sábado, 25 de julho de 2009

Ran

Sexta-feira, Novembro 26, 2004




ECOS DO SILÊNCIO




Todos os seres, por natureza, são buddhas,
Assim como o gelo, por natureza, é água;
Fora da água, não há gelo,
Fora dos seres, não há buddhas.

É triste que as pessoas ignorem a verdade tão próxima
E a procurem tão longe;
Como alguém chorando de sede no meio d'água,
Como a criança de um lar rico vagando entre os mendigos.

Perdidos nos caminhos obscuros da ignorância,
Vagamos pelos seis mundos,
De um caminho escuro para outro;
Quando nos libertaremos do nascimento e da morte?

Por isso, a meditação do Mahayana merece o louvor mais elevado.
A generosidade, a ética e todas as outras perfeições,
Assim como a repetição, o arrependimento e o treinamento,
Tudo isso tem sua fonte no Zazen.

O mérito daqueles que praticam a meditação, mesmo que apenas uma vez,
Purifica os incontáveis erros praticados no passado sem início;
Então, onde estão todos os caminhos obscuros?
A própria terra pura não está distante.

Aqueles que ouvirem esta verdade, mesmo que apenas uma vez,
E a ouvirem com um coração de humildade,
Estimando-a, reverenciando-a,
Obeterão méritos sem fim.

Ainda mais, aqueles que se dedicam
E realizam a própria natureza ¿
A própria natureza que é a não-natureza ¿
Vão muito além dos meros conceitos.

Aqui, causa e efeito são o mesmo, o caminho não é dois nem três;
Com a forma da não-forma, indo e vindo, nunca estamos perdidos.
Com o pensamento do não-pensamento,
Cantos e danças são a voz do Dharma.

Ilimitado e livre é o céu do samadhi, brilhante é a lua cheia das quatro sabedorias;
Realmente, o que está perdido agora?
O Nirvana está bem aqui, diante de nossos olhos,
Este próprio lugar é a Terra do Lótus, este próprio corpo é o Buddha.



Hakuin Zenji, 1689-1789




OSU...



MusashiBo Benkei, 2004_11_21_archive.html#33687590">11/26/2004 02:17:04 PM


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Sábado, Setembro 25, 2004




Não Conheço Títulos



Em 1881, um jovem general de nome Kunio Kitagaki afamado burocrata, famoso por conseguir a estrutura necessária para fazer de Kyoto um pólo industrial. Estava viajando em negócios, e como grande "o general Kitagaki" era recebido em nobres Feudos com todas as honrarias, e começava a gozar de prestígio em todo o Japão, mesmo diante do Imperador era tratado com enorme respeito. Um dia ele foi visitar seu velho amigo, o monge mestre do templo Tofuku. Ao chegar, disse a um noviço de forma algo desdenhosa como comumente se dirigia às pessoas que considerava seus subordinados no exército:
"Diga ao Mestre que o grande general Kitagaki está aqui."

O noviço foi ao seu mestre e disse:
"Mestre, o Grande General Kitagaki está aqui."

O mestre respondeu:
"Não conheço Grandes Generais."

O noviço voltou à presença do militar com o recado enquanto o velho sábio observava do pórtico:
"Desculpe, o mestre não pode vê-lo. Ele não conhece nenhum Grande General."

O General inicialmente ficou surpreso, depois indignado, e finalmente compreendeu. Humildemente disse ao noviço:
"Desculpe minha arrogância. Por favor, diga-lhe que Kitagaki deseja vê-lo."

O monge assim o fez. Logo, o mestre aproximou-se com um sorriso e cumprimentou:
"Ah, Kitagaki! Há quanto tempo! Por favor, entre."





OSU...



MusashiBo Benkei, 2004_09_19_archive.html#32058724">9/25/2004 11:11:30 PM


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Segunda-feira, Setembro 13, 2004


