Mostrando postagens com marcador guenadi aigui. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guenadi aigui. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de janeiro de 2011

"O Nosso"

devo

chegar com meus lábios

aos seus olhos iluminados



e então hei de me surpreender com as veias pulsando de

leve,

suboculares,

e hei de compreender: é por causa de sua transparência

e de seu incorpóreo

que são assim claros e doentes

esses olhos ligeiramente trêmulos



e eu hei de amá-la com minhas mãos e meus lábios,

com o silêncio, o sono e as ruas dos meus versos

com a mentira - para o Estado

com a verdade - para a vida.

Guenádi Aigui


*tradução Boris Schnaiderman

NUVENS

Nesta

aldeia de ninguém

trapos indigentes nas cercas —

teréns de ninguém.



E sobre elas nuvens de ninguém,



e adiante — anúncios sobre a infância:

crianças esquálidas, bravias;



e música sobre o nu

de mulheres hunas e citas;



e aqui, no leito, ao rés dos olhos,

algures, junto a pestanas úmidas,

alguém morria e chorava,



enquanto eu compreendia

de uma vez por todas — era



minha mãe.



1960



Tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman