quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Carta apasionada de Frida Kahlo a Diego
En la saliva
en el papel
en el eclipse
En todas las líneas
En todos los colores
En todas las jarras
En mi pecho
por fuera, por dentro
en el tintero, en la dificultad de escribir
En la montaña de mis ojos
en las últimas lunas del sol ( pero el sol no tiene
lunas)
en todo, y decir todo es estúpido y magnífico DIEGO
en mi orina Diego
en mi boca
en mi corazón
en mi locura,
en mi sueño
en el papel secante
en la punta de la pluma,
en los lápices de colores
en los paisajes
en la comida
en el metal
en la imaginación
en las enfermedades
en las vitrinas, en sus mañas, en sus ojos
en su boca en sus mentiras DIEGO
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
O sapato
Em 1919, a revolucionária Rosa Luxemburgo foi assassinada em Berlim.
Ela foi arrebentada a coronhadas de fuzil pelos assassinos, e depois jogada nas águas de um canal.
No caminho, perdeu um sapato.
Alguém recolheu esse sapato, jogado no barro.
Rosa queria um mundo onde a justiça não fosse sacrificada em nome da liberdade, nem a liberdade sacrificada em nome da justiça.
Todos os dias, alguém recolhe essa bandeira.
Jogada no barro, como o sapato.
Galeano - 15 de janeiro
Cantares
(Antonio Machado)
Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar
Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,
como bolhas de sabão
Gosto de ver-los pintar-se
de sol e grená, voar
abaixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se…
Nunca persegui a glória
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar…
Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar”…
Golpe a golpe, verso a verso…
Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe viram chorar
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…”
Golpe a golpe, verso a verso…
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…”
Golpe a golpe, verso a verso.
Hiroshima Child
I come and stand at every door
But none can hear my silent tread
I knock and yet remain unseen
For I am dead for I am dead
I'm only seven though I died
In Hiroshima long ago
I'm seven now as I was then
When children die they do not grow
My hair was scorched by swirling flame
My eyes grew dim my eyes grew blind
Death came and turned my bones to dust
And that was scattered by the wind
I need no fruit I need no rice
I need no sweets nor even bread
I ask for nothing for myself
For I am dead for I am dead
All that I need is that for peace
You fight today you fight today
So that the children of this world
Can live and grow and laugh and play
Nazim Hikmet
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