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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pesadelo Refrigerado


"SEMPRE TIVEMOS DUAS BANDEIRAS AMERICANAS: A DOS RICOS E A DOS POBRES --Quando os ricos a hasteiam, isso quer dizer que tudo vai indo muito bem, de acordo com os seus interesses; quando os pobres a hasteiam, é sinal de perigo, de revolução, de anarquia. Em menos de 200 anos, na terra da liberdade, no lar dos homens livres, no refúgio dos oprimidos, alteraram de tal forma o significado da bandeira nacional que, hoje em dia, quando um homem ou uma mulher consegue fugir das tragédias da Europa, alcançar a terra da promissão e, finalmente, ver-se diante de um tribunal sob nosso glorioso emblema, a primeira pergunta que lhe fazem é: QUANTO DINHEIRO O SENHOR TEM? Se, por acaso, o desgraçado não tiver dinheiro, mas apenas amor pela liberdade, apenas uma prece suplicando piedade, é expulso do tribunal, devolvido ao matadouro e considerado como um leproso."

 (trecho de Pesadelo Refrigerado, Henry Miller, publicado em 1945, nos EUA.)

PALAVRAS DE HENRY MILLER:

“...Como os poetas se assemelham a esquadrinhadores do céu! Não parecem estar, como eles, em comunicação com outros mundos? Não nos falam de coisas do porvir e de coisas já muito passadas, sepultas na memória racial do homem? Que melhor significado lhes podemos dar para a sua fugidia passagem pela Terra que o de emissários de outro mundo? Vivemos no meio de fatos mortos, enquanto eles vivem por signos e símbolos.”...

[do livro "A hora dos assassinos (Um estudo sobre Rimbaud), L&PM Editores, 2010, tradução de Milton Persson]