segunda-feira, 2 de janeiro de 2017


IX


Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

~ “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa


domingo, 1 de janeiro de 2017

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

ODE À ALEGRIA


(Friedrich Schiller)

Ó, amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
Alegremente, como seus sóis voem
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões, vocês estão ajoelhados diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!


- Friedrich Von Schiller, Ode à Alegria (An die Freude), 1786 - tradução do original, tal como se canta na Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven, 1824.

Meu Amor da Rua Onze




Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos nos roubámos
Tantos abraços nós demos.
Meu amor da Rua Onze,

Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.
Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As vezes promessas, que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca
Qu´inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubámos.

Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou
Nosso romance
Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer
E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
de escultura
Cor de bronze

Meu amor da Rua Onze.


Aires Almeida Santos nasceu em Bié,  Angola, em 1921, falecendo em 1992 na cidade de Benguela. Recebeu instrução primária em Benguela e secundária em Nova Lisboa e Sá de Bandeira. Esteve preso por atividades ligadas ao MPLA. Fixou-se em Luanda em 1961, trabalhando como contador de algumas empresas. Em 1970 ingressou no jornalismo. Foi co-fundador da União dos Escritores Angolanos - UEA.  Sua obra poética é constituída de dois únicos livros:  Meu Amor da Rua Onze (Lisboa: Edições 70, 1987) e  A Casa (Lubango: edição do autor, 1987). Seu poema mais conhecido, publicado pela primeira vez em Mákua - Antologia Poética, vol 3 (Sá da Bandeira: Publicações Imbondeiro, 1963), é justamente o que dá título ao seu primeiro livro. Meu Amor da Rua Onze não é, como muito da produção poética do período, nenhuma peça de vanguarda; tampouco pertence ao rol dos textos angolanos que buscavam, de alguma forma, denunciar o colonialismo ou tratar das injustiças do regime. É um poema de amor, simples e nostálgico, mas que tem como principal característica a musicalidade. Pois foi justamente este o elemento que motivou este post. Em uma busca aleatória por poemas musicados na web, deparei-me com esta versão em ritmo de semba feita pelos angolanos da Banda Maravilha. O vídeo contém legendas com a letra em Português e Inglês.

Eu ia postar uma foto de praia, emanar um axé bacana, e ponto. Mas lembrei de súbito, nesses últimos momentos de 2016, o quanto tudo foi difícil pra nós todos. Alegrias imensas também, claro, no âmbito artístico ( o que pra mim significa a região pessoal, a intima e a profissional unidas como siamesas condenadas ), mas a lembrança firme de um susto coletivo, um incômodo de jogo em xeque-mate, de uma traição profunda, uma Ré, com maiúsculo mesmo, me paralisou. Então fico querendo, para o ano, se deixarem, passar a limpo o que desejo pra nós, porque eu tenho a clareza de que só se é feliz se muitos estiverem felizes. E assim, como foi, não dá. Eu sei ser sozinho, mas não sei ser feliz sozinho.
PS - Gente é pra brilhar! Lembra ?



 Matheus Nachtergaele:

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

"Le ''ça ira''"

Versione della Fête de la Fédération (14 luglio 1790)

" Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus,
On leur fichera la pelle au cul!

V'la trois cents ans qu'ils nous promettent
Qu'on va nous accorder du pain
V'la trois cents ans qu'ils donnent des fêtes
Et qu'ils entretiennent des catins
V'la trois cents ans qu'on nous écrase
Assez de mensonges et de phrases
On ne veut plus mourir de faim

Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus,
On leur fichera la pelle au cul

V'la trois cents ans qu'ils font la guerre
Au son des fifres et des tambours
En nous laissant crever d'misère
Ça n'pouvait pas durer toujours
V'la trois cents ans qu'ils prennent nos hommes
Qu'ils nous traitent comme des bêtes de somme
Ça n'pouvait pas durer toujours

Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus
On leur fichera la pelle au cul

Le châtiment pour vous s'apprête
Car le peuple reprend ses droits
Vous vous êtes bien payé nos têtes
C'en est fini Messieurs les rois
Il n' faut plus compter sur les nôtres
On va s'offrir maint'nant les vôtres
Car c'est nous qui faisons la loi

Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus
On leur fichera la pelle au cul "


