domingo, 21 de maio de 2017

Carta Aberta ao Senhor Joesley Batista


Prezado Senhor,

tomei a liberdade de escrever para o senhor mesmo sabendo que o senhor não me conhece, mas isto não vem ao caso. O não vem ao caso, com certeza lhe permitirá concluir que estou escrevendo de Curitiba, pois não vem ao caso é uma expressão muito usada por vizinhos ilustres e outras pessoas na cidade, principalmente aquelas que usam camiseta preta e estão acampadas numa praça, também pertinho de minha casa.
Vou lhe falar um pouco deles antes de entrar no assunto dessa missiva .
Os acampados não estão na praça porque pertencem ao MST, nem são moradores de rua, portanto fique tranquilo. São gente de classe média que se reveza no acampamento e estão lá porque apoiam uma famosa operação, que virou pó de traque (to traindo minha origem, desculpe senhor) depois que a Globo publicou suas conversas com um senador e o presidente da república.
Fico observando os que se revezam na praça e poderia lhe dizer que são rapazes fortões, com braço grosso (já pensou eles trabalhando no seu frigorífico, com certeza fariam bonito). As moças quase todas loiras de óculos escuros, corpos malhados e sapatos de salto alto(também fariam bonito trabalhando em suas empresas). Além dessa juventude linda, tem uns velhos com cara de aposentados, senhoras mães de família, gente portanto muito respeitável. Com certeza são ou foram todos trabalhadores e agora honestamente lutam pelo bem da republica de curitiba e do brasil, diante de tantas denúncias de corrupção. Esse brasil dos paranaenses, dos goianos e dos mineiros. Eu tô fora, eu sou gaúcho, e gostava muito do Seu Brizola, de mais a mais meu pai sempre me ensinou que a gente tem que ser honesto. Seu pai com certeza lhe disse isto muitas vezes e por isto o senhor é o empresário de sucesso que é. Deus salve seus esforços e cumule o senhor de bençãos.
Como gaúcho do interior que sou, queria lhe dizer que ando meio apertado, sem dinheiro para coisinhas básicas, como pagar as despesas com veterinário para meus gatos, comprar jornal velho para forrar o chão e a caixa de areia dos bichanos e também para comprar ração, não tem o que chegue para os dois. Como vi o senhor falando de sua generosidade, distribuindo um baita dinheiro até para desconhecidos, quem sabe o senhor me arruma uns pilas para cobrir essas pequenas despesas? Se não for pedir demais, gostaria que o Senhor pagasse o conserto das válvulas dos banheiros do Congresso e dos palácios do Planalto e do Jaburu, porque o cheiro tá brabo, dá pra sentir de longe. Deus lhe recompensaria com muitas graças por este pedido.
um grande abraço e que deus mantenha o senhor sempre em boa saúde, e com a guaiaca cheia, pois como o senhor sabe os homens generosos estão cada vez mais raros. Na espera de sua oferta me despeço com o coração saindo pela boca.

José Miguel Rasia

Antes que llamara

Antes que llamara y la carne me abriese,
que mis líquidas manos golpearan en el vientre,
yo, que era entonces informe como el agua
que formaba el Jordán junto a mi casa
era hermano de la hija de Mnetha
y hermana del gusano que gestaba la vida.

Yo que era sordo ante la primavera y el verano,
que no sabía los nombres de la luna y el sol,
ya sentía el latido bajo la armadura de mi carne,
aunque existía solo en forma de infusorio,
veía las plomizas estrellas, el martillo lluvioso
que mi padre balanceaba en su cúpula.

Conocía el mensaje del invierno,
los dardos del granizo y la nieve pueril
y el viento era mi hermana pretendiente;
en mí saltaba el viento, el rocío infernal;
y mis venas fluían con los climas de oriente;
antes que me engendraran supe el día y la noche.

Antes que me engendraran ya por cierto sufría;
el potro de tortura de los sueños
enroscaba mi osamenta de lirio
en una cifra viva,
la carne era cortada para cruzar los bordes
de las horcas en cruces sobre el hígado
y las zarzas de los cerebros estrujados.

Mi garganta conocía la sed antes de la estructura
de vena y piel alrededor del pozo
donde palabras y agua se entremezclan
sin pausa alguna, hasta pudrir la sangre,
mi corazón conocía el amor, mi vientre el hambre;
al gusano yo olía entre mis propias heces.

Después el tiempo envió a mi mortal criatura
a derivar o ahogarse en los océanos
habituados a la aventura de la sal
en las mareas que jamás tocan las orillas.
Yo que era rico, me hice más rico aún
sorbiendo poco a poco el vino de los días.

Nacido del espectro y la carne, no era espectro
ni hombre, sino espectro mortal.
Y luego me abatió la pluma de la muerte.
Fui mortal hasta el último suspiro prolongado
que llevó hacia mi padre
el mensaje de su agónico cristo.

Tú que te inclinas en la cruz y el altar
acuérdate de mí y apiádate de Aquel
que mi carne y mi sangre tomó por armadura
y llegó a traicionar el vientre de mi madre.

DYLAN THOMAS
Biblioteca Digital Ciudad Seva


sábado, 20 de maio de 2017

“O modelo cívico brasileiro é herdado da escravidão, tanto o modelo cívico cultural como o modelo cívico político. A escravidão marcou o território, marcou os espíritos e marca ainda hoje as relações sociais deste país. Mas é também um modelo cívico subordinado à economia, uma das desgraças deste país”
.

- Milton Santos, em "As cidadanias mutiladas". In______. O preconceito (vários autores). São Paulo. IMESP, 1996-1997, p. 135.
A grande imigração polonesa para Curitiba e região produziu excelentes resultados. Quantas chácaras e pequenos sítios no Abranches, Santa Cândida, Orleans, Riviere e Campina do Siqueira, no atual Bairro do Seminário



RCO
Quando setores da Igreja Católica participam abertamente da oposição é porque chegamos ao fundo do poço das trevas. A Igreja participou ativamente na derrota da ditadura militar, na grande surra eleitoral da ARENA, o partido da direita ditatorial em 1974 e na mobilização crítica aos torturadores de Herzog em 1975. Agora interesses estrangeiros com Temer, Ilan Goldfajn, Moro, Skaf, Richa e outros levam a Igreja a ficar junto do seu Povo Brasileiro novamente, tal como ficou contra Geisel. A prática da Igreja muitas vezes esteve com as causas populares, nas insurreições populares contra autoritários, tiranos, déspotas estrangeiros e contra a dominação do seu Povo. Lembremos também no passado distante as Ordens da Igreja apoiando as grandes causas populares, como na insurreição contra a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o Nativismo Brasileiro Cristão em Guararapes - 1648, a Restauração Nacionalista em 1640. Bem antes nas nossas origens estatais o grande Levante Popular, Povo, Nobreza e Igreja contra a dominação islâmica, contra invasores árabes e mouros. São Tiago Maior, Santiago Patrono da Ibéria contra os Mouros "surgiria imaginariamente" em inúmeras batalhas medievais. Os nossos antepassados Oliveira, Costa, Gomes, Silva, Sousa, Pereira, hoje sobrenomes de milhões de pessoas, por dezenas de séculos se emocionaram, riram, choraram, se batizaram, casaram, morreram e se consolaram sob a proteção da sua Igreja e do atual Papa Francisco, ainda hoje orando e politicamente presentes ao lado do seu Povo, pela Democracia, nas causas progressistas !

RCO
De maneira equivocada Curitiba vive um pequeno e informal "(mini)estado de sítio" não declarado. Ruas e quase um bairro inteiro "fechado" para uma injustiça federal partidarizada e politizada como prepotente, agora fui informado do cancelamento de uma palestra acadêmica, que eu proferiria e marcada há muitos meses, porque vão fechar o prédio educacional perto da Praça Osório. Moro deixou de ser juiz há tempos e se tornou animador de torcida, chefe de um bando faccioso. Se repetirem a violência de 29 de abril de 2015, ou pior, passará a ser outro pária como Beto Richa, sempre a se esconder do público, como Richa fugiu o tempo todo dos eleitores nas eleições do ano passado e desonrando a imagem da polícia convertida em uma milícia privada de jagunços do seu mandonismo autoritário, com os seus comandantes depois demitidos, enxovalhados, humilhados e forçados a assumirem a culpa e responsabilidade pelo massacre de civis desarmados, manifestantes jovens, mulheres, professores idosos, trabalhadores e povo protestando contra a crise do desgoverno golpista, contra o desemprego, o arrocho salarial, cortes nos recursos da educação, saúde e da própria segurança, além da tentativa de roubo das aposentadorias de todo mundo que trabalha, tudo em uma justiça aparelhada e autoritária, servindo a poucos foras da lei momentaneamente no poder.

RCO
Montei hoje a genealogia política básica de Rosangela Maria Wolff de Quadros Moro, a mulher do juiz Sergio Moro. Só podia ser da grande família do Centro Cívico porque a classe dominante do Paraná tradicional é uma grande estrutura de parentesco, quase sempre com as mesmas famílias da elite estatal ocupando simultaneamente os poderes executivo, legislativo e judiciário. Vocês sabiam que Rosangela é prima do prefeito Rafael Greca de Macedo ? Ambos descendem do Capitão Manoel Ribeiro de Macedo, preso pelo primeiro presidente do Paraná por acusações de corrupção e desvio de bens públicos em instalações estatais. A grande teia de nepotismo e familismo explica muito do atraso, falta de justiça e desigualdades no Paraná e Curitiba, locais em que famílias com mentalidades políticas do Antigo Regime ainda mandam e dominam. Moro e Wolff são famílias de origem imigrante, que conseguiram entrar para o poder judiciário, famílias com parentes desembargadores, do lado Wolff os desembargadores Haroldo Bernardo da Silva Wolff e Fernando Paulino da Silva Wolff Filho, do lado da família Moro o desembargador Hildebrando Moro. Outro parente influente de Rosangela é Luiz Fernando Wolff de Carvalho, do grupo Triunfo, bastante ativo nas atividades empresariais e na política regional, sempre envolvido com problemas jurídicos. A família Wolff dominou por muitos anos a prefeitura de São Mateus do Sul, no interior do Paraná. Essas famílias de origem imigrante passaram a formar parte do estamento burocrático com seus privilégios e poderes, muitas vezes se associando na grande e antiga teia de nepotismo, de escravidão, exclusão social e coronelismo das antigas e sempre atuais oligarquias familiares da classe dominante paranaense.

