código-fonte]
Max Weber e seus irmãos, Alfred e Karl, em 1879
O jovem Max foi o primeiro de sete filhos de Max Weber,
advogado e político, membro do Partido Nacional Liberal, e de Helene
Fallenstein, uma descendente de imigrantes huguenotes franceses. A família
estimulou intelectualmente os jovens Weber desde a tenra idade. Seu irmão
Alfred Weber, quatro anos mais jovem, também se tornaria sociólogo, mas,
sobretudo, um economista, que também desenvolveu uma importante sociologia da
cultura.
Em 1882, Max Weber matriculou-se na Faculdade de Direito da
Universidade de Heidelberg, onde seu pai havia estudado, frequentando também
cursos de economia política, história e teologia. Em 1884 voltou para casa
paterna e se transferiu para a Universidade de Berlim, onde obteve em 1889 o
doutorado em Direito e em 1891 a tese de habilitação, ambos com escritos da
história do direito e da economia.
Depois de completar estudos jurídicos, econômicos e
históricos em várias universidades, se distingue precocemente em algumas
pesquisas econômico-sociais com a Verein für Sozialpolitik (associação fundada
em 1872 pelos economistas associados à Escola historicista alemã de economia à
qual Weber já tinha aderido em 1888.
Max Weber e sua esposa Marianne em 1894
Em 1893 casou-se com Marianne Schnitger, mais tarde uma
feminista e estudiosa, bem como curadora póstuma das obras de seu marido.
Atualmente, a publicação de sua correspondência íntima também revelou seus
relacionamentos com Else von Richtoffen e Mina Tobler, levando muitos
especialistas a revisarem a importância do amor e do erotismo em sua obra.
Foi nomeado professor de Economia nas universidades de
Freiburg em 1894 e de Heidelberg em 1896. Entre 1897, ano em que seu pai
morreu, e 1901 sofreu de uma aguda depressão, de modo que do final de 1898 ao
final de 1902 não realizou atividades regulares de ensino ou científicas. Neste
período ele esteve em alguns sanatórios e fez diversas viagens pela Europa
tendo ficado vários meses na cidade de Roma onde recuperou as forças.
Curado, no Outono de 1903 renunciou ao cargo de professor e
aceitou uma posição como diretor-associado do recém-nascido Archiv für
Sozialwissenschaft und Sozialpolitik (Arquivos de Ciências Sociais e Política
Social), com Edgar Jaffé e Werner Sombart como colegas: nesta revista
publicaram em duas partes, em 1904 e 1905, o artigo-chave A Ética Protestante e
o Espírito do Capitalismo. Naquele mesmo ano, visitou os Estados Unidos. Graças
a uma enorme renda privada derivada de uma herança em 1907, ainda conseguiu se
dedicar livremente e em tempo integral aos seus estudos, passando da economia
ao direito, da filosofia à história comparativa e à sociologia, sem ser forçado
a retornar à docência. Sua pesquisa científica abordou questões
teórico-metodológicas cruciais e tratou complexos estudos
histórico-sociológicos sobre a origem da civilização ocidental e seu lugar na
história universal.
Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu como diretor de
hospitais militares de Heidelberg e ao término do conflito, voltou ao ensino da
disciplina de economia, primeiro em Viena e em 1919 em Munique, onde dirigiu o
primeiro instituto universitário de sociologia na Alemanha. Em 1918 ele estava
entre os delegados da Alemanha em Versalhes para a assinatura do tratado de paz
e foi conselheiro para os redatores da Constituição da República de Weimar.
Encontra-se sepultado no Cemitério de Bergfriedhof de
Heidelberg, em Baden-Württemberg na Alemanha.
Escritos e obras[editar | editar código-fonte]
A ética protestante e o espírito do capitalismo, 1ª edição,
1904
Dentre as influências que a obra de Weber manifesta, podemos
enxergar também seu diálogo com filósofos como Immanuel Kant e Friedrich
Nietzsche e com alguns dos principais sociólogos de seu tempo, como Ferdinand
Tönnies, Georg Simmel e Werner Sombart, entre outros.
Dentre as principais obras do autor - organizadas
postumamente pela sua esposa Marianne Weber - constam os seguintes títulos:
1889: A história das companhias comerciais na idade média
1891: O direito agrário romano e sua significação para o
direito público e privado
1895: O Estado Nacional e a Política Econômica
1904: A objetividade do conhecimento na ciência política e
na ciência social
1904: A ética protestante e o espírito do capitalismo
1905: A situação da democracia burguesa na Rússia
1905: A transição da Rússia a um regime pseudoconstitucional
1906: As seitas protestantes e o espírito do capitalismo
1913: Sobre algumas categorias da sociologia compreensiva
1917/1920: Ensaios Reunidos de Sociologia da Religião
1917: Parlamento e Governo na Alemanha reordenada
1917: A ciência como vocação
1918: O sentido da neutralidade axiológica nas ciências
políticas e sociais
1918: Conferência sobre o Socialismo
1910/1921: Economia e Sociedade
Dentre seus escritos mais conhecidos destacam-se A ética
protestante e o espírito do capitalismo (1904), a obra póstuma Economia e
Sociedade (1920), A ciência como vocação (1917) e A política como vocação
(1919) .
Primeiros trabalhos[editar | editar código-fonte]
Os primeiros textos acadêmicos de Weber estão ligados a
trabalhos desenvolvidos em sua formação na estrutura universitária alemã. O
primeiro estudo propriamente dito foi sua tese de doutoramento intitulada A
história das companhias comerciais da idade média. Esta tendência para combinar
análise jurídica com análise histórica continua com seu próximo trabalho (tese
de habilitação), chamado A história agrária romana. Aqui ele analisa a
estrutura da propriedade agrária de Roma em sua fase tardia e suas repercussões
na legislação pública e privada. Ainda que seja um escrito bastante técnico,
ele procura contextualizar sua pesquisa no âmbito histórico, o que já demonstra
a preocupação social de suas investigações.
