Do sol a terceira cria,
Baila noite,baila dia,
E nem faz caso de trilhos.
Lá vai a Terra, meus filhos,
Levando seus assassinos,
Lá vai a Terra, meninos.
Tirada de sua creche,
De maus tratos envelhece
Sem ter usado espartilhos.
Lá vai a Terra, meus filhos,
Levando seus assassinos,
Lá vai a Terra, meninos
sábado, 5 de junho de 2010
É Carnaval
Viva os Pedros - Leonardos
do monturo !
Que unam ouro e cinza
em suas mãos
Pra não sermos pra
sempre pré-futuro,
pré-livres, pré-país,
pré-cidadãos!
Os dois meninos, juntos,
se salvaram
de gente infame,
hipócrita e covarde
porque se uniram e não
malbarataram
o laço luso-brasileiro
da amizade.
Nesse país, que é puro e
depravado
de morte e canto,
gozos e agonias,
A verdade é que Momo,
rei safado, reina trezentos e
sessenta e cinco dias !
Bastardos , chalaças,
libertinos,
entoam vivas ao Brasil Real
Facínoras,ébrios,
fesceninos,
saúdam Pedro e Leonardo,
é carnaval!
É Carnaval!
É Carnaval!
é Carnaval!
È Carnaval!
do monturo !
Que unam ouro e cinza
em suas mãos
Pra não sermos pra
sempre pré-futuro,
pré-livres, pré-país,
pré-cidadãos!
Os dois meninos, juntos,
se salvaram
de gente infame,
hipócrita e covarde
porque se uniram e não
malbarataram
o laço luso-brasileiro
da amizade.
Nesse país, que é puro e
depravado
de morte e canto,
gozos e agonias,
A verdade é que Momo,
rei safado, reina trezentos e
sessenta e cinco dias !
Bastardos , chalaças,
libertinos,
entoam vivas ao Brasil Real
Facínoras,ébrios,
fesceninos,
saúdam Pedro e Leonardo,
é carnaval!
É Carnaval!
É Carnaval!
é Carnaval!
È Carnaval!
La conoscenza è nella nostalgia.
Chi non si è perso non possiede.
O conhecimento está na nostalgia.
Quem não se perdeu não se apropria.
XXVI
In sogno
ti ho sentita gridare
Un grido
similar a quello che aveva straziato
la notte
all’ inizio del male.
Un grido d’ ira,
o creatura,
contro le figlie, te stessa
e la morte.
XXVI
Em sonho
te senti gritar
um grito
similar àquele que havia dilacerado
a noite
nos primórdios do mal.
Um grito de raiva,
ó criatura,
contra as filhas, contra ti
e a morte.
XVII
O dolce sonno
Ingannala ancora tu,
un poco.
Consuma queste ultime ore,
e, inavvertito,
falle valicare la soglia.
XVII
Ó doce sono
a engana tu, ainda
um pouco
consuma estas últimas horas
e, inadvertido,
fá-las ultrapassar o limiar
*
È Parola non Carne…
E finché resterà sospesa,
Io non entrerò nel destino.
Fui fanciullo, fui adolescente,
fui giovane… Tutto minaccia
di passare, anzi d’ essere passato
— una leggenda qualunque
alle mie spalle di morto…
Ed io la so, la Parola:
e come non potrei se son io
questo dato senza cifre,
questo Indefinito parlante?
Se son io questo vaso di miseria,
questa litania del peccato,
dell’ insoddisfazione, dell’ imperfetto,
questa voce ossessionata?
Non so far altro che ripetermi,
da anni, fin da quando
— ansioso Indiziato —
cominciai a smantellarmi:
eppure è RIMASTA PAROLA…
Tutto minaccia di passare,
… oh brivido atroce,
non sono mai vissuto!
Son corso intorno al cerchio
del mio destino e non son mai entrato!
E morirò cosi? Parola,
impazzisco di te e tu non vivi.
É Palavra não Carne…
E ate que reste suspensa,
não mergulharei no destino.
Fui criança, adolescente,
jovem… tudo ameaça
passar, ou melhor, de ter passado
— uma lenda qualquer
às minhas costas de morto…
E eu a sei, a Palavra:
e como não poderei se sou eu
este dado sem cifras,
este Indefinido falante?
Se sou eu este vaso de miséria,
esta litania do pecado,
da insatisfação, do imperfeito
esta voz atormentada?
somente sei me repetir
há anos, desde quando
— ansioso Indiciado —
comecei a me desmantelar:
também PERMANECEU PALAVRA
Tudo ameaça passar,
… oh frêmito atroz,
nunca vivi!
Corri ao redor
de meu destino e nunca entrei!
E morrerei assim? Palavra,
Enlouqueço por ti e tu não vives.
O tenero predone di profumi
Con la mano immersa dentro le perle
della sera dai corporei tepori,
attraverso la piazza, giungo al lume
modesto di un negozio, torno…Non ha
prezzo questo tepore scintillante
di freschezza, questa intensa notte
che lascia più aria intorno ai gridi,
più vuoti…
O tenero predone di profumi,
ecco di che morire d’ inquietudine.
Ó terno predador de perfumes
Com a mão imersa em pérolas
da noite da corpórea tepidez
atravesso a praça, alcanço o lume
modesto de uma loja, retorno… Não tem
preço esta tepidez cintilante
de frescor, esta intensa noite
que exala mais ar ao redor dos gritos
mais vazios…
ó terno predador de perfumes
eis porque morrer de inquietude
Pier Paolo Pasolini
Tradução: Berenice Lamas
Berenice Sica Lamas (Pelotas – RS) Poeta, escritora, ensaísta, psicóloga e doutora em Letras. Membro da Academia Literária Feminina/RGS. Vários livros publicados. Vive em Bologna (Itália). Ítalo-brasileira, trabalha com traduções. participa de círculos poéticos e de leitura, tem publicado poemas em revistas e em sites italianos e brasileiros. Premiada no concurso literario multicultural “Lune di primavera” do Comitato Internazionale 8 marzo (Perugia).
fonte: Sibila
Chi non si è perso non possiede.
