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sábado, 20 de julho de 2013

O mundo estava no rosto da amada


(Rilke / Trad.: Augusto de Campos)

O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.




terça-feira, 13 de julho de 2010

Sonetos a Orfeu

Rainer Maria Rilke

I, 22



A nós, nos cabe andar.

Mas o tempo, os seus passos,

são mínimos pedaços

do que há de ficar.



É perda pura

tudo o que é pressa;

só nos interessa

o que sempre dura.



Jovem, não há virtude na velocidade

e no vôo, aonde for.



Tudo é quietude:

escuro e claridade,

livro e flor.



Tradução: Augusto de Campos

Coisas e Anjos de Rilke – Ed. Perspectiva