"Le ''ça ira''" por Edith Piaf (Google Play • iTunes)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Ricardo Pedrosa Alves


vende-se ou aluga-se estonteante república de bananas, bois, grãos, açúcares e trabalhadores sem direito. investimento garantido: um dos maiores retornos financeiros do mercado. a aposta das próximas duas décadas! grandes áreas ainda por desmatar. inclui reservas de água, minério, petróleo e mão-de-obra domesticada e católica. segurança completa, não perca a oportunidade. o charme dos trópicos, com exotismo e espetáculos populares, tornam a experiência de ganhar dinheiro na propriedade um excelente investimento para o turismo sexual. negócio seguro, combinando a modernidade de uma legislação atualizada com a tradição de 516 anos no mercado.

Nos últimos dias a imprensa hegemônica do Brasil passou a divulgar as investigações do Departamento de Justiça dos EUA sobre a corrupção na Petrobrás. O que era apenas uma suspeita dos advogados do ex-presidente Lula, se confirmou como realidade cristalina.

Agora é possível entender porque Moro, muito zelosamente, sempre censurou as perguntas feitas pela defesa de Lula a delatores e testemunhas de acusação sobre a assinatura de acordos de colaboração com autoridades policiais e judiciais norte-americanas.

por Jeferson Miola


Por las calles de España...É a mesma equação: onde o neoliberalismo rapineiro avança, os direitos sociais minguam. A diferença é que, no Brasil, os grandes capitais representados pela corja corrupta que governa o país, estão agindo "a pedido" de centenas de milhares de verdeamarelos coxinhas que foram, repetidamente, às ruas e às panelas implorar para que a desgraça os atingisse.

Valéria Arias

sábado, 24 de dezembro de 2016

Quando os bares de rua de Curitiba entram em recesso é porque o ano realmente acabou. Aqui vai minha avaliação de 2016. Foi um ano excelente para o país. Finalmente as pessoas começaram a discutir ideias, já que a situação obrigou muitos a saírem de sua comodidade para não ficarem numa situação ainda pior. É com a discussão de ideias que colocamos nossas posições à prova. Pois coletivamente temos mais chances de perceber as falsidades e os erros. Não custa lembrar que foi com a discussão de ideias que a civilização e a ciência se desenvolveram com força.
A tão sonhada revolução nacional começou. E revoluções não acontecem de maneira tranquila e sem problemas. Elas exigem ainda mais atenção para não tomarmos caminhos errados, como o caminho da supressão dos direitos humanos e da democracia.

Thiago Melo

A CAVERNA E NOSSA SOCIEDADE


RENATO RIBEIRO VELLOSO *

A metáfora narrada por Platão em “A Republica”, cheia de mitos, foi criada
para compreendermos a realidade em que a humanidade se encontra, ou seja, estamos
sujeitos as sombras e vê-las como a verdade.
Em seu livro ele relata um grupo de pessoas que vivem no fundo de uma
caverna, todos foram presos na infância, imobilizados por correntes, sentados de costas
para a entrada da caverna, sem poder se moverem olhando sempre para o fundo da
caverna. Assim como a sociedade atual, o povo do subterrâneo, tem a sua existência
dominada pela ignorância, se contentando com a luz projetada nos objetos, que formam
sombras que surgem e desaparecem diante de seus olhos. As pessoas precisam sair da
caverna para chegar a um conhecimento superior, abrindo a mente para novas
experiências, para novos horizontes, podendo assim crescer interiormente e
politicamente.
Mas com isso Platão nos mostra como é difícil e doloroso chegarmos ao
conhecimento, se formos libertados e arrastados para longe de nossas cavernas, nos
sendo obrigado a percorrer caminhos indefinidos, para romper a ignorância. Em
primeiro instante a luminosidade não nos permitira enxergar nada, nesse instante não
iríamos conseguir capturar nada em sua totalidade, a princípio, entenderíamos as
sombras, porém com a persistência, finalmente poderemos ver os objetos em sua
totalidade, com perfis definidos, conseguindo distinguir os próprios seres.
Mas esta nova etapa não consiste apenas em descobrir, mas ir a busca de algo
superior, como contemplar idéias que regem as sociedades, conhecendo a verdade e
reunindo a inteligência, a moral e a lógica. Assim logo compreenderíamos que as
sombras, as quais estamos acostumados, são as coisas que consideramos reais, e que a
luz são as idéias verdadeiras, o conhecimento verdadeiro. Assim notamos a passagem da
ignorância para a opinião e depois para o conhecimento. Podendo contemplar as idéias,
tornando-se apto para descobrir que a luz representa a razão.
Então quando voltamos para a caverna, nossos antigos companheiros que
continuaram na escuridão da caverna, zombariam de nossas idéias, pois imaginam que o
mundo que conhecem é o único mundo verdadeiro e o pior, não querem se livrar dele,
isso porque estão presos a um método incorreto de ver a realidade e só conhecem aquele
mundo. Imaginam essa pessoa como um egocêntrico, um extravagante, ou um doido
como foram considerados a maioria dos pensadores.
Mas se alguns o ouvissem, e também decidissem sair de suas cavernas rumo a
realidade, não haveria tanta desigualdade, os sábios não devem apenas socializar os
conhecimentos, mas devem sim, ser chamados as regências das sociedades. O homem
justo em nada difere do estado justo, a mesma moral para o homem e o Estado
prudência, coragem e temperança.
O governo das cidades cabe aos mais instruídos e a aqueles que manifestam
mais indiferença ao poder, pela simples razão de serem os únicos a vislumbrar o belo, o
justo e o bem. Aquele que vê o bem em sua essência vive na realidade. O verdadeiro
líder é aquele que conduz sua alma racionalmente para se dirigir ao bem verdadeiro,
utilizando à energia do amor, podendo assim compreender a justiça, a honra, a
fidelidade, ou seja, todas as virtudes supremas.