O conhecimento está na nostalgia.
Quem não se perdeu não se apropria.
XXVI
In sogno
ti ho sentita gridare
Un grido
similar a quello che aveva straziato
la notte
all’ inizio del male.
Un grido d’ ira,
o creatura,
contro le figlie, te stessa
e la morte.
XXVI
Em sonho
te senti gritar
um grito
similar àquele que havia dilacerado
a noite
nos primórdios do mal.
Um grito de raiva,
ó criatura,
contra as filhas, contra ti
e a morte.
XVII
O dolce sonno
Ingannala ancora tu,
un poco.
Consuma queste ultime ore,
e, inavvertito,
falle valicare la soglia.
XVII
Ó doce sono
a engana tu, ainda
um pouco
consuma estas últimas horas
e, inadvertido,
fá-las ultrapassar o limiar
*
È Parola non Carne…
E finché resterà sospesa,
Io non entrerò nel destino.
Fui fanciullo, fui adolescente,
fui giovane… Tutto minaccia
di passare, anzi d’ essere passato
— una leggenda qualunque
alle mie spalle di morto…
Ed io la so, la Parola:
e come non potrei se son io
questo dato senza cifre,
questo Indefinito parlante?
Se son io questo vaso di miseria,
questa litania del peccato,
dell’ insoddisfazione, dell’ imperfetto,
questa voce ossessionata?
Non so far altro che ripetermi,
da anni, fin da quando
— ansioso Indiziato —
cominciai a smantellarmi:
eppure è RIMASTA PAROLA…
Tutto minaccia di passare,
non sono mai vissuto!
Son corso intorno al cerchio
del mio destino e non son mai entrato!
E morirò cosi? Parola,
impazzisco di te e tu non vivi.
É Palavra não Carne…
E ate que reste suspensa,
não mergulharei no destino.
Fui criança, adolescente,
jovem… tudo ameaça
passar, ou melhor, de ter passado
— uma lenda qualquer
às minhas costas de morto…
E eu a sei, a Palavra:
e como não poderei se sou eu
este dado sem cifras,
este Indefinido falante?
Se sou eu este vaso de miséria,
esta litania do pecado,
da insatisfação, do imperfeito
esta voz atormentada?
somente sei me repetir
há anos, desde quando
— ansioso Indiciado —
comecei a me desmantelar:
também PERMANECEU PALAVRA
Tudo ameaça passar,
nunca vivi!
Corri ao redor
de meu destino e nunca entrei!
E morrerei assim? Palavra,
Enlouqueço por ti e tu não vives.
O tenero predone di profumi
Con la mano immersa dentro le perle
della sera dai corporei tepori,
attraverso la piazza, giungo al lume
modesto di un negozio, torno…Non ha
prezzo questo tepore scintillante
di freschezza, questa intensa notte
che lascia più aria intorno ai gridi,
più vuoti…
O tenero predone di profumi,
ecco di che morire d’ inquietudine.
Ó terno predador de perfumes
Com a mão imersa em pérolas
da noite da corpórea tepidez
atravesso a praça, alcanço o lume
modesto de uma loja, retorno… Não tem
preço esta tepidez cintilante
de frescor, esta intensa noite
que exala mais ar ao redor dos gritos
mais vazios…
ó terno predador de perfumes
eis porque morrer de inquietude
Pier Paolo Pasolini
Tradução: Berenice Lamas
Berenice Sica Lamas (Pelotas – RS) Poeta, escritora, ensaísta, psicóloga e doutora em Letras. Membro da Academia Literária Feminina/RGS. Vários livros publicados. Vive em Bologna (Itália). Ítalo-brasileira, trabalha com traduções. participa de círculos poéticos e de leitura, tem publicado poemas em revistas e em sites italianos e brasileiros. Premiada no concurso literario multicultural “Lune di primavera” do Comitato Internazionale 8 marzo (Perugia).
fonte: Sibila
Os Senhores Despacham Suas Tropas
Junho, 2010.
É hora de pensar sobre aqueles que ficam em seus escritórios e emitem ordens para manter o bloqueio – mesmo ao custo de vidas humanas; aqueles que revezam entre atiçar e extinguir as labaredas de acordo com a necessidade; que preparam as listas de produtos que não podem entrar em Gaza – lápis, remédios, temperos; aqueles que ordenaram o ataque à “Flotilha da Liberdade”; os homens que usam piscinas de sangue como cortinas de fumaça.
Quanto mais se agrava a crise social, mais os banhos de sangue, as provocações e os conflitos se tornam os meios mais fáceis e acessíveis pelos quais as elites tentam nos dominar; ao espalhar fumaça, unem, temporariamente, a maioria da nação; ao incitar contra o inimigo comum, distraem a atenção pública da contínua pilhagem de seus direitos e recursos.
Não há nada como a provocação política para retirar a atenção pública da corrupção dos líderes do governo. Não há nada como a crise na segurança para afastar temporariamente da agenda pública qualquer discussão séria sobre as escandalosas privatizações conduzidas por Netanyahu, Ehud Olmert, [Ehud] Barak (cada qual à sua vez) e seus companheiros, que entregaram a algumas poucas famílias o controle de enormes riquezas, às custas do restante da população. Não há nada como trocas de tiros com o Hamas e o estímulo ao nacionalismo extremista para manter longe do escrutínio público o sempre crescente número de casos de famílias que, tendo vivido por décadas em propriedades públicas, são expulsas de suas casas a fim de abrir caminho para transações imobiliárias suspeitas.
A arte de trocar ameaças com o Hamas ou insultos com manifestantes na Turquia é um meio factível e testado (mas temporário, sempre temporário) para fazer os judeus orientais esquecerem que eles foram – e continuam a ser – vítimas de uma distribuição desigual dos recursos nacionais. Mas ambos, o nacionalismo extremista judeu e o árabe, são meios ainda mais reais e experimentados de impedir a união de judeus e árabes, populações oprimidas exatamente pelos mesmos interesses.
