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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O partido da sociedade para poucos


..."Não é, então, muitíssimo estranho que se fale tão pouco em uma reforma política profunda que torne a relação entre a economia e a política mais transparente - que é o que importa no combate à corrupção - e se fale tão somente em pessoas e partidos (políticos) específicos?"
...É que a fulanização da corrupção só serve à sua continuidade. Se o foco se deslocar para uma reforma política profunda, os endinheirados e seus amigos da mídia conservadora perdem seu filão. Pense comigo: se depois de Getúlio, Jango, Lula e Dilma (os alvos do combate à corrupção seletiva no passado e no presente) vier outro representante da sociedade inclusiva? Como a rapinagem econômica e seu braço midiático vão destruir o adversário? Como iriam legitimar de outro modo a drenagem dos recursos de todos - via mercado e Estado - para seus bolsos?"

..."O combate à corrupção seletiva - que como sabemos blinda alguns políticos e persegue outros arbitrariamente - confere à rapinagem a aparência de luta por algo importante para todos. É nisso que somos feitos de tolos. Nesse contexto, confie em mim quando digo que um debate sério no Brasil sobre corrupção dificilmente existirá. A manipulação do tema da corrupção é o verdadeiro núcleo da legitimação do poder no país."

 de Jessé Souza, na Folha de São Paulo  21.02.2016.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

O combate à 'corrupção seletiva' – que como sabemos blinda alguns políticos e persegue outros arbitrariamente – confere à rapinagem a 'aparência' de luta por algo importante para todos. É nisso que somos feitos de tolos. Nesse contexto, leitor e leitora, confie em mim quando lhe digo que um debate sério no Brasil sobre a corrupção dificilmente existirá. A manipulação do tema da corrupção é o verdadeiro núcleo da legitimação do poder no Brasil." (Jessé Souza)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

 “Todos os dias indivíduos normalmente inteligentes e classes sociais inteiras são feitos de tolos para que a reprodução de privilégios injustos seja eternizada entre nós”. 
Jessé Souza, “A tolice da Inteligência Brasileira” – Ed. Leya, 2015

quinta-feira, 15 de outubro de 2015


"O Brasil hoje está em uma encruzilhada histórica extremamente importante, assim como ele esteve em 1964. Antes do golpe o país tinha que escolher dois caminhos: se ele seria uma sociedade de massas mais inclusiva, ou uma sociedade pra 20% e a escolha feita com o golpe foi a escolha por essa minoria. A sociedade deve perceber o que ela tem a perder e o preço que isso envolve. Os governos petistas conseguiram de algum modo estimular uma ascenção social histórica no Brasil coisa que não havia acontecido antes, obviamente teve um contexto favorável a isso, mas essas condições já haviam acontecido e nada foi feito porque não havia vontade política. A nossa encruzilhada histórica é: ou a gente volta pra uma sociedade de 20%, e o risco disso acontecer existe, ou aprofunda essa inclusão."

Jessé Souza

http://goo.gl/1mn8St