quinta-feira, 24 de maio de 2018

"O problema da paz é um problema de fundo: a paz é o bem absoluto , a condição necessária para a efetivação de todos os outros valores ."

Norberto Bobbio. Em autobiografia



quarta-feira, 23 de maio de 2018

ERRO


De Machado de Assis,



Erro é teu. Amei-te um dia
Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Nem foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo,
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo,
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés,
É que, como obra de um dia,
Passou-me essa fantasia.

Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras.
Tuas frívolas quimeras,
Teu vão amor de ti mesma,
Essa pêndula gelada
Que chamavas coração,
Eram bem fracos liames
Para que a alma enamorada
Me conseguissem prender;
Foram baldados tentames,
Saiu contra ti o azar,
E embora pouca, perdeste
A glória de me arrastar
Ao teu carro... Vãs quimeras!
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras...


Entre u'a novela e outra.Pausa para o comercial telejornal.no mercado do entretenimento a noticia é show.mercadoria embalada a ouro de tolos alimentando de pedras de luz a angustia de mergulhar no vazio;alugando o tempo à névoa densa da ideologia onde a reflexão não encontra os próprios pés e segue informa(ta)da,fidelizada manada de consumidores tocada pelos apelos do carisma do olho luminoso da tele-visão, do galã e da mocinha.O IBOPE atesta a audiência da hipnótica força do dogma do verossímil travestido de verdade, na máscara do sorriso fácil ou da calculada expressão de seriedade .Seguimos contudo a desligar a caixa de ilusões e procuramos aquela edição do Hommo Videns de Giuseppe Sartori e caímos a larga na Sociedade do espetáculo mais uma vez .
Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, 22 de maio de 2018

EUA-COREIA DO NORTE



Helio Fernandes
Toda a realidade pode ser resumida em tres palavras. Desencontro, quando o ditador se apresentou ao mundo, como potencia nuclear, praticamente no ultimo estagio. Voltado diretamente contra os EUA, que respondeu com a mesma violencia. Por exemplo:" A Coreia do Norte vai desaparecer do mapa, se continuar". Mas ela continuou.

O mundo ficou assombrado com o progresso nuclear da Coreia do Norte, pois este era um dos paises mais pobres do mundo. Dois terços da população morrem de fome. O estágio nuclear que ela atingiu, é o mais caro do mundo. A suposição era de ajuda da China, que negou terminantemente.

A segunda palavra, também inesperada é encontro. Aproveitando a Olimpiada de Inverno da Coreia do Sul, o ditador da Coreia do Norte, fez um movimento vibrante de reaproximação. Desse movimento, surgiu a idéia do encontro com Trump, que o aceitou imediatamente. Parecia tudo contornado, o encontro marcado para Cingapura para 12 de junho.

Como sempre, inesperadamente, ressurge a primeira palavra desencontro. As duas Coreias tinham um encontro importante para ontem, quarta feira, que ineperadamente foi desmarcado por Kim Jong-un. A impressão geral dos mais diversos analista, que o encontro de 12 de junho está ameaçado e pode até ser suprimido.

Também surpreendentemente, Trump reagiu civilizadamente, o que não é normal dele, e está esperando a confirmaçao do encontro. E o mundo inteiro, dependendo desse acerto Kim Jong-un e Trump se realize ou seja desmarcado.

Já que estamos falando de politica internacional, examinemos rapidamente a decisão da insignificante Guatemala. Inaugurou ontem a sua Embaixada em Jeruzalem. Nenhuma importancia, apenas a subserviencia do país, à potência Estados Unidos.


DOLAR AMERICANO, MOEDA OFICIAL DE TROCA NO MUNDO, DESDE 1942



Helio Fernandes

Estão todos preocupados com a devastadora alta do dolar. E não apenas os emergentes, até mesmo paises de economia consolidada e que poderiam resistir, não fosse a traição ao mundo, perpetrada em Bretton Woodes (EUA)em 1942 .Estavamos no meio da Segunda Guerra mundial, caminhando francamente para a vitoria dos aliados.(EUA,Grâ Bretanha, União Sovietica).

Em 1943, em Estalingrado, os exercitos vermelhos destruiram, demoliram ou aprisionaram as famosa"Bunder Diviiones", começava o fim da convicção do Reich dos mil anos. Não sobrou nada no leste europeu.

No centro da Europa, a maior invasão do seculo, chamada de "Segunda frente". No final desse1943, inicio de 1944, as tropas comandadas pelo general Eisenhower(presiidente em 1952), terminavam a destruição consumada no leste em 1943.A guerra terminaria com a ocupação de Berlim em 8 de maio de 1945.

Mas para os EUA, isso é o que lutavam para que acontecesse. Desde 1942, cuidavam da parte economica e financeira. Na reunião de Bretton Woods, o grande objetivo era implantar a moeda que seria a base de todas as transações financeiras. 38 paises foram convidados, inclusive o Brasil, que enviou o jovem diplomata Roberto Campos, que fez carreira como "americanofilo".A Inglaterra mandou seu maior economista, que levava o nome da nova moeda, que ae chamaria Bancor.

Mas os EUA tinham seus proprios planos: fazer do dolar a moeda oficial de troca. Conseguiu e até hoje o dolar é uma potencia, construtiva e destrutiva.Contou com apoio de Churchill, quando Roosevelt lhe disse, que sem isso " seria dificil conter a União Sovietica". OS EUA ficaram com esse dolar sem lastro e falsificado, que foi a base do famoso Plano Marshall, o general quu comandou a guerra, e de quem Eisenhower foi assistente.

PS- A primeira remessa de dolares falsos que chegou á Europa, foi de 250 BILHÔES.
PS2- As remesas foram chegando, financiaram até a GUERRA FRIA.

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A MAIOR INCOGNITA DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DA REPUBLICA



HelioFernandes
Impossivel qualquer comentario não arriscado e improvavel para a eleição de outubro.Como analisar um quadro eleitoral que tem a participação de Temer e Meirelles e a ausencia de Lula? Por enquanto, qualquer analie sairá da fusão desses fatos,presença e ausencia.
No momento, ascenção em numeros, apenas de Ciro e Marina, para o segundo turno.
Outra disputa acirrada de Alckmin e Bolsonaro, pelo terceiro turno, mas eles não estão sozinhos.

Diante de tanta incerteza, a segunda frustração consequente de FHC.Conforme informei na epoca, ele e Aecio tinham um acordo.Eleito presidente, Aecio nomearia FHC embaixador na ONU.FHC estava com 83 anos, o que não invalidaria a nomeação.
Agora com 87, FHC esperava fechar o mesmo acordo com o ex-governador de SP.

A idade continua não sendo impecilho e sim a fragilidade eleitoral do parceiro.
PS- Em 2022, o proprio FHC deverá reconhecer, que com 91 anos,é exagero.


A REVIRAVOLTA DA MONARQUIA INGLESA



Helio Fernandes
Trocou a tradição pela realidade verdadeira e a popularidade. E o mundo reagiu com alegria, satisfação, vibração, aplauso. Segundo dados oficiais, 750 milhões de pessoas acompanharam o casamento. Como o planeta está chegando a 7 bilhões e 200 milhões de habitantes, significa que 12% da população do mundo assistiu o casamento. Foi a sensação e a atração do sábado.
A Inglaterra inteira se curvou á decisão de fazer todas as concessões, nenhuma intransigência negativa. Para mim que acompanhei tudo, dois pontos precisam ser ressalvados, os dois em Windsor. Primeiro, a indescritível beleza da igreja, onde já se realizaram 15 casamentos Reais. Acredito que nenhum igual ao de sábado, com a emoção e o sentido de renovação.
Depois, 40 minutos nas ruas, povo e nobreza confraternizando lindamente. Mais tarde, só o almoço.
PS- Não haverá "lua de mel" agora. Marcada uma festa familiar, não podem faltar. Precisam esperar 30 dias.

O futebol é o cano de escape de uma população como a nossa!


O futebol é o cano de escape de uma população como a nossa! A sua futilidade é mais importante que a austeridade política que não geram mudanças. O futebol é poesia de entonação popular e os poetas do futebol se vangloriam de entoar seus cânticos aos ventos. Talvez nenhuma outra instituição social seja mais hegemônica, mais orgânica, mais sensível aos olhos dos outros, que o futebol, não é simplesmente um jogo, é uma linguagem universal!
Segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano,
"É raro o torcedor que diz: “Meu time joga hoje”. Sempre diz: “Nós jogamos hoje”. Este jogador número doze sabe muito bem que é ele quem sopra os ventos de fervor que empurram a bola quando ela dorme, do mesmo jeito que os outros onze jogadores sabem que jogar sem torcida é como dançar sem música".
A todos nós, que vemos o futebol com o olhar romântico do torcedor, onde o plural é nossa maior identidade!


Luiz Demétrio Janz Laibida

terça-feira, 15 de maio de 2018

Pensar o governo do Paraná como um comitê executivo da burguesia seria muito sofisticado


Pensar o governo do Paraná como um comitê executivo da burguesia seria muito sofisticado e moderno para o que existe. Trata-se mais de um comitê eleitoral da família governamental de plantão à espera do próximo pleito. Muitos associam o atual festival de denúncias e gravações contra o ex-governador como uma movimentação do primeiro-cavalheiro, ou primeiro-damo, exigindo para si e sua família a cobiçada vaga de senador antes supostamente destinada ao anterior. A lei férrea do nepotismo indica que somente uma única família ocupa integralmente o executivo a cada vez e reina sozinha, sem consortes ou nepotes anteriores.

Ricardo Costa de Oliveira

Como você conseguiu o seu primeiro emprego ? Quem o indicou (QI)?


A tarefa da sociologia em desconstruir a ideologia ingênua da meritocracia e revelar conexões familiares e interesses de classe sempre desmascara e desoculta as ideologias oficiais dos poderosos de plantão. Sérgio Moro foi indicado pelo ex-reitor da Universidade de Maringá, Neumar Adélio Godoy, para um dos primeiros empregos em escritório de advocacia de direito tributário com Irivaldo de Souza, um dos principais na região de Maringá e bastante envolvido com a política local. Neumar Godoy já apresentava conexões familiares e pessoais com os pais de Sérgio Moro, Dalton e Odete, de acordo com várias fontes. Neumar Godoy pode ter sido considerado um reitor no campo da direita e mesmo no autoritarismo do final da ditadura. Em 1981 ocorreu um episódio afastando universitários do DCE e o Deputado Federal, Heitor Furtado, solicitou a destituição do reitor da UEM. Neumar Godoy também foi posteriormente secretário municipal de Sílvio Barros o II. Muitas famílias do poder político, no legislativo e no judiciário, sempre tentam ocultar decisivas conexões profissionais e mesmo formas de nepotismos e indicações políticas, sob a ideologia da meritocracia e de “pretensas origens simples e muito trabalho”, mecanismos que os poderosos usam e abusam e que os periféricos e subalternos não conseguem acesso quando procuram empregos e cargos. O livro clássico do sociólogo Mark Granovetter - Getting A Job: A Study of Contacts and Careers já demonstra que para se obter um “bom” emprego não basta o que um candidato conhece, mas quem o candidato conhece ! O famoso network ou QI !



Ricardo Costa de Oliveira

grande anarquia e descontrole nas áreas da segurança e militar.


Uma das consequências mais nefastas para o Brasil com o golpe é a grande anarquia e descontrole nas áreas da segurança e militar. O gesto de delegado da polícia federal, candidato de um partido político derrotado nas últimas eleições, ao querer destruir os equipamentos de som de manifestação e cometer um crime na frente da mesma polícia, sem advertência e prisão em flagrante, revela o pior momento das forças de segurança desde o final da ditadura, quando a péssima imagem das instituições desmoralizava totalmente seus ocupantes. No mesmo dia uma revista sensacionalista e de fake news apresentava supostas informações de dentro da prisão política de Lula na mesma polícia federal. A revista veja foi desmentida em nota oficial e como sempre não acontecem consequências destes atos ilegais e mentirosos. Um general da ativa que comenta medidas políticas do STF no twitter se afasta do regimento disciplinar e da Constituição. Militares de pijama radicais de extrema direita, sem maior cultura e sem votos, também não ajudam na imagem democrática do setor. Como o crime é o social pela culatra, a grave crise social depois de dois anos de desgoverno golpista mais uma vez revelou um grande número de policiais mortos na semana. No Rio de Janeiro, ainda sob intervenção federal militar fracassada, o assassinato de um capitão da pm foi o 40° do ano, com o fechamento de várias vias e linhas de transporte, com várias outras mortes sucedendo na Cidade de Deus. No Brasil inteiro o número de policiais mortos cresce assustadoramente e o de civis também, como em Belém do Pará, com dezenas de chacinados nas periferias. A grave crise social e a grave crise na segurança pública só serão revertidas com o restabelecimento da plena legitimidade e autoridade democráticas e pelo respeito das hierarquias legais derivadas somente do poder soberano do voto emanado diretamente do povo brasileiro. Fora isso só piora.

Ricardo Costa de Oliveira

1942: Genocídio dos judeus poloneses



No dia 17 de março de 1942, começou a Operação Reinhard, que levou ao assassinato de mais de 2 milhões de judeus.



O projeto de genocídio foi comandado pelo líder da SS e chefe da polícia de Liubliana, Odilo Globocnik. Tanto ele como o seu grande número de colaboradores eram austríacos. Nos três grandes centros de aniquilamento com câmaras de gás (Belzec, Sobibor e Treblinka), foram executados mais de 1,5 milhão de judeus e 50 mil ciganos entre março de 1942 e novembro de 1943. Ao todo, a operação levou à morte de mais de 2 milhões de judeus.

Os preparativos para a operação já haviam começado no final do ano de 1941, mas somente em meados de 1942 ela recebeu o nome de Reinhard Heydrich, que morreu num atentado em junho deste ano. Seu objetivo: o genocídio sistemático dos judeus poloneses e o confisco de seus bens.

Construção de campos de extermínio

O general Himmler havia encarregado Globocnik e outros cem homens de implementarem a operação (o grupo já havia participado das mortes por eutanásia na Alemanha nazista). No âmbito da operação, foram construídos três campos de extermínio: Belzec, Sobibor e Treblinka. A cada dia, os campos de extermínio recebiam um trem com 60 vagões lotados de passageiros destinados às câmaras de gás.

Os alemães abusavam da brutalidade: idosos, doentes e crianças geralmente já eram executados a tiros diretamente nos guetos. Os judeus iam direto para as câmaras da morte. Os três campos usavam monóxido de carbono, que matava em 20 minutos. Da chegada do trem até a completa remoção dos cadáveres, demorava de 60 a 90 minutos.

Os corpos eram depositados em enormes valas. Somente um ano depois, quando começaram a ser removidos os vestígios dos assassinatos, é que os cadáveres foram exumados e queimados. A Operação Reinhard foi encerrada em novembro de 1943, com um saldo de mais de 2 milhões de judeus mortos.

Autoria Rachel Gessat (rw)

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1916: Ministro da Guerra ordena censo entre judeus no Exército alemão



No dia 11 de outubro de 1916, o ministro alemão da Guerra ordenou um censo entre judeus nas Forças Armadas, para comprovar se eles combatiam na frente de batalha ou se utilizavam suas influências para escapar do combate.


"Que significa essa besteira? Querem nos degradar para soldados de segunda categoria, nos ridicularizar perante todo o Exército? E isso quando arriscamos a vida pelo nosso país."

O que provocara a indignação do terceiro sargento Julius Marx, em outubro de 1916, foi uma determinação do Ministério da Guerra. A ordem intitulava-se, em linguagem burocrática: "Constatação dos judeus que prestam serviço militar obrigatório no Exército".

Pressão lobista

Oficialmente, o cadastramento serviria para "investigar as queixas apresentadas com frequência ao Ministério da Guerra sobre o tratamento privilegiado dado aos judeus na liberação do serviço militar obrigatório, e para poder combater eventualmente tais ocorrências". Na realidade, o Ministério da Guerra cedera à pressão de um lobby poderoso, e aos próprios preconceitos antissemitas.

No início da guerra, tudo parecia indicar que o entusiasmo nacionalista, que tomara conta de todas as camadas sociais e partidos, levaria a uma união do povo. As tensões políticas internas foram esquecidas, o SPD (Partido Social Democrata) abandonou sua ideologia internacionalista em favor da paz interna, e também as organizações judaicas conclamaram seus membros a "pôr suas forças à disposição da pátria, acima da medida obrigatória".

Foram exatamente os social-democratas e os alemães de fé judaica a se alistarem voluntariamente em grande número no Exército, para provar seu patriotismo. Muitos judeus esperavam ser reconhecidos finalmente como cidadãos emancipados da Alemanha imperial, através de seu engajamento militar.

Breve ilusão igualitária

Tais esperanças pareciam de fato justificadas, pois pela primeira vez os judeus não eram mais ignorados nas promoções internas do Exército. Antes, seria impensável que um alemão de crença judaica pudesse tornar-se oficial – um amargo rebaixamento num país tão marcado pela vida militar, como era a Alemanha imperial.

Mas este tratamento justo e igualitário foi diminuindo, à medida que a guerra perdurava. Os velhos sentimentos e preconceitos antissemitas iam ressurgindo, quanto maior eram as tensões nas frentes de batalha e no país.

A partir de 1915, uma das mais radicais organizações antissemitas alemãs, a Reichshammerbund, passou juntamente com outras associações radicais de direita a conclamar o Ministério da Guerra a "acabar com a negligência dos judeus".

Esperanças destruídas

Os antissemitas espalhavam que os judeus aproveitavam os seus relacionamentos e a sua riqueza para conseguir postos intermediários sem risco pessoal. Através de postos importantes na economia de guerra do Império, eles se enriqueceriam às custas da miséria do povo.