Nada como discorrer sobre abrigos públicos, salas de segurança e exercícios de defesa civil para esconder o fato de que, por conta de cortes de orçamento, mais da metade das crianças apontadas como “crianças ameaçadas” em Israel, aquelas que enfrentam riscos diários em suas famílias desfeitas ou problemáticas, não podem ser aceitas em centros extra-escolares criados para garantir sua segurança e bem-estar por várias horas durante a tarde. Afinal de contas, o que é segurança social quando comparada a “segurança real”?
Naturalmente, o Hamas dança no mesmo compasso – criando conflitos periódicos, até sazonais, que atendem apenas a seus próprios interesses de manutenção do poder político – e assim contribui, a seu modo, para a sobrevivência da elite corrupta israelense. O mesmo pode ser dito de outros atores em nossa região.
Ainda assim, muitos de nós, a maioria das pessoas vivendo neste país, não apenas absorvemos silenciosamente os chocantes resultados de cada série de violências, mas toleramos a contínua erosão de nossos direitos sociais, nossos direitos econômicos, nossos direitos de negociar e lutar pelo que temos, ou o que realmente deveria ser nosso; enquanto eles, os poucos afortunados, aqueles ligados ao poder, continuam a arrancar cada vez mais das mãos de nossos dois povos, israelenses e palestinos.
Gerardo Leibner
Gerardo Leibner é membro do movimento judeu-árabe Hithabrut-Tarabut, em Israel; um dos fundadores do movimento Ta’ayush, que trabalha para construção de uma parceria entre árabes e judeus; e historiador da América Latina.
O texto original está disponível em;
http://www.tarabut. info/en/home/
É hora de pensar sobre aqueles que ficam em seus escritórios e emitem ordens para manter o bloqueio – mesmo ao custo de vidas humanas; aqueles que revezam entre atiçar e extinguir as labaredas de acordo com a necessidade; que preparam as listas de produtos que não podem entrar em Gaza – lápis, remédios, temperos; aqueles que ordenaram o ataque à “Flotilha da Liberdade”; os homens que usam piscinas de sangue como cortinas de fumaça.
Quanto mais se agrava a crise social, mais os banhos de sangue, as provocações e os conflitos se tornam os meios mais fáceis e acessíveis pelos quais as elites tentam nos dominar; ao espalhar fumaça, unem, temporariamente, a maioria da nação; ao incitar contra o inimigo comum, distraem a atenção pública da contínua pilhagem de seus direitos e recursos.
Não há nada como a provocação política para retirar a atenção pública da corrupção dos líderes do governo. Não há nada como a crise na segurança para afastar temporariamente da agenda pública qualquer discussão séria sobre as escandalosas privatizações conduzidas por Netanyahu, Ehud Olmert, [Ehud] Barak (cada qual à sua vez) e seus companheiros, que entregaram a algumas poucas famílias o controle de enormes riquezas, às custas do restante da população. Não há nada como trocas de tiros com o Hamas e o estímulo ao nacionalismo extremista para manter longe do escrutínio público o sempre crescente número de casos de famílias que, tendo vivido por décadas em propriedades públicas, são expulsas de suas casas a fim de abrir caminho para transações imobiliárias suspeitas.
A arte de trocar ameaças com o Hamas ou insultos com manifestantes na Turquia é um meio factível e testado (mas temporário, sempre temporário) para fazer os judeus orientais esquecerem que eles foram – e continuam a ser – vítimas de uma distribuição desigual dos recursos nacionais. Mas ambos, o nacionalismo extremista judeu e o árabe, são meios ainda mais reais e experimentados de impedir a união de judeus e árabes, populações oprimidas exatamente pelos mesmos interesses.
Nada como discorrer sobre abrigos públicos, salas de segurança e exercícios de defesa civil para esconder o fato de que, por conta de cortes de orçamento, mais da metade das crianças apontadas como “crianças ameaçadas” em Israel, aquelas que enfrentam riscos diários em suas famílias desfeitas ou problemáticas, não podem ser aceitas em centros extra-escolares criados para garantir sua segurança e bem-estar por várias horas durante a tarde. Afinal de contas, o que é segurança social quando comparada a “segurança real”?
Naturalmente, o Hamas dança no mesmo compasso – criando conflitos periódicos, até sazonais, que atendem apenas a seus próprios interesses de manutenção do poder político – e assim contribui, a seu modo, para a sobrevivência da elite corrupta israelense. O mesmo pode ser dito de outros atores em nossa região.
Ainda assim, muitos de nós, a maioria das pessoas vivendo neste país, não apenas absorvemos silenciosamente os chocantes resultados de cada série de violências, mas toleramos a contínua erosão de nossos direitos sociais, nossos direitos econômicos, nossos direitos de negociar e lutar pelo que temos, ou o que realmente deveria ser nosso; enquanto eles, os poucos afortunados, aqueles ligados ao poder, continuam a arrancar cada vez mais das mãos de nossos dois povos, israelenses e palestinos.
Gerardo Leibner
Gerardo Leibner é membro do movimento judeu-árabe Hithabrut-Tarabut, em Israel; um dos fundadores do movimento Ta’ayush, que trabalha para construção de uma parceria entre árabes e judeus; e historiador da América Latina.
O texto original está disponível em;
http://www.tarabut. info/en/home/
quinta-feira, 3 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Carta ao governo Israelense
Sres. que me envergonham:
Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.
As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.
Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!
Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.
Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção, merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.
A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..
O Sr., Lieberman, que trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.
Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.
Abaixo o fascismo!
Paz Já!
Silvio Tendler
Cineasta
Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.
As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.
Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!
Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.
Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção, merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.
A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..
O Sr., Lieberman, que trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.
Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.
Abaixo o fascismo!
Paz Já!
Silvio Tendler
Cineasta
domingo, 30 de maio de 2010
Lixo que não é lixo vira riqueza para o País
Preservação do meio ambiente, inserção social, geração de riquezas. Estes são os principais benefícios encontrados em duas soluções simples e eficientes: a coleta seletiva e a reciclagem de materiais reaproveitáveis.
No Brasil, a primeira experiência do gênero aconteceu na cidade de Niterói (RJ), em 1985. Entre as capitais, Curitiba foi a pioneira, implantando, com sucesso, o Programa Lixo que não é lixo, em 1989.