Durante seu período como professor universitário, Weber
dedicou-se ao ensino da economia política e de questões agrárias, uma de suas
especialidades. Como professor de economia, ele debateu os valores e limite das
principais correntes de pensamento de seu tempo: a Escola Histórica de
Economia, a Escola Marginalista (predominante na Áustria) e a Escola Marxista.
Neste período Weber também publicou um texto introdutório chamado "A
bolsa", para divulgar e promover o entendimento do funcionamento econômico
do capital financeiro.
A aproximação com os temas sociais está ligada à pesquisa
empírica de Weber na região do Leste do rio Elba. Analisando processo
migratório de poloneses na fronteira da Alemanha, Weber destacou as tendências
da introdução do capitalismo no campo e deu especial atenção às consequências
políticas daquele processo. Aplicando diversos questionários e levantando inúmeros
dados ele concluiu que o acelerado processo de modernização econômica da
Alemanha estava minando a estrutura de poder da classe dirigente: a
aristocracia agrária (denominada de classe Junker). Tal visão foi especialmente
apresentada em uma Aula Inaugural pronunciada em 1895 e denominada O Estado
Nacional e a Política Econômica. Neste período Weber notabilizou-se como um dos
grandes especialistas de questões e problemas agrários, refletindo sobre as
consequências com os reflexos do capitalismo na esfera rural.
Profundamente envolvido com a vida acadêmica, a produção de
Weber sofre uma interrupção a partir de 1897. É somente depois desta fase que a
produção sociológica de Weber começa a delinear-se.
A objetividade do conhecimento[editar | editar código-fonte]
Em 1903, junto com Werner Sombart e Edgar Jaffé, Weber funda
o Arquivo para a Ciência Social e a Ciência Política. No texto que escreveu
para a revista, intitulado A objetividade do conhecimento na ciência política e
social (de 1904) ele apresentou sua posição na discussão sobre os métodos das
ciências econômicas, polêmica que sacudia o mundo universitário da época.
A tradição alemã de filosofia social tinha suas origens em
Immanuel Kant. Mas, a tentativa de fundamentar as ciências históricas com o
pensamento kantiano inicia-se apenas com o trabalho de Wilhelm Dilthey, em
1883. A reivindicação fundamental do seu trabalho foi mostrar o estatuto
ontológico diferenciado das ciências históricas e sociais diante das ciências
da natureza. Na Alemanha este esforço continuou com os trabalhos de Wilhelm
Windelband e Heinrich Rickert. No campo da economia, esta tendência também era
representada por Gustav von Schmoller.
Max Weber não se enquadrava diretamente em nenhuma destas
posições. Com a escola neo-kantiana, ele concorda com o fato de que as ciências
humanas lidam com o fenômeno do valor. Só analisamos aqueles elementos da realidade
que tem algum sentido para nós, a partir de nossas referências de valor. Tal
posição fora retirada por Weber de Heinrich Rickert. Mas, nem por isso ele
rejeitava o valor da imputação causal nas ciências humanas, pois eram um
instrumento indispensável para a explicação dos mecanismos de entendimento da
vida social. Em síntese, Weber propunha a unificação das ciências humanas
integrando a "verstehen" (compreensão) e a "erklären"
(explicação) em uma visão dual mas não dualista da ciência .
O principal problema desta posição, contudo, é que elas
colocavam em questão o valor objetivo da ciência. Weber reconheceu que toda
pesquisa tem um ponto de partida subjetivo (ligado a referência de valor do
pesquisador), mas entendeu que este dado não destruía a objetividade da
ciência. O valor cognitivo da ciência social reside na sua capacidade de
controlar a pesquisa mediante métodos sistemáticos e padronizados de trabalho.
O ponto de partida da investigação até pode ser subjetivo, mas seu ponto de
chegada deverá ser rigorosamente objetivo.
Alicerçado na noção kantiana de a priori, Weber também
desenvolveu a noção de tipo ideal . Tal conceito mostra que as categorias da
ciência social são uma construção subjetiva do pesquisador, feita a partir de
seus interesses. Como tais, eles selecionam na realidade, sempre complexa e
caótica, certos elementos que serão aglutinados como um tipo idealmente
perfeito. Conceitos não emanam diretamente da realidade (visão hegeliana), nem
são formados apenas por abstração de elementos comuns e genéricos (visão
aristotélica), pois eles implicam acentuar determinados elementos para que eles
possam ser compreendidos. Trata-se de reunir o caos inesgotável da realidade em
conceito compreensíveis.
Ainda que Weber não tenha defendido uma visão rigorosamente
dualista da ciência, o escrito "A objetividade do conhecimento na ciência
política e na ciência social" constitui ainda hoje o principal texto para
quem defende uma visão não naturalista de ciência, ou seja, que defende a tese
de que as ciências humanas são essencialmente diferenciadas das demais ciências
de corte empírico-natural .
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo[editar |
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A ética protestante e o espírito do capitalismo[1] é
considerada a grande obra de Max Weber e é o seu texto mais lido e conhecido. A
primeira parte desta obra foi publicada em 1904 e a segunda veio a público em
1905, depois da viagem do autor e de sua esposa aos Estados Unidos. Uma segunda
versão da obra, revisada pelo próprio Weber, com diversos acréscimos, foi
publicada em 1920.
A temática das relações entre religião e capitalismo foi uma
questão central do pensamento social alemão. Do ponto de vista da análise do
capitalismo, o estudo de Weber foi precedido pela obra de Georg Simmel - A
filosofia do dinheiro (1900) -, sem esquecer do escrito de Karl Marx,
intitulado O Capital (1867). Dois anos antes da publicação do livro de Weber,
seu colega Werner Sombart também publicou um livro sobre esse problema,
intitulado O capitalismo moderno (1902) . Neste criativo e rico espírito
acadêmico, Weber procurou mostrar que o protestantismo de caráter ascético dos
séculos XVI e XVII tinha um influxo direto com o conceito de vocação
profissional, base motivacional do moderno sistema econômico capitalista.
Vejamos como a tese do livro é apresentada.