Salmões Sagrados de 15 de Novembro
Texto: Claudio Seto




Há muito tempo, vivia no Japão, um casal de Salmões conhecidos pelos nomes de Osuke e Kosuke. Todo dia 15 de novembro, o casal subia o rio Shinano conduzindo um cardume de salmões, e cantando ¿Ô abre alas que eu quero passar. Abram alas, nós vamos passar¿.
Ambos os peixes mediam três metros de comprimento e tinham ao longo do corpo linhas prateadas reluzentes, de mística beleza. Os pescadores da região considerava o par como ¿casal real¿ e instituíram um acordo segundo o qual não se lançariam nenhuma rede de pesca no dia 15 de novembro.
Na vila de Niigata, situada às margens do rio, vivia um milionário chamado Tamase, proprietário de muitos campos de arroz e dezenas de embarcações. Tamase era famoso por conseguir tudo o que desejava.
Num certo dia 15 de novembro, Tamase notou que nenhum barco havia saído para pescar e perguntou o motivo a seus pescadores. Estes responderam que era o dia dos Salmões Sagrados subirem o rio e deviam respeitar. Naquele dia, o milionário concordou com o ponto de vista dos pescadores. Porém com o passar dos anos, Tamase começou a se incomodar com o fato e disse: - ¿Isso é um absurdo! São simples peixes e a crendice de vocês me irrita¿.
No ano seguinte, logo no começo do mês de novembro, o milionário convocou todos os seus pescadores, instruindo-os para que pescassem os salmões também no dia 15. Os pescadores contudo retrucaram: - Isso não podemos fazer, é uma coisa muito terrível ! Se cometermos um desrespeito desse porte, teremos que pagar muito caro¿.
Tamase foi inflexível nessa questão. Deu a ordem e exigia cumprimento. Aquele que não o obedecesse estaria desempregado.
No dia 15 de novembro, o rico senhor estava ansioso para ver os pescadores apanharem os tais ¿reis dos peixes¿. As redes foram lançadas mas sempre voltavam vazias. Por mais que os pescadores atirassem as redes, não conseguiam pescar nenhum peixe. Tamase corria como um louco a beira da água, gritando desesperadamente: - seus idiotas, lancem as redes. Mais e mais. Por mais que o poderoso senhor gritasse, a rede sempre voltava vazia.
Como o resultado era sempre o mesmo, os pescadores cansados de trabalhar em vão, acabaram desistindo da pesca e deixando o mandante sozinho, se retirando para suas casas.
A noite chegou eTamase ficou olhando fixamente para as águas. De repente viu uma velha mulher à sua frente, fitando-o silênciosamente. Tremendo de frio, Tamase tentou dizer alguma coisa em vão. A velha começou a caminhar em direção ao rio. O rico senhor chegou a ouvir o chapinhar da água enquanto se sentia desfalecer.
¿Abram alas, eu quero passar. Abram alas,nós vamos passar¿- conduzido por Osuke e Kosuke, os salmões vinham subindo o rio ao mesmo tempo em que o milionário sucumbia em silêncio, envolto pela escuridão à sua volta.




OSU...

MusashiBo Benkei, 2004_09_12_archive.html#31670032">9/13/2004 12:14:53 AM


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nome: Saito MusashiBo Benkei
Idade: 888 anos
local: Castelo de Takadachi
País: Japão Feudal
My Way: "Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você ver o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho.... " - Miyamoto Musashi - "HEIHO TENKA ICHI" - "o melhor praticante de arte marcial da terra"


Thakira
Blogger Brasil


http://www.painandpower.blogger.com.br

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"O Ocidente e o Oriente sempre foram importantes um para o outro e agora não menos. o vácuo deixado pelo fim do comunismo fez com que o Ocidente tivess de procurar um espelho e , ao mesmo tempo, um inimigo , ou algo que representasse o resto do mundo e que fosse diferente dele.
Ambos dependem muito um do outro. O fundamentalismo precisa da sexualidade do Ocidente para ser puritano e assim se justificar, e o Ocidente precisa das necessidades e da degeneração do Oriente para ser capitalista.Não há um choque de civilizações, é como um marido e uma mulher, ambos precisam um do outro. "
Hanif Kureishi (FSP. Ilst.181202 )

sábado, 21 de junho de 2008

Cultura não é Mercadoria

Na sociedade capitalista desencantada, onde tudo é transformado em mercadoria com preço estandardizado, onde através de mensagens subliminares, incitando ao entorpecido ouvinte ou telespectador a consumir por consumir, onde pela insistência de uma receita ‘consagrada’,
um best-seller ou uma canção que “emplacou”, e por isso tem sido tocada nas rádios de forma totalizante, sufocando a emergência de novos ritmos, por serem novos e não possuírem apelos de mercado a cultura torna-se medíocre, empobrecendo ouvires e olhares.


Tudo atende aos imperativos mercadológicos, se insere no sistema, é parte de uma ideologia a qual é impercebida por uma platéia idiotizada, que se submete a ilusão da novela, perde o referencial reflexivo de sua condição de oprimida, transformando-se em uma massa disforme de pão moldada pelo padeiro da indústria cultural.


Tal condição se manifesta ao inviabilizar movimentos,que não atendem aos imperativos de valoração mercadológica das ‘commodities’ culturais contra àqueles os quais defendem a cultura como patrimônio intangível, alma de um povo sua identidade,não de meros consumidores , mas parte da nação à qual se identificam em sua conjuntura espacial de destino,na leitura plural de suas manifestações.
É dado relevante a cooptação por parte dos mecanismos de mercado daqueles agentes contestadores do ‘status quo’ os quais são absorvidos oferecendo restrito espaço de manifestação, de visibilidade de sua mensagem, castrando e domesticando sua palavra e práxis.