De acordo com a jornalista e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Myrian Del Vecchio de Lima, a ideia politicamente correta acabou sensibilizando a população, fazendo com que a iniciativa desse resultado.
“A campanha do Lixo que não é lixo foi bem interessante. Trata-se de um “case’ histórico que despertou nas pessoas a consciência para a preservação do meio ambiente”, relata.
Vinte e um anos depois do projeto, a manutenção deste trabalho ainda continua firme na capital. Contudo, a doutora acredita que a cidade poderia ter avançado muito mais neste processo.
“A gente faz mais a parte simples, que é separar o lixo seco (reciclável) do molhado (orgânico). Acredito que poderíamos fazer algo um pouco mais avançado, como deixar um espaço exclusivo para cada material. Outra questão é que o pessoal não faz a devida limpeza na embalagem antes de descartá-la. Se isso não for feito, o material acaba perdendo valor e, em alguns casos, nem pode ser reciclado”, revela.
Como exemplo a ser seguido, a jornalista cita o caso da Alemanha, do Canadá e dos Estados Unidos. “A Alemanha é considerada o País mais avançado no que tange à coleta seletiva e à reciclagem. Canadá, embora conte com uma população bem menor que a do Brasil, também obtém ótimos resultados, assim como os Estados Unidos que, mesmo sendo um país extremamente consumista, faz um bom trabalho”, comenta.
Para Lima, porém, tão importante quanto a ideia de seleção do lixo e reciclagem é a de conscientizar a população para evitar o consumo exagerado dos produtos. “Um detalhe que constatei é o de que não existem campanhas para orientar as pessoas para frear o consumo e, principalmente, aumentar a vida útil de aparelhos eletrônicos, em especial celulares e computadores, que são substituídos com muita velocidade, gerando o que se chama de lixo eletrônico. Isso está se tornando um problema ambiental sério, pois possuem componentes tóxicos, como chumbo e cádmio. Por isso, que não dá para dispensá-los como lixo comum, até porque tem muita coisa ali que é reciclável”, alerta.
Assim como o lixo eletrônico, a doutora avisa que outros materiais tóxicos para a natureza podem ser reaproveitados. “Um bom exemplo disso é o óleo de cozinha. Se ele for reciclado, pode se transformar em produtos de limpeza, como sabão. Do contrário, se ele for descartado sem cuidado, vai entupir tubulações e, se cair na rede pluvial, contaminará a água. Pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes, que contém metais pesados, também podem ser reciclados. A exceção fica por conta do lixo hospitalar, que necessita de uma série de cuidados, coleta diferenciada e vai para aterros especiais, e lixo do banheiro, pois o papel higiênico, fralda e absorvente íntimo estão bem contaminadas”, salienta.
ONG da capital trabalha com material eletrônico
Uma organização não-governamental (ONG) de Curitiba vem trabalhando em uma medida interessante para o lixo eletrônico. O Instituto Brasileiro de Ecotecnologia (Biet) vem promovendo ações interdisciplinares de educação ambiental e inserção social por meio da reutilização, reciclagem, destruição e disposição final destes produtos.
De acordo com o engenheiro civil e presidente do conselho administrativo do Biet, Maurício Beltrão Fraletti, o instituto surgiu de outro projeto seu, a Robótica sem Mistério, no ano de 2003.
“Comecei a receber bastante ofertas do que eu chamo de e-lixo quando foi criada a Robótica sem Mistério. Por ter ciência de que é um problema sério e de não me conformar em ver tais materiais em aterros sanitários, passei a usar as peças na robótica e assim nasceu o Biet. Desde então, fizemos diversas parcerias com governos estadual e municipal, iniciativa privada e a sociedade como um todo. Recentemente recebemos materiais vindos da Cargil, Bosch e da Ordem dos Advogados do Brasil seção Paraná (OAB-PR)”, conta.
O Biet conta com um centro no bairro Sítio Cercado e outros municípios já demonstraram interesse em abrir estes espaços. “Recebemos convites para levar o projeto para Colombo, São José dos Pinhais, Campo Largo e Araucária (todos na Região Metropolitana de Curitiba RMC). Vamos abrir um centro em uma escola pública de Ponta Grossa (Campos Gerais) e realizamos oficinas pelo Estado por meio do programa Paraná em Ação”, diz Fraletti.
A ação do Biet consiste em receber o e-lixo, testar os equipamentos, um a um, e o que funcionar é separado e o que está estragado é desmontado. “O que ainda puder ser utilizado, nós utilizamos no nosso centro e doamos para alguma outra instituição, mas com o compromisso de devolução após o produto não ter mais funcionamento. Por exemplo, um monitor queimou de vez. A gente pega o que estragou e substitui por outro que pode ser utilizado. O material inutilizado será reciclado e vai ser destinado para as oficinas de robóticas e para a confecção de novos produtos”, salienta.
A única coisa que falta para a ONG é o de conseguir fazer a reciclagem total dos computadores, conforme conta o presidente do Biet. “Estamos buscando ajuda nas universidades para descobrir como resolver a questão que envolve os metais pesados nos computadores”, afirma.
Para doar um equipamento eletrônico para o Biet, é preciso agendar antes. Os telefones de contato são (41) 3289-8856 e (41) 9932-0168 ou pelo e-mail falecom@biet.org.br. Mais informações da ONG pelo site www.biet.org.br.
Programa
Não são apenas plásticos, metais e papéis que vão para o programa de reciclagem da Prefeitura de Curitiba. Segundo a gerente de limpeza do Departamento de Limpeza Público, Gisele Martins dos Anjos, o lixo eletrônico e o tóxico também são recolhidos.
A gerente diz ainda que no caso dos eletro-eletrônicos, a reciclagem não é feita pela prefeitura. “É feito apenas uma pré-triagem dos materiais e as peças são leiloadas para empresas que trabalham com esse tipo de reciclagem”, avisa.
Paraná aplica há sete anos a responsabilidade solidária
O governo do Paraná, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), vem aplicando há sete anos a Lei Federal número 6938/81 que, entre outras coisas, aborda a questão da responsabilidade solidária. O que seria isso? Significa que a empresa cuja logomarca da embalagem está presente num determinado produto é responsável pelo destino final do mesmo.