BIBLIOGRAFIA

Platão, A Republica. Supervisão editorial Jair Lot Vieira. Bauru – 2001
Chalita, Gabriel. Vivendo a Filosofia – Filosofia antiga 1. São Paulo – Minden – 1998

* Renato Ribeiro Velloso - Bacharel em Direito pela Universidade Bandeirante de São Paulo – UNIBAN, Sub-Coordenador do Núcleo de Desenvolvimento Acadêmico da OAB SP, Conciliador Patronal do Sindicato das Micros ePequenas Empresas - SIMP, Membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBCCrim.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

El cuento del niño malo



Mark Twain

Había una vez un niño malo cuyo nombre era Jim. Si uno es observador advertirá que en los libros de cuentos ejemplares que se leen en clase de religión los niños malos casi siempre se llaman James. Era extraño que este se llamara Jim, pero qué le vamos a hacer si así era.

Otra cosa peculiar era que su madre no estuviese enferma, que no tuviese una madre piadosa y tísica que habría preferido yacer en su tumba y descansar por fin, de no ser por el gran amor que le profesaba a su hijo, y por el temor de que, una vez se hubiese marchado, el mundo sería duro y frío con él.

La mayor parte de los niños malos de los libros de religión se llaman James, y tienen la mamá enferma, y les enseñan a rezar antes de acostarse, y los arrullan con su voz dulce y lastimera para que se duerman; luego les dan el beso de las buenas noches y se arrodillan al pie de la cabecera a sollozar. Pero en el caso de este muchacho las cosas eran diferentes: se llamaba Jim y su mamá no estaba enferma ni tenía tuberculosis ni nada por el estilo.

Al contrario, la mujer era fuerte y muy poco religiosa; es más, no se preocupaba por Jim. Decía que si se partía la nuca no se perdería gran cosa. Solo conseguía acostarlo a punta de bofetadas y jamás le daba el beso de las buenas noches; antes bien, al salir de su alcoba le halaba las orejas.

Este niño malo se robó una vez las llaves de la despensa, se metió a hurtadillas en ella, se comió la mermelada y llenó el frasco de brea para que su madre no se diera cuenta de lo que había hecho; pero acto seguido… no se sintió mal ni oyó una vocecilla susurrarle al oído: “¿Te parece bien hacerle eso a tu madre? ¿No es acaso pecado? ¿Adónde van los niños malos que se engullen la mermelada de su santa madre?”, ni tampoco, ahí solito, se hincó de rodillas y prometió no volver a hacer fechorías, ni se levantó, con el corazón liviano, pletórico de dicha, ni fue a contarle a su madre cuanto había hecho y a pedirle perdón, ni recibió su bendición acompañada de lágrimas de orgullo y de gratitud en los ojos. No; este tipo de cosas les sucede a los niños malos de los libros; pero a Jim le pasó algo muy diferente: se devoró la mermelada, y dijo, con su modo de expresarse, tan pérfido y vulgar, que estaba “deliciosa”; metió la brea, y dijo que esta también estaría deliciosa, y muerto de la risa pensó que cuando la vieja se levantara y descubriera su artimaña, iba a llorar de la rabia. Y cuando, en efecto, la descubrió, aunque se hizo el que nada sabía, ella le pegó tremendos correazos, y fue él quien lloró.

