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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Zeitgeist: Os militares turcos e defesa do Estado laico


Líder militar Mustafa Atatürk fundou a Turquia moderna e introduziu reformas que diminuíram influência do islã e tornaram país uma democracia laica. Militares se veem como seus herdeiros.


Mustafa Kemal Atatürk, fundador da República da Turquia
A história da moderna República da Turquia começa com a derrota e o consequente fim do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial.

A partição do território do Império Otomano entre os aliados, em outubro de 1918, gerou grande insatisfação entre os turcos otomanos, que se consideravam desfavorecidos.

Essa insatisfação deu origem a um movimento revolucionário nacionalista cujo principal líder era um militar, Mustafa Kemal Atatürk. Em outubro de 1923, em seguida à guerra pela independência, o movimento resultou na proclamação da república.

O primeiro presidente dessa república foi Atatürk. Desde o início, ele implementou uma série de reformas para criar uma democracia moderna e secular, que aproximaram a Turquia do Ocidente. O próprio Atatürk se referia às suas reformas como "europeização" da Turquia.

Atatürk eliminou a sharia como base da legislação, aboliu o califado, proibiu o véu islâmico, adotou o calendário ocidental, introduziu novos códigos civil, penal e comercial, adotou o alfabeto latino no lugar do árabe e declarou o Estado laico, entre várias outras reformas.

Um destaque especial foi dado aos direitos das mulheres, que puderam votar e ser votadas a partir de 1934. A poligamia foi abolida, e homens e mulheres passaram a ter direitos iguais no divórcio e na guarda dos filhos. Também foi garantido o acesso das mulheres à educação, em todos os níveis.

Como Atatürk era um militar, os militares passaram a se ver como guardiães das reformas que resultaram na Turquia moderna. E como Atatürk impôs suas reformas com mão de ferro e é até hoje admirado pela maioria dos turcos, a opção do governo pela força tem grande aceitação dentro da sociedade.

Assim, o país viu quatro golpes militares desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1960, 1971, 1980 e 1997. Em todos eles, os militares invocaram o fundador da república e a defesa das reformas seculares contra as correntes islâmicas.

Esse domínio militar sofreu um duro revés em novembro de 2002, quando o partido islâmico conservador AKP venceu as eleições e conquistou o cargo de primeiro-ministro, que foi ocupado por um dos líderes dos islamistas, o ex-prefeito de Istambul Recep Tayyip Erdogan, atual presidente do país. Desde então, AKP e militares travam uma batalha pelo poder na Turquia, que tem como pano de fundo a tensão entre forças seculares e religiosas.

Com meio milhão de militares, as Forças Armadas turcas são as segundas maiores da Otan, atrás apenas dos Estados Unidos. Pesquisas mostram que a popularidade dos militares está caindo dentro da sociedade turca.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.

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HAGIA SOPHIA NA DISPUTA DAS RELIGIÕES

Marco arquitetônico

No ano de 532, o imperador romano Justiniano 1º, que residia em Constantinopla, ordenou a construção de uma imponente igreja, "como não existe desde a época de Adão e nunca existirá novamente". Mais de 10 mil operários trabalharam nela. Dentro de apenas 15 anos, a estrutura externa era inaugurada. Durante um milênio a basílica foi o maior templo do cristianismo.



Autoria Alexandre Schossler


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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Fatos políticos marcam a história das Olimpíadas

Zeitgeist: Fatos políticos marcam a história das Olimpíadas

Desde a instrumentalização dos Jogos pelos nazistas, em 1936, o ideal de uma competição esportiva sem interferências políticas se mostra uma utopia. Confira um histórico sobre a presença política nos Jogos Olímpicos.


"O importante não é vencer, mas participar", diz o slogan criado pelo Barão de Coubertin, o idealizador dos Jogos Olímpicos da era moderna. A ideia logo se revelou tão utópica quanto a de que as competições possam transcorrer estritamente separadas da política.Os primeiros Jogos marcadamente políticos trancorreram em 1936, em Berlim. O partido nazista, no poder, percebeu o potencial propagandístico do evento e o usou para apresentar uma imagem positiva do regime ao mundo. Hitler queria mostrar que, sob sua liderança, a Alemanha era uma nação em paz e em ascensão econômica, na qual a comunidade internacional podia confiar. A repressão política à oposição e à imprensa, bem como a perseguição aos judeus, foram atenuadas ou disfarçadas. Elas teriam sido mais do que suficientes para um boicote dos demais países ou mesmo para privar a Alemanha do direito de sediar os Jogos.

Já os Jogos de Helsinque, em 1952, viram a estreia de uma potência olímpica: a União Soviética (URSS). Era a Guerra Fria ocupando o palco esportivo. E como nas guerras frequentemente todos os meios são válidos para se chegar à vitória, logo as competições viraram um espaço para o jogo sujo do doping, que ganhou uma nova dimensão a partir dos anos 1960. Os controles médicos para verificar se atletas competiam dopados só foram introduzidos em 1968, nos Jogos do México.

Esse foi também o ano em que um país-satélite da URSS, a Alemanha Oriental, passou a competir com delegação própria (em 1956, 1960 e 1964 houve uma única delegação alemã, reunindo atletas dos dois lados). Também os alemães-orientais haviam percebido o potencial dos "diplomatas esportivos" para sua aceitação como nação e consequente fim do isolamento internacional. O resultado foi a criação de um sistema estatal de doping que explica o sucesso excepcional dos atletas alemães-orientais.

Em 1972, em Munique, o uso político dos Jogos ganhou uma nova dimensão quando um grupo terrorista palestino tomou como reféns 11 membros da delegação de Israel. O objetivo declarado era chamar a atenção para a situação nos territórios palestinos ocupados, e o resultado foi uma tragédia. A operação de resgate da polícia alemã foi um fiasco que terminou com a morte de todos os reféns, cinco dos oito terroristas e um policial.

Em 1976, 16 países africanos boicotaram os Jogos de Montreal para protestar contra a participação da Nova Zelândia, que havia furado o boicote internacional à África do Sul ao permitir que sua seleção de rugby jogasse contra o selecionado sul-africano.

Em 1980, foi a vez de os Estados Unidos boicotarem os Jogos de Moscou em reação à intervenção da URSS no Afeganistão. Nações muçulmanas também aderiram ao boicote. Ao todo, o gesto dos EUA foi acompanhado por 41 países. O troco veio em 1984, nos Jogos de Los Angeles, quando a União Soviética e boa parte do bloco comunista ficaram de fora da competição em solo americano.

Os Jogos de 1980 foram os últimos a sofrerem com boicotes de grandes dimensões. Mas nem por isso os Jogos Olímpicos se livraram das manifestações políticas, como mostram as manifestações contra a presença chinesa no Tibete durante a jornada da tocha olímpica que antecedeu os Jogos de Pequim em 2008; e também os protestos contra o governo do presidente interino Michel Temer, no Rio de Janeiro, em 2016.
A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.

Data 15.08.2016

Autoria Alexandre Schossler
Assuntos relacionados Jogos Olímpicos
Palavras-chave coluna Zeitgeist, Jogos Olímpicos

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