O coordenador de resíduos sólidos da Sema, Laerty Dudas, diz que para que a lei funcione plenamente, é necessário uma mudança nos hábitos da população. “Vamos tomar como exemplo a questão dos computadores. Estamos sempre conversando com as empresas e elas não se negam a fazer a chamada logística inversa (que vai do consumidor até o fabricante). Entretanto, elas pedem a nota fiscal da mercadoria. Infelizmente, não temos esse hábito de guardar notas fiscais, que é fundamental para que o fabricante descaracterize o produto ao receber”.
No caso das lâmpadas fluorescentes, o diálogo vem sendo mais extenso, conforme explica o coordenador. “Antes eles não queriam nem saber de dar o destino do produto após o seu uso. Hoje já há um canal de diálogo.
Já existe uma lei estadual que informa que a responsabilidade de recolher a lâmpada após o uso é de responsabilidade do fabricante ou do importador”, informa.
Dudas conta que foi conversado com a Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) e com a Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi) para que encontrem uma solução para este problema. “Em abril deste ano, foi feita uma reunião dos municípios que mais geram resíduos no Paraná, chamados de G-22.
Eles têm um passivo de 260 mil lâmpadas estocadas, o que é um agravante, pois trata-se de um material que contém mercúrio, tóxico para o ser humano. A Abilux ficou de retirar esse passivo ambiental e dar um fim a ele. A Abilumi recebeu um prazo final até o dia 30 de junho deste ano, para apresentar um projeto para solucionar este impasse”, conta.
Flávio Laginski
fonte: http://www.parana-online.com.br/editoria/cidades/news
No Brasil, a primeira experiência do gênero aconteceu na cidade de Niterói (RJ), em 1985. Entre as capitais, Curitiba foi a pioneira, implantando, com sucesso, o Programa Lixo que não é lixo, em 1989.
De acordo com a jornalista e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Myrian Del Vecchio de Lima, a ideia politicamente correta acabou sensibilizando a população, fazendo com que a iniciativa desse resultado.
“A campanha do Lixo que não é lixo foi bem interessante. Trata-se de um “case’ histórico que despertou nas pessoas a consciência para a preservação do meio ambiente”, relata.
Vinte e um anos depois do projeto, a manutenção deste trabalho ainda continua firme na capital. Contudo, a doutora acredita que a cidade poderia ter avançado muito mais neste processo.
“A gente faz mais a parte simples, que é separar o lixo seco (reciclável) do molhado (orgânico). Acredito que poderíamos fazer algo um pouco mais avançado, como deixar um espaço exclusivo para cada material. Outra questão é que o pessoal não faz a devida limpeza na embalagem antes de descartá-la. Se isso não for feito, o material acaba perdendo valor e, em alguns casos, nem pode ser reciclado”, revela.
Como exemplo a ser seguido, a jornalista cita o caso da Alemanha, do Canadá e dos Estados Unidos. “A Alemanha é considerada o País mais avançado no que tange à coleta seletiva e à reciclagem. Canadá, embora conte com uma população bem menor que a do Brasil, também obtém ótimos resultados, assim como os Estados Unidos que, mesmo sendo um país extremamente consumista, faz um bom trabalho”, comenta.
Para Lima, porém, tão importante quanto a ideia de seleção do lixo e reciclagem é a de conscientizar a população para evitar o consumo exagerado dos produtos. “Um detalhe que constatei é o de que não existem campanhas para orientar as pessoas para frear o consumo e, principalmente, aumentar a vida útil de aparelhos eletrônicos, em especial celulares e computadores, que são substituídos com muita velocidade, gerando o que se chama de lixo eletrônico. Isso está se tornando um problema ambiental sério, pois possuem componentes tóxicos, como chumbo e cádmio. Por isso, que não dá para dispensá-los como lixo comum, até porque tem muita coisa ali que é reciclável”, alerta.
Assim como o lixo eletrônico, a doutora avisa que outros materiais tóxicos para a natureza podem ser reaproveitados. “Um bom exemplo disso é o óleo de cozinha. Se ele for reciclado, pode se transformar em produtos de limpeza, como sabão. Do contrário, se ele for descartado sem cuidado, vai entupir tubulações e, se cair na rede pluvial, contaminará a água. Pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes, que contém metais pesados, também podem ser reciclados. A exceção fica por conta do lixo hospitalar, que necessita de uma série de cuidados, coleta diferenciada e vai para aterros especiais, e lixo do banheiro, pois o papel higiênico, fralda e absorvente íntimo estão bem contaminadas”, salienta.
ONG da capital trabalha com material eletrônico
Uma organização não-governamental (ONG) de Curitiba vem trabalhando em uma medida interessante para o lixo eletrônico. O Instituto Brasileiro de Ecotecnologia (Biet) vem promovendo ações interdisciplinares de educação ambiental e inserção social por meio da reutilização, reciclagem, destruição e disposição final destes produtos.
De acordo com o engenheiro civil e presidente do conselho administrativo do Biet, Maurício Beltrão Fraletti, o instituto surgiu de outro projeto seu, a Robótica sem Mistério, no ano de 2003.
“Comecei a receber bastante ofertas do que eu chamo de e-lixo quando foi criada a Robótica sem Mistério. Por ter ciência de que é um problema sério e de não me conformar em ver tais materiais em aterros sanitários, passei a usar as peças na robótica e assim nasceu o Biet. Desde então, fizemos diversas parcerias com governos estadual e municipal, iniciativa privada e a sociedade como um todo. Recentemente recebemos materiais vindos da Cargil, Bosch e da Ordem dos Advogados do Brasil seção Paraná (OAB-PR)”, conta.
O Biet conta com um centro no bairro Sítio Cercado e outros municípios já demonstraram interesse em abrir estes espaços. “Recebemos convites para levar o projeto para Colombo, São José dos Pinhais, Campo Largo e Araucária (todos na Região Metropolitana de Curitiba RMC). Vamos abrir um centro em uma escola pública de Ponta Grossa (Campos Gerais) e realizamos oficinas pelo Estado por meio do programa Paraná em Ação”, diz Fraletti.