No capítulo introdutório, Weber mostra a preferência
educacional dos católicos por uma formação humanista, enquanto os protestantes
preferiam formação técnica. Ao mesmo tempo, mostrou as diferenças profissionais
entre ambos os segmentos. Weber rejeita a explicação (superficial e aparente)
de que a espiritualidade católica, fundada no ascetismo, predisporia o
indivíduo para o estranhamento do mundo e, desta forma, para a indiferença para
com os bens deste mundo; enquanto os protestantes seriam materialistas. Alega
que os puritanos se caracterizavam pelo oposto da alegria para com o mundo. Ao
contrário, ele sugere que há um íntimo parentesco entre estranhamento do mundo,
ascese e participação na vida aquisitiva.
O capítulo posterior trata do objeto da pesquisa, ou seja, é
neste momento que ele desenvolve o tipo ideal de "espírito do
capitalismo", entendido como uma individualidade histórica. Tomando como
exemplo máximas colhidas de escritos de Benjamin Franklin, tais como
"tempo é dinheiro" ou "dinheiro gera mais dinheiro" ou
ainda "o bom pagador é dono da bolsa alheia", Weber mostra que o
espírito do capitalismo não é caracterizado pela busca desenfreada do prazer e
pela busca do dinheiro por si mesmo. O espírito do capitalismo deve ser
entendido como uma ética de vida, uma orientação na qual o indivíduo vê a
dedicação ao trabalho e a busca metódica da riqueza como um dever moral. Weber
acentua claramente que o 'espírito' do capitalismo não deve ser confundido com
a 'forma' do capitalismo. Por forma, Weber entende o capitalismo enquanto
sistema econômico, cujo centro é representado pela empresa capitalista, reunião
de meios de produção, trabalho organizado e gestão racional. Ele esclarece que
as variáveis tratadas no seu livro tem a ver com a moral protestante e a
dimensão atitudinal (habitus) que serve de base ao sistema. O espírito do
capitalismo só pôde triunfar ao vencer as formas tradicionalistas de
comportamento econômico.
Passo seguinte, ele dedicou-se a analisar a contribuição do
luteranismo. Na tradução de Martinho Lutero, ao contrário da concepção
católica, "vocação" deixa de ter o sentido de um chamado para a vida
religiosa ou sacerdotal e passa a ter o sentido do chamado de Deus para o
exercício da profissão no mundo do trabalho. Com Lutero o ascetismo praticado
pelos monges fora do mundo é transferido das celas dos mosteiros para o mundo
secular, nasce daí o ascetismo intramundano. Todavia, o próprio Max Weber
reconheceu que o luteranismo ainda possui uma visão tradicionalista da vida
econômica: apesar da ênfase no trabalho, a vida aquisitiva ainda não possui um
valor em si mesma e o indivíduo está acomodado no seu círculo social.
Após, Weber destaca que o ponto de partida da ética
econômica subjacente ao capitalismo está no protestantismo pós-luterano, nas
chamadas igrejas e seitas do protestantismo ascético, tanto na sua versão
calvinista (derivada de João Calvino) quanto anabatista. Do calvinismo emana a
célebre tese da predestinação, dogma que afirma que "apenas Deus escolhe -
independente dos méritos do indivíduo - quem será salvo e quem será
condenado". Diante da angústia religiosa sofrida pelo indivíduo, o
trabalho e o sucesso na vida econômica surgem como compromissos do crente e
como indícios (embora não meio) de certeza da salvação. Apesar desta rígida
tese estar atenuada no pietismo e no metodismo, que são mais sentimentais, nas
igrejas de origem calvinista a riqueza recebe uma sanção positiva da esfera
religiosa. O mesmo processo pode ser verificado no âmbito das seitas que surgem
do movimento anabatista (rebatizados) - como os batistas, menonitas e quakers,
por exemplo - que, organizados em forma de seita, estimulam uma vida ordenada,
disciplinada e regida por rígidas normas éticas.
Analisando todo o processo em seu conjunto, Weber verifica
que dos dogmas e, em especial, dos impulsos morais do protestantismo, derivados
após a reforma de Lutero, surge uma forma de vida de caráter metódico,
disciplinado e racional. Da base moral do protestantismo surge não só a
valorização religiosa do trabalho e da riqueza, mas também uma forma de vida
que submete toda a existência do indivíduo a uma lógica férrea e coerente: uma
personalidade sistemática e ordenada. Sem estes impulsos morais não seria possível
compreender a ideia de vocação profissional, concepção que subjaz as figuras
modernas do operário e do empresário. A moral específica dos círculos
protestantes possuem uma relação de afinidade eletiva com o comportamento
(espírito) que subjaz ao sistema econômico moderno e, ainda que este não derive
apenas deste fator, trata-se de um impulso vital para o entendimento do mundo
moderno contemporâneo.
No final da Ética Protestante, Weber destaca que, apesar de
secularizada, ou seja, desprovida de fundamentos religiosos, a vida aquisitiva
da economia moderna generalizou-se para todo conjunto da vida social: os
puritanos queriam tornar-se monges, hoje todos temos que segui-los. Esta
avaliação também ganha contornos críticos, pois Weber constata que a lógica da
produção, do trabalho e da riqueza envolve o mundo moderno como uma "jaula
de ferro " e se pergunta qual o destino dos tempos modernos: o
ressurgimento de velhas ideias ou profecias ou uma realidade petrificada, até
que a última tonelada de carvão fóssil seja queimada? Em tons que lembram
Nietzsche, ele dirá ainda sobre os homens dos tempos atuais: especialistas sem
espírito, gozadores sem coração !
Esta visão crítica do capitalismo encorajou certos
pensadores marxistas (como Georg Lukács, Karl Löwith, Michael Löwy) a
ressaltarem algumas afinidades do seu pensamento com a visão marxista, corrente
que, sem menosprezar as sensíveis diferenças entre as duas formas de
pensamento, foi sendo denominada de webero-marxismo .No entanto, diferentemente
da visão marxista, que privilegia os fatores econômicos, Weber, coerente com
uma visão multicausal dos fenômenos sociais, destaca seus fatores culturais e,
mais tarde, enfatizará também a importância dos fatores materiais no surgimento
das instituições modernas .