RCO
Os operadores da Lava a Jato são membros e representantes do 0,1% mais rico no Brasil, a elite mais tradicional e conservadora do sistema judicial. Quase todos operadores da Lava a Jato representam um forte poder hereditário de dentro do Estado. Os pais tiveram carreiras estatais durante o período de autoritarismo da ditadura militar. O procurador Deltan Dallagnol, o coordenador, é filho do procurador de justiça Agenor Dallagnol e pertence a seita religiosa. Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador e estrategista, é filho do deputado estadual da ARENA Osvaldo dos Santos Lima, promotor, do partido de apoio à ditadura, foi presidente da Assembleia Legislativa do Paraná no auge da repressão, em 1973. Santos Lima é outra típica família do poder local tradicional da Genealogia Paranaense, como já demonstramos em outras mensagens. A esposa de Carlos Fernando, Vera Lúcia, era funcionária do Banestado durante a crise e escândalo do banco. O mais novo dos procuradores da Lava Jato é Diogo Castor de Mattos, que também apresenta notável rede familiar de poder na sua família. É filho do falecido procurador de justiça Delivar Tadeu de Mattos e de Maria Cristina Jobim Castor de Mattos, irmã do falecido Belmiro Jobim Castor, ex-diretor do Bamerindus, secretário de Estado várias vezes no Paraná nos anos 70-80 e do Conselho Superior da Associação Comercial do Paraná. O escritório de advocacia Delivar de Mattos & Castor é dos mais conhecidos do Paraná, com os irmãos Rodrigo Castor de Mattos e Analice Castor de Mattos. Qualquer sociedade para manter politicamente, ideologicamente e juridicamente a absurda concentração de renda brasileira precisa desses tipos de atores e de sistema judicial familiar e arcaico, mais associado ao Antigo Regime e sua nobreza togada. No Brasil os mais altos operadores jurídicos dentro do Estado, ou nos escritórios de advocacia, ganham remunerações formidáveis e fantásticas se comparadas com as médias brasileiras. Criam problemas para eles mesmos resolverem lucrativamente.

RCO
Durante muitos anos trabalhei com avaliações na "opinião pública" sobre debates político-eleitorais, exatamente o que aconteceu ontem entre Lula e Moro. Lula ganhou por larga margem o debate e ganhou de maneira ainda mais consistente as representações feitas no dia seguinte. Os apoiadores de Lula, do PT e da Democracia também ganharam quantitativamente e qualitativamente o debate ontem em Curitiba, ao ocuparem e se manifestarem massivamente, ordeiramente e pacificamente, revelando o absurdo do maior esquema policial já montado no Paraná para um debate político, uma estrutura caríssima no governo falido de Richa, com milhares de policiais, helicópteros, atiradores, infiltrados e brucutus, que não aparecem para combater o crime em dias normais, Curitiba está entre as 50 cidades mais violentas do mundo, só para verem a imensa procissão popular e pacífica dos apoiadores de Lula desfilarem e vencerem por larga escala os corações e mentes em Curitiba, desmoralizando os autoritários e fascistas locais. A tal "República direitosa de Curitiba" foi moralmente batida, vencida e desmoralizada exatamente no dia em que pretendiam humilhar Lula. Setores da burguesia local, com seus extremistas de direita, foram profundamente humilhados pela humildade de Lula e seus apoiadores do povão brasileiro, trabalhadores, camponeses, professores e gente vinda de todo país depois de dias de viagem. Os apoiadores do juiz e de seu sistema político perderam até mesmo no número baixíssimo de bandeiras nas janelas dessa vez, até mesmo porque a maioria dos moradores curitibanos já percebeu que o tal golpe do sistema só colocou os mais corruptos no poder, um golpe dos mais corruptos, para os mais corruptos, com apoio do grande empresariado, da grande mídia e do sistema judicial de marajás, o que só aumentou a crise social e econômica, retirou recursos da educação, saúde e os infelizes patos serão terceirizados, vão perder a carteira de trabalho,13º salário, férias porque os paladinos do golpe vão lhes roubar também anos de aposentadoria, de modo que quase nenhuma bandeirinha foi colocada nas janelas em apoio do juiz & cúmplices golpistas..

RCO

Quem deu o golpe no Brasil ?


Quem deu o golpe no Brasil ? Como cerca de 71 mil pessoas, o meio milésimo (0,05%) mais rico, se apropriam de 8,5% de toda a renda nacional? Super-ricos são os que tiveram renda média mensal tributável superior a R$ 135 mil em 2015, o que equivale a apenas 0,1% das declarações do Imposto de Renda. Basta analisar a estrutura de concentração de renda no país, única em escala mundial pela sua imensa perversidade exploratória, cada vez mais concentracionista depois do golpe. 10% mais ricos controlando mais de metade (52%) da renda, 1% mais ricos com quase um quarto (23,2%), 0,1% com mais de um décimo (10,6%) e apenas 0,05% mais ricos com 8,5% da renda total, o que significa uma sistemática engenharia social, econômica, cultural e política de exploração, enganação industrial para manter o "status quo" e reforçar ainda mais as desigualdades no ano do golpe. Riqueza e poder quase sempre são estruturas genealógicas e familiares. O 0,05% mais rico é composto por banqueiros, midiocratas, grandes empresários, grandes proprietários rurais e urbanos, rentistas, toda uma plutocracia assistida, servida e alimentada por uma camada subsequente de políticos, altos funcionários públicos, administradores, executivos e burocratas no sistema privado e agora centralmente no sistema judicial, por alguns tipos de magistrados, juízes, procuradores, jornalistas, comunicadores e marketeiros com altíssimas remunerações para operarem a ideologia do golpe. Super-ricos pagam 9% de imposto e ricos 12%, diz Receita, até nisso são serviçais do grande capital. Hoje os partidos políticos convencionais do golpe, o PMDB, PSDB, DEM, PPS se afundaram completamente no embate, todos passam por profunda crise política e decadência moral, de modo que o golpe precisou novamente colocar na linha de frente as suas reservas funcionais de partidos plutocráticos na luta defensiva: golpistas da magistratura, do ministério público, das TVs, jornais, rádios e grandes mídias, que também estão sendo sistematicamente derrotados, desmoralizados e acuados pela forte oposição popular ao primeiro ano do golpe de 2016. O resumo da ópera: o golpe foi produzido pelos mais corruptos políticos e empresários, pelos mais ricos e funciona como uma máquina de produção de desigualdades sociais, de retirada de direitos dos trabalhadores, lubrificada nas suas engrenagens por suas togas e jornalistas de aluguel.

RCO

O lugar de fala dos críticos de Lula. Não é Lula quem está sendo atacado e julgado levianamente em tribunal de exceção, mas sim toda a incipiente democracia brasileira. Sabe-se que um golpe sempre está necessariamente no gerúndio para existir, um golpe só existe golpeando permanentemente os direitos e as instituições. Na última vez criaram uma sucessão de atos institucionais para fazerem o serviço sujo que Moro e a justiça fazem atualmente contra Lula no caso do triplex. Críticas contra Lula partem de bases sociais bem definidas. Quase toda classe dominante sempre o desprezou de maneira sarcástica. Parcelas da classe média baixa e trabalhadores servis aos grandes interesses burgueses, os criados e funcionários domésticos favoritos do capital, bem como alguns comentaristas e servos de gleba da mídia, os que esperavam subir individualmente no clientelismo dos poderosos, é que nutrem profundos ódios por Lula. Preferem criticar Lula do que os desastres de Temer e do PSDB para manter a aprovação e aceitação da tribo dos privilegiados e ganharem recursos das associações empresariais de direita. Lula é criticado pelas suas origens, como pode um pau-de-arara querer viajar de jato, ter uma residência que não seja da Cohab, querer ter e frequentar um "habitus de classe" que nunca deveria lhe pertencer, como ousa o peão nordestino ter não somente afrontado verbalmente e politicamente os bem nascidos politiqueiros das elites sulistas, ter questionado direitos hereditários de mando e de poder político já destinados por nascimento aos grupos dominantes, mas tê-los vencidos em quatro eleições presidenciais diretas, ter governado com avanços em todos os índices sociais, com inclusões e melhorias sociais para todos no meio de problemas estruturais. Lula pode repetir uma nova sólida vitória presidencial no voto depois de todo circo judicial persecutório. O antagonismo contra Lula em boa parte foi o mesmo contra o Getúlio de 1954 e será amanhã o mesmo antagonismo do "Antigo Regime Brasileiro" contra qualquer candidato crítico com potencial de vitória. Enquanto houver Lula um Ciro Gomes, PSOL, PSTU são completamente inofensivos porque não perigam ganhar nada, não vencem nenhuma eleição presidencial para serem atingidos diretamente pelas forças do atraso no Brasil. Lula é a democracia brasileira, um projeto nacional contra colonizados e quem não gosta de Lula pode disputar o voto livre e democrático em eleições limpas e diretas, daí o maior medo e pavor dos anti-Lulas de todas as matrizes e espectros - Lula é favorito no voto, com a força do povo, de novo ! Contra Lula querem destruir a democracia brasileira e as garantias de direitos pela justiça de exceção golpista em novos atos institucionais envergonhados.