A ação do Biet consiste em receber o e-lixo, testar os equipamentos, um a um, e o que funcionar é separado e o que está estragado é desmontado. “O que ainda puder ser utilizado, nós utilizamos no nosso centro e doamos para alguma outra instituição, mas com o compromisso de devolução após o produto não ter mais funcionamento. Por exemplo, um monitor queimou de vez. A gente pega o que estragou e substitui por outro que pode ser utilizado. O material inutilizado será reciclado e vai ser destinado para as oficinas de robóticas e para a confecção de novos produtos”, salienta.
A única coisa que falta para a ONG é o de conseguir fazer a reciclagem total dos computadores, conforme conta o presidente do Biet. “Estamos buscando ajuda nas universidades para descobrir como resolver a questão que envolve os metais pesados nos computadores”, afirma.
Para doar um equipamento eletrônico para o Biet, é preciso agendar antes. Os telefones de contato são (41) 3289-8856 e (41) 9932-0168 ou pelo e-mail falecom@biet.org.br. Mais informações da ONG pelo site www.biet.org.br.
Programa
Não são apenas plásticos, metais e papéis que vão para o programa de reciclagem da Prefeitura de Curitiba. Segundo a gerente de limpeza do Departamento de Limpeza Público, Gisele Martins dos Anjos, o lixo eletrônico e o tóxico também são recolhidos.
A gerente diz ainda que no caso dos eletro-eletrônicos, a reciclagem não é feita pela prefeitura. “É feito apenas uma pré-triagem dos materiais e as peças são leiloadas para empresas que trabalham com esse tipo de reciclagem”, avisa.
Paraná aplica há sete anos a responsabilidade solidária
O governo do Paraná, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), vem aplicando há sete anos a Lei Federal número 6938/81 que, entre outras coisas, aborda a questão da responsabilidade solidária. O que seria isso? Significa que a empresa cuja logomarca da embalagem está presente num determinado produto é responsável pelo destino final do mesmo.
O coordenador de resíduos sólidos da Sema, Laerty Dudas, diz que para que a lei funcione plenamente, é necessário uma mudança nos hábitos da população. “Vamos tomar como exemplo a questão dos computadores. Estamos sempre conversando com as empresas e elas não se negam a fazer a chamada logística inversa (que vai do consumidor até o fabricante). Entretanto, elas pedem a nota fiscal da mercadoria. Infelizmente, não temos esse hábito de guardar notas fiscais, que é fundamental para que o fabricante descaracterize o produto ao receber”.
No caso das lâmpadas fluorescentes, o diálogo vem sendo mais extenso, conforme explica o coordenador. “Antes eles não queriam nem saber de dar o destino do produto após o seu uso. Hoje já há um canal de diálogo.
Já existe uma lei estadual que informa que a responsabilidade de recolher a lâmpada após o uso é de responsabilidade do fabricante ou do importador”, informa.
Dudas conta que foi conversado com a Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) e com a Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi) para que encontrem uma solução para este problema. “Em abril deste ano, foi feita uma reunião dos municípios que mais geram resíduos no Paraná, chamados de G-22.
Eles têm um passivo de 260 mil lâmpadas estocadas, o que é um agravante, pois trata-se de um material que contém mercúrio, tóxico para o ser humano. A Abilux ficou de retirar esse passivo ambiental e dar um fim a ele. A Abilumi recebeu um prazo final até o dia 30 de junho deste ano, para apresentar um projeto para solucionar este impasse”, conta.
Flávio Laginski
fonte: http://www.parana-online.com.br/editoria/cidades/news
sábado, 29 de maio de 2010
Leia íntegra traduzida da carta de Barack Obama a Lula sobre acordo com o Irã
O acordo nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã segue, ponto a ponto, todas as solicitações que o presidente Barack Obama havia exposto em carta a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, datada de 20 de abril, apenas três semanas antes, portanto, da viagem de Lula ao Irã, da qual resultou o acordo. A Folha obteve, com exclusividade, cópia integral da carta, na qual Obama escreve que o objetivo era oferecer “explicação detalhada” de sua perspectiva “e sugerir um caminho a seguir”.
FOLHA SP 27/05/2010
Leia a íntegra traduzida da mensagem:
“Gostaria de agradecê-lo por nossa reunião com o primeiro-ministro Erdogan, da Turquia, durante a Conferência de Cúpula sobre Segurança Nuclear. Dedicamos algum tempo ao Irã, à questão da provisão de combustível nuclear para o Reator de Pesquisa de Teerã (TRR), e à intenção de Turquia e Brasil quanto a trabalhar para encontrar uma solução aceitável. Prometi responder detalhadamente às suas ideias, refleti cuidadosamente sobre a nossa discussão e gostaria de oferecer uma explicação detalhada sobre minha perspectiva e sugerir um caminho para avançarmos.
Concordo com você em que o TRR representa uma oportunidade para abrir caminho a um diálogo mais amplo no que tange a resolver preocupações mais fundamentais da comunidade internacional com respeito ao programa nuclear iraniano em seu todo. Desde o começo, considerei a solicitação iraniana como uma oportunidade clara e tangível de começar a construir confiança mútua e assim criar tempo e espaço para um processo diplomático construtivo. É por isso que os Estados Unidos apoiaram de forma tão vigorosa a proposta apresentada por Mohamed El Baradei, o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A proposta da AIEA foi preparada de maneira a ser justa e equilibrada, e para permitir que ambos os lados ganhem confiança. Para nós, o acordo iraniano quanto a transferir 1.200 quilos de seu urânio de baixo enriquecimento (LEU) para fora do país reforçaria a confiança e reduziria as tensões regionais, ao reduzir substancialmente os estoques de LEU do Irã. Quero sublinhar que esse elemento é de importância fundamental para os Estados Unidos. Para o Irã, o país receberia o combustível nuclear solicitado para garantir a operação continuada do TRR a fim de produzir os isótopos médicos necessários e, ao usar seu próprio material, os iranianos começariam a demonstrar intenções nucleares pacíficas. Não obstante, o desafio continuado do Irã a cinco resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que ordenam o final de seu programa de enriquecimento de urânio, estávamos preparados para apoiar e facilitar as ações quanto a uma proposta que forneceria combustível nuclear ao Irã usando urânio enriquecido pelo Irã uma demonstração de nossa disposição de trabalhar criativamente na busca de um caminho para a construção de confiança mútua.