Em vez de ignorar tais disparates ou de combatê-los, a liderança do Exército acabou ordenando uma "contagem dos judeus", pois também o corpo de oficiais alemães sempre fora extremamente antissemita.

A instrução de 11 de outubro de 1916 deixou claro que as esperanças de igualdade de direitos tinham sido vãs. Exatamente os muitos judeus com grande sentimento nacionalista foram profundamente atingidos em sua honra.

Deprimido, o escritor Jakob Wassermann escreveu: "É inútil viver para eles e morrer por eles. Eles dirão: ele é um judeu".

Resultados acabaram não publicados

Walther Rathenau, chefe da empresa AEG e a quem fora confiada a direção do departamento de matérias-primas bélicas no início da guerra, renunciou resignado ao cargo: "Quanto mais judeus morrerem nesta guerra, tanto mais os seus adversários tentarão provar que eles ficaram atrás das frentes de batalha, a fim de beneficiar-se da usura na economia de guerra".

As organizações judaicas na Alemanha protestaram em vão "contra as determinações excepcionais para os judeus, que rebaixam e humilham a disposição de sacrifício dos nossos irmãos de fé nos campos de batalha e no país".

O Ministério da Guerra acabou não publicando os resultados do cadastramento discriminador. Com toda razão, do seu ponto de vista. Pois, como revelou a análise dos dados coletados, os alemães de crença judaica comportaram-se exatamente da mesma maneira como os seus concidadãos cristãos.

Mas a mera realização do cadastramento – aliada ao fato de a liderança do Exército não ter desmentido as difamações, embora dispusesse até mesmo de material estatístico para tal – acabou reforçando as mentiras antissemíticas.

Autoria Rachel Gessat (am)

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terça-feira, 8 de maio de 2018

1943: "Três Grandes" reúnem-se em Teerã


Stalin, Roosevelt e Churchill



Churchill e Roosevelt encontram-se com Stalin em 28 de novembro, no Irã. É combinada uma coordenação dos ataques soviéticos à Alemanha nazista com o iminente desembarque dos aliados na Normandia.




O primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, e o presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, já haviam se encontrado no Cairo para falar sobre a Segunda Guerra Mundial e fazer planos para o futuro da Europa, da Turquia e do Extremo Oriente.

Antes de tentarem em vão a adesão da Turquia à aliança ocidental contra a Alemanha nazista e de nomearem Dwight D. Eisenhower como comandante supremo da iminente invasão da Normandia, os dois deixaram a cidade às margens do Nilo e viajaram para Teerã. Lá, em 28 de novembro de 1943, eles haviam marcado um encontro de três dias com o presidente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Josef Stalin.

Novo papel para URSS no pós-guerra

Churchill foi ao encontro do líder comunista com desconfiança, mas Roosevelt estava convencido de que eles teriam de se arranjar de alguma maneira com a URSS e que esse país teria um papel importante na Europa e no mundo do pós-guerra. E isso deveria ocorrer no contexto de uma nova organização mundial, ambicionada por Roosevelt e muitos americanos, e destinada a assumir as tarefas da comunidade internacional fracassada. Sem os soviéticos, tal organização seria ineficaz.

Norte-americanos e britânicos já estavam tentando há tempos deter as invasões alemãs. Roosevelt tinha consciência de que um futuro pacífico depois da guerra dependeria decisivamente das relações com a URSS.

Para Washington e Londres, esse futuro já estava traçado na mensagem de Roosevelt ao Congresso em 1941, na qual ele se referiu especialmente a quatro liberdades: de opinião, de religião, do medo e da miséria. As duas potências ocidentais declararam essas liberdades como metas de guerra em seu acordo conhecido como Carta do Atlântico, e acrescentaram o direito à autodeterminação e a rejeição de conquistas territoriais por meio de guerras.

Do ponto de vista de Roosevelt, o que fosse acertado entre os dois aliados atlânticos deveria servir de base para um tratado com a URSS e a China, pois só as quatro nações juntas poderiam assumir a responsabilidade de preservar a paz no mundo.

Stalin esconde seus planos

Numa retrospectiva histórica, constata-se que essa era uma visão fantástica, idealista. Churchill e Roosevelt encontraram em Teerã um Stalin cordial. O chefe do Kremlin não tinha abandonado sua ideia de vitória do comunismo, mas sabia que seu país precisava do apoio do Ocidente. A União Soviética tinha de suportar o maior fardo da guerra, e para Stalin estava claro que isso afetaria também seu sonho de expansão do comunismo.

Em Teerã, combinou-se, em primeiro lugar, que Moscou deveria coordenar seus ataques contra a Alemanha com o iminente desembarque planejado pelos aliados ocidentais na Normandia. Mas Stalin também pôde fazer algumas exigências, indicando o que se confirmaria depois no decorrer da Guerra: ele reivindicou a Prússia Oriental e as fronteiras que foram asseguradas à União Soviética nos acordos com Berlim e Helsinque, em 1939 e 1940.

A ideia de uma organização não foi detalhada em Teerã. Nem houve acordo sobre o futuro da Polônia e, no que se referia ao Irã, a declaração conclusiva do encontro dos "Três Grandes" dizia que o país, parcialmente ocupado, receberia sua independência de volta depois da Grande Guerra.

Há muito, Stalin vinha fazendo planos para a divisão da Europa e a ampliação das fronteiras da URSS. Entretanto, ele não revelou seus planos militares aos parceiros ocidentais. O líder soviético mostrou-se, ao mesmo tempo, muito insatisfeito com o projeto de transformar a Alemanha e uma série de outros Estados da Europa Central e do Leste Europeu em nações agrícolas. Stalin viu no plano uma tentativa do Ocidente de frear a expansão soviética e, em vez disso, defendeu uma balcanização do Leste Europeu e um enfraquecimento da França e da Itália.

Data 28.11.2016
Autoria Peter Philipp (ef)

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1945: Capitulação da Alemanha



Em 8 de maio de 1945, o Alto Comando da Wehrmacht assina em Berlim a capitulação incondicional do Terceiro Reich ante as forças aliadas. Era o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, cinco anos e meio após seu início.



Ao fim da guerra, Berlim e todas as grandes cidades alemãs haviam se transformado em ruínas

"Nós, abaixo-assinados, que negociamos em nome do Alto Comando alemão, declaramos a capitulação incondicional ante o Alto Comando do Exército Vermelho e ao mesmo tempo ante o Alto Comando das forças expedicionárias aliadas de todas as nossas Forças Armadas na terra, na água e no ar, assim como de todas as demais que no momento estão sob ordens alemãs. Assinado em 8 de maio de 1945 em Berlim. Em nome do Alto Comando alemão: Keitel, Friedeburg, Stumpf..."

O que o locutor da Rádio do Reich anunciava em poucas palavras na manhã de 9 de maio de 1945 era o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Todos os sobreviventes respiraram aliviados. Mas aquilo que a maioria – também dos alemães – sentiu como libertação, significava para outros vergonha e afronta.

As vitórias-relâmpago sobre a Polônia, a França e a Noruega haviam cegado os alemães e, acima de tudo, a própria liderança nazista. O ataque à União Soviética, em 22 de junho de 1941, resultava desse delírio provocado pelas fáceis conquistas militares.

"Do quartel-general do Führer, o Alto Comando informa: em defesa contra o ameaçador perigo do leste, a Wehrmacht (as Forças Armadas) atacou, às 3 horas da manhã de 22 de junho, a violenta marcha das tropas inimigas. Uma esquadrilha da Luftwaffe bombardeou o inimigo soviético ainda ao alvorecer."

Os esmagadores sucessos iniciais da Operação Barbarossa (ou Barba Ruiva), nome secreto do assalto alemão à União Soviética, também pareciam levar o Reich a mais um triunfo militar. Em 3 de outubro de 1942, ao inaugurar a obra assistencial de inverno, Hitler zombou das reações da imprensa estrangeira: 

"Se nós avançamos mil quilômetros, não se pode chamar isso exatamente de fracasso (...). Por exemplo, nos últimos meses – e é em apenas alguns meses que se pode sensatamente promover uma guerra neste país – nós avançamos até o Rio Don, o descemos e chegamos finalmente ao Volga. Cercamos Stalingrado e vamos tomá-la – no que os senhores podem confiar."

Era a primeira vez que Hitler mencionava publicamente o nome da cidade que viria, quatro meses mais tarde, mudar o destino da guerra. Se na ocasião muitos generais acreditavam no sucesso militar da ofensiva, no momento da capitulação do Sexto Exército em Stalingrado restavam poucos otimistas ainda cegamente convictos de um fim vitorioso para a Alemanha de Hitler.

A derrota das tropas alemãs na África do Norte, no mesmo ano, e o desembarque dos Aliados na Normandia, em junho de 1944, reverteram o destino militar do Exército alemão.

