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sábado, 8 de junho de 2013

ESTA GENTE



Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSON

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Nome das Coisas



Sua Beleza
Sua beleza é total
Tem a nítida esquadria de um Mantegna
Porém como um Picasso de repente
Desloca o visual

Seu torso lembra o respirar da vela
Seu corpo é solar e frontal
Sua beleza à força de ser bela
Promete mais do que prazer
Promete um mundo mais inteiro e mais real
Como pátria do ser

- Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013



Apesar das ruinas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 19 de janeiro de 2013



Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.



Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 17 de outubro de 2010

Pudesse eu

Pudesse eu não ter laços nem limites

Ó vida de mil faces transbordantes

Para poder responder aos teus convites

Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner

sábado, 11 de setembro de 2010

No poema

No poema ficou o fogo mais secreto

O intenso fogo devorador das coisas

Que esteve sempre muito longe e muito perto.