terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Toda a pulsão será expelida. Tudo aquilo que é
interior (rede, funções, órgãos, circuitos conscientes ou inconscientes) será
exteriorizado na forma de próteses, que constituirão ao redor do corpo um
corpus ideal satelizado, do qual o próprio corpo tornar-se-á satélite. Todo o
núcleo será desnucleizado e projetado no espaço satélite.
JEAN BAUDRILLARD
Horas Rubras
Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve branca e misteriosa...
e sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
- Florbela Espanca, in O livro de Sóror Saudade
(1923)
É um pouco aflitivo pensar nisso, e imaginar que,
acima dos gestos e das palavras, o sentimento talvez valha alguma coisa; e que
a ternura e o bem-querer devem ter um instinto certo e tocar naquelas zonas
indefiníveis da alma em que nem os analistas conseguem explicar nada. Ora,
pois; mesmo às cegas, burramente, amemos!"
- Rubem Braga, "Amemos burramente" - Um
cartão de Paris.
emmanuel levinas, de outro senão ser, entre nós:
“Que a relação com o ente seja invocação do rosto e já palavra, relação com um
profundidade antes que com um horizonte – uma ruptura do horizonte – que meu
próximo seja o ente por excelência, tudo isto pode parecer assaz surpreendente
para quem se atém à concepção de um ente, por si mesmo insignificante, silhueta
no horizonte luminoso, que não adquire significação a não ser por esta presença
ao horizonte. O rosto significa outramente. Nele, a infinita resistência do
ente ao nosso poder se afirma precisamente contra a vontade assassina que ela
desafia, porque totalmente nua – e a nudez do rosto não é uma figura de estilo,
ela significa por si mesma. Nem se pode dizer que o rosto seja uma abertura;
isto seria torná-lo relativo a uma plenitude circundante.”
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(isso tentando pensar o narrador infinito ∞ que
encerra o retábulo de sta. joana carolina)
(isso tentando pensar a pergunta que segue esse
parágrafo de levinas acerca da possibilidade da arte tomar rosto. pergunta não
respondida. investigação "até agora" impossível de resposta.)
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