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sexta-feira, 3 de julho de 2015



Desmerece salir y sembrar una espina,
que la rosa es el pez alongado a las tejas
y le duele a mi voz su fragancia de escama.
Quien la arranque del quicio no abrirá más la puerta,
no girará el ocaso en la jamba absoluta
porque el ocaso es jamba en las redes del hambre.
No clavarla ni hundirla al dolor de los pétalos,
ni escanciar sus axilas en las lluvias sangradas
cuando la aurora fulja en espaldas de nube.
Desmerece salir a nombrar lo innombrable.
Nada dice al bejeque, no le importa siquiera
ser la oreja del sueño o el refugio del grillo.
REGRESA solitaria y, al despuntar la noche,
ya se ha ido a otra parte a desangrar su hondura.
Nada esperan las uñas. Del tiempo, nada arañan
sino aquella soledad de regresar al nido
de una fila azulada de cartones y palos
que apilan las gavillas, las atongan y orean,
hacen nudos y enhebran la desazón a sales
secundarias del sueño. Avellanar la sombra
y que corran chavetas por los peces del humo.
Coletea el cuchillo y el ensueño detrás
cuando la piel regresa solitaria y desnuda
a envolver el abismo en cajitas de nube.
Islas Canarias - 1957
De: Poética de Esther Hughes


"Li algures que os gre Isla Negra 383

En el hospital


Sacás de adentro de la sábana blanca una mano,
seca y delgada, las uñas cubiertas de esmalte
igual que las flores del cerezo
iluminando las ramas en invierno.
Estas uñas, estas flores, una y otra vez te las recortás,
una y otra vez dejás que crezcan furiosas
Ubicadas en la frontera entre tu cuerpo y la nada
aparecen siempre tan
impecables, tan flamantes, incluso en este hospital
caótico como nuestro país. Agarro tu mano
y siento cómo las venas se hinchan, se contraen
mientras la sangre repta hasta la punta roja del dedo y da la vuelta
Recuerdo entonces lo que escribiste en un poema:
que en el cuerpo muerto las uñas
son lo último que se pudre.
Trad Ángel Petrecca.

Isla Negra, nº 383

sábado, 10 de novembro de 2012

PARA OS MORTOS NA MINA DE CARVÃO TAPING




Os cadáveres foram carregados
um a um,
e o último a ser levado era apenas mais um.
Duros, escuros, como se fossem
carvão inútil.

Ei, vocês, que nem expeliram o frio
quando da explosão
foram atirados no crematório.
A fumaça preta os levou ao paraíso,
as almas queimadas do inferno.

Todavia, no mundo terrestre
o vento continua soprando frio e a energia
é cada vez mais objeto de cobiça.
O crematório? Insumo energético da China.
Yao Feng
Tradução : Régis Bonvicino

NOITE BRANCA



Tudo estava escuro no meu coração,
nada se via, nada se ouvia,
como se uma venda preta
me vendasse os olhos.
Quis a luz, luz para sempre.
Contei o que sentia a uma poetisa da Europa.
e ela me disse: no meu país, quase sempre frio,
muitas pessoas
ou ficam loucas, ou se suicidam,
devido à luz demasiado prolongada.

Yao Feng

Tradução:  Régis Bonvicino

AMSTERDÃ




Quando cheguei de carro a Amsterdã
já era meia-noite.
A reputada cidade do sexo
tornava ambíguas as luzes da rua.
Até o rosto do dono do hotel
insinuava prazer.

Mas nada me aconteceu.

O amanhecer refletia-se no rio
e o céu, muito nublado. No Museu Van Gogh,
os girassóis quebravam os raios de sol
para ficar irmanados num vaso.
Na noite distorcida, a terra de trigo,
grávida de luar,
ondulava enlouquecida.

Do auto-retrato do pintor sombrio
retirei uma orelha, de verdade,
e voltei para a rua: todos estavam com
seus órgãos intactos e saudáveis.

Yao Feng
Tradução: Régis Bonvicino

FIM




Talvez no inverno
me tenhas oferecido uma pedra,
acesa, tão acesa que a guardava
ora na mão esquerda, ora na outra.

Viraram-se os dias como páginas,
e a pedra, pouco a pouco, congelando.
O que as minhas mãos juntaram
acabou por ser apenas sombra.

Yao Feng
Tradução: Régis Bonvicino

CHUVA AO FIM DA TARDE



As gotas da chuva batem no telhado, porta e janela,
com tanta pressa, como crianças nuas
rogando abrigo.

Como não sou rio, nem sou terra,
nem o meu corpo cheio de buracos
é um pedaço de esponja,
em suma, não passo de um animal
que apodrece depressa
caso vivesse na água.


caso vivesse na água.

Com o vento agora intenso,
os dedos da chuva tornam-se mais grossos,
avessos ao tempo estiado,
insistindo em agarrar-se
às goteiras do telhado.

Yao Feng

Tradução: Régis Bonvicino