sábado, 19 de janeiro de 2013



'...'A mille anni ho dimenticato in treno la mia borsa, dentro:
le poesie, una camicia e qualche fazzoletto. Ho messo a
soqquadro mezza polizia, la stazione, e mi guardavano co-
me un pazzo. A Ponte Sisto ho bevuto sei litri al cubo, in
Piazza del Biscione... sono morto....''

-Piero Ciampi
scomparso il 19 gennaio 1980

os sonhos que tive, tive-os
já ninguém mos tira
não deram em nada, é certo, mas
esse era o seu destino mais provável
eram lindos, se são
ainda hoje pasma-se-me o corpo de dó
perante tanta aflição. ainda hoje.
ainda agora. , ainda já.
Bénédicte Houart

Uma era nasceu com ele



Galeano - 19 de janeiro -
 
Em 1736, nasceu o escocês James Watt.
Dizem que ele não inventou a máquina a vapor, mas em todo caso foi ele quem soube desenvolve-la, sem maiores pretensões, e numa oficina modesta engendrou a fonte de energia da revolução industrial.
A partir de então, daquela máquinas nasceram outras máquinas, que transformaram os camponeses em operários, e num ritmo de vertigem o dia de hoje se fez amanhã e o dia de ontem foi mandado para a pré-história.

"Não entrei na literatura para ser um escritor qualquer. Quero ser maior que Tolstói ou Joyce – e acho que todo escritor tem de pensar assim, senão ele não produz nada. Ele tem de pensar em coisas grandes. Comecei a escrever porque queria revolucionar o romance, subverter a literatura, transformá-la em algo que ainda não existia, ofuscar os antepassados. Quero colocar tudo num livro, o mundo inteiro, minha vida inteira. Quero praticar a obra de arte total que imaginava Richard Wagner. Escrevo livros impossíveis. Se me ocorre uma história que me sinto incapaz de formular, é aí que começo um livro. Quero escrever sobre o que não entendo. É assim que vou contornando os problemas, e chamam isso de estilo experimental. Na verdade, é uma atitude de enfrentamento. E de liberdade. É por isso que não creio na profundidade. O que existem são infinitas superfícies superpostas. Quando você se aprofunda demais em um assunto, acaba saindo pelo outro lado, de mãos abanando. Escrever é um ato impossível, porque tudo o que interessa vem antes das palavras, como as intenções, os desejos, a loucura. Os poetas são maiores porque conseguem transferir essas coisas inomináveis para as palavras. Mas escrever também é um ofício, como o de carpinteiro. É preciso conhecer a técnica, para abandoná-la. Todo grande livro é uma reflexão profunda sobre a arte de escrever. Cada livro meu tem de ser um mundo."

 (António Lobo Antunes)

RONDÓ DA LIBERDADE





É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir até quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

CARLOS MARIGHELA
 


" Há uma idade em que se ensina o que se sabe; mas vem em seguida outra, em que se ensina o que não se sabe; isso se chama pesquisar. Vem talvez agora a idade de uma outra experiência, a de desaprender, de deixar trabalhar o remanejamento imprevisível que o esquecimento impõe a sedimentação dos saberes, das culturas, das crenças que atravessamos. Essa experiência tem,creio eu, um nome ilustre, fora de moda, que ousarei tomar aqui sem complexo na própria encruzilhada de sua etimologia : Sapientia. nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível."

Roland Barthes