Um dia após a capitulação incondicional, a emissora de rádio do Reich da cidade de Flensburg, onde residia o grande almirante Dönitz, que após o suicídio de Hitler exerceu interinamente o posto de chanceler do Reich até 23 de maio, levou ao ar o último boletim da Wehrmacht, elogiando a heróica resistência dos últimos batalhões na foz do Rio Vístula:

"Vinte horas e três minutos. No ar, a emissora do Reich de Flensburg e sua rede de afiliadas. Hoje, transmitimos o último boletim da Wehrmacht sobre esta guerra. Do quartel-general do grande almirante, em 9 de maio de 1945, o Alto Comando informa que..."

O que todos os boletins oficiais das Forças Armadas sempre haviam omitido, passou gradualmente a ficar claro a partir de 8 de maio de 1945. Além dos monstruosos danos materiais e da destruição irreparável de obras de arte, a Grande Guerra consumira não menos que 55 milhões de vidas humanas.

Autoria Norbert Ahrens (mw)
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Bildergalerie Zweiter Weltkrieg Karte Europa 1939 Portugiesisch

sexta-feira, 4 de maio de 2018

1919: Protesto estudantil em Pequim



No dia 4 de maio de 1919, universitários chineses protestaram contra o Tratado de Versalhes, que concedia antigos territórios alemães na região aos japoneses. Manifestação desembocou na renovação cultural chinesa.


"Esta é a última chance para a China, na sua luta de vida e morte. Juramos hoje solenemente, junto com todos os nossos compatriotas: o território da China pode ser ocupado, mas não pode ser entregue! O povo chinês pode ser massacrado, mas não se renderá! Nossa pátria está diante da destruição. Levantem-se, irmãos!"

Rebelião no centro de Pequim: 3 mil estudantes distribuem panfletos na praça da Paz Celestial, um lugar que ainda viria a ser palco de outras manifestações estudantis, muitos anos depois.

Jovens querem sacudir o país

Os estudantes estavam decididos a despertar a resistência no país: resistência contra o Tratado de Versalhes, que concedera ao Japão o antigo território colonial alemão. E resistência contra o próprio governo, que pretendia assinar o tratado. Eles marchavam pela cidade e muitos choravam à beira da calçada. Atravessaram o bairro dos diplomatas e invadiram a casa do ministro dos Transportes e chefe do banco estatal, um simpatizante dos japoneses. E gritavam: "Abaixo os traidores!".

O Japão aproveitou a confusão da Primeira Guerra Mundial na Europa para assumir o controle sobre uma grande parte da província oriental chinesa Xantung. Tratava-se da cidade portuária de Tsingtao e suas redondezas, um território que a Alemanha ocupara em 1898 e arrendara posteriormente por 99 anos.

Depois que a Alemanha foi vencida na Primeira Guerra Mundial e o presidente norte-americano Woodrow Wilson enunciou os seus 14 pontos do direito de autodeterminação dos povos, os chineses estavam otimistas de que o Japão devolveria esse território. A delegação chinesa na conferência de paz de Versalhes teve um grande apoio popular, em especial dos estudantes, mas, em vão.

A China não era uma colônia, como a Índia, a Indonésia ou o Vietnã; mas, desde meados do século 19, as potências estrangeiras ocuparam, passo a passo, partes atraentes do seu território, como Hong Kong e Xangai. Muitos chineses sentiam-se humilhados, como uma "meia colônia". A abolição do império milenar, em 1911, não contribuiu para a situação.

Tudo ficou diferente

As manifestações de 4 de maio e das semanas seguintes não obtiveram grande êxito político. Apesar disso, o 4 de maio de 1919 está entre as datas mais conhecidas da história chinesa do século 20: nada ficou como era antes.

O dia é um símbolo da arrancada da China rumo aos tempos modernos. E esse entusiasmo das manifestações estudantis foi preservado durante toda a década de 20. O Movimento de Quatro de Maio, como seria denominado posteriormente, era sedento de toda novidade proveniente do Ocidente.

Surgiram na época tanto o Partido Comunista da China quanto os anarquistas chineses. Também a moderna literatura chinesa teve sua origem com o Quatro de Maio. Ela foi chamada de "nova literatura" – e o que era novo, era considerado bom. Uma das revistas mais importantes da época denominava-se "Nova Juventude".

Os jovens intelectuais do Quatro de Maio fizeram um acerto de contas radical com o tradicional e com os velhos, como nunca ocorrera antes, nem viria a ocorrer depois. Eles viam nesse mofo milenar a verdadeira causa da fraqueza e do atraso da China. Em 1919, a Nova Juventude escrevia:

"Acreditamos que as ciências naturais e a filosofia pragmática sejam condições indispensáveis para o progresso da nossa sociedade atual, e que a superstição e a especulação devam ser abolidas. Acreditamos que o respeito à personalidade e aos direitos da mulher sejam absolutamente imprescindíveis para a evolução progressista da nossa sociedade atual."

Até mesmo novos nomes

Mulheres subservientes, respeito pelos pais: súbito, os valores de Confúcio não prevaleciam mais. A família ficou fora de moda, não se desejava manter nem mesmo os sobrenomes, como recorda o escritor Chang Yiping:

"Conheci um jovem que substituiu os três ideogramas do seu nome por 'Ele-Você-Eu'. E na Universidade de Pequim, na entrada da Faculdade de Filosofia, encontrei certa vez um amigo que estava acompanhado por uma moça de cabelos curtos. Eu lhe perguntei: 'Qual é o seu sobrenome?' Ela me olhou espantada e gritou: 'Eu não tenho sobrenome!' Havia também quem escrevesse a seu pai uma carta com o teor: 'A partir do dia tal, eu não o considerarei mais como meu pai. Somos todos amigos com direitos iguais'."

Posteriormente, a maioria dos chineses considerou tudo isso ridículo. Poucos anos depois, Mao Tsé-tung idealizava o caminho próprio da China para o comunismo. Não era mais possível, simplesmente, copiar o estrangeiro. A China fechava-se cada vez mais em relação ao exterior.

Também Mao Tsé-tung estava na Universidade de Pequim em 1918 e 1919. Como bibliotecário.

Autoria Thomas Bärthlein (am)

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terça-feira, 1 de maio de 2018

MAN WATCHING A WOMAN




I want your hand to be placed on my heart, and come,
I want the palm of your hand on my heart, for it to be placed on me.
Before you come I shall light a fire and I shall await
Your coming patiently. I want the big fire

To be alight all night, and voices in the silence of this fire
To be heard only as we once heard the sound of the sea,
For your shoulder, hand, arm to be put on my heart,
And for the fire to be alight.

Let it snow outside, let's not remember anyone outside.
Let the town fall into a heavy sleep, let the town sleep,
Let fathers, brothers sleep sweetly and bitterly.
Let every place, space and area be covered in white snow.

Let factories, stations, the airport sleep in peace,
Let the sky too rest in sleep, let there be no flying,
Let the yard dogs, the tramp, the bird on the wire
Be overcome by slumber, let everything surrender to slow

Sleep and peace. But let me hold your weak
And white hand the whole night and have it on my heart.
Let for a moment an unknown god stop by our windows,
And let us too go to sleep, but let the fire stay alight.



© 2004,   Rati Amaghlobeli
© Translation: 2007, Donald Rayfield  

http://georgia.poetryinternationalweb.org/piw_cms/cms/cms_module/index.php?obj_id=11179

fonte : "poemoftheweek@poetryinternational.org" 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Último deseo

Théophile Gautier

Hace ya tanto tiempo que te adoro
-dieciocho años son muchos días-
eres de color rosa, yo soy pálido,
yo soy invierno y tú la primavera.

Lilas blancas de camposanto
en torno de mis sienes florecieron,
y pronto invadirán todo mi cabello
enmarcando mi frente ya marchita.

Mi sol pálido que declina
al fin se perderá en el horizonte,
y en la colina fúnebre, a lo lejos,
veo la morada final que me espera.

Deja al menos que caiga de tus labios
sobre mis labios un tardío beso,
para que así una vez esté en mi tumba,
mi corazón tranquilo pueda reposar.
Biblioteca Digital Ciudad Seva



sexta-feira, 20 de abril de 2018

Olgária matos - Tempo sem experiência

Sociologia Descolada: Sobre ser sociólogo

Sociologia Descolada: Sobre ser sociólogo: Nós, sociólogos, analisamos a sociedade a partir de teorias e métodos científicos. Defendemos a igualdade social e os valores democráticos...