Una vez se encaramó a un árbol de manzana del granjero Acorn para robar manzanas, y la rama no se quebró, ni se cayó él, ni se quebró el brazo, ni el enorme perro del granjero le destrozó la ropa, ni languideció en su lecho de enfermo durante varias semanas, ni se arrepintió, ni se volvió bueno. Oh, no; robó todas las manzanas que quiso y descendió sano y salvo; se quedó esperando al cachorro, y cuando este lo atacó, le pegó un ladrillazo. Qué raro… nada así acontece en esos libros sentimentales, de lomos jaspeados e ilustraciones de hombres en levitas, sombrero de copa y pantalones muy cortos, y de mujeres con vestidos que tienen la cintura debajo de los brazos y que no se ponen aros en el miriñaque. Nada parecido a lo que sucede en los libros de las clases de religión.

Una vez le robó el cortaplumas al profesor, y temiendo ser descubierto y castigado, se lo metió en la gorra a George Wilson… el pobre hijo de la viuda Wilson, el niño sanote, el niñito bueno del pueblo, el que siempre obedecía a su madre, el que jamás decía una mentira, al que le encantaba estudiar y le fascinaban las clases de religión de los domingos. Y cuando se le cayó la navaja de la gorra, y el pobre George agachó la cabeza y se sonrojó, como sintiéndose culpable, y el maestro ofendido lo acusó del robo, y ya iba a dejar caer la vara de castigo sobre sus hombros temblorosos, no apareció de pronto un juez de paz de peluca blanca, para pasmo de todos, que dijera indignado:

-No castigue usted a este noble muchacho… ¡Aquel es el solapado culpable!: pasaba yo junto a la puerta del colegio en el recreo, y aunque nadie me vio, yo sí fui testigo del robo.

Y, así, a Jim no lo reprendieron, ni el venerable juez les leyó un sermón a los compungidos colegiales, ni se llevó a George de la mano y dijo que tal muchacho merecía un premio, ni le pidió después que se fuera a vivir con él para que le barriera el despacho, le encendiera el fuego, hiciera sus recados, picara leña, estudiara leyes, le ayudara a su esposa con las labores hogareñas, empleara el resto del tiempo jugando, se ganara cuarenta centavos mensuales y fuera feliz. No; en los libros habría sucedido así, pero eso no le pasó a Jim. Ningún entrometido vejete de juez pasó ni armó un lío, de manera que George, el niño modelo, recibió su buena zurra y Jim se regocijó porque, como bien lo saben ustedes, detestaba a los muchachos sanos, y decía que este era un imbécil. Tal era el grosero lenguaje de este muchacho malo y negligente.

Pero lo más extraño que le sucediera jamás a Jim fue que un domingo salió en un bote y no se ahogó; y otra vez, atrapado en una tormenta cuando pescaba, también en domingo, no le cayó un rayo. Vaya, vaya; podría uno ponerse a buscar en todos los libros de moral, desde este momento hasta las próximas Navidades, y jamás hallaría algo así. Oh, no; descubriría que indefectiblemente cuanto muchacho malo sale a pasear en bote un domingo se ahoga: y a cuantos los atrapa una tempestad cuando pescan los domingos infaliblemente les cae un rayo. Los botes que llevan muchachos malos siempre se vuelcan en domingo, y siempre hay tormentas cuando los muchachos malos salen a pescar en sábado. No logro comprender cómo diablos se escapó este Jim. ¿Será que estaba hechizado? Sí… esa debe ser la razón.