A ética econômica das religiões mundiais[editar | editar
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Após a década de 1910, os estudos de Weber na área da
sociologia da religião foram ampliados e ele passou a aprofundar seu
conhecimento das religiões de caráter universal. Ao contrário de Durkheim, que
partiu das religiões primitivas (totemismo), Weber dedica-se à análise do
confucionismo e do taoismo, do hinduísmo e do budismo, do islamismo e do
judaísmo, ou seja, dos grandes sistemas religiosos da humanidade. Conforme ele
esclarece no Prólogo (Vorbemerkung) escrito para introduzir, em termos globais,
seus Ensaios Reunidos de Sociologia da Religião, seu objetivo primordial
consiste em entender os fenômenos centrais do racionalismo ocidental, como a
ciência, a técnica, a universidade, a contabilidade, o direito, a gestão
racional das empresas, a música, o Estado Burocrático e, em especial, o
capitalismo moderno. Conforme explicou sua esposa Marinne Weber, a descoberta
da especificidade do racionalismo moderno foi a grande inovação sociológica de
Weber e ele procurou desvendar suas origens e características, destacando o
papel da religião neste processo.
Introdução O estudo de Weber dedicado às religiões
universais possui um escrito preliminar de caráter metodológico, no qual ele
explica que, diferente do que fez na pesquisa sobre o protestantismo (em que
contemplou apenas um lado da relação causal entre ideias e interesses), nestes
estudos ele mostraria a vinculação existente entre fatores materiais e fatores
ideais nos processos sociais. Por isso, ao analisar os grandes sistemas
religiosos e suas diferentes teodiceias, ele levaria em conta também os
interesses e o papel de suas principais camadas portadoras, sejam elas
populares (camadas urbanas, rurais, etc.), sejam elites políticas (burocracias),
religiosas (sacerdotes) ou mesmo guerreiros.
Confucionismo e Taoismo O primeiro grande sistema analisado
por Weber é a milenar civilização chinesa. Ele revisa os pressupostos
econômicos e político do mundo da China, o papel do imperador e das províncias
e, em especial, a função dos mandarins (burocratas), o que introduz um caráter
ritualista e tradicional no confucionismo, voltado para a culto dos
antepassados familiares e do imperador: o universo é entendido como uma ordem
eterna - Tao - que não pode ser contestada e ao qual o indivíduo se adapta. Na
China desenvolveu-se uma tendência mística chamada taoismo, cujo fundador é
Lao-Tsé, mas que foi tragada pela poderosa força da magia, razão pela qual a
religião chinesa ficou imersa em um jardim mágico. Desta forma, ele não
desenvolveu um potencial de racionalização prática das condutas.
Consideração Intermediária Após analisar a religião chinesa,
Weber passa ao exame das religiões de salvação, nas quais existe uma relação de
tensão com o mundo: daí a necessidade de um texto intermediário que explique as
diferenças entre o misticismo (predominante do mundo oriental) e o ascetismo
(predominante no mundo ocidental. Neste texto ele também examina as tensões
entre a ordem religiosa (regida por normas) e as ordens sociais do mundo
moderno que são regidas por uma racionalidade formal e que, portanto, possuem
sua legalidade própria. As esferas analisadas por Weber são a economia, a
política, a arte, o erotismo e a ciência.
Hinduísmo e Budismo O sistema de castas vigente na Índia
demonstra que também se trata de uma religião - chamada de hinduísmo - com
fortes elementos tradicionais. As castas criam uma ordem hierárquica, no topo
da qual estão os sacerdotes brâmanes, seguidos pelos guerreiros, depois os comerciantes
e agricultores e, por fim, os demais trabalhadores. O intercâmbio entre os
grupos sociais não é permitido e a única forma de evoluir na escala social é a
roda das encarnações. O caráter sagrado das castas indianas foi rompido pela
pregação de Buda. O Budismo conservou a ideia de reencarnação, mas ela se torna
completamente individual e voltada para a dissolução do eu. Tal crença
difundiu-se por todo Oriente e constitui a grande matriz dos sistemas
religiosos orientais, que possuem um componente acentuadamente místico.
O Judaísmo Antigo O grande processo de desencantamento
religioso do mundo, ou seja, a eliminação da magia como meio de salvação, tem
aqui o seu ponto de partida. O judaísmo é uma religião pária, ou seja, há um
vínculo exclusivo entre o povo eleito e seu Deus Javé, isolando a religião
judaica do contexto social mais amplo. A elaboração de uma lei sacerdotal,
sistematizada pelos levitas e a pregação dos profetas, exigindo o cumprimento
das normas, abriu caminho para uma religião de caráter prático e ético,
expurgando o papel das crenças mágicas no sistema religioso. O judaísmo foi a
fonte do racionalismo prático da dominação do mundo que permeia o mundo
ocidental e suas diferentes instituições sociais.
Comparando estas diferentes religiões, Weber mostrou que
existe diferentes formas de racionalismo. Assim, enquanto na China predomina um
racionalismo prático que acomodação ao mundo, na Índia, ao contrário, temos um
racionalismo teórico de fuga do mundo. Já o Ocidente, começando no Judaísmo Antigo
e chegando no protestantismo ascético desenvolveu uma forma prática de
racionalismo da dominação do mundo. Dessa forma Weber nos oferece uma descrição
das diferentes formas que os processos de racionalização adquire no contexto de
diferentes culturas.
Além disso, ao comparar diferentes civilizações, Max Weber
pode ser considerado o precursor de uma sociologia que busca ir além do
eurocentrismo. Apesar de seu trabalho estar centrado no horizonte do Ocidente
Moderno, ele procura defini-lo a partir da comparação com outros modelos de
cultura e de sociedade. Sua análise da modernidade, adota uma perspectiva
cosmopolita. Esta sociologia comparada das civilizações vem sendo relida por
pensadores preocupados em pensar o mundo globalizado, tais como Shmuel Eisenstadte
Thomas Schwinn, entre outros.
