sábado, 8 de janeiro de 2011

La alegría de los tristes

A Cocha y a todos los que vuelan con nosotros. Que los tristes estén alegres y dancen en lo infinito y sequen sus pupilas alegres en la distancia. Que los tristes vuelen con las cometas que hicimos bordadas en el viento cuando eramos niños. Que sean corazones palpitando en las estrellas. Que los tristes alumbren desde el cielo y nos miren desde lejos y que sepan que nosotros los tristes los miramos. Que los tristes estén alegres y nuestras sombras se miren al cruzar las noches.Y bailen en la oscuridad.Que siempre se queden en las mañanas. Que sus cuerpos azules sean pedacitos de cielo. Que sus risas nos toquen y se queden en nuestras siluetas tomadas de las manos y su calor con nuestro calor nos despierten rozando las mejillas con multitud de mariposas que vuelan y se alegran porque vencimos las ausencias.



Gregorio Riveros .´.
Pampanito. Trujillo (Venezuela).

http://pampanito.nireblog.com/

http://lapoesiavenezolana.nireblog.com/

geração de 45

Segunda Fase do Modernismo

1ª Fase do Modernismo Brasileiro - Poesia - 2ºano CQB- P/ Leandra

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Peça de museu

Voluptuosidad incomparable, inefable embriaguez,

Yo te canto



Paul Verlaine









JOSÉ MARÍA ÁLVAREZ

Um escultor, um dia – Augusto Clésinger

se chamava – entregou ao mundo

essa «mulher mordida por uma áspide»

que um museu hoje conserva.

Os turistas

passam junto dela; se um deles se detém

lê a inscrição e continua

a sua visita. Ou com frequência

são grupos de miúdos, dirigidos

por um professor que lhes explica

os efeitos da terrível mordedura,

como o autor captou a dor,

a angústia, o medo.

E contudo

bastar-lhes-ia contemplar o voo desses olhos,

esse rosto, escuta os suspiros

que saem da sua boca, desse peito

pelo amor dilatado, esse flanco que se curva,

essas coxas que cerra

o gozo,

para entenderem

que não é a Morte que toma

essa mulher, mas o prazer,

o êxtase, o absoluto

aniquilamento do orgasmo.

Se o bom Auguste Clésinger

se viu forçado pela censura do seu tempo

a inventar uma história trivial

que permitisse às suas fantasias

serem expostas no Salão de 47,

que subtil, sedutor, inteligente

foi, para nos legar essa beleza apaixonada:

o instante supremo

em que uma mulher entrega a sua carne

à História.



traduzido por Joaquim Manuel Magalhães e editado pela Relógio d’Água em “Poesia Espanhola de Agora."

Fonte:blog leituras favre

Poemas de Julia Larré

Julia Larré – Escritoras Suicidas


envolto por cerca elétrica



Lâminas, pontas, estrelas de abismo



Chão.



Guerreia com a noite, suporta exausto



Aguenta a nefasta solidão.



Espectador de farpas, explosão.



Seccionado, metade.



Pulsa o necessário.



Não chama por nomes.



Envolto por cerca elétrica.



*



Minha casa



fica nua



muda



nos dias do



adeus.



quebra regras



impõe



desejos



desestrutura



as vigas



de mim.



*



Minha música



é minha manta



coberta de estrelas vagas



calcanhar tolo que anda



por muitas e mais calçadas



Todos andam à escuta



vesti-la é mesmo que nada



*



é que as horas



não me são



suficientes.



elas vêm



pintam meus dedos



fecham meus olhos



e o sono



não chega.



é que as horas



trazem



de volta



o tempo



que nem houve.



drag-queen



Teu nome soa



ecoa



em meu ventre.



Meu corpo sabe



teu reino



é esse.



Dorme



que o dia



começa



e teus sonhos



enchem



a noite.



0 (zero)



o homem caminha



por entre



nuvens



e



círculo



sabe de sua rota



olha o éter —



o eterno retorno —



corre o risco



de seguir



o caminho



desconhecido.