AÉCIO EXEMPLO



Enquanto vocês criticam Aécio Neves eu só consigo pensar que ele é um exemplo a ser usado para a educação das crianças que estão entrando em idade escolar, viu.
Olha só,
- Para quando a criança não aceitar brincar com amiguinhos, excluindo eles do time ou do jogo, use o exemplo do Aécio.
- Para quando a criança não aceitar o resultado da brincadeira, caso derrotada, ou por ter ficado em segundo lugar, use o exemplo do Aécio.
- Para quando a criança for pega mentindo e continuar dizendo que ela não fez nada de muito errado, foi só um pouquinho, use Aécio como exemplo.
Afinal de contas: Se Aécio não tivesse passado a perna em Serra e Alckmin em 2014, um dos paulistas teria sido candidato a presidente e pelo PSDB, se derrotados por Dilma, Aécio teria continuado na liderança do partido e seria o candidato natural à presidência em 2018. Mas, foi brigar com os amiguinhos de SP em 2014, deu no que deu.
Se Aécio tivesse aceitado a derrota em 2014, não teria apresentado o primeiro pedido de impeachment de Dilma, não teria desarticulado as relações entre governo e oposição, criando um grupo de traidores do governo dentro do governo e, por consequência, não teria dado tanta força pública para a criminalização judicial da política. Mas, não aceitou ser derrotado e acabou sendo vítima do próprio veneno, pois caiu nas “armadilhas” da indústria judiciária de delações contra políticos.
E, se tudo isso não tivesse acontecido até então, as denúncias contra ele e/ou PSDB continuariam sendo arquivadas ou por transcurso de prazo ou por falta de provas em Brasília (vide caso Furnas). Mas ele foi pego na mentira e insiste que só errou um pouquinho, mas que não é criminoso. Ainda assim, passou a ser réu em uma ação. Prova de que criança não pode mentir. A denúncia não deve ir muito adiante. O mais provável é ser arquivada ou o crime prescrever por transcurso de prazo. Ou seja, só foi colocado no “cantinho do pensamento” da escola, muito longe de ter que ajoelhar no milho.

Veja como em educação o uso de exemplo inverso ajuda no amadurecimento das crianças. Se Aécio não tivesse feito tudo o que fez nos últimos quatro anos teríamos um exemplo a menos de comportamento infantil e irresponsável para a educação das nossas futuras gerações. 

Emerson Urizzi Cervi


#paz #meditacoespedagogicas #educadordefacebook

domingo, 8 de abril de 2018


Lula não foi condenado pelo tríplex (esqueçam isso!). Lula foi condenado quando decidiu que cada brasileiro deveria fazer três refeições ao dia. Lula foi condenado quando tirou o brasil do mapa da fome mundial. Lula foi condenado quando milhões ascenderam socialmente. Lula foi condenado quando decidiu que pobres poderiam chegar à universidade e às escolas técnicas. Lula foi condenado quando a filha do pedreiro virou engenheira, o filho do garçom virou advogado e o negro favelado deixou de ser bandido para ser médico: invertendo, assim, a lógica dessa porra toda. Lula foi condenado quando começou a dar show pelo mundo, no g-20, nas nações unidas e nos cambau a quatro. Lula foi condenado quando investiu mais em educação e saúde que todos os outros presidentes. Lula foi condenado quando investiu no nordeste brasileiro, sempre esquecido. Lula foi condenado quando mostrou à elite deste país que um operário sabia governar. Lula foi condenado quando alcançou 80% de aprovação popular. Lula foi condenado por suas virtudes, não por seus eventuais pecados. Lula é imenso, do tamanho do Brasil. Lula é a história."

kafkianas


Josef K. que foi condenado e julgado por um tribunal misterioso, em que muitos ficam em dúvida sobre a real história acontecida. A justiça questionada na obra revela a obscuridade do processo realizado contra Josef K e quão vago ele se transforma e são usadas provas absurdas contra ele durante todo o romance. O Estado é considerado arbitrário e autoritário. Demonstram que os direitos sociais do homem são tolhidos e revelam as falhas e erros o sistema judiciário. Pode-se dizer que a liberdade que é um direito de todos os direitos de ser ouvido e de defesa, nesta obra, é negada, e a aplicação o poder democrático também é alienado e impedido
Louise Ronconi de Nazareno

"A transformação de uma operação de combate à corrupção com 50 etapas em um objetivo único que é prender um ex-presidente expõe a face mais danosa de todo o processo: a implosão institucional, em especial do poder judiciário.
Isso se dá pela tentativa de substituição de uma liderança personalista por outra. De Lula pelos seus algozes. Todos os envolvidos, da primeira à última instância, não souberam lidar com a visibilidade pública que tiveram até aqui. Pensaram que poderiam substituir o personalismo de Lula por um novo perfil de líder popular. Enganaram-se. Visibilidade pública não produz liderança real. É o contrário. Mas isso os sinhozinhos provincianos não entendem. O que inclui ministros do supremo que essa semana experimentaram o gosto amargo de críticas públicas feitas por seus próprios pares, algo inédito na história das instituições, em especial, das instituições jurídicas brasileiras. Em 2018 o judiciário começa a se canibalizar em frente às câmeras de televisão, assim como a elite política vem fazendo desde 2013.
O pior de tudo isso é que o legado deixado por uma operação que usa a corrupção para substituir (substituir e não combater) lideranças personalistas é o desmonte das estruturas formais de combate efetivo à corrupção. Sem instituições fortes, que respeitem as regras, nunca haverá combate à corrupção de fato.
A diferença entre a liderança personalista de Lula e a dos sinhozinhos é que Lula, como conciliador, conseguiu criar uma imagem de líder personalista ao mesmo tempo em que se fortaleciam as instituições. Quem busca se transformar em nova liderança personalista sem a experiência da representação e a qualidade da conciliação, fatalmente terminará implodindo as instituições.
Pelo enfraquecimento institucional é que perderemos todos no futuro, ainda que por agora pareça que exista um vencedor."
Emerson Urizzi Cervi:

terça-feira, 3 de abril de 2018

Tiros que o senhor ouviu


Fernando Limongi: Tiros que o senhor ouviu

- Valor Econômico 2/4/2018

Lula divide a sociedade como ninguém antes o fez

O clima político esquentou. Nas duas últimas semanas, a radicalização voltou a dar as caras, culminando em tiros contra a caravana de Lula, declarações desastradas do candidato tucano e apologia ao porte de armas por Bolsonaro e seus seguidores. O espaço para a serenidade e o razoável se viu reduzido. Voltamos ao sertão de Riobaldo em que até Deus deveria andar armado.

O julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus solicitado pela defesa de Lula explica o recrudescimento do embate político. O cerco sobre o presidente Temer e o calendário eleitoral (prazo de desincompatibilização e de filiação partidária) também contribuíram, mas Lula, como nenhum outro personagem da história política brasileira recente, desperta paixões e divide a sociedade brasileira em grupos antagônicos, os que o amam e os que o odeiam.

O STF recebeu a batata quente de Moro e do TRF-4. As duas instâncias sabiam quais as consequências de suas decisões, isto é, estavam cientes que colocariam o STF contra a parede e, mais, que a prisão após condenação em segunda instância poderia ser a vítima do seu blefe. Pagaram para ver. O destino da Lava Jato não está em causa. Está em causa a prisão do ex-presidente.

A resposta virá ao longo da semana. Todo observador da cena política (incluindo Moro e os três do TRF-4) sabe que a nossa Corte Suprema é antes de tudo inconstante, discricionária e aleatória. Isso é sabido. Basta olhar o histórico de suas decisões. Portanto, não será surpresa se a Corte alterar sua posição.

Nesse imbróglio, o texto constitucional é o que menos importa. Faz tempo que o Supremo vem decidindo sem precisar se referir à Constituição, a seus artigos, incisos ou o quer que seja. A jurisprudência vigente é a de que o STF faz o que lhe dá na telha e, mais, que atira para o lado que estiver voltado. No caso, as considerações politicas se sobreporão às convicções jurídicas, se é que a decisão anterior sobre a matéria se deu por razões jurídicas.

O julgamento de Lula será palco do teatro a que os brasileiros foram forçados a se acostumar nos últimos tempos: um show de vaidades representado por personagens picarescos. As datas vênias, referências a leis e decisões anteriores torrarão a paciência dos cidadãos plugados na TV Justiça. Ninguém dará a mínima para os argumentos dos magistrados, nem os próprios. Interessa apenas o placar, o resultado final, se Lula ganha ou perde.

Gilmar Mendes, com o tom de superioridade professoral que o caracteriza, achou por bem pedir aparte para explicar aos demais como devem votar. Começou frisando ninguém poderá lhe "imputar simpatia pelo PT", mas que Rui Barbosa teria lhe ensinado que se a "lei cessa de proteger nossos adversários, cessa virtualmente de nos proteger". Trocando em miúdos: se ponho meu adversário em cana, não tenho como proteger meus amigos. Assim será.

Assim, qualquer ela seja a decisão sobre o destino de Lula, ela estará de acordo com precedentes e a jurisprudência e, por isso mesmo, será vista como casuísta pelos perdedores e legítima pelos ganhadores. E mais, quem perder terá toneladas de exemplos para provar que vem sendo sistematicamente perseguido, que a Corte favorece seus adversários.

A tensão é alta e todos pressionam o STF. Fica por saber como se comportarão após a decisão. O Vem Pra Rua voltou à vida e achou recursos para pagar anúncio de página inteira nos jornais pedindo a confirmação da sentença. O moralismo e a renovação da turma, portanto, só ganha corpo se o alvo é o PT. Quando Temer era a bola da vez, o Vem Pra Rua, alegando falta de recursos e cansaço cívico, ficou em casa.