RCO
 Curitiba como campo de investigação da sociologia política só pode ser analisada a partir de suas famílias do poder, o que eu desenvolvi no meu livro "O Silêncio dos Vencedores", a partir de minha tese de doutorado. Na minha pesquisa de doutorado discuti o livro de Wilson Martins, "O Brasil Diferente", com a visão crítica de Octavio Ianni, "As Metamorfoses do Escravo", ambos autores eram "imigrantes" no sentido de outsiders, que desconheciam as estruturas sociais profundas de Curitiba. Ianni ainda se referia a uma antiga sociedade de castas, de certa maneira se prolongando muito mais do que se imagina. Compreender o exótico em familiar e o familiar em exótico, ter dialeticamente ao mesmo tempo uma visão cosmopolita e uma visão local, ser não-nativo e nativo, olhar Curitiba de dentro de suas tradições familiares provincianas e de fora das capitais mais centrais e nacionais, eis um percurso sociológico. 

Ricardo Costa de Oliveira

Diretas Já em breve !

Quanto mais tempo Temer insistir em permanecer na presidência maior será o estrago e prejuízo para seus apoiadores do PMDB e PSDB. Temer apodreceu e apodrecerá todos perto dele. Fica Temer para afundar e apodrecer bastante a direita golpista ainda mais e preparar o país para as novas Diretas Já em breve !

RCO

Ferve Brasil !

No caso do golpista Temer é denúncia criminal gravíssima, total crime de responsabilidade, comprovado com a mala do Rodriguinho Rocha Loures, o pagador da "República do Paraná", aqui a oligarquia se cumpre. Caiu a ficha de vez para os mais ingênuos eleitores dos golpistas, que sempre apoiaram o bandido de estimação deles e candidato derrotado Aécio Neves, cuja irmã Andrea e primo Fred Pacheco já estão presos. Por muito menos o senador Delcídio foi afastado e preso, somente o pedigree de Aécio Neves e de Rodrigo Rocha Loures ainda evita o mesmo destino porque ambos pertencem às mais tradicionais oligarquias familiares do país. Além disso a fala do dono da JBS, Joesley Batista, com Temer revela dramaticamente e criminalmente as podres entranhas golpistas do judiciário da "farsa a jato", quando declarou estar "segurando" dois juízes e que conseguiu uma pessoa "dentro da força-tarefa" ? Quais os nomes dessas estrelas midiáticas do ativismo judicial ? No caso de graves denúncias criminais a Procuradoria Geral da República deve encaminhar imediatamente a denúncia ao Congresso para a autorização do processo contra o golpista Temer por dois terços dos deputados, ou 342 votos. A pressão popular vai aumentar. Ferve Brasil !

RCO

Já raiou a Liberdade no horizonte do Brasil !

Já raiou a Liberdade no horizonte do Brasil ! Quando eu era jovem em 1984 e derrotamos e derrubamos a ditadura militar muitos torciam, com a momentânea derrota das Diretas Já, para mais um golpe militar da direita dentro do golpe de 64, com os Generais Newton Cruz e Octávio de Medeiros ainda em 1984, pensando na continuidade da ditadura militar em mais um governo ditatorial sucedendo o General Figueiredo. Seria a queda total, incondicional e irrestrita da ditadura e suas forças. A esperteza e salvação da direita foi uma grande conciliação, com Tancredo e Sarney, para poupar e proteger os muitos interesses dos aliados civis da ditadura. Mudança real mesma só poderia vir com a queda total da ditadura sem a transição da conciliação transada. Eu calculava no começo do golpe contra a Presidenta legítima eleita Dilma, há uma ano, que o governo golpista de Temer e cúmplices logo estaria, depois de um ano, próximo dos mesmos índices negativos e repudiados do final do governo da ditadura militar de Figueiredo em 1984, da baixíssima popularidade de Sarney em 1989, de Collor em 1992, de FHC em 2002. Dessa vez não será necessária apenas outra vitória sobre pontos, mas o nocaute total desse bloco golpista de direita. Se Temer ficar o governo golpista e todo o seu bloco de apoio se aproximam do volume morto e provocarão outra oportunidade histórica de um governo de salvação nacional reformista ou revolucionário, legitimamente eleito em uma chapa presidencial sem a direita, um governo que finalmente realize o que é necessário em uma agenda de mudanças. A democracia, a cidadania, a modernidade e a liberdade só serão conquistadas com uma derrota completa, acachapante e total do bloco conservador de direita no Brasil. Mais uma vez se abre esta janela de oportunidade histórica no Brasil, tal qual antes e o país não avançará antes de se livrar de todo grande entulho autoritário do "Antigo Regime", o que prejudica o desenvolvimento nacional desde o Movimento de 1930 e nunca se cumpre como transformação nas conjunturas de inflexões, como a que começamos a viver novamente. Diretas Já e que se realizem as metas sociais, cidadãs e democráticas plenas da Constituição de 1988 ou uma nova Constituinte a ser convocada em novas eleições.

RCO

1970: Mao Tse-tung declara apoio a Pol Pot


No dia 20 de maio de 1970, o líder chinês manifestou seu apoio ao príncipe cambojano derrubado, Sihanouk, e a Pol Pot. Pequim começou a desempenhar um papel ativo no conflito do Camboja.


 1960: Mao Zedong known as Mao Tse-tung (1893 - 1976) the communist leader and first chairman of the People's Republic from 1949. (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

Mao Zedong Mao Tse-tung China 1960

Desde 1964, o governo cambojano vinha enfrentando uma rebelião comunista em seu território, com o surgimento do Khmer Vermelho, o que tornara difícil manter o país à margem da Guerra do Vietnã. A China, que sempre combatera a Guerra Fria, apoiava o Vietnã do Norte (comunista) no conflito contra os Estados Unidos.

A utilização do território cambojano como refúgio das tropas norte-vietnamitas e dos guerrilheiros comunistas do Vietnã do Sul levara os EUA a frequentes bombardeios no país. Segundo o perito Heinz Kotte, os norte-americanos lançaram sobre o Camboja uma carga de explosivos cinco vezes mais potente do que as bombas de Hiroshima.

O rei Norodom Sihanouk, líder do partido Comunidade Socialista Popular, insistiu na neutralidade do Camboja e foi deposto, a 20 de março de 1970, pelo marechal Lon Nol, seu antigo primeiro-ministro. Nol era uma perfeita marionete dos Estados Unidos, que tramaram o golpe.

A decisão de Mao Tse-tung de socorrer Sihanouk não significou uma abertura ideológica do regime comunista chinês. Também não era fruto da simpatia de Mao com o Terceiro Mundo, mas, antes, de uma mudança no cenário político internacional. Um ano antes, haviam ocorrido violentos conflitos de fronteira, com centenas de mortos, entre a União Soviética e a China, o que abalou as relações entre as duas potências ideologicamente irmãs.

Formação de alianças estratégicas

Em 1970, o Vietnã do Norte precisava urgentemente dos mísseis soviéticos para combater os bombardeiros B-52 dos EUA. Essa forte dependência implicava também a aproximação ideológica com a União Soviética. Após a morte de Ho Chi Minh, em 1969, líderes pró-soviéticos assumiram o poder no Vietnã.
Para contrabalançar o eixo vietnamita-soviético, Pequim buscou uma aliança com o Camboja. Segundo o perito Kotte, a "China ganhou pontos no plano internacional ao apoiar Sihanouk. O rei era tido como representante do Camboja nos países ocidentais que não seguiam rigorosamente a linha norte-americana".

A China concedeu asilo político a Sihanouk que, em parceria com o Khmer, formou em Pequim o Governo Real de União Nacional do Camboja (Grunc), logo reconhecido por mais de 20 países. Convencido de haver encontrado em Sihanouk e no movimento guerrilheiro do Khmer Vermelho os parceiros certos, Mao desafiou, pela última vez, os EUA, afirmando que o governo de Richard Nixon estava isolado internacionalmente.

Em 1972, Pequim estabeleceu relações diplomáticas com os Estados Unidos para formar um contrapeso a Moscou. No Camboja, o Khmer Vermelho tomou o poder, implantando um regime totalitário e sangrento, responsável pelo extermínio de 3,7 milhões de cambojanos. No dia 20 de maio de 1970, Mao Tse-tung ainda havia conclamado os povos do mundo a se unirem "para combater os agressores norte-americanos e todos os seus lacaios".

Em janeiro de 1976, o nome do Camboja foi mudado para Kampuchea Democrático. Em abril daquele ano, Pol Pot – líder máximo do Khmer Vermelho – tornou-se primeiro-ministro. No ano seguinte, o regime comunista cambojano intensificou sua aproximação com a China e adotou uma política agressiva em relação ao Vietnã, oficialmente reunificado em julho de 1976, dois meses antes da morte de Mao Tse-tung.

Autoria Shin Ming (gh)


Link permanente http://p.dw.com/p/2BLL

sábado, 13 de maio de 2017

O socialismo é uma doutrina triunfante



"O socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: 'o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana'. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na 'Ideologia alemã': as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo."

ANTONIO CANDIDO (1918-2017), em entrevista ao jornal Brasil de Fato, 8 de agosto de 2011, "O socialismo é uma doutrina triunfante", por Joana Tavares.