Economia e Sociedade[editar | editar código-fonte]
Em 1913, Weber publicou um escrito intitulado "Sobre
algumas categorias da sociologia compreensiva", primeiro esboço de seu
método sociológico. Ele continuou a trabalhar sua visão de sociologia durante
os próximos anos em escrito encomendado para uma ampla coleção de textos
econômicos e que, por esta razão, recebeu o nome de "Economia e
Sociedade". Weber trabalhou neste volume até o final de sua vida, mas ele
só foi publicado postumamente por sua esposa, Marianne Weber. A versão mais
conhecida deste volume póstumo e a quarta edição, organizada por Johannes
Winckelmann, em 1956 .
No primeiro capítulo desta obra, aparece como conceito
fundante da teoria sociológica de Weber - a categoria ação - , considerado por
ele como o objeto da sociologia. Por essa razão sua teoria inaugura o chamado
"individualismo metodológico", postura que entende que as formas
coletivas de vida (ou mesmo a sociedade como totalidade social) deve ser
explicada a partir de suas bases individuais, opondo-se, assim, ao
"holismo metodológico".
A ação é um comportamento humano ao qual os indivíduos
vinculam um significado subjetivo e a ação é social quando está relacionada com
outro indivíduo. A análise da teoria weberiana como ciência tem como ponto de
partida a distinção entre quatro tipos de ação social:
A ação instrumental com relação a um objetivo é determinada
por expectativas no comportamento tanto de objetos do mundo exterior como de
outros homens e utiliza essas expectativas como condições ou meios para alcance
de fins próprios racionalmente avaliados e perseguidos. É uma ação concreta que
tem um fim especifico, por exemplo: o engenheiro que constrói uma ponte.
A ação racional com relação a um valor é aquela definida
pela crença consciente no valor - interpretável como ético, estético, religioso
ou qualquer outra forma - absoluto de uma determinada conduta. O ator age
racionalmente aceitando todos os riscos, não para obter um resultado exterior,
mas para permanecer fiel a sua honra, qual seja, à sua crença consciente no
valor, por exemplo, um capitão que afunda com o seu navio.
A ação afetiva é aquela ditada pelo estado de consciência ou
humor do sujeito, é definida por uma reação emocional do ator em determinadas
circunstâncias e não em relação a um objetivo ou a um sistema de valor, por
exemplo, a mãe quando bate em seu filho por se comportar mal.
A ação tradicional é aquela ditada pelos hábitos, costumes,
crenças transformadas numa segunda natureza, para agir conforme a tradição o
ator não precisa conceber um objeto, ou um valor nem ser impelido por uma
emoção, obedece a reflexos adquiridos pela prática.
Nos parágrafos seguintes Weber desenvolve ainda os conceitos
de "relação social" e de "ordem social".
Na ótica weberiana, a sociologia é essencialmente
hermenêutica, ou seja, ela está em busca do significado e dos motivos últimos
que os próprios indivíduos atribuem as suas ações: é neste sentido que a
sociologia é sempre "compreensiva" (verstehen). O principal objetivo
de Weber é compreender o sentido que cada pessoa dá a sua conduta e perceber
assim a sua estrutura inteligível e não a análise das instituições sociais como
propunha Durkheim. A análise weberiana propõe que se deve compreender,
interpretar e explicar respectivamente, o significado, a organização e o
sentido, bem como evidenciar regularidade das condutas. Cabe a sociologia
entender como acontecem e se estabilizam as relações sociais, os grupos
organizados e as estruturas coletivas da vida social.
Com este pensamento, não possuía a ideia de negar a
existência ou a importância dos fenômenos sociais globais, dando importância à
necessidade de entender as intenções e motivações dos indivíduos que vivenciam
essas situações sociais. Ou seja, a sua ideia é que a sociedade como totalidade
social é o resultado das formas de relação entre seus sujeitos constituintes.
Tomando como ponto de partida da compreensão da vida social o papel do sujeito,
a teoria de Max Weber é denominada individualismo metodológico.
1. Sociologia Econômica Durante a maior parte de sua vida
acadêmica, Max Weber foi docente de disciplinas da área econômica. Aliás, seu
último livro, um conjunto de notas de aula publicados por seus alunos, chama-se
justamente História Geral da Economia. Desta forma, não é surpresa que Weber
elabore uma sofisticada abordagem sociológica da vida econômica. Por esta
razão, há até teóricos que defendem que, em última instância, toda obra de
Weber não passa de uma teoria econômica, qual seja, uma visão sócio-histórica
da vida aquisitiva.
Na sua primeira fase, seguindo a tradição marxista, Weber
tendia a ver o capitalismo como um fenômeno especificamente moderno. Já em sua
" Ética Protestante" (de 1904), apesar de colocar em relevo os
fatores culturais da gênese da conduta capitalista, era esta visão que
predominava. Mas, nas décadas seguintes, ele romperá com estas noções. Em primeiro
lugar, ele insere o capitalismo (na sua fase "moderna") em um amplo
processo de racionalização da cultura e da sociedade. Ou seja, enquanto
fenômeno social, o capitalismo é uma das expressões da vida racionalizada da
modernidade Ocidental e é similar, em sua forma racional, ao campo da política,
do direito, da ciência, etc. Outra mudança importante é que Weber rompe com a
definição marxista de que o capitalismo é um fenômeno exclusivo da era moderna:
daí a expressão capitalismo "moderno". Para Weber, o capitalismo é um
fenômeno que atravessa a história, pois a busca do lucro já pode ser localizada
nas sociedades primitivas e antigas, nas grandes civilizações e mesmo nas
sociedade não-ocidentais. O núcleo estruturante da atividade capitalista é a ''empresa'',
pois a separação da esfera individual da esfera impessoal da produção permite a
racionalização da organização do trabalho e mesmo das atividades de gestão
destas organizações.
Com base nestas premissas, Weber construiu diferentes tipos
ideais de capitalismo, como a capitalismo aventureiro, o capitalismo de Estado,
o capitalismo mercantil, capitalismo comercial, etc.