Jair Bolsonaro, o candidato da segurança, houve por bem fugir do Rio de Janeiro sem dizer uma palavra sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. Preferiu confrontar Lula em Curitiba, onde, mantida a distância, disparou suas bravatas usuais, cercado por um punhado de policiais e militares aposentados. A violência verbal de Bolsonaro tem alvo preciso: o PT e Lula, a quem não cansa de equiparar a criminosos. Com o requinte habitual, declarou: "Presidente tem que meter bala em vagabundo e não formar quadrilha com eles."

O circunspecto Geraldo Alckmin também entrou na dança da insensatez e escorregou na casca de banana que o clima politico lançou à sua frente. Na semana retrasada, propôs trégua, afirmando que era hora de deixar "lado os pesadelos do passado." Disse mais: "não vou ficar brigando por coisa do PT, vou olhar para o futuro." Diante dos tiros no sul, esqueceu-se do Alckmin "paz e amor" para afirmar que o "PT colhia o que plantava." A retratação posterior não esconde as dificuldades do candidato de tratar Lula e o PT com civilidade, como se a moderação fosse responsável pelo apoio tímido que vem colhendo nas pesquisas.

A ironia das ironias é que Alckmin deu essas declarações ao comparecer à estreia do épico "Nada a perder: a história real de Edir Macedo", filme em que o bispo é retratado como um defensor dos humildes, preso em razão da reação sórdida das elites ciosas da preservação de seus privilégios. Ocorre a alguém o paralelo?

Quanto ao PT e ao que estaria plantando, vale ter em mente que em que pese ter 'gritado golpe', Dilma deixou o poder de forma ordeira. A ameaça de convocar o exército de Stédile não passou disso, de uma ameaça. Lula está se defendendo apelando para as armas legais que lhe restam, um pedido de habeas corpus à Corte Suprema, tendo como advogado um ex-ministro dessa mesma corte. Nada poderia ser mais 'burguês', 'legalista' e comportado.

A existência do diabo atormentava Riobaldo. O Papa Francisco declarou que o inferno não existe, mas a notícia ainda não chegou por aqui. A lógica do sertão resiste.
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Fernando Limongi é professor do DCP/USP e pesquisador do Cebrap.

terça-feira, 27 de março de 2018

A une femme






Enfant ! si j'étais roi, je donnerais l'empire,
Et mon char, et mon sceptre, et mon peuple à genoux
Et ma couronne d'or, et mes bains de porphyre,
Et mes flottes, à qui la mer ne peut suffire,
Pour un regard de vous !

Si j'étais Dieu, la terre et l'air avec les ondes,
Les anges, les démons courbés devant ma loi,
Et le profond chaos aux entrailles fécondes,
L'éternité, l'espace, et les cieux, et les mondes,
Pour un baiser de toi !



Victor HUGO (1802-1885)

segunda-feira, 26 de março de 2018

1871: A Comuna de Paris



Em 26 de março de 1871 eclodiu a insurreição conhecida como Comuna de Paris, com a instituição de uma ditadura proletária, esmagada por tropas francesas conservadoras e estrangeiras em maio do mesmo ano.






Ruínas do Hotel de Ville, sede da Comuna

O tiro de partida para a insurreição havia sido dado um mês antes, quando manifestantes de esquerda haviam capturado 200 canhões da Guarda Nacional. Há exatamente oito dias, o governo conservador tentava em vão retomar as armas e, depois do fiasco e de forma totalmente inesperada, se retirou para Versalhes em 18 de março.

Foram várias as razões para a insurreição de Paris. A França havia perdido uma guerra para a Alemanha. Os termos da paz proposta pelos prussianos foram rejeitados pelo socialista Louis Blanc e o anarquista Joseph Proudhon. Quando o resto do país já havia capitulado, Paris manteve a resistência.

Revolta espontânea

As tropas prussianas mantiveram a cidade sitiada durante meses. As privações consequentes do cerco custaram a vida de milhares de pessoas. Mesmo depois da capitulação, em janeiro de 1871, o drama social dos parisienses era grande, pois o gabinete conservador nacional governava à revelia das necessidades da população de Paris. Tudo isso gerou uma revolta espontânea contra o governo em março de 1871.

Após a retirada do governo de Paris para Versalhes, os revolucionários vitoriosos deliberaram sobre novas medidas. Alguns queriam marchar imediatamente para Versalhes e prender o governo antigo. Mas a maior parte dos insurgentes não tinha ambições de longo alcance. Eles queriam simplesmente autonomia política local. Quer dizer, desejavam um governo de maioria de esquerda conquistado em eleição e com isso se tornarem independentes do governo nacional conservador. Por isso, o Comitê Central convocou uma eleição municipal para 26 de março de 1871.

Atender necessidades do proletariado

O resultado da eleição foi o desejado pela esquerda. Em 28 de março entrou para a comuna uma mistura de jacobinos, anarquistas e socialistas, que se denominou "A Comuna". Em seus dois meses de governo, ela aprovou uma série de leis. As principais visavam atender as necessidades mais prementes do proletariado parisiense.

Entre as mais profundas destacaram-se a separação entre o Estado e a Igreja, o fim dos privilégios dos nobres, a autonomia do governo de Paris e a famigerada "lei do refém", que ameaçava com a pena de morte aquele que cooperasse com o governo antigo.

A experiência da Comuna de Paris chegou ao fim com uma semana sangrenta, após dois meses caóticos que se seguiram ao começo entusiástico. As tropas do governo que se encontrava em Versalhes conquistaram a cidade de volta depois de batalhas sangrentas. A Comuna de Paris matou cerca de 500 presos, principalmente policiais e clérigos, inclusive o arcebispo da cidade.

Começou uma cruzada sangrenta de vingança depois da tomada de Paris pelas tropas governamentais. Eram executados todos os que faziam parte da Comuna de Paris ou pareciam ser simpatizantes. Historiadores calculam que as tropas governamentais mataram de 20 mil a 25 mil pessoas depois de conquistar a capital.

Autoria Rachel Gessat (ef)

Palavras-chave calendário histórico, Comuna de Paris, 26/03/1871, insurreição de Paris, guerra franco-prussiana, Versalhes

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1871: Termina a "semana sangrenta" de Paris



A semana de 21 a 28 de maio, que marcou o fim da Comuna de Paris, foi um dos episódios mais sangrentos da história da França.



O dia 28 de maio de 1871 foi um domingo, o Domingo de Pentecostes. Enquanto em outros lugares era festejada a descida do Espírito Santo, os fatos em Paris mais lembravam o inferno do que o céu. As lutas desesperadas entre os rebeldes da Comuna de Paris e as tropas do Exército já duravam uma semana.

Uma testemunha ocular narrou: "Eugène Varlin, que tinha lutado até o último instante, chegou a alcançar a Rue Lafayette, quando foi reconhecido por um oficial de Versalhes. Com as mãos amarradas nas costas, ele foi levado a Montmartre; durante todo o caminho para lá, ele foi golpeado com coronhas de fuzil e quase linchado por uma entusiástica multidão de parisienses. Quando chegou à tenebrosa Rue des Rosiers, o seu rosto estava massacrado e um olho pendia da cavidade ocular. Ele não conseguia mais ficar de pé, por isso foi arrastado para o jardim e fuzilado, sentado numa cadeira".

Dois meses caóticos

Com essa "semana sangrenta" terminou o experimento da chamada "Comuna de Paris", que durara dois caóticos meses. A Comuna surgira de maneira espontânea, alimentada por conflitos políticos e sociais. A guerra perdida contra a Alemanha, os meses de privação em decorrência do cerco pelos prussianos e um governo rural e conservador, que não demonstrava qualquer sensibilidade para a miséria da população urbana de Paris – tudo isto levou, em março de 1871, a uma rebelião contra o governo, que se retirou para Versalhes.

No dia 28 de março de 1871, uma horda heterogênea de jacobinos, anarquistas, socialistas e patriotas, que recusavam o acordo de paz com a Alemanha, invadiu a prefeitura parisiense. Eles se autodenominavam La Commune, a Comuna.

Nos dois meses do seu governo, a Comuna aprovou uma série de leis, cujo principal objetivo era atenuar a miséria do proletariado parisiense; mas também outras leis de caráter básico, como por exemplo, a separação da Igreja e do Estado, a abolição dos privilégios da nobreza, a autonomia do governo municipal, além de uma lei que ameaçava punição de morte a todo aquele que cooperasse com o antigo governo de Versalhes. Inúmeros militares e clérigos, entre eles o arcebispo de Paris, foram tomados como reféns.

Ação militar do governo

Enquanto isso, o governo de Versalhes preparava-se para retomar a cidade e o poder com uma ação militar. As simpatias da população estavam divididas entre os velhos conservadores e o novo governo de esquerda. Na noite de 21 de maio, as primeiras tropas governamentais invadiram a cidade, começando o que posteriormente seria chamado de "semana sangrenta" (semaine sanglante).