A SOFÍSTICA, A "MORTE DE DEUS" E O MARKETING POLÍTICO


(por Luiz Carlos De Oliveira e Silva)

1. A política se faz também por meio de "narrativas", como se diz hoje em dia. A isto estavam atentos, desde a fundação da democracia em Atenas, no século V a.C., Sócrates e os sofistas, cada um a seu modo.
2. O embate que opôs Sócrates e os sofistas tornou-se célebre devido ao testemunho interessado de Platão, e acabou por se constituir num dos pilares da Civilização Ocidental.
3. Pode-se dizer que Sócrates é o pai da confiança de que uma narrativa verdadeira é possível, e desejável, enquanto os sofistas são os pais da compreensão de que “tudo são narrativas em disputa”, como se diz atualmente.
4. Para os que consideram que “tudo são narrativas em disputa”, tanto na Antiguidade como na atualidade, a Verdade não é, nem pode ser, a medida dos discursos, e sim a sua eficácia em produzir efeitos na consciência dos indivíduos e das coletividades.
5. Para Sócrates, a medida do discurso, pelo contrário, deve ser a Verdade, porque só deste modo poder-se-ia produzir subjetividades potentes e livres, situação a que todos deveriam almejar.
6. Podemos dizer que os sofistas foram derrotados – porque o Ocidente fez da Verdade o seu valor supremo –, e submergiram nas trevas do recalque histórico por séculos. A concepção de que a Verdade é o valor supremo fez fortuna no Ocidente, onde descreveu uma história. Inicialmente ela foi concebida como conceito filosófico, depois se transformou em experiência religiosa, em seguida constituiu-se como critério da ciência para, por fim, desaparecer do horizonte histórico.
7. O desaparecimento do valor Verdade como o valor supremo foi anunciado por Nietzsche, na segunda metade do século XIX, como a “morte de Deus”.
8. A “morte de Deus” abriu campos extraordinariamente férteis para a criatividade humana, inclusive no terreno da religião, mas possibilitou o retorno, com força inaudita, do que esteve recalcado durante todos esses séculos: os sofistas e a sofística.
9. A “morte de Deus”, isto é, o desaparecimento do valor Verdade como o valor supremo, tornou possível, dentre outras coisas muitos positivas, práticas baseadas nos piores aspectos da sofística: marketing político, imprensa pós-factual, fake News etc., tudo o que poderíamos resumir pela expressão “pós-verdade”.
10. João Santana e Mônica Moura são marqueteiros políticos. Eles que, com seus sortilégios de mágicos de circo mambembe, estariam agora, com suas “delações premiadas”, falando a verdade?
11. Profissionais da mentira baseada no cálculo do frio interesse que são não estariam agora sendo nada mais do que marqueteiros de si mesmos? Afinal, “tudo são narrativas em disputa”?
12. Nunca saberemos por que já não é mais possível saber. Deus morreu... O verdadeiro e o falso se interpenetram e se amalgamam num todo viscoso, colorido e sedutor.
13. Sócrates e os socráticos venceram os sofistas e a sofística. Mas, apesar da duração, não foi uma vitória cabal, porque não se pode derrotar cabalmente o que pertence à nossa essência. Os derrotados estão de volta, mais vivos do que nunca. E nós não temos mais a Verdade para combatê-los...
14. A única Verdade que nos sobrou é a de que o marketing político é a verdade da política e que “tudo são narrativas em disputa”.

15. Deus morreu e levou consigo a Verdade... Para o bem e para o mal. Como combater a sofística sem o recurso à Verdade? Esta é a tarefa que se impõe....

1968: Negociações de paz para o Vietnã


ESPECIAL:
 1968Herança da geração de 68 é presente até hojeAlemães relembram 1968 como ano da Primavera de Praga1968: o ano do cinema em transe"El Che vive!", também na AlemanhaQuem são os "autônomos" e "blocos negros" opositores do G8Editora e livraria cult dos anos 60 em rota de expansãoContracultura à alemã: quando o privado tornou-se políticoÀ sombra da revolução, na defensiva1968: Atentado contra Rudi Dutschke1968: Martin Luther King é assassinado1968: Negociações de paz para o Vietnã1968: "Hair" estreia na Broadway1968: Atentados incendiários em Frankfurt1968: Dubcek eleito líder do Partido Comunista tcheco1968: Tropas soviéticas ocupam Praga
Em 13 de maio de 1968, negociações de paz começaram em Paris. Cerca de 25 mil participaram da primeira grande manifestação em 1965 em Washington. Dois anos depois, 400 mil foram às ruas de Nova York pelo fim do conflito.


 Vietnamkrieg - Flüchtlingsfrau mit Kindern (picture-alliance/dpa)
Refugiados da Guerra do Vietnã em 1968

Cerca de 25 mil pessoas participaram da primeira grande manifestação contra a Guerra do Vietnã, realizada em 1965, em Washington. Dois anos depois, 400 mil pacifistas saíram às ruas de Nova York, pedindo o fim do conflito em que os Estados Unidos haviam se envolvido até o pescoço desde a derrota francesa de Dien Bien Phu, em maio de 1954.

O presidente norte-americano Lyndon Johnson (1908-1973) começava a enfrentar sérios conflitos internos. Em abril de 1968, após o assassinato de Martin Luther King, ocorreram os maiores tumultos raciais da história dos EUA. Em agosto do mesmo ano, centenas de policiais espancaram manifestantes durante um congresso do Partido Democrata em Chicago.

Conflito diplomático

Entre os soldados norte-americanos no Vietnã, crescia a insatisfação com a falta de perspectiva de um acordo entre Ho Chi Minh e Johnson. Foi nesse clima que começaram, a 13 de maio de 1968, as negociações de paz em Paris. Nenhum dos dois lados tinha realmente interesse numa solução negociada. Isso ficou evidente já na absurda discussão sobre a disposição das mesas da conferência.

O conflito diplomático revelou uma profunda divergência em relação à forma de participação do governo do Vietnã do Sul e dos representantes da Frente de Libertação Nacional (FLN) nas conversações. Como tanto os EUA quanto o Vietnã do Norte apostavam numa decisão militar, os negociadores em Paris não tinham pressa.
Negociações paralelas à guerra

Começou, assim, um longo jogo de empurra-empurra, com negociações de paz ocorrendo paralelamente à guerra. Somente em 1972, Henry Kissinger, assessor de segurança do presidente Richard Nixon (1913-1994), e o negociador norte-vietnamita Le Duc Tho chegaram a um acordo aceitável para os dois países.
Tho aprovou a continuidade do regime de Nguyen Van Thieu no Vietnã do Sul. Um Conselho Nacional para Reconciliação e Unidade, formado pelo governo de Saigon, pelo "governo popular revolucionário", proclamado pela FLN, e por grupos neutros, deveria preparar eleições gerais para o Vietnã do Sul.
Em contrapartida ao cessar-fogo imediato oferecido por Tho, os EUA deveriam encerrar todas as operações militares contra o Vietnã do Norte e retirar suas tropas do Vietnã do Sul num prazo de 60 dias.
Indiganção entre a comunidade internacional

Kissinger dizia acreditar que a paz estava próxima. Mas suas esperanças foram esmagadas pela rejeição do acordo tanto pelo Vietnã do Sul, quanto pelo próprio presidente Nixon. Após sua reeleição, no final de 1972, Nixon quis dar uma nova demonstração de força, com ataques aéreos a Hanói e Haiphong.

A opinião pública internacional reagiu indignada aos chamados "bombardeios de Natal" dos norte-americanos. A ofensiva aérea, porém, forçou Hanói a voltar à mesa de negociações. Finalmente, a 27 de janeiro de 1973, Nixon anunciou o fim da guerra do Vietnã.

Milhões de vítimas

O "acordo para o fim da guerra e o restabelecimento da paz", assinado em janeiro de 1973 em Paris pelos Vietnãs do Norte e do Sul, pelo "governo provisório" da FLN e pelos EUA, não chegou a ser implementado.

Mesmo assim, os EUA começaram a retirar as suas tropas. Hanói deu continuidade à guerra, enquanto os generais sul-vietnamitas tentavam, de qualquer forma, ampliar seu controle sobre o país. A guerra de trinta anos pelo poder no Vietnã só terminou em maio de 1975, com a capitulação do Vietnã do Sul.

O conflito deixou um saldo de 58 mil soldados mortos e 153 mil feridos do lado norte-americano, e de um milhão de mortos e 900 mil crianças órfãs do lado vietnamita. Os EUA, que gastaram cerca de 200 bilhões de dólares com o conflito, sofreram no Vietnã a maior derrota militar da sua história.

Autoria Michael Kleff


Link permanente http://p.dw.com/p/1MX0

domingo, 7 de maio de 2017

1954: Cessar-fogo na Indochina


Em 21 de julho de 1954, a França e a então República Democrática do Vietnã assinam um acordo de cessar-fogo, dividindo o país asiático em dois: o norte comunista e um frágil Estado pró-ocidente ao sul.

Saída dos tanques marcou fim da colonização francesa na Indochina

"O bom senso e a paz venceram." Com essas palavras, o então primeiro-ministro da França, Pierre Mendès-France, anunciou, em 21 de julho de 1954, o cessar-fogo na Guerra da Indochina. A derrota da "Grande Nação" na batalha de Dien Bien Phu, em maio do mesmo ano, fora o começo do fim do domínio colonial francês no Vietnã.

As negociações de paz em Genebra duraram quase dois meses. Além de representantes da União Soviética, da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos, pela primeira vez desde a vitória do comunismo na China em 1949 diplomatas daquele país subiram ao palco da política internacional.

O Vietnã foi representado por duas delegações: uma defendendo os interesses da monarquia Bao Dai (sul) e outra com representantes da Liga pela Independência (Vietminh), liderados pelo primeiro-ministro Pham Van Dong, da República Democrática do Vietnã (norte).

Para ressaltar sua rejeição ao comunismo, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, negou-se a estender a mão para seu colega chinês. "Somente um acidente de automóvel poderia me colocar em contato com Chou-En-lai", declarou à imprensa.