As principais análises de Weber sobre o campo econômico
podem ser encontradas no segundo capítulo de Economia e Sociedade, tópico em
que ele discute a ordem social econômica. Ali ele destaca que o processo de
racionalização da atividade econômica também envolve a passagem de uma
racionalidade material - na qual a vida econômica está submetida a valores de
ordem ética ou política - para uma racionalidade formal, ou seja, na qual a
lógica impessoal das atividades econômicas e e lucrativas se torna
predominante.
Por estas razões, Max Weber é considerado, atualmente, um
dos precursores da sociologia econômica, conjunto de autores que se recusa a
entender a vida econômica como relacionada apenas com o mercado, concebido de
forma abstrata, separado de suas condições históricas, culturais e sociais.
2. Sociologia Política Max Weber desenvolveu um importante
trabalho de sociologia política através da sua teoria dos tipos de dominação .
Dominação é a possibilidade de um determinado grupo se
submeter a um determinado mandato. Trata-se, portanto, de um tipo de relação
social fundada na autoridade de um indivíduo sobre outros. Isso pode acontecer por
motivos diversos, como as leis, admiração, costumes e tradição. Weber define
três tipos de dominação que se distinguem pelo seu caráter (pessoal ou
impessoal) e, principalmente, pela diferença nos fundamentos da legitimidade.
São elas: legal, tradicional e carismática.
Dominação legal: a obediência está fundamentada na vigência
e aceitação da validade intrínseca das normas e seu quadro administrativo é
mais bem representado pela burocracia. A ideia principal da dominação legal é
que deve existir um estatuto que pode ou criar ou modificar normas, desde que
esse processo seja legal e de forma previamente estabelecido. Nessa forma de
dominação, o dominado obedece à regra, e não à pessoa em si, independente do
pessoal, ele obedece ao dominante que possui tal autoridade devido a uma regra
que lhe deu legitimidade para ocupar este posto, ou seja, ele só pode exercer a
dominação dentro dos limites pré-estabelecidos. Assim o poder é totalmente
impessoal, onde se obedece à regra estatuída e não à administração pessoal.
Como exemplo do uso da dominação legal podemos citar o Estado Moderno, o
município, uma empresa capitalista privada e qualquer outra organização em que
haja uma hierarquia organizada e regulamentada. A forma mais pura de dominação
legal é a burocracia .
Dominação tradicional: Se dá pela crença na santidade de
quem dá a ordem e de suas ordenações, sua ordem mais pura se dá pela autoridade
patriarcal onde o senhor ordena e os súditos obedecem e na forma administrativa
isso se dá pela forma dos servidores. O ordenamento é fixado pela tradição e
sua violação seria um afronto à legitimidade da autoridade. Os servidores são
totalmente dependentes do senhor e ganham seus cargos seja por privilégios ou
concessões feitas pelo senhor, não há um estatuto e o senhor pode agir com
livre arbítrio.
Dominação carismática: nesta forma de dominação os dominados
obedecem a um senhor em virtude do seu carisma ou seja, das qualidades
excepcionais que lhe conferem especial poder de mando. A palavra carisma é de
inspiração religiosa e, no contexto cristão, lembra os dons conferidos pelo
Espírito Santo aos cristãos. A palavra foi reinterpretada em sentido
sociológico como dons e carismas do próprio indivíduo e, foi nesta forma que
Weber a adotou. Weber considerou o carisma uma força revolucionária na
história, pois ele tinha o poder de romper as formas normais de exercício do
poder. Por outro lado, a confiança dos dominados no carisma do líder é volúvel
e esta forma de dominação tende para a via tradicional ou legal.
A tipologia weberiana das formas de poder político diferente
claramente da tradição clássica, orientada pela discussão da teoria das formas
de governo, oriunda do mundo antigo (Platão e Aristóteles). Filiado à tradição
realista de pensamento, Weber também rejeita os pressupostos normativos e
éticos da teoria do poder e procura descrevê-lo em suas formas efetivas de
exercício. Ao demonstrar que o exercício do poder envolve a necessidade de
legitimação da ordem política e, ao mesmo tempo, sua institucionalização por meio
de um quadro administrativo, Weber apresentou os fundamentos básicos da
sociologia política da era contemporânea.
Além de uma rigorosa e sistemática sociologia política -
alicerçada em seus tipos de dominação - Max Weber foi um dos mais argutos
analistas da política alemã, que analisou durante o Segundo Império Alemão e
durante os anos iniciais da República de Weimar. Crítico da política de
Bismarck, líder que, ao monopolizar o poder, deixou a nação sem qualquer nível
de sofisticação política, Weber sempre apontou a necessidade de reconstrução da
liderança política. No escrito O Estado Nacional e a Política Econômica, de
1895, já mostrava como as diferentes classes sociais não se mostravam aptar a
dirigir a nação, seja pela sua decadência social (caso dos Junkers), seja pela
sua imaturidade política (caso da burguesia e do proletariado) .
3. Sociologia da estratificação social Estratificação social
é a área da sociologia que se ocupa da pesquisa sobre a posição dos indivíduos
na sociedade e explicitação dos mecanismos que geram as distinções sociais
entre os indivíduos. Ao contrário de Marx, que explicava estas diferenças
apenas com base em fatores econômicos, Weber mostrou que as hierarquias e
distinções sociais obedecem à lógicas diferentes na esfera econômica, social e
política. Sob o aspecto econômico as classes sociais são diferenciadas conforme
as chances de oportunidades de vida, escalonando os indivíduos em grupos
positiva ou negativamente privilegiados. Do ponto de vista social, indivíduos e
agrupamentos sociais são valorizados conforme atributos de valor, dando origens
a diversos tipos de grupos de status. Diferente também é a lógica do poder, em
que os indivíduos agregam-se em diferentes partidos políticos. A análise
weberiana demonstra que existem diferentes mecanismos sociais de distribuição
dos bens sociais, como a riqueza (classe), a honra ou prestígio social (grupos
de status) e o poder (partidos) e que cada um deles cria diferentes tipos de
ordenamento, hierarquização e diferenciação social.
