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terça-feira, 16 de abril de 2013

Aos que perguntam


certo texto de gottfried benn
(nem parece dele mas
de um outro
de tripas
+ sensíveis)
indaga
de onde vem a modéstia
de certas almas
logo ele
afundado em corpos mortos
e que ouviu
um cadáver cantar
não vem de lugar algum
é igual indagar
aos suicidas em grupo
aos camicases
aos adeptos
do haraquiri
composita anima:
requiescat in pace!

(Sebastião Uchoa Leite)

Um assassino inglês




Certo gentil Haigh convidava
Damas old people
Para ver a sua fábrica
Perto de Londres
E serem suas sócias
O galpão
Era uma fábrica da morte
Esquartejava-as
Bebia o sangue delas
Ritualmente
Depois dissolvia as partes
Em tonéis de ácido
Com máscara e luvas
Interrogado confessou enfim
Com orgulho
Seu labor artístico
Após o patíbulo o busto
No museu de cera:
Bigode sorriso olhos azuis

(Sebastião Uchoa Leite)

A história presente: chelsea




indo para a 7ª Avenida
de volta
com o jornal
vou para um miniparque
vem uma cega (negra)
quase cai
de bengala e tudo
no subway
felizmente
não há só o álcool na vida
seguro-lhe o braço
impropérios
chamo alguém
(PLEASE
HELP ME!)
alguém (branco)
vai de braços com ela
volto (direção: parque)
ansioso
por notícias da
"trench coat gang"
eles riam
enquanto atiravam

(Sebastião Uchoa Leite)

Antimétodo




Desoriento-me
Sem qualquer
Método
Ou sem
Qualquer fim
Vou e não vou
Mas vou
Caio sem qualquer
Alarde
O que é
E não é: mas é
Desorientar-me
É meu antimétodo

(Sebastião Uchoa Leite)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sensações

antimétodo 2

Pouco a pouco

Embaralho tudo e nada

Sou meu próprio

Espantalho

Fujo

De mim mesmo

Finjo-me

Da minha própria

Esfinge

Perdido em meu próprio

Labirinto

Sou o que sou

Ou minto? Será isso

Uma regra secreta?

Sebastião Uchoa Leite