Garantia de soberania e unidade

Dulles permaneceu apenas quatro dias na conferência, da qual os norte-americanos participaram meramente como observadores. "Apenas tivemos a possibilidade de presenciar a tomada de decisões com as quais não concordávamos", disse mais tarde o diplomata Alexis Johnson, um dos observadores dos EUA.

Na declaração final do encontro, foram garantidas independência, soberania e unidade ao Camboja, ao Laos e ao Vietnã. A fronteira provisória entre o Vietnã do Norte (sob o regime comunista de Ho Chi Minh) e o Vietnã do Sul (monarquia independente encabeçada por Bao Dai) foi fixada aos 17 graus de latitude. Além disso, os signatários do documento comprometeram-se a realizar eleições gerais no Vietnã.

Numa declaração complementar, os EUA prometeram renunciar a qualquer intervenção militar no Vietnã. Era evidente, porém, que o Vietnã do Sul e os Estados Unidos jamais cumpririam os acordos, como explicou Johnson:
"A delegação sul-vietnamita deixou claro que não aceitaria a realização de eleições em dois anos.

Exatamente essa era também a nossa posição. Todas as acusações de que transgredimos os tratados negociados em Genebra são falsas. Nós não os assinamos; portanto, não tínhamos como transgredi-los."

Decisão só no campo político

A recusa dos EUA em assinar o cessar-fogo e a divisão do Vietnã foram para o então primeiro-ministro norte-vietnamita, Pham Van Dong, a prova de que os norte-americanos, desde o início, eram contra a conferência e sempre tentaram impedir que ela chegasse a uma conclusão positiva.

Mas também o Vietminh só aprovou os resultados da Conferência de Genebra devido à forte pressão da União Soviética e da China. A Liga pela Independência obteve unicamente a garantia de que a luta pelo poder no Vietnã não mais seria decidida pela via militar e, sim, no campo político. O Vietminh estava confiante de que venceria as eleições previstas para todo o país.

Todos os participantes da conferência para a paz na Indochina sabiam que as decisões de Genebra apenas representavam um armistício e não o fim do conflito. O presidente Dwight Eisenhower e seu secretário de Estado, John Foster Dulles, ligaram os Estados Unidos, em 1954, indissociavelmente ao destino do Vietnã do Sul.

Depois da derrota francesa em Dien Bien Phu, os EUA passaram a ocupar o lugar da França, no afã de garantir a segurança do Vietnã do Sul, do Laos e do Camboja. Com isso, os norte-americanos 
estabeleceram as bases para a intervenção posterior no mais longo confronto militar do século 20: a Guerra do Vietnã (1959-1975).

Autoria Michael Kleff (gh)


Link permanente http://p.dw.com/p/1L91

1954: Queda de Dien Bien Phu



No dia 7 de maio de 1954, a guerra do Vietnã terminou para os franceses. Após oito semanas de sítio e fogo cerrado, as tropas francesas capitularam em Dien Bien Phu.

Após a fundação da União Indochinesa, no final do século 19, a França aproveitou os conflitos regionais e expandiu o seu domínio colonial a uma grande parte do Vietnã atual, ao reinado vizinho do Camboja e ao Laos. Porém, já na virada do século, aumentava a resistência entre a pequena elite cultural vietnamita contra a colonização sistemática.

Nos primeiros 40 anos do século passado, os franceses ainda conseguiram controlar uma população de 18 milhões de pessoas. Quando, em novembro de 1940, uma rebelião dos comunistas foi reprimida de forma sangrenta no sul do Vietnã, fundou-se então a Liga para a Independência do Vietnã, conhecida como Viet Minh, com participação decisiva do líder revolucionário e posterior chefe de Estado Ho Chi Minh.
Da resistência ao conflito armado

Foi só uma questão de tempo até que estourasse o conflito aberto entre os franceses, reivindicando direito sobre a "sua" colônia, e a aspiração de independência do Viet Minh. Em novembro de 1946, quando tropas francesas bombardearam a cidade portuária de Haiphong, no norte do Vietnã, o Viet Minh começou a resistir com mão armada ao domínio colonial francês em todo o país.

Apesar do apoio financeiro e logístico dado pelos EUA às tropas francesas, a partir do início de 1950 o Viet Minh já controlava cerca de dois terços do território vietnamita no final daquele ano.

No começo de 1954, 12 mil soldados franceses de uma tropa de elite foram cercados na região montanhosa e isolada perto de Dien Bien Phu, norte do Vietnã, pelas forças muito mais numerosas do Viet Minh. Apesar disso, o comandante-chefe francês Navarre acreditava que conseguiria vencer uma batalha decisiva.

Situação agrava-se

Em março de 1954, quando o Viet Minh intensificou seus ataques e as tropas francesas só podiam ser abastecidas por meio de paraquedas, Paris e Washington se conscientizaram da crise. O presidente norte-americano Eisenhower e seu secretário de Estado não queriam aceitar a derrota dos franceses. Contudo, um ataque aéreo teria provocado uma intervenção chinesa.

O presidente Eisenhower ressaltou diante da imprensa internacional, em 7 de abril de 1954, a gravidade da situação e a importância da Indochina para o seu país. Nessa entrevista, ele chamou de teoria do dominó a avaliação política exterior do conflito com o comunismo, em vigor na estratégia governamental americana desde 1950.

Eisenhower almejava uma coalizão dos EUA, entre outros, com o Reino Unido, a França e a Austrália, a fim de defender o Vietnã e todo o Sudeste da Ásia contra o comunismo. Porém, tais planos não encontraram apoio. Ele rechaçou, por sua vez, uma ação unilateral dos americanos, assim como uma intervenção somente ao lado dos franceses. A seu ver, os Estados Unidos ficariam então muito identificados com a política colonial francesa aos olhos da opinião pública mundial.

Selou-se assim o destino das tropas francesas em Dien Bien Phu, cuja derrota foi anunciada em Washington, no dia 7 de maio de 1954, pelo secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles:

"Há algumas horas, caiu Dien Bien Phu. Sua resistência de 57 dias entrará na história como um dos maiores atos de heroísmo de todos os tempos. Os franceses e as forças nacionais de defesa impingiram graves perdas ao inimigo. Os soldados franceses provaram que estão dispostos e aptos à luta, mesmo sob as piores condições. O Vietnã provou que tem soldados com a capacidade necessária para defender o seu país."

A queda de Dien Bien Phu marcou não apenas o fim do domínio colonial da França no norte do Vietnã, mas também o começo da retirada francesa de toda a Indochina.

Autoria Michael Kleff (am)


Link permanente http://p.dw.com/p/1JJC

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A revolução que a China quer esquecer


Cinquenta anos atrás começava na China a Revolução Cultural, que colocou o país de cabeça para baixo e causou mais de 1 milhão de mortes. A DW responde a algumas perguntas sobre o conturbado período.

Qual era o objetivo central da Revolução Cultural?

A Revolução Cultural foi uma campanha política lançada em 1966 pelo então chefe do Partido Comunista, Mao Tsé-tung, com o fim de criar "o novo ser humano", o qual, na definição do sinólogo Oskar Weggel, seria aquele "altruísta ser social na sociedade livre de dominação, que desde sempre vagara pelas utopias sobre a humanidade".

Para alcançar essa meta, Mao exigia a destruição dos "Quatro Velhos": velhos pensamentos, velha cultura, velhos costumes e velhos hábitos, a serem substituídos pelas ideias do líder comunista.
Além disso, ele exigia a neutralização de elementos contrarrevolucionários e revisionistas, encarnados por seu adversário político Liu Shaoqi, a quem poucos anos Mao sucedera como presidente da República Popular da China. Nesse sentido, a Revolução Cultural foi também uma luta de poder no núcleo da liderança comunista.

Do ponto de vista econômico, Liu apostava mais fortemente nas forças do mercado – como faria, mais tarde, Deng Xiaoping – e politicamente, na disciplina partidária. Para Mao, em contrapartida, incentivos ao enriquecimento eram coisa do diabo. E os funcionários do partido também compunham a "nova classe exploradora". Consequentemente, a permanente luta de classes seria o único veículo para o progresso social.

Até que ponto a Revolução teve algo a ver com cultura?

No início dos anos 1960, Mao perdera uma parcela considerável de seu poder e deixara Pequim, o centro da liderança, para exercer sua influência a partir de Xangai. Ele não tinha como atacar diretamente o Comitê Central do Partido Comunista, dominado por Liu Shaoqi e seus aliados. Só lhe restava, então, uma ofensiva indireta por meio dos lavradores, operários ou dos colegiais e estudantes.

Liu Shaoqi recebe estudantes de música em 1964. Quatro anos mais tarde, ele seria deposto na Revolução Cultural

O chamado "Grande Salto Adiante" em 1958-61 mostrara as consequências catastróficas de reformas radicais nos setores agrário e industrial, com milhões de mortos. Portanto só sobrava o ataque através da cultura, em particular da literatura e dos jornais.

Depois de Mao e seus aliados prepararem com sucesso o caminho, lançando textos propagandísticos, o golpe decisivo contra a facção de Liu foi dado no "congresso ampliado do politburo", em maio de 1966, e Mao conseguiu excluir grande parte dos adeptos de Liu do círculo interno do poder.

Em seguida, ele declarou combate aos "revisionistas" nos quadros partidários, governo, Exército e setor cultural. Em agosto de 1966, depois de ter jogado para escanteio seus oponentes, retornou a Pequim.

Como transcorreu a Revolução Cultural?

Ela durou de 1966 a 1969, começando com a revolta dos estudantes, que se juntaram às não militares "Guardas Vermelhas", a fim de combater as "quatro relíquias". Na prática, os alvos eram professores escolares e universitários, que foram forçados a prestar "confissões" e tiveram suas residências devastadas.

Templos, pagodes e bibliotecas foram igualmente destruídos. Não era raro supostos revisionistas acabarem diante do pelotão de fuzilamento. Operários e grande parte da população urbana aderiram à revolução, agora com ação intensificada contra os aparatos partidários locais.

Logo o país mergulhou no caos. Nos primeiros meses, bem mais da metade de todos os membros do politburo e do Comitê Central e secretários de província perdeu seus postos. O sistema governamental entrou em colapso. Por fim passaram a travar-se sangrentas brigas de facções dentro das Guardas Vermelhas, com cada grupo convencido de ser o representante da única doutrina salvadora.

Quando a dinâmica da Revolução Cultural saiu totalmente do controle, Mao ativou o Exército de Libertação Popular, sob o comando de seu correligionário Lin Bao. As Forças Armadas tinham permanecido basicamente poupadas do caos, como uma espécie de Estado dentro do Estado.

Em 1968, Liu Shaoqi foi deposto. Os militares haviam assumido o controle em praticamente todo o país. Os membros das guardas que não acatavam a nova ordem ou eram enviados para reeducação no campo, ou sumariamente executados. A pretendida liderança das massas logo se transformou em domínio militar.

Em 1969 iniciou-se a restauração do aparato partidário. Mas o Exército, sob o comando de Lin Bao, não quis abrir mão voluntariamente de seu posto. Com o famigerado "Projeto 571", Lin planejara assassinar Mao. Mas o plano foi desvendado, e o avião de Lin Bao caiu na República da Mongólia, sob circunstâncias até hoje não totalmente esclarecidas.

Apesar da restauração do Partido Comunista, somente em 1976 a calma retornou à China. A assim chamada "Camarilha dos Quatro", também integrada pela esposa de Mao, tentou impor a linha radical contra os novos líderes, Chu En-lai e Deng Xiaoping, mas fracassou definitivamente quando Mao Tsé-tung morreu, em 9 de setembro de 1976. O caos da Revolução Cultural terminava com a morte de seu iniciador.

Mao Tsé-tung (dir.) e Lin Biao no Grande Salão do Povo, 1971

Qual foi a importância do Pequeno livro vermelho?

O verdadeiro título do Livrinho Vermelho ou Bíblia de Mao é Citações do presidente Mao Tsé-tung.
 Trata-se de uma compilação de textos, discursos e aforismos de Mao, reunidos por Lin Bao durante o "Grande Salto Adiante". Ao longo da Revolução Cultural, todo revolucionário convicto devia sempre trazer um exemplar consigo. Os guardas vermelhos costumavam saudar-se com citações do livrinho. Até hoje foram impressas cerca de 1 bilhão de Bíblias de Mao.

O que causou o fracasso da Revolução Cultural?

Desde o início, a Revolução Cultural portava uma contradição não resolvida: Mao queria ser o revolucionário supremo, que derruba todas as hierarquias, e ao mesmo tempo manter o controle total.
Quando essa contradição se alastrou, inclusive nas brigas de facções dentro das Guardas Vermelhas, e os apelos à disciplina falharam, Mao apelou para o Exército, a fim de restaurar a ordem. O sonho do "novo ser humano" foi enterrado, estabelecendo-se, em seu lugar, o "poder dos canos de fuzil".

Por fim voltou a formar-se um partido de quadros, segundo o modelo leninista, com hierarquia e burocracia. Diversos adversários de Mao retomaram o poder após a morte dele, entre eles o secretário-geral do Partido Comunista, Deng Xiaoping, o qual, com reformas agrícolas, conduziu a nação a uma nova era.

Que consequências teve a Revolução Cultural?

Segundo estimativas atuais, entre 1,4 milhão e 1,6 milhão de chineses foram mortos durante a Revolução Cultural, a maioria dos quais provavelmente na trilha das "campanhas de limpeza" do Exército de Libertação Popular, que usou de grande violência na tentativa de restabelecer a ordem no país.

Entre os poucos efeitos positivos da revolução, conta-se a introdução pelo menos de um sistema de saúde rudimentar nas zonas rurais e reformas do ensino para os operários e lavradores.
Como a China avalia oficialmente, hoje, a Revolução Cultural?

Em 1981, Deng Xiaoping condenou a "Camarilha dos Quatro" num processo espetacular, definindo a Revolução Cultural como "grande catástrofe para o Partido e o povo". Segundo a linha partidária atual, Mao estava 30% errado, mas 70% certo. Há muito a China abandonou a noção maoísta de revolução permanente: atualmente o Partido Comunista é marcadamente hierárquico, detém o monopólio do poder no país e tem a estabilidade social como valor prioritário.


25 ANOS DO MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

Deusa da Democracia

Enquanto o sol nasce sobre a Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, em 4 de junho de 1989, manifestantes constroem a "Deusa da Democracia" – uma estátua de dez metros de altura, feita de espuma e papel machê sobre uma armação de metal. Pela manhã, soldados apoiados por tanques e carros blindados derrubam a estátua, posicionada diante do retrato de Mao Tsé-tung na Cidade Proibida.

Opinião: Ocidente ignorou males do maoismo

Diante do enorme número de vítimas, termo "Revolução Cultural" é bastante impróprio. Mesmo assim, ideologia de Mao Tsé-Tung exerceu fascínio enorme na esquerda ocidental, diz editor-chefe da DW, Alexander Kudascheff. (16.05.2016) 

China ignora 50 anos da Revolução Cultural

Há meio século, tinha início em Pequim o período marcado por levantes estudantis e violenta perseguição política. Governo chinês negligencia data histórica e aperta cerco a discussões sobre o evento nas redes sociais. (16.05.2016) 

1969: Fim formal da Revolução Cultural na China

No dia 27 de abril de 1969, seguindo ordens de Mao Tse-tung, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas. Para os dissidentes, anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim. (27.04.2015) 

1976: Morre Mao Tsé-tung

Em 9 em setembro de 1976 morreu Mao Tsé-tung. Fundador do Partido Comunista chinês, ele logo se tornou o seu maior líder. Em 1949 ele proclamou a República Popular da China, da qual foi a autoridade máxima. (09.09.2015) 

25 anos do massacre da Praça da Paz Celestial  

A revolução que a China quer esquecer  

Data 17.05.2016

Autoria Rodion Ebbighausen (av)

Link permanente http://p.dw.com/p/1IpGC

1976: Morre Mao Tsé-tung


Em 9 em setembro de 1976 morreu Mao Tsé-tung. Fundador do Partido Comunista chinês, ele logo se tornou o seu maior líder. Em 1949 ele proclamou a República Popular da China, da qual foi a autoridade máxima.


Mao fundou a República Popular da China em 1949

Milhões de chineses foram às ruas para prestar a última homenagem ao líder revolucionário. Entretanto, desde o primeiro instante, certo alívio se misturava ao luto imposto por Pequim. Afinal de contas, os chineses do século 20 não tinham apenas motivos para agradecer ao patriarca. Ele representou a revolução e a libertação na China, mas também grande sofrimento devido a experiências sociais que terminaram em catástrofe.

Mao Tsé-tung nasceu em 26 de dezembro de 1893, na província de Hunan, no centro da China, filho de uma pobre família de lavradores. Na virada do século, o país estava devastado pela corrupção e diante de um colapso econômico. A situação do último imperador diante das potências coloniais do Ocidente era desesperadora.

Desde cedo, o jovem Mao tinha o desejo de salvar a si, a família e, por fim, o próprio país. Ele jurou para si mesmo que, se um dia chegasse ao poder, reorganizaria tudo para proporcionar às pessoas aquilo a que tinham direito e criaria um novo mundo.

Após 22 anos de guerra civil e da campanha militar contra os agressores japoneses, Mao Tsé-tung e seu Partido Comunista subiram ao poder. O governo corrupto foi expulso em combates sangrentos. Com resistência e disciplina, o Exército de Libertação do Povo, dirigido por Mao, conseguiu suplantar a superioridade militar do Japão e dos Estados Unidos na Guerra da Coreia. E, em 1º de outubro de 1949, a República Popular da China foi finalmente proclamada em Pequim, sob o júbilo das massas.

Contradições da filosofia comunista

Porém, há também outros capítulos sinistros na história da China. Mao desencadeou campanhas que custaram a vida de milhões chineses. Quase dez anos depois da fundação da China comunista, a tentativa de Mao de industrializar a nação com o chamado "Grande Salto Adiante" causou uma das maiores fomes da história e deixou cerca de 30 milhões de mortos.

No ano de 1966, Mao iniciou a Revolução Cultural para tirar do caminho seus adversários dentro do próprio partido. A consequência foi uma década de caos, milhares de mortos e incontáveis famílias destruídas.

Começava uma era de contradições: por um lado, cantava-se a Internacional, que prega não existirem redentores. Por outro, Mao era aclamado como o salvador da pátria. Suas ideias comunistas eram veneradas como graça divina, que substituía tudo o mais: moral, filosofia e política. Na opinião de Zhao Fusan, teólogo chinês, essa ideia fracassou e, com ela, o Partido Comunista, pouco após a morte do líder, em setembro de 1976, quando acabou a Revolução Cultural.

Autoria Shi Ming (av)



Link permanente http://p.dw.com/p/2cd6

China ignora 50 anos da Revolução Cultural


Há meio século, tinha início em Pequim o período marcado por levantes estudantis e violenta perseguição política. Governo chinês negligencia data histórica e aperta cerco a discussões sobre o evento nas redes sociais.


A revolução que a China quer esquecer

Nesta segunda-feira (16/05), a mídia chinesa ignorou em grande parte um importante aniversário na história do país, o de 50 anos da Revolução Cultural. Ao mesmo tempo, as autoridades abafavam discussões nas redes sociais sobre um dos capítulos mais violentos da história recente da China.
Já no fim de semana, os censores apertaram o cerco a menções ao aniversário histórico na internet. Nesta segunda-feira, houve apenas algumas poucas referências ao evento.

A Phoenix TV, uma das poucas emissoras particulares com permissão para operar no território chinês, entrevistou pessoas jovens para conhecer suas opiniões sobre a Revolução Cultural, obtendo respostas como "idealismo" e "confusão".

"Grande salto adiante"

Em 16 de maio de 1966, políticos de alto escalão do Partido Comunista se reuniram em Pequim para banir funcionários que haviam caído em desgraça junto ao então líder Mao Tsé-tung e lançar o que ficaria conhecido como Revolução Cultural.

A cúpula produziu um documento que delineava o novo curso do "Grande salto adiante", tomado pelo Partido. Tal curso englobava a mobilização em massa de cidadãos em coletivos dedicados a uma única indústria ou cultivo, como também um rompimento com os costumes tradicionais chineses por meio da destruição dos chamados Quatros Velhos: velhas ideias, velhos costumes, velhos hábitos e velha cultura.

Catástrofe

Essa política durou uma década, até a morte de Mao, em 1976. Devido às violentas perseguições, à fome e ao deslocamento de jovens bem qualificados para regiões rurais, o período da Revolução Cultural foi classificado posteriormente como uma "catástrofe".

Na sequência de citações do Pequeno livro vermelho de Mao, facções rivais de grupos paramilitares estudantis, conhecidos como Guardas Vermelhos, começaram a lutar entre si em torno da pureza ideológica, criando um clima de tal medo que muitos se recusaram a se opor a eles.

O Partido Comunista reconheceu a natureza desastrosa da Revolução Cultural, mas tentou minimizar o máximo possível a responsabilidade de Mao, cujo retrato em grande formato ainda se encontra pendurado na célebre Praça da Paz Celestial, em Pequim.





Link permanente http://p.dw.com/p/1Ioil

1969: Fim formal da Revolução Cultural na China



No dia 27 de abril de 1969, seguindo ordens de Mao Tse-tung, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas. Para os dissidentes, anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim.

 Mao Zedong Mao Tse-tung China 1960 (Getty Images)

A Revolução Cultural da China nasceu de um estrondoso fracasso do líder Mao Tse-tung. Com a campanha do Grande Salto para a Frente (1958-1960), ele pretendia industrializar a China em tempo recorde e, simultaneamente, construir a sociedade igualitária preconizada pelo comunismo.

Ele obrigou os camponeses a se juntarem em gigantescas comunas agrícolas e instalou siderúrgicas de tecnologia rudimentar por todo o país. Mas o único resultado da campanha foi a desorganização total da economia. Milhões de agricultores morreram de fome.

No dia 27 de abril de 1969, seguindo as ordens de Mao, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas, que levaram a China praticamente à anarquia durante a Revolução Cultural. Oficialmente, o número de mortos durante a Revolução Cultural foi de 34 mil, embora muitos acreditem que, na realidade, houve milhões de vítimas.

Ostracismo e contraofensiva de Mao

O desastre do "grande salto" condenara Mao ao ostracismo. O Partido Comunista Chinês afastou-o da condução dos assuntos internos do país, mas ele continuou comandando a política externa.

Em 16 de maio de 1966, advertiu num documento interno que o PCC estava repleto de revisionistas capazes de, a qualquer momento, instaurar o capitalismo na China. Começava assim sua audaciosa contraofensiva para recuperar prestígio, mergulhando o país na chamada Grande Revolução Cultural Proletária.

A revolução mobilizou os estudantes de Pequim e, em pouco tempo, alastrou-se por toda a China. Principalmente a juventude era estimulada a se rebelar contra o "elitismo, revisionismo e a mentalidade burguesa". As consequências foram dramáticas: filhos denunciavam os pais, estudantes agrediam seus professores e forçavam à suspensão das aulas, chefes torturavam seus subordinados.

Perseguições políticas

Cerca de 20 milhões de colegiais e universitários, liderados por Jiang Qing, a mulher de Mao, formaram as Guardas Vermelhas e iniciaram uma onda de perseguições políticas. Intelectuais e líderes do PCCh foram espancados, presos e, em muitos casos, mortos.

Um dos ilustres perseguidos, por exemplo, foi Deng Xiaoping, o dirigente que, depois de enfrentar o exílio interno, voltou ao poder nos anos 70 e arquitetou a revolução capitalista responsável pelo crescimento atual da economia chinesa.

Paralelamente à perseguição política, o movimento promoveu uma faxina cultural. Os "guardas vermelhos" destruíam templos e outros vestígios do "passado feudal", queimavam livros que não tivessem conteúdo revolucionário. A peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, por exemplo, era considerada incompatível com o sonhado "paraíso proletário". Mao usou a juventude também para levar ao extremo o culto à personalidade, promovendo marchas colossais em sua própria homenagem.
"Dez anos perdidos"

O "Grande Timoneiro", no entanto, logo perdeu o controle do movimento. Seguiram-se dez anos de turbulências que paralisaram o sistema educacional e abateram a economia. "Foram anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim", resume o escritor Ba Jin. Os excessos dos "guardas vermelhos" levaram o exército a intervir, já em 1969, com o apoio de Mao. Era, na prática, o fim da Revolução Cultural.

Hoje, o governo comunista se refere à Grande Revolução Cultural e Proletária como "dez anos perdidos". A principal preocupação de Mao não era salvar a ideologia do proletariado. Sabe-se que ele arquitetou o movimento para se livrar de rivais políticos e consolidar seu poder. Seus maiores rivais eram dirigentes da ala moderada do PCCh, como Deng Xiaoping, que defendiam a "liberalização da economia".

Obcecado pelo poder, Mao eliminou 12 dos 23 membros incômodos no politburo. A Revolução Cultural pareceu um golpe de Estado. No fim, o próprio Mao viu-se obrigado a acabar com o movimento, ordenando a dissolução das Guardas Vermelhas.

A decisão de extingui-las foi aprovada no nono Congresso do Partido Comunista, a 27 de abril de 1969, marcando formalmente o fim da Revolução Cultural. O país, porém, só voltou à normalidade em 1976, com a morte de Mao.

Autoria Oliver Ramme (gh)



Link permanente http://p.dw.com/p/1Irq

terça-feira, 25 de abril de 2017

1974: Revolução dos Cravos em Portugal


Pouco após a meia-noite de 25 de abril de 1974 começou a soar na emissora católica de Lisboa a música até então proibida "Grândola, Vila Morena". Era o sinal combinado para o início do levante militar em Portugal.

 Portugal Lissabon 1974 Nelkenrevolution Soldaten (Imago/Zuma/Keystone)

Antes da revolução, era rara em Portugal a família que não tivesse alguém combatendo nas guerras das colônias na África, o serviço militar durava quatro anos, opiniões contra o regime e contra a guerra eram severamente reprimidas pela censura e pela polícia.

Antes de abril de 1974, os partidos e movimentos políticos estavam proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os líderes oposicionistas estavam exilados, os sindicatos eram fortemente controlados, a greve era proibida, as demissões fáceis e a vida cultural estritamente vigiada.

A liberdade em Portugal começou com a transmissão, pelo rádio, de uma música até então proibida. Os cravos enfiados pela população nas espingardas dos soldados acabaram virando o símbolo da revolução, que encerrou, ao mesmo tempo, 48 anos de ditadura fascista e 13 anos de guerra nas colônias africanas.

Em apenas algumas horas, as Forças Armadas ocuparam locais estratégicos em todo o país. Ao clarear, multidões já cercavam as emissoras de rádio à espera de notícias. A operação, calculada minuciosamente, havia pego o regime de surpresa. Acuado pelo povo e pelos militares, o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, transmitiu sua renúncia por telefone ao líder dos golpistas, general António de Spínola.

Transportado de tanque ao aeroporto de Lisboa, Caetano embarcou para o exílio no Brasil. Em quase 18 horas, havia sido derrubada a mais antiga ditadura fascista no mundo.

Não houve acerto de contas

Artistas, políticos e desertores começaram a retornar do exílio. As colônias receberam a independência. A caça às bruxas aos responsáveis pela ditadura acabou não acontecendo, e as dívidas do governo anterior foram todas pagas. Os únicos a oferecer resistência foram os agentes da polícia política. Três pessoas morreram no conflito pela tomada de seu quartel-general.

Ao voltar do exílio em Paris, Mário Soares, o dissidente mais popular do governo Salazar, foi recebido por milhares de pessoas na estação ferroviária de Lisboa. Cravos vermelhos foram jogados de helicóptero sobre a cidade e só se ouvia a famosa canção Grândola, vila morena, que já havia se tornado o hino da revolução.

Em 1974, Portugal era um país atrasado, isolado na comunidade internacional, embora fizesse parte da ONU e da Otan. Era o último país europeu a manter colônias e vinha travando uma longa guerra contra a independência de Angola, Moçambique e Guiné. O regime de Salazar, iniciado em 1926, havia conseguido manter-se através da repressão e fora tolerado pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial.
Golpe militar vira festa revolucionária
Em 1º de maio, a esquerda, fortemente engajada, mostrou sua força em Lisboa, enquanto trabalhadores rurais do Alentejo expulsavam latifundiários e banqueiros eram desapropriados.
A esquerda europeia viu em Lisboa um palco ideal para os movimentos frustrados de 68. A pacata e católica população portuguesa, por seu lado, sentiu-se ignorada e, a partir do norte conservador, iniciou um movimento contra os extremistas.
Em 1975, aconteceu a dupla tentativa de golpe, da esquerda e da direita, contra o governo socialista, levando Portugal à beira da guerra civil. A ala militar extremista de esquerda obteve o domínio da situação em novembro de 1975. Após as eleições do ano seguinte, o general António Ramalho Eanes foi eleito presidente.

O Partido Socialista, com Mário Soares, assumiu um governo minoritário. A crise econômica o levou a sua renúncia em 1978. Entre 1979 e 1980, o país teve cinco primeiros-ministros. Em 1985, o governo foi assumido por Aníbal Cavaco Silva e Mário Soares tornou-se presidente no ano seguinte. Em 1986, Portugal ingressou na então Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia.

Autoria Barbara Fischer (rw)



Link permanente http://p.dw.com/p/27VK

domingo, 23 de abril de 2017

como não havia um discurso organizado da direita...

*como não havia um discurso organizado da direita...
tenho a impressão de que ela não foca nunca na política a não ser que se sinta lucrativamente falando... ameaçada...
e isso no Brasil é complicado porque em geral ela não é democrática... e tende mais à extrema direita que ao centro...
então... ela (a direita à direita) cria categorias em abstrato "todo mundo é corrupto"...
e fica num discurso meio blasè... meio
à deriva...
e só se manifesta de forma estridente... quando sente que o seu status-quo é ameaçado...
e por falta de discurso, também investe contra a ameaça ao comunismo -- morto é sepultado -- e incinera um discurso odiento e cheio de nojo (totalmente preconceituoso e anti-popular e mais nada...
e começa a pedir a morte e a lutar pela morte... da democracia... desde que ela não esteja identificada com os anseios das camadas populares...

Theresa Lessa

753 a.C.: Fundação de Roma


Não está definitivamente provado, mas supõe-se que a cidade de Roma tenha sido criada no dia 21 de abril de 753 antes de Cristo.


A resposta mitológica à criação de Roma surgiu quando a cidade já havia virado império mundial. Conta a lenda que Eneias, filho do rei de Troia e da deusa Vênus, fugiu de sua cidade durante uma batalha. Acompanhado de alguns homens, seguiu para a península itálica, onde seu filho Ascânio iniciou um povoamento chamado Alba Longa. Dois descendentes de Eneias – Numitor e Amúlio – apareceriam mais tarde em relatos sobre a criação de Roma.

A lenda continua: ao morrer, Sílvio Procas, duodécimo rei de Alba Longa, teria deixado dois filhos. O mais moço, Amúlio, apoderou-se do trono, preterindo Numitor, seu irmão mais velho. Para garantir o reinado de seus descendentes, matou Lauso, filho de Numitor e obrigou sua sobrinha, Reia Sílvia, a jurar castidade. Contudo, Marte, o deus da guerra, tornou Reia Sílvia mãe dos gêmeos Rômulo e Remo.

Quando Amúlio soube disso, condenou Reia Sílvia à morte e ordenou que os dois recém-nascidos fossem lançados numa cesta ao rio Tibre. Arrastadas pela correnteza, as crianças teriam sido encontradas na base do monte Palatino por uma loba, que passou a amamentá-los. Nos rastros da loba, pastores da vizinhança encontraram os gêmeos e se encarregaram de criá-los.

Remo foi morto por Rômulo

Mais tarde, Rômulo e Remo foram levados à presença do solitário Numitor, que reconheceu seus netos e lhes contou a desonra. Num ato de vingança, eles tomaram o palácio de Alba Longa, mataram o rei Amúlio e coroaram novamente o avô Numitor. Em sinal de gratidão, receberam a autorização para fundar uma cidade no local em que haviam sido abandonados.

Por vontade dos deuses, o povoado, logo cercado de muralhas, foi batizado Roma. Remo zombou do fosso de defesa aberto ao longo da muralha e foi morto pelo furioso Rômulo. Ambicioso em seus projetos, este começou a povoar a cidade com pastores, bandidos, escravos fugitivos e aventureiros.

Roma é um nome etrusco

Pelos cálculos do historiador romano Marcos Terêncio Varro (116 a.C. - 27 a.C.), levando em conta a lenda de Rômulo e Remo e a mitologia grega, 753 a.C. foi o ano da fundação de Roma. Alguns arqueólogos estimam, porém, que a cidade foi fundada no ano 600 a.C. Não se descarta também a hipótese de que Roma resultou da fusão de pequenos povoados latinos e sabinos do Palatino.

Certo é que o nome "Roma" veio dos etruscos, um povo de origem desconhecida que desapareceu na história, deixando rastros enigmáticos de sua cultura, religião e legislação no Império Romano. Os arqueólogos também encontraram marcas dos etruscos nas técnicas de urbanismo e canalização.

Pouco a pouco, os romanos conseguiram se livrar do domínio etrusco, expandindo sua influência na África, Europa Central e Ocidental, Grécia e Ásia Menor. Em 509 a.C., a monarquia foi derrubada e instaurou-se a República. De 200 a.C. até o ano 476, Roma atravessou seis séculos de contínua expansão territorial, formando um império ainda mais vasto do que o de Alexandre, o Grande.

Tomada pelos germanos, em 476, Roma entrou para a história como símbolo de poder e civilização, de tragédia e glória – a "cidade eterna". Ainda hoje, qualquer escavação ou simples canteiro de obras revela novos detalhes do passado da cidade.

Autoria Jens Teschke (gh)


Link permanente http://p.dw.com/p/1IoE

sábado, 22 de abril de 2017

1945: A tomada de Berlim


INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL: 

Brecht foge da Alemanha1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária1933: UFA demitia funcionários judeus1933: Grande queima de livros pelos nazistas1933: DVP e DNVP se dissolvem1933: Hitler controlava a imprensa falada1933: Alemanha deixa a Liga das Nações1934: Hitler manda executar Ernst Röhm1934: Nazistas assassinam ditador da Áustria1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma1936: Thomas Mann é expatriado1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão1939: Eslováquia torna-se independente1939: Alemanha invade a Polônia1939: Programa nazista de extermínio1939: Soviéticos invadem a Polônia1939: Primeiro atentado contra Hitler1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental1940: Armistício de Compiègne1940: Estreia do filme "O judeu Süss"1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios1941: Selada aliança entre Londres e Moscou1941: EUA decidem construir a bomba atômica1941: Aberto o campo de concentração de Theresienstadt1942: Começa a Conferência de Wannsee, que consolidou o Holocausto1942: Genocídio dos judeus poloneses1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein1942: Anne Frank inicia seu diário1942: Batalha de Tobruk1942: Panfletos da resistência antinazista "Rosa Branca"1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka1942: Fracassa primeiro desembarque na Normandia1942: Tropas alemãs invadem o sul da França1943: Goebbels declara guerra total

Em 22 de abril de 1945, o Exército soviético começa a ofensiva final contra Berlim. A Alemanha havia sido cercada pelos soviéticos a partir do Leste e pelos norte-americanos e britânicos, pelo Oeste.



Soldado russo no Reichstag

"Há alguns dias, ouvíamos os tiros ao longe. Por isso, nos preparamos para qualquer eventualidade. Meu pai montou uma caixa para guardar mantimentos. Todas as garrafas foram enchidas com água fervida e guardadas no porão". Assim descreveu Renate Scholz, então com 9 anos, os últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Todas as noites, ela passou no abrigo antiaéreo, levando a pasta da escola, a boneca preferida, sapatos de couro e borracha, dois sobretudos e roupa íntima.

Sua irmã, Helga, de 13 anos, descreveu assim a semana de combates por Berlim: "Era domingo, estávamos almoçando, quando ouvimos um barulho ensurdecedor. O ruído tornou-se cada vez mais forte. Sentia-se a terra ser atraída por uma força monstruosa. Em seguida, o estrondo violento de uma explosão estilhaçou os vidros das janelas e não se podia ver mais nada, de tanto pó. Minha irmã procurou proteção junto à mãe. De medo, eu me escondi debaixo da mesa. Quando a poeira baixou, vimos que uma bomba atingira a casa vizinha. Enquanto meus pais pregavam as janelas, nós tratamos de ir para o porão."

Caos na capital alemã

Esta foi a rotina dos últimos dias da guerra na capital do Deutsche Reich, Berlim. As pessoas passavam a maior parte do tempo nos abrigos antiaéreos. Todas as noites, repetiam-se os bombardeios, que incendiavam casas e edifícios, destruindo tudo. As estradas estavam repletas de escombros, que eram então usados para construir barreiras antitanques. As crianças estavam dispensadas das aulas. Em Berlim, reinava o caos.

Renate e Helga lembram-se ainda hoje desses dias terríveis. A única alegria era ver que a casa em que moravam ainda continuava de pé, embora as janelas estivessem pregadas. As rádios controladas pelo regime continuavam martelando a propaganda nazista, mesmo quando muitos alemães não acreditavam mais em Hitler. Noticiavam que o próprio "Führer" encabeçava a defesa da capital e que "este fato em si já dava um caráter único à luta por Berlim".

O cerco final

As duas irmãs contam a alegria com que receberam do pai a notícia de que a guerra havia acabado e que Hitler estava morto. Embora não tivessem ideia do que significava o fim da guerra, desejavam simplesmente que "tudo melhorasse", dizem as duas. Renate Scholz conta que, aos poucos, voltou a ter esperança. Até o medo dos soviéticos, que era onipresente, sumiu. Alguns dias mais tarde, soldados da União Soviética vieram morar na rua de Helga e Renate.

O cerco final aos nazistas havia começado a 6 de junho de 1944 – no chamado "Dia D" –, quando 55 mil soldados norte-americanos, britânicos e canadenses desembarcaram nas praias da Normandia, nordeste da França, na maior operação aeronaval da história. Hitler deu prosseguimento aos combates, mesmo quando os aliados cruzaram a fronteira alemã anterior à guerra, no dia 12 de setembro. O ditador manteve-se irredutível até perder Berlim, onde se suicidou no dia 30 de abril de 1945. No dia 7 de maio seguinte, a Alemanha se rendeu incondicionalmente.

Autoria Gábor Haláz (gh)

Link permanente http://p.dw.com/p/3MLR