4. Sociologia do Direito Jurista de formação, a análise da
esfera jurídica não ficou de fora das preocupações de Max Weber . Ele dedicou
um amplo capítulo de Economia e Sociedade a este tema. O pano de fundo de toda
sua reflexão sobre a esfera das normas jurídicas é a tese da racionalização da
vida social, da qual o próprio direito é uma das expressões. Ao compreender
historicamente a evolução do direito, Weber destaca o crescente processo de
racionalização que lhe é inerente.
A racionalização do direito pode ser compreendida a partir
de duas variáveis: seu caráter material ou formal ou seu caráter racional e
irracional. São racionais todas as formas de legislação que seguem padrões
fixos, ao contrário do caráter aleatório dos métodos irracionais. Por outro
lado, o conteúdo do direito pode ser determinado por valores concretos,
especialmente de caráter ético, ou obedecer a critérios de ordem interna,
ligados a sistemática e ao processo jurídico em si mesmo, ou seja, a sua forma.
A apreciação weberiana do setor jurídico da vida social não
se dedica apenas a entender esta esfera de forma isolada. O direito possui uma
ligação direta tanto com a ordem política quanto com a ordem econômica. A
evolução do direito formal é um aspecto essencial do progressivo processo de
burocratização do Estado, bem como a estabilidade das normas jurídicas foi fundamental
para a consolidação de uma economia de mercado, pois esta requer uma ordem de
obrigações previsível. Direito, economia e política são ordens sociais de vida
que estão conectados e entrelaçados de forma direta .
Como teórico da evolução sócio-histórica do direito, Weber é
um dos precursores do chamado direito positivista, pois ele concebia o direito
formal como a forma mais avançada historicamente do sistema jurídico. Desta
forma, Max Weber está na raiz de importantes teóricos como o próprio Hans Kelsen,
por exemplo, considerado o maior teórico do positivismo jurídico.
Neutralidade axiológica[editar | editar código-fonte]
Nos anos finais de sua carreira, uma nova discussão dividiu
os membros da intelectualidade alemã no campo das ciências humanas: o papel dos
valores na atividade científica. Para os partidários mais antigos da Escola
Alemã de Economia, a ciência social deveria ser uma atividade orientada para a
defesa de pontos de vista fundamentados em normas, capazes de orientar a
política estatal e governamental. Para os membros mais jovens da escola
econômica alemã, ao contrário, a ciência não poderia ser a base para a escolha
de valores que, em última instância, são escolha dos próprios indivíduos.
Max Weber era partidário desta segunda posição e a defendeu
no escrito intitulado O sentido da neutralidade axiológica nas ciências
políticas e sociais. Embora a atividade científica esteja intrinsecamente
ligada ao mundo dos valores - pois toda pesquisa nasce das escolhas pessoais do
pesquisador - a autoridade da ciência não pode ser invocada para impor valores
aos indivíduos. Na visão weberiana, a modernidade está atravessada por um
conflito valorativo irredutível - a guerra dos deuses e o politeísmo de valores
-. Seguindo a orientação neo-kantiana, Weber isola do Sein do Sollen - ou seja,
diferencia a dimensão do ser da dimensão do dever ser - e entende que teoria e
prática são domínios separados. Na pesquisa social, o cientista deve isolar
seus pontos de vista subjetivos - seus juízos de valor - e orientar-se pela
exposição dos fatos, qual seja, deve expor juízos de fato. A ciência social
deve estar "livre de juízos de valores" (Wertfreiheit), termo alemão
que costuma ser traduzido por "neutralidade axiológica" ou de
valores, ainda que não seja esta sua tradução exata.
Separar pensamento e ação, contudo, não implica sacrificar o
caráter crítico da atividade científica. Ao cientista social cabe mostrar a
íntima vinculação de meios e fins, mostrando como os fins determinam a escolha
dos meios e, no sentido inverso, certos meios assentam-se em juízos
valorativos. Sem aderir a uma posição positivista (que sobre determina a
dimensão da teoria) ou a uma posição marxista (que sobre determina a dimensão
da prática), a ciência social na ótica weberiana respeita a autonomia da
dimensão do saber e do fazer sem perder o caráter crítico do conhecimento
científico-social.
A ciência como vocação[editar | editar código-fonte]
As análises de Weber também contemplam o papel do
conhecimento científico no mundo moderno. Na famosa conferência A ciência como
vocação , pronunciada em 7 de novembro de 1917, em Munique, o pensador entendeu
que a ciência era um dos fatores fundamentais do processo de desencantamento do
mundo.
Ele comparou a situação da universidade alemã com a
realidade dos Estados Unidos e advertiu seus ouvintes de que no futuro haveria
um processo de americanização da vida universitária, que seria cada vez mais
parecida com empresas estatais: professores assalariados e separação entre o
produtor e os meios de produção. De qualquer forma, a vida do cientista e suas
chances de promoção profissional ainda são bastante determinadas pelo papel do
acaso e da contingência. Ao mesmo tempo, os acadêmicos acabam sendo
pressionados para conciliar a difícil vocação para a pesquisa e para o ensino,
o que abre espaço para demagogos e diletantes.
Do ponto de vista pessoal, ele ressaltou que a vocação
científica exige dedicação: quem não se especializa em alguma área jamais pode
almejar sucesso. Contudo, mais do que dedicação, a vocação para a ciência
também exige paixão (dedicação à causa) e, além disso, inspiração para fazer
uma obra relevante. Somente quem vive voltado para a ciência pode ser chamado
uma personalidade.