No curso das consultas quanto a isso, reconhecemos também o desejo de garantias, da parte do Irã. Como resultado, minha equipe se concentrou em garantir que a proposta da AIEA abarcasse diversas cláusulas, entre as quais uma declaração nacional de apoio pelos Estados Unidos, a fim de enviar um claro sinal do meu governo quanto à nossa disposição de nos tornarmos signatários diretos e até mesmo potencialmente desempenharmos um papel mais direto no processo de produção do combustível; também ressaltamos a importância de um papel central para a Rússia e da custódia plena da AIEA sobre o material nuclear durante todo o processo de produção de combustível. Na prática, a proposta da AIEA oferecia ao Irã garantias e compromissos significativos e substanciais da parte da AIEA, dos Estados Unidos e da Rússia. O dr. El Baradei declarou publicamente no ano passado que os Estados Unidos estariam assumindo a vasta maioria do risco, na proposta da AIEA.
Como discutimos, o Irã parece estar seguindo uma estratégia projetada para criar a impressão de flexibilidade sem que concorde com as ações que poderiam começar a gerar confiança mútua. Observamos os vislumbres de flexibilidade transmitidos pela Irã a você e a outros, enquanto reiterava formalmente uma posição inaceitável à AIEA, por meio dos canais oficiais. O Irã continuou a rejeitar a proposta da AIEA e insistiu em reter em seu território o urânio de baixo enriquecimento até a entrega do combustível nuclear. Essa é a posição que o Irã transmitiu formalmente à AIEA em janeiro e uma vez mais em fevereiro de 2010.
Compreendemos pelo que vocês, a Turquia e outros nos dizem que o Irã continua a propor a retenção do LEU em seu território até que exista uma troca simultânea de LEU por combustível nuclear. Como apontou o general [James] Jones [assessor de Segurança Nacional da Casa Branca] durante o nosso encontro, seria necessário um ano para a produção de qualquer volume de combustível nuclear. Assim, o reforço da confiança que a proposta da AIEA poderia propiciar seria completamente eliminado para os Estados Unidos, e diversos riscos emergiriam. Primeiro, o Irã poderia continuar a ampliar seu estoque de LEU ao longo do período, o que lhes permitiria acumular um estoque de LEU equivalente ao necessário para duas ou três armas nucleares, em prazo de um ano. Segundo, não haveria garantia de que o Irã concordaria com a troca final. Terceiro, a “custódia” da AIEA sobre o LEU no território iraniano não nos ofereceria melhora considerável ante a situação atual, e a AIEA não poderia impedir o Irã de retomar o controle de seu urânio a qualquer momento.
Existe uma solução de compromisso potencialmente importante que já foi oferecida. Em novembro, a AIEA transmitiu ao Irã nossa oferta de permitir que o Irã transfira seus 1,2 mil de LEU a um terceiro país especificamente a Turquia- no início do processo, onde ele seria armazenado durante o processo de produção do combustível como caução de que o Irã receberia de volta o seu urânio caso não viéssemos a entregar o combustível. O Irã jamais deliberou seriamente quanto a essa oferta de “caução” e não ofereceu explicação confiável quanto à sua rejeição. Creio que isso suscite questões reais quanto às intenções nucleares iranianas. Caso o Irã não esteja disposto a aceitar uma oferta que demonstre que seu LEU é para usos pacíficos e civis, eu instaria o Brasil a insistir junto ao Irã quanto à oportunidade representada por essa oferta de manter seu urânio como “caução” na Turquia enquanto o combustível nuclear está sendo produzido.
Ao longo do processo, em lugar de construir confiança o Irã vem solapando a confiança, na forma pela qual abordou essa oportunidade. É por isso que questiono a disposição do Irã para um diálogo de boa fé com o Brasil, e por isso eu o acautelei a respeito em nosso encontro. Para iniciar um processo diplomático construtivo, o Irã precisa transmitir à AIEA um compromisso construtivo quanto ao diálogo por meio de canais oficiais algo que até o momento não fez. Enquanto isso, continuaremos a levar adiante nossa busca de sanções, dentro do cronograma que delineei. Também deixei claro que as portas estão abertas para uma aproximação com o Irã. Como você sabe, o Irã até o momento vem recusando minha oferta de um diálogo abrangente e incondicional.
Aguardo ansiosamente a próxima oportunidade de encontrá-lo e discutir essas questões, levando em conta o desafio que o programa nuclear iraniano representa para a segurança da comunidade internacional, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.
Sinceramente,
Barack Obama”
Tradução de Paulo Migliacci
O acordo nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã segue, ponto a ponto, todas as solicitações que o presidente Barack Obama havia exposto em carta a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, datada de 20 de abril, apenas três semanas antes, portanto, da viagem de Lula ao Irã, da qual resultou o acordo. A Folha obteve, com exclusividade, cópia integral da carta, na qual Obama escreve que o objetivo era oferecer “explicação detalhada” de sua perspectiva “e sugerir um caminho a seguir”.
FOLHA SP 27/05/2010
Leia a íntegra traduzida da mensagem:
“Gostaria de agradecê-lo por nossa reunião com o primeiro-ministro Erdogan, da Turquia, durante a Conferência de Cúpula sobre Segurança Nuclear. Dedicamos algum tempo ao Irã, à questão da provisão de combustível nuclear para o Reator de Pesquisa de Teerã (TRR), e à intenção de Turquia e Brasil quanto a trabalhar para encontrar uma solução aceitável. Prometi responder detalhadamente às suas ideias, refleti cuidadosamente sobre a nossa discussão e gostaria de oferecer uma explicação detalhada sobre minha perspectiva e sugerir um caminho para avançarmos.