*



morte melhor



para que o corpo



permaneça



entreaberto



para que a alma fique —



eternidade —



nada é entristecedor



meu nirvana é o



caos





Julia Larré. Poeta, vive em Recife/PE

Fonte: Blog Escritoras Suicidas

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

dentro da vida

Não estamos preparados para nada:

certamente que não para viver

Dentro da vida vamos escolher

o erro certo ou a certeza errada



Que nos redime dessa magoada

agitação do amor em que prazer

nem sempre é o que fica de querer

ser o amador e ser a coisa amada?



Porque ninguém nos salva de não ser

também de ser já nada nos resgata

Não estamos preparados para o nada:

certamente que não para morrer

Luis Maffei 



Fonte :Poesia & Ltda

Ibrahim Ferrer - Marieta

domingo, 2 de janeiro de 2011

Na praça

O país se moderniza.Clorindo estava ocupado.Tinha um bom emprego numa indústria paulista. Setor administrativo. Mas a fábrica foi vendida. Empresários japoneses. Novos padrões de exigência. "Turabário.Mais turabário." O dr. sakeda olhou para o empregado. " Sem cõrupo móri,Curorínudo."À tarde, o soninho.Clorindo fechou os olhos.Teve uma visão.O fantasma de um conhecido escritor baiano aparecia."A praça é do povo.E o povo unido jamais será vencido."Depois Clorindo foi tomar cafézinho. A secretária Gilvanka estava dando sopa.Um só beijo derreou a morenaça. Sakeda surpreendeu o casal. "Urúa. "Demissão dupla.Num banco de praça,eles agora vendem acarajé e curtem o amor juntinhos.Nada se perde quando há união.

Voltaire de Souza.in Vida Bandida.
FSP,10/08/01
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros

UMA CANÇÃO DE BEBER

A DRINKING SONG



WINE comes in at the mouth

And love comes in at the eye;

That’s all we shall know for truth

Before we grow old and die.

I lift the glass to my mouth,

I look at you, and I sigh.



UMA CANÇÃO DE BEBER



O VINHO entra, é pela boca

E o amor entra pelo olhar;

É quanto temos por certo

Até crescer e expirar.

Elevo a minha taça à boca,

Olho-te, para suspirar.

WILLIAM BUTLER YEATS

sábado, 1 de janeiro de 2011

Soneto XV

Quando penso que tudo o quanto cresce

Só prende a perfeição por um momento,

Que neste palco é sombra o que aparece

Velado pelo olhar do firmamento;



Que os homens, como as plantas que germinam,

Do céu têm o que os freie e o que os ajude;

Crescem pujantes e, depois, declinam,

Lembrando apenas sua plenitude.



Então a idéia dessa instável sina

Mais rica ainda te faz ao meu olhar;

Vendo o tempo, em debate com a ruína,



Teu jovem dia em noite transmutar.

Por teu amor com o tempo, então, guerreio,

E o que ele toma, a ti eu presenteio

William Shakespeare

Soneto XVII

Se te comparo a um dia de verão

És por certo mais belo e mais ameno

O vento espalha as folhas pelo chão

E o tempo do verão é bem pequeno.



Às vezes brilha o Sol em demasia

Outras vezes desmaia com frieza;

O que é belo declina num só dia,

Na terna mutação da natureza.



Mas em ti o verão será eterno,

E a beleza que tens não perderás;

Nem chegarás da morte ao triste inverno:



Nestas linhas com o tempo crescerás.

E enquanto nesta terra houver um ser,

Meus versos vivos te farão viver

William Shakespeare

Notre Dame 1920

poemas de Hans Borli

A força das palavras



HANS BØRLI – Poesia & Ltda.

AS PALAVRAS



Temor das palavras –

eis algo que aprendi.

Versos que escrevi

versos que queimei.



Da dúvida no meu coração

sussurros crueis começam:

“Fraco, escreves

com uma arte emprestada.



A folha é adorável

quando é branca.

Poupa o espaço para a palavra

que não podes escrever”.



(1949)



NÓS TEMOS AS FLORESTAS



Nunca fui dono de uma árvore.

Nenhum dos meus

alguma vez teve uma árvore –

embora o percurso da minha familia sopre

desde há séculos sob o cume

da floresta.



