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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os cogumelos do Paraíso

Minha loucura

não tem complexo

nem de Édipo, nem de Electra,

nem de qualquer puro amor

que saia das artérias.



Vivo no paraíso dos cogumelos

dias tristes, dias alegres,

mas tudo é ilusão passageira,

só não passa nesta vida

a casca estrangeira.



O doce e o amargo

do sabor da tua língua

ficou no Caribe

lá nos Portos cheios de gozo

e de prostituição.



Os cogumelos do paraíso

são adubados com a maresia

e os marujos já não são mais fêmeas,

pois as fêmeas são eternos machos

depois da ceia que consome seus rabos.



Nós não temos nada,

se temos a vida

ela ainda nos deve a morte,

portanto tudo é ilusão

dias de trabalho, outros de ócio

dias de amor, outros de ódio,

e os cogumelos são adubados

para fabricar desejos,

e onde não há alucinação

não germina gente,

nem se fabrica coração.

Cristiane Neder

sábado, 30 de abril de 2011

Águas de Forestier

Águas de Forestier


desperta o pecado

em um pobre pagão

que sonha com o paraíso,

onde todas as águas

se transformam em vinho,

dos rios, lagos, marés e cachoeiras,

salgadas, doces, porém todas vermelhas.

Lavando seus pés,

molhando os seus seios,

escorrendo sobre todo seu corpo

o doce veneno,

que nos embriaga a sede de outras paixões.

Pequenos Bacos

brincando de serem anões,

e todo pecado será desculpado

por todo motivo impulsionado por prazer.

Toda musa será deusa,

todo ateu será José,

e o pecado é não beber

da fonte das águas de Forestier.

Cristiane Neder