Do ponto de vista sociológico, Weber mostrou que a ciência
faz parte de um processo histórico geral de racionalização e intelectualização
da vida. Através da visão científica, a realidade é expurgada de seus elementos
mágicos e o sentido último da realidade é retirado do mundo, ficando a cargo
das religiões ou da própria consciência do indivíduo. Muitos autores apontam
neste escrito os ecos da tese da morte de Deus, apresentada pelo filósofo
Friedrich Nietzsche, embora a maioria dos comentadores reconheça que sua fonte
de inspiração é a divisão das esferas de valores proposta por Kant. Para Weber,
a modernidade achava-se dilacerada por um conflito de valores - na linguagem de
Weber, pela guerra dos deuses - e a escolha do sentido último da vida era uma
responsabilidade pessoal que não poderia ser credita à ciência. Ao saber
científico cabe a explicação dos mecanismos de funcionamento do mundo, e não a
determinação do ser verdadeiro, da verdadeira arte, da verdadeira natureza, do
verdadeiro Deus ou mesmo da verdadeira felicidade.
Mas, apesar de retirar o sentido último do mundo, Weber
destacou que a ciência contribui com a vida do indivíduo, ao oferecer-lhe meios
de domínio prático da realidade, a capacidade de avaliar meios e fins e, acima
de tudo, clareza: ou seja, meios para pensar de forma lógica, sistemática e
clara.
O destino de nosso tempo é marcado pela intelectualização e
pelo desencantamento do mundo. Diante desta realidade, cabe ao indivíduo
escolher se quer permanecer imerso na esfera religiosa (o que exige o
sacrifício do intelecto) ou se prefere arcar com as consequências de uma visão
científica do mundo, na qual não existe qualquer sentido último para a vida, o
mundo e o indivíduo. No mundo desencantando, o indivíduo deve dedicar-se às
tarefas do dia e assumir suas responsabilidades diante da vida: esta é a única
forma de dar sentido à própria existência.
Seguidores[editar | editar código-fonte]
Dentre os principais teóricos influenciados pelo pensamento
weberiano, podemos citar:
Arnold
Gehlen,Max Scheler,Karl Jaspers,Leopold von Wiese,Karl Mannheim,Alfred Schütz,Ervin
Goffman,Norbert Elias,Ernest Gellner,David Landes,Anthony Giddens
Nos Estados Unidos, algumas obras de Weber foram traduzidas
já na década de 30, pelo eminente sociólogo Talcott Parsons. Este pensador
também incorporou algumas ideias weberianas em sua "teoria voluntarista da
ação" (desenvolvida em 1937). Nas décadas posteriores, contudo, a leitura
parsoniana de Weber foi sendo fortemente criticada, com destaque para a
coletânea de textos existentes em From Max Weber (1946), organizada por Charles
Wright Mills e Hans Gerth. Na França, o pensamento weberiano foi difundido por
Raymond Aron e Julien Freund e, mais recentemente, uma estudiosa destacada é
Catherine Colliot-Thélene.Na Alemanha, Jürgen Habermas concede a Weber um papel
fundamental em sua "Teoria da ação comunicativa", descrevendo a
sociologia weberiana da racionalização. Outro comentador especializado e com
muitas obras dedicadas ao tema é Wolfgang Schluchter.
No Brasil, além de autores clássicos como Sérgio Buarque de
Holanda e Raymundo Faoro, o pensamento weberiano é descrito por estudiosos como
Gabriel Cohn, Maurício Tragtenberg, José Guilherme Merquior e, atualmente,
Antônio Flávio Pierucci e Jessé Souza.
Cronologia
21 de Abril de 1864 - Max Weber nasce em Erfurt. Os pais são
o jurista e mais tarde deputado do parlamento imperial (Reichstag) pelo partido
nacional-liberal, Max Weber e Helene (nascida na família Fallenstein)
1882 - 1886 - estudos de Direito, Economia Nacional,
Filosofia e História
1889 - doutoramento em Direito
1892 - habilitação em direito canônico romano e direito
comercial (em Berlim)
1893 - obteve uma posição temporária na Universidade de
Berlim. Casamento com Marianne Schnitger (1870 - 1954), que será mais tarde
ativista pelos direitos da mulher e socióloga
1894 - assume a posição de professor de Economia na
Universidade de Freiburg
1897 - professor de Economia Nacional na Universidade de
Heidelberg
1898 - em virtude de uma crise familiar, Weber sofre um
colapso nervoso e abandona o trabalho acadêmico, sendo internado periodicamente
até 1903
1904 - regressa à atividade profissional. Atividade
redatorial no jornal "Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik",
que se tornou o jornal líder da ciência social alemã. Weber fez neste ano uma
viagem aos Estados Unidos, onde deu aulas
1907 - recebe uma herança que o liberta de quaisquer
preocupações financeiras
1909 - é cofundador da sociedade Alemã de Sociologia
1914 - 1918 - Primeira guerra mundial, em 1914, Weber acolhe
entusiasticamente o início da Guerra (um nacionalismo militarista muito comum
na altura, partilhado entre outros por Thomas Mann). Inscreveu-se como
voluntário no exército (Reichswehr). Em 1915 mudou de ideias, tornando-se um
pacifista
1917 - nos Colóquios de Lauenstein apela à continuação da
guerra, ao mesmo tempo defendendo o retorno ao parlamentarismo
1918 - cofundador do liberal Partido Democrático Alemão
(Deutsch-Demokratische Partei; o DDP).
1919 - convocado como conselheiro para a delegação alemã na
conferência do Tratado de Versalhes. Foi também nomeado professor de economia
nacional na Universidade de Munique
14 de Junho de 1920 - morre em Munique vítima de uma
pneumonia.
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O Wikiquote possui citações de ou sobre: Max Weber
Arnold Gehlen
Adolf von Harnack
Alfred Weber, irmão de Max Weber
Georg
Simmel
Hermann
Lübbe
Theodor
Mommsen
Werner
Sombart
Wilhelm Windelband
A ética protestante e o espírito do capitalismo
Escola histórica da Economia
Ação social
Tipo ideal
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]
Biografia extensa (em inglês)
Biografia na Cultura Brasil (em português)
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Os Economistas, Textos selecionados, M Weber
A ciencia como vocaçao, Max Weber
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber
Max Weber e Hans Kelsen: a sociologia e a dogmática
jurídicas, Daniel Barile da Silveira, Rev. Sociol. Polit.
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