Floresta na tempestade,

floresta na acalmia –

floresta, floresta, floresta,

através dos anos.



Os meus

foram sempre uma gente pobre.

Sempre.

Filhos de vidas

e noites duras e geladas.



Os estranhos possuem as árvores,

e a terra,

a terra de pedras amontoadas

que meus pais removeram

à luz do luar.



Estranhos

com faces lisas

e mãos bonitas

e carro sempre aguardando

ao portão.



Nenhum dos meus

alguma vez teve uma árvore.

E ainda assim possuímos as florestas

pelo direito hereditário do nosso sangue.



Homem rico,

com teu carro e livro de cheques

e acções na companhia de madeiras de Borregaard:

podes comprar mil acres de floresta,

e mil acres mais,

mas não podes comprar o pôr-do-sol

ou o sussurro do vento

ou a alegria de regressar a casa

quando a urze floresce ao longo do caminho –



Não, nós temos as florestas,

do modo que uma criança tem sua mãe.



(1952)



DISTÂNCIA



Levanto-me e olho o céu

numa tarde de primavera sob o vôo das galinholas.

Estranho! A estrela maior

é uma coisa minúscula, pequenina

que a folha do vidoeiro pode cobrir.

– – –

Distância, é a distância

que torna o que é eterno suportável

Ainda bem que lança tão grande sombra,

a pequena coisa que está próxima…



(1958)



DEPOIS DE AUSCHWITZ



É difícil

olhar os próprios olhos

depois do que aconteceu

em Auschwitz.

Em Hiroshima.

Em Song My –



MAS NÃO VOLTES O ESPELHO.



Não penses

que aquele inferno teria sido possível

sem tu e eu.



(1972)



UMA COISA É NECESSÁRIA



Uma coisa é necessária – aqui

neste nosso mundo díficil

de sem-abrigos e desterrados:



Fixares residência em ti.



Entra pela escuridão

e limpa a fuligem da lâmpada.



Para que as pessoas na estrada

possam entrever uma luz

em teus olhos habitados.



(1974)



ENVELHECER



Envelhecer é um comércio triste,

incurável e solitário

como a alopécia.

E o pior é que

nunca consegues dividir

o cordão umbilical esticado

que te liga à juventude.



De repente podes dar contigo

saltando descalço na relva

e pulando em saltos loucos

sobre as alegres nascentes da juventude,

embora realmente estejas sentado numa pedra

apoiando o queixo numa bengala curva

sentindo a osteoartrite rasgar a

marcha dos pés, velhos e pesados.



(1991, publicação póstuma)



HANS BØRLI(1918-1989) nasceu em Eidskog, próximo da cidade de Kongsvinger, no condado de Hedmark, sudeste da Noruega.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ligações

Se ela ligar,vou dizer tudo o que tenho amarrado na garganta.Vou dizer de situação em que fui deixado e de todos os cacos de mim que abaixei para apanhar. Vou lembrar que temos crianças em comum e o que elas me pedem quando não conseguem dormir.Vou dizer que não dei desculpas, que deixei o tempo mostrar a elas o que não estava mais acontecendo.Vou dizer dos vizinhos, dos parentes e dos amigos que fazem fila pelas novidades. Vou dizer que comprei um carro com mais de 50 válvulas e air bag pro motorista. Também vou dizer que os armários fazem eco, que perdi os sentidos e que troquei o dia pela noite, só pra poder ganir pra lua ...mas isso é só se ela ligar, porque eu mesmo nem ligo.

Fernando Bonassi.in Da Rua.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"A arte não imita o visível,ela torna visível o não visível"
Paul Klee

a arte sai dos limites fáceis do que é sensível, do que tem nome e forma , para buscar no caos, em que a forma é sempre provisória, pontos soltos, linhas soltas e então dar-lhes corpo.Dar corpo tátil ao som, dar corpo sonoro ao tempo ,dar visibilidade ao que é tátil, dar sonoridade ao que era apenas volume em uma pedra.

Deleuze,Gilles
Cult 108. Ano 9.nov.p63