La vida de Jim era encantadora, así de sencillo. Nada le hacía daño. Llegó al extremo de darle un taco de tabaco al elefante del zoológico y este no le tumbó la cabeza con la trompa. En la despensa buscó esencia de hierbabuena, y no se equivoco ni se tomó el ácido muriático. Robó el arma de su padre y salió a cazar el sábado, y no se voló tres o cuatro dedos. Se enojó y le pegó un puñetazo a su hermanita en la sien, y ella no quedó enferma, ni sufriendo durante muchos y muy largos días de verano, ni murió con tiernas palabras de perdón en los labios, que redoblaran la angustia del corazón roto del niño. Oh, no; la niña recuperó su salud.

Al cabo del tiempo, Jim escapó y se hizo a la mar, y al volver no se encontró solo y triste en este mundo porque todos sus seres amados reposaran ya en el cementerio, y el hogar de su juventud estuviera en decadencia, cubierto de hiedra y todo destartalado. Oh, no; volvió a casa borracho como una cuba y lo primero que le tocó hacer fue presentarse a la comisaría.

Con el paso del tiempo se hizo mayor y se casó, tuvo una familia numerosa; una noche los mató a todos con un hacha, y se volvió rico a punta de estafas y fraudes. Hoy en día es el canalla más pérfido de su pueblo natal, es universalmente respetado y es miembro del Concejo Municipal. Fácil es ver que en los libros de religión jamás hubo un James malo con tan buena estrella como la de este pecador de Jim con su vida encantadora.

FIN



“The Story of the Bad Little Boy”, 1875



domingo, 18 de dezembro de 2016

"Brasil acima de tudo", assim pensavam grupos da antiga classe dominante brasileira. Grupos conservadores e de direita também eram caracterizados por ardente nacionalismo. Quando isto mudou para os serviçais de interesses estrangeiros ? O antigo projeto da Independência, os valores do nativismo brasileiro, a campanha de nacionalização contra imigrantes estrangeiros inassimiláveis no Brasil, o desprezo contra entreguistas, tudo isto formava parte da mentalidade de uma elite política conservadora e de direita na primeira metade do século XX. O ponto mais obscuro na falta de transparência da farsa a jato é a relação com algumas autoridades estrangeiras dos Estados Unidos. "Para os advogados de Lula, a força-tarefa comete irregularidades ao cooperar com os EUA sem transparência. Ou seja, sem atender aos tratados de cooperação que obrigam o Estado brasileiro, via Ministério da Justiça e Procuradoria Geral da República, a participar das trocas de informações."(JornalGGN). Como as principais empresas brasileiras, a Petrobras, as grandes empreiteiras, as empresas de tecnologia, infraestrutura, as nossas grandes empresas estratégicas foram "criminosamente" atingidas por interesses estrangeiros entreguistas. Tudo isto será revelado quando as informações forem desclassificadas, como a "Brother Sam" já foi... O pai do juiz Moro, futuro professor Dalton Moro, foi fazer uma "visita" aos EUA em 1965, um ano após o golpe no Brasil, no ano da invasão da República Dominicana. "Americano do Norte é tão bonzinho" !

 http://jornalggn.com.br/…/reportagem-confirma-apoio-secreto…
"Não só de pão vive o homem. Eu se tivesse fome e estivesse à míngua na rua não pediria um pão; pediria meio pão e um livro. E daqui eu ataco violentamente aos que somente falam de reivindicações econômicas sem jamais apontar as reivindicações culturais que é o que os povos pedem aos gritos. Bem está que todos os homens comam, porém que todos os homens saibam. Que desfrutem de todos os frutos do espírito humano porque o contrário seria convertê-los em máquinas a serviço do Estado, seria convertê-los em escravos de uma terrível organização social."
.
García Lorca

fonte : Elfi Kürten Fenske

Liberdade


Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”

(Carlos Marighella)

domingo, 11 de dezembro de 2016

Cuando llegues a amar

Cuando llegues a amar, si no has amado,
sabrás que en este mundo
es el dolor más grande y más profundo
ser a un tiempo feliz y desgraciado.

Corolario: el amor es un abismo
de luz y sombra, poesía y prosa,
y en donde se hace la más cara cosa
que es reír y llorar a un tiempo mismo.

Lo peor, lo más terrible,
es que vivir sin él es imposible.

RUBÉN DARÍO


Biblioteca Digital Ciudad Seva