Como deve ser fabricado e quem fabricará o espelho da suposta identidade, isso de fato é substantivo para a elite intelectual globalizada, da ‘world music ‘ e de maneira geral do que vem a ser’ típico’ do Brasil.


O meio transformou-se em mensagem, a arte, heméticamente apreciada pelos meios cultivados ou aquilo que explode no coração da massa na base da raça como traço de uma civilização tropical e miscigenada, pluriétnica, a qual parcela bem-nascida começa a não torcer tanto o nariz.


Quem definirá o que é cultura, o Estado ou o Mercado, construir o edifício da consciência crítica ou trangenizar cultura com entretenimento, idéia contrabandeada no riso ou dormindo em meio ao bombardeio de imagens.


A abertura para o diálogo com os sotaques e temperos brasileiros e latino-americanos, enfim o banquete onde o alimento é oferecido ou cai adicto ou ainda nossa dieta básica com o veneno da ideologia no sabor insosso de uma “junk food “.


Precisar lutar com fundas e pedras contra tanques, uma atividade artesanal contra uma indústria e fetiche que determina padrões não apenas às esfarrapadas periferias do planeta, também na Europa, impõe cotasà discriminação e sobretudo a monumental assimetria em protesto contra o “dumping” , que se valendo dos argumentos mercadológicos transnacionais precisam salvaguardar a produção local e o multi-lateralismo cultural nessa guerra por hegemonia, onde mitos e folclore ao invés de vir se amalgamar a substância local termina por anular a expressão da voz nativa.


A visibilidade da alma de um povo trazendo o reflexo da própria imagem , vínculo entre o povo e usa história seu destino comum como nação singular.


O dirigismo estatal pode levar tanto a criação de uma imagem deformada e panfletária, quanto a partir da discussão da identidade formar o nacional a partir da polifonia multi-cultural e não na moldura de um neo-realismo socialista ou a falsificação teatral fascista, mas é fundamental preparar o caldo de cultura necessário para que a massa saia do torpor diante de uma linguajem alienígena, bela mas em sua maioria plana de substância. Que o estado tome partido de seu povo e não do poder, do governo, levar ao povo a “Kultur “ livrando-o da barbárie.


A reflexão e a busca da sofisticação cognitiva a partir da ânsia por responder as inquietações que surgem a cada nova descoberta, a cada página virada do cérebro ao ler, assistir uma peça ou película;escutar a melodia nos tornam mais distantes dos cães e das amebas.


Entretenimento e relaxamento, remédio necessário mas em doses cavalares redunda em veneno.Tanta gente com AVC cognitivo por ser bombardeada do acordar ao dormir ,até quando pensamos estar nos "informamos "através dos telejornais ,estamos apenas sendo telespectadores de um 'show' de notícias editadas por interesses comerciais . Quando lemos encartes culturais o que de fato estamos diante é de uma campanha publicitária de uma editora que pertence a um grupo empresarial que detém outros veículos midiáticos.


É um dado da realidade, a palavra encarquilhada "sistema"e blá, blá,...é pedra se perpetuando.A sobrevalorização da aparência sobre a essência, para conferir uma embalagem na mensagem epidérmica é eficaz ,embora deturpe e enfraqueça o alimento do espírito(a cultura ),entendido como a "massa-cinzenta" adiposada.


A luz que se insinua entre as trevas é a opacidade intuiotiva, ou a saturação do espetáculo por parte da massa , o que se verifica no índice de vendas dos jornais e revistas , o que leva os patrocinadores e financeiras a por mais brindes em oferta.


A função do intelectual é de varrer mitos e por 'mãos à obra ' junto à sociedade ,participando das discussões candentes ,de fundo, da urbe .Cidadão.E não estar confortavelmente se encastelando, subindo ao topo da montanha para escapar do Tsunami da esfacelada e animalizada sociedade.


A revolução burguesa que desaguou no desencantamento do mundo,retirou a cultura dos palácios e catedrais da veneração dos demiurgos e dos eupatridas para o comum das gentes . O que assistimos hoje é o retorno farsesco ao escapismo opiácio espiritual contra as luzes que se mostraram em tal grau de explosões de tecnologia, claridade e drama termonuclear, que pulverizou a certeza no determinismo libertador da ciência e da relevância da cultura como patrimônio de uma Nação (Mercado?).


Nação? Cidadãos ou consumidores? Sem identidade com seu passado indiferentes ao seu futuro;gado ruminando num presente perpétuo sua ânsia por necessidades supérfluas que abarrotem sua existência de 'sem-vidas' e 'sem rostos'.


A nata está podre e pobre de conteúdo por se dobrar à mercadolatria midiocrática, cultura não é uma commoditie, a utopia reside no povo onde brota a alma da cultura .
Wilson Roberto Nogueira