Concordo com você em que o TRR representa uma oportunidade para abrir caminho a um diálogo mais amplo no que tange a resolver preocupações mais fundamentais da comunidade internacional com respeito ao programa nuclear iraniano em seu todo. Desde o começo, considerei a solicitação iraniana como uma oportunidade clara e tangível de começar a construir confiança mútua e assim criar tempo e espaço para um processo diplomático construtivo. É por isso que os Estados Unidos apoiaram de forma tão vigorosa a proposta apresentada por Mohamed El Baradei, o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A proposta da AIEA foi preparada de maneira a ser justa e equilibrada, e para permitir que ambos os lados ganhem confiança. Para nós, o acordo iraniano quanto a transferir 1.200 quilos de seu urânio de baixo enriquecimento (LEU) para fora do país reforçaria a confiança e reduziria as tensões regionais, ao reduzir substancialmente os estoques de LEU do Irã. Quero sublinhar que esse elemento é de importância fundamental para os Estados Unidos. Para o Irã, o país receberia o combustível nuclear solicitado para garantir a operação continuada do TRR a fim de produzir os isótopos médicos necessários e, ao usar seu próprio material, os iranianos começariam a demonstrar intenções nucleares pacíficas. Não obstante, o desafio continuado do Irã a cinco resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que ordenam o final de seu programa de enriquecimento de urânio, estávamos preparados para apoiar e facilitar as ações quanto a uma proposta que forneceria combustível nuclear ao Irã usando urânio enriquecido pelo Irã uma demonstração de nossa disposição de trabalhar criativamente na busca de um caminho para a construção de confiança mútua.
No curso das consultas quanto a isso, reconhecemos também o desejo de garantias, da parte do Irã. Como resultado, minha equipe se concentrou em garantir que a proposta da AIEA abarcasse diversas cláusulas, entre as quais uma declaração nacional de apoio pelos Estados Unidos, a fim de enviar um claro sinal do meu governo quanto à nossa disposição de nos tornarmos signatários diretos e até mesmo potencialmente desempenharmos um papel mais direto no processo de produção do combustível; também ressaltamos a importância de um papel central para a Rússia e da custódia plena da AIEA sobre o material nuclear durante todo o processo de produção de combustível. Na prática, a proposta da AIEA oferecia ao Irã garantias e compromissos significativos e substanciais da parte da AIEA, dos Estados Unidos e da Rússia. O dr. El Baradei declarou publicamente no ano passado que os Estados Unidos estariam assumindo a vasta maioria do risco, na proposta da AIEA.
Como discutimos, o Irã parece estar seguindo uma estratégia projetada para criar a impressão de flexibilidade sem que concorde com as ações que poderiam começar a gerar confiança mútua. Observamos os vislumbres de flexibilidade transmitidos pela Irã a você e a outros, enquanto reiterava formalmente uma posição inaceitável à AIEA, por meio dos canais oficiais. O Irã continuou a rejeitar a proposta da AIEA e insistiu em reter em seu território o urânio de baixo enriquecimento até a entrega do combustível nuclear. Essa é a posição que o Irã transmitiu formalmente à AIEA em janeiro e uma vez mais em fevereiro de 2010.
Compreendemos pelo que vocês, a Turquia e outros nos dizem que o Irã continua a propor a retenção do LEU em seu território até que exista uma troca simultânea de LEU por combustível nuclear. Como apontou o general [James] Jones [assessor de Segurança Nacional da Casa Branca] durante o nosso encontro, seria necessário um ano para a produção de qualquer volume de combustível nuclear. Assim, o reforço da confiança que a proposta da AIEA poderia propiciar seria completamente eliminado para os Estados Unidos, e diversos riscos emergiriam. Primeiro, o Irã poderia continuar a ampliar seu estoque de LEU ao longo do período, o que lhes permitiria acumular um estoque de LEU equivalente ao necessário para duas ou três armas nucleares, em prazo de um ano. Segundo, não haveria garantia de que o Irã concordaria com a troca final. Terceiro, a “custódia” da AIEA sobre o LEU no território iraniano não nos ofereceria melhora considerável ante a situação atual, e a AIEA não poderia impedir o Irã de retomar o controle de seu urânio a qualquer momento.
Existe uma solução de compromisso potencialmente importante que já foi oferecida. Em novembro, a AIEA transmitiu ao Irã nossa oferta de permitir que o Irã transfira seus 1,2 mil de LEU a um terceiro país especificamente a Turquia- no início do processo, onde ele seria armazenado durante o processo de produção do combustível como caução de que o Irã receberia de volta o seu urânio caso não viéssemos a entregar o combustível. O Irã jamais deliberou seriamente quanto a essa oferta de “caução” e não ofereceu explicação confiável quanto à sua rejeição. Creio que isso suscite questões reais quanto às intenções nucleares iranianas. Caso o Irã não esteja disposto a aceitar uma oferta que demonstre que seu LEU é para usos pacíficos e civis, eu instaria o Brasil a insistir junto ao Irã quanto à oportunidade representada por essa oferta de manter seu urânio como “caução” na Turquia enquanto o combustível nuclear está sendo produzido.
Ao longo do processo, em lugar de construir confiança o Irã vem solapando a confiança, na forma pela qual abordou essa oportunidade. É por isso que questiono a disposição do Irã para um diálogo de boa fé com o Brasil, e por isso eu o acautelei a respeito em nosso encontro. Para iniciar um processo diplomático construtivo, o Irã precisa transmitir à AIEA um compromisso construtivo quanto ao diálogo por meio de canais oficiais algo que até o momento não fez. Enquanto isso, continuaremos a levar adiante nossa busca de sanções, dentro do cronograma que delineei. Também deixei claro que as portas estão abertas para uma aproximação com o Irã. Como você sabe, o Irã até o momento vem recusando minha oferta de um diálogo abrangente e incondicional.
Aguardo ansiosamente a próxima oportunidade de encontrá-lo e discutir essas questões, levando em conta o desafio que o programa nuclear iraniano representa para a segurança da comunidade internacional, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.
Sinceramente,
Barack Obama”
Tradução de Paulo Migliacci
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