Inicialmente, as tropas governamentais não encontraram grande resistência. Mas as lutas foram se tornando cada vez mais ferozes, pois os integrantes da Comuna logo perceberam que nada mais tinham a perder. O antigo governo visara, desde o início, uma solução militar do conflito. Qualquer suspeito de integrar a Comuna, ou meros simpatizantes eram imediatamente fuzilados.

As tropas de Versalhes avançaram bairro por bairro, enquanto a Comuna erigia centenas de barricadas com pedras de calçamento e sacos de areia. Na sua retirada, os integrantes da Comuna ateavam fogo em tudo: na noite de 24 de maio foi incendiado o castelo das Tulherias, ruas inteiras foram consumidas pelas labaredas. Nos últimos dias de luta, inúmeros reféns foram mortos, entre eles também o arcebispo de Paris.

Com a queda da última barricada, no dia 28 de maio de 1871, terminou a "semana sangrenta", mas não o derramamento de sangue. Milhares ainda foram mortos, nos dias seguintes, nos parques, quintais e nas casernas. Os historiadores calculam que a Comuna tenha assassinado cerca de 500 adversários políticos, enquanto as tropas governamentais mataram entre 20 e 25 mil pessoas durante a reconquista de Paris e nos dias imediatamente posteriores.

Autoria Rachel Gessat/am

Palavras-chave Semana Sangrenta, Comuna de Paris, jacobinos, 28/05/1871

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Autoria Rachel Gessat/am

segunda-feira, 19 de março de 2018

Considerações sobre o fim do povo brasileiro como possibilidade



Parece que a cada dia que passa desde o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes o episódio se torna mais e mais revelador da profundidade e do caráter irreversível da crise brasileira. Dentre tantos fatos e tendências relevantes me ocorre citar o que me parece ser o mais significativo: o caráter das manifestações públicas aos assassinatos caracterizados pela repulsa a um ato bárbaro, covarde e inaceitável. E ai reside uma das faces mais interessantes da atual crise porque revela o perfil inédito das manifestações populares. Vimos como no caso do julgamento do ex-presidente lulla no TRF-4 em Porto Alegre, em janeiro o ex-ministro Zé Dirceu, apesar de ter convocado a militância (que compareceu em peso) para “luta e combate” absolutamente nada aconteceu além de um tipo de compartilhamento coletivo de derrota sem qq efeito prático e esvaziado de sentido político. Trata-se de mais um episódio típico da assim chamada “conciliação” de classes praticada desde sempre pelo lullismo. Outro tipo de manifestação popular foram as motivadas pelo protesto e/ou luto pelos assassinatos de Marielle e Anderson, caracterizadas pela multiplicidade de apropriações do evento praticadas pelas diversas militâncias identitárias pós-modernas. Relegando a segundo plano a luta da falecida vereadora contra a violência policial, tais militâncias se apressaram em converte-la em ícone das demandas das mulheres, dos negros, dos favelados, das lésbicas, dos bissexuais, das mães solteiras e por ae afora. Até mesmo os manifestantes lullistas pretenderam associar o que alegam ser a perseguição a lulla aos assassinatos como se ambos eventos fizessem parte de um mesmo “golpe”. Ou seja, tais manifestações apenas aparentemente são de massa porque revelam a profunda divisão que existe entre os que delas participam. Além de divididos os manifestantes fazem questão de explicitar seu antagonismo aos demais, uma vez que a excludente e insular categoria do “lugar-de-fala” pregada pela militância identitária neoliberal a serviço do rentismo internacional pressupõem o monopólio do protagonismo por cada fração – minúscula como possa ser – na reivindicação do sentido político dos assassinatos. Dae a hostilidade, senão condenação, aos manifestantes que pretendem protagonizar os protestos em se tratando de indivíduos não-negros, moradores das regiões centrais, heterossexuais, cisgeneros, lullistas, etc. Neste caso temos uma multidão que é só aparente porque se trata na verdade de um conjunto de militâncias não apenas profundamente divididas mas hostis umas às outras e entre si msms. Com base nos dois exemplos citados pode-se elencar os novos tipos de manifestação popular do contexto atual: 1) manifestação com perfil militante definido mas sem propósito concreto; 2) manifestação que aparenta ser coletiva mas que na verdade é tão heterogênea que de evento de massa conserva só a aparência e seu sentido último pode ser, no limite, a confrontação entre seus participantes. É duvidoso que se possa contar com qualquer uma delas para se provocar qq mudança relevante. Pode ser que estejamos presenciando não apenas o fim da multidão como propôs Mike Davis (1990) mas também o fim do povo brasileiro enquanto possibilidade histórica, aquele que noutros tempos teria tornado possível as maiores manifestações de massa da história recente, como foram as da campanha em prol de eleições diretas-já (1984). A crise segue se aprofundando e é duvidoso, tomando como exemplo os dois tipos de manifestações citadas, que se possa contar com o protagonismo popular para definir seu desfecho. A possibilidade histórica de uma solução conservadora, senão reacionária, para a crise só aumenta, devendo os precedentes históricos de 1990 e 1964 serem tomados como base para reflexão.

Dennison de Oliveira

a questão "racial no Brasil":



Dedico este post aos militantes dos movimentos negros.


Eu não esperava apoio para o que venho dizendo há pelo menos 30 anos, assim como os colegas Peter Fry e Yvonne Maggie entre vários outros, de Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant, dois intelectuais reconhecidamente de esquerda. Eles dois não citam nossos trabalhos, mas estão de pleno acordo com eles. O texto completo está em Estudos Afro-Asiáticos, Ano 24, no 1, 2002, pp. 15-33.

"Em um campo mais próximo das realidades políticas, um debate como o da “raça” e da identidade dá lugar a semelhantes intrusões etnocêntricas. Uma representação histórica, surgida do fato de que a tradição americana calca, de maneira arbitrária, a dicotomia entre brancos e negros em uma realidade infinitamente mais complexa, pode até mesmo se impor em países em que os princípios de visão e divisão, codificados ou práticos, das diferenças étnicas são completamente diferentes e em que, como o Brasil, ainda eram considerados, recentemente, como contraexemplos do “modelo americano”. A maior parte das pesquisas recentes sobre a desigualdade etno-racial no Brasil, empreendidas por americanos e latino-americanos formados nos Estados Unidos, esforçam-se em provar que, contrariamente à imagem que os brasileiros têm de sua nação, o país das “três tristes raças” (indígenas, negros descendentes dos escravos, brancos oriundos da colonização e das vagas de imigração européias) não é menos “racista” do que os outros; além disso, sobre esse capítulo, os brasileiros “brancos” nada têm a invejar em relação aos primos norte-americanos. Ainda pior, o racismo mascarado à brasileira seria, por definição, mais perverso, já que dissimulado e negado. É o que pretende, em Orpheus and Power (1994), o cientista político afro-americano Michael Hanchard: ao aplicar as categorias raciais norte-americanas à situação brasileira, o autor erige a história particular do Movimento em favor dos Direitos Civis como padrão universal da luta dos grupos de cor oprimidos. Em vez de considerar a constituição da ordem etno-racial brasileira em sua lógica própria, essas pesquisas contentam-se, na maioria das vezes, em substituir, na sua totalidade, o mito nacional da “democracia racial” (tal como é mencionada, por exemplo, na obra de Gilberto Freyre, 1978), pelo mito segundo o qual todas as sociedades são “racistas”, inclusive aquelas no seio das quais parece que, à primeira vista, as relações “sociais” são menos distantes e hostis. De utensílio analítico, o conceito de racismo torna-se um simples instrumento de acusação; sob pretexto de ciência, acaba por se consolidar a lógica do processo (garantindo o sucesso de livraria, na falta de um sucesso de estima).


Em um artigo clássico, publicado há trinta anos, o antropó- logo Charles Wagley mostrava que a concepção da “raça” nas Amé- ricas admite várias definições, segundo o peso atribuído à ascendência, à aparência física (que não se limita à cor da pele) e ao status sociocultural (profissão, montante da renda, diplomas, região de origem, etc.), em função da história das relações e dos conflitos en- tre grupos nas diversas zonas (Wagley, 1965). Os norte-americanos são os únicos a definir “raça” a partir somente da ascendência e, exclusivamente, em relação aos afro-americanos: em Chicago, Los Angeles ou Atlanta a pessoa é “negra” não pela cor da pele, mas pelo fato de ter um ou vários parentes identificados como ne- gros, isto é, no termo da regressão, como escravos. Os Estados Uni- dos constituem a única sociedade moderna a aplicar a one-drop rule e o princípio de “hipodescendência”, segundo o qual os filhos de uma união mista são, automaticamente, situados no grupo in- ferior (aqui, os negros). No Brasil, a identidade racial define-se pela referência a um continuum de “cor”, isto é, pela aplicação de um princípio flexível ou impreciso que, levando em consideração traços físicos como a textura dos cabelos, a forma dos lábios e do nariz e a posição de classe (principalmente, a renda e a educação), engendram um grande número de categorias intermediárias (mais de uma centena foram repertoriadas no censo de 1980) e não implicam ostracização radical nem estigmatização sem remédio. Dão testemunho dessa situação, por exemplo, os índices de segregação exibidos pelas cidades brasileiras, nitidamente inferiores aos das metrópoles norte-americanas, bem como a ausência virtual dessas duas formas tipicamente norte-americanas de violência racial como são o linchamento e a motim urbano (Telles, 1995; Reid, 1992). Pelo contrário, nos Estados Unidos não existe categoria que, social e legalmente, seja reconhecida como “mestiço” (Davis, 1991; Williamson, 1980). Aí, temos a ver com uma divisão que se assemelha mais à das castas definitivamente definidas e delimitadas (como prova, a taxa excepcionalmente baixa de intercasamentos: menos de 2% das afro-americanas contraem uniões “mistas”, em contraposição à metade, aproximadamente, das mulheres de origem hispanizante e asiática que o fazem) que se tenta dissimular, submergindo-a pela “globalização” no universo das visões diferenciantes.


Mas todos esses mecanismos que têm como efeito favorecer uma verdadeira “globalização” das problemáticas americanas, dando, assim, razão, em um aspecto, à crença americanocêntrica na “globalização” entendida, simplesmente, como americanização do mundo ocidental e, aos poucos, de todo o universo, não são su- ficientes para explicar a tendência do ponto de vista americano, erudito ou semi-erudito, sobre o mundo, para se impor como pon- to de vista universal, sobretudo quando se trata de questões tais como a da “raça” em que a particularidade da situação americana é particularmente flagrante e está particularmente longe de ser exemplar. Poder-se-ia ainda invocar, evidentemente, o papel motor que desempenham as grandes fundações americanas de filantropia e pesquisa na difusão da doxa racial norte-americana no seio do campo universitário brasileiro, tanto no plano das representações, quanto das práticas. Assim, a Fundação Rockefeller financia um programa sobre “Raça e Etnicidade” na Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como o Centro de Estudos Afro-Asiáticos (e sua revista Estudos Afro-Asiáticos) da Universidade Candido Mendes, de maneira a favorecer o intercâmbio de pesquisadores e estudantes. Para a obtenção de seu patrocínio, a Fundação impõe como condição que as equipes de pesquisa obedeçam aos critérios de affirmative action à maneira americana, o que levanta problemas espinhosos já que, como se viu, a dicotomia branco/negro é de aplicação, no mínimo, arriscada na sociedade brasileira."


Alba Zaluar

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Existe uma base social com vontade de lutar pela democracia e por Lula com determinação. Esta base precisa de comando e de direção política firme. Se Lula for preso o golpe e a ditadura burguesa-togada avançarão para os próximos passos: a hegemonia completa dos mais corruptos políticos e capitalistas no poder, a privatização das estatais, da Petrobras, o desmonte da educação e das universidades federais, a venda da saúde e da previdência, a criminalização dos movimentos sociais, como o MST, MTST, o fechamento do PT e a perseguição implacável contra qualquer candidatura, sindicato, partido e movimento que minimamente ameace os interesses da ordem dominante golpista nos seus arrochos trabalhistas e roubos de direitos. O último grande comandante institucional disposto a lutar pela democracia no Brasil foi o Marechal Lott, no contragolpe de 11 de novembro de 1955. Impressionante quando alguém de cima resolveu lutar, em igualdade de condições, contra a direita brucutu, contra os fascistas, os gorilas, contra o consórcio entreguista internacional, estes recuaram com medo da resoluta ação de Lott, infelizmente mal aproveitada. Vargas não teve condições de luta em 1954. Poderia ter tido como se viu na grande reação popular no dia seguinte do suicídio, muitos esperaram o comando. Jango não ouviu Brizola e ambos tiveram que fugir em 1964. Durante a ditadura civil-militar de 1964 o legislativo só não foi completamente fechado, como tinha sido na ditadura de 1937, pela existência de lutadores, os mesmos lutadores que garantiram a sobrevida do pequeno espaço legislativo para a grande derrota parlamentar das forças da ditadura, da Arena, nas eleições de 1974 em diante. As forças da ditadura militar não conseguiram fechar de vez e permanentemente o limitado parlamento por causa dos que resistiram. Sem os heróis da resistência contra a ditadura brasileira de 1964, ela poderia ter seguido o modelo das ditaduras espanhola e portuguesa, nas suas muitas décadas de continuidade, de atraso e de oligarquias reacionárias ditatoriais no poder. Agora estamos em outra encruzilhada decisiva e todos os cidadãos amantes da democracia, das liberdades, todos os militantes, todos sindicalistas, todos partidos de esquerda, todos parlamentares, todos governadores, prefeitos, todos artistas, todos intelectuais, todas as lideranças populares, movimentos sociais, trabalhadores e estudantes, todos comprometidos com a democracia, com as causas sociais e com eleições livres, todos devem lutar ao máximo neste momento de ameaça de prisão ilegal, imoral e forjada de Lula pelos tribunais de exceção do atual regime golpista. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: Quem está disposto a lutar ao máximo pela democracia, pelas liberdades e pela causa de Lula ? Quem está disposto a lutar pelo golpe, por Temer, pelo PSDB, ou por qualquer dos seus serviçais golpistas subalternos, nos outros partidos de direita e nas outras lideranças apoiadoras do golpe, do desmonte do país e da incipiente ditadura burguesa-togada que existe ? Preparem-se para as batalhas políticas em defesa do Brasil.
RCO

O despertar do nacional-popular crítico no Carnaval ! Sensacionais as produções como a do Paraíso do Tuiuti. Uma verdadeira aula de sociologia histórica dos brasileiros negros, aula de brasilidade, artística elaboração de toda uma trajetória e todo um processo social, político e histórico. O golpista Temer escrachado como o vampirão pérfido que ele é e o roubo dos votos, das moradias, das carteiras de trabalho e dos direitos sociais do povo trabalhador. A crítica da Mangueira contra o prefeito Crivella, representado como o fujão Judas, tudo revela a firme oposição da nossa autêntica cultura popular brasileira às formas de direita excludentes de certo protestantismo importado. Ao longo de toda a nossa história, nos momentos mais cruciais da nossa existência como Nação, nas guerras holandesas, nas guerras de fronteiras, nas guerras platinas, no Paraguai, o Brasil sempre foi defendido pela última trincheira dos brasileiros negros, tão injustamente maltratados e massacrados na nossa sociedade, mas sempre uma fonte permanente de criatividade, vibração, cultura e vitalidade. Agora, estes movimentos sociais e culturais populares, do Brasil profundo, das favelas, periferias, campos e cidades, novamente, têm o poder de nos livrarem dos invasores estrangeiros, da quadrilha golpista de Temer e de seus asseclas, ladrões internacionais e locais, de quadrilhas importadas com gente estrangeira e alienígena no Brasil, a direita querendo roubar, privatizar e pilhar nosso país. O povão brasileiro está despertando e ninguém vai conseguir segurar ! Explode coração !
RCO

O Desfile da Paraiso do Tuiuti


O desfile da Paraíso do Tuiuti mostrou a procissão dos trabalhadores negros desde a escravidão. Como seria o desfile da CDT, a Classe Dominante Tradicional e seus apêndices ? Começaria com os senhores de terras e escravos, das sesmarias e das casas grandes, daí viriam os homens bons das câmaras e depois da Independência, os das assembleias, os deputados e senadores, as mamatas, as mordomias do legislativo e dos tribunais de contas. Daí entrariam os barões imperiais, seus filhos e genros, os bacharéis, advogados, médicos e engenheiros, as elites da cultura bacharelesca, que não modernizaram e sim atrasaram o país em termos de mentalidades políticas. A ala dos comerciantes, dos que roubam no peso e no preço. O bloco dos militares, dos delegados, dos coronéis e generais, um dos mais disciplinados e querendo marchar. Destaque para grandes símbolos militares de direita, símbolos de cultura e de coragem bélica, como Bolsonaro e Ustra, referências para a direita militar torturadora. Outro grande destaque é a ala do sistema judicial, o judiciário e o mp, representando o velho ethos classista, defendendo os interesses dos dominantes, protegendo os seus apaniguados e perseguindo os adversários políticos. Tudo acima do teto. Quem entra na ala do judiciário logo é mentalmente, institucionalmente, politicamente hipnotizado e enquadrado, passa a ser o pior dos representantes da ordem, vide os bonecos gigantes do Joaquim Barbosa e do Fachin, que para serem aceitos logo viram um deles, esquecem totalmente qualquer passado subalterno crítico ou quais ideias lhes tenham dado o cargo. O grupo mais animado e jovial é a troça dos herdeiros do nepotismo, o grupo com mais algazarra, alvoroço e farra irresponsável, almas cheiram a talco, porque sabem que todas as instituições se abrem para o gozo e usufruto deles, moças e rapazes já eleitos como deputados, recebendo as melhores propinas, os melhores cartórios, os melhores cargos estatais e as mais gostosas negociatas. Muitos saem dos desfiles alcoolizados para atropelarem pessoas inocentes em alta velocidade na madrugada, logo um dos passistas do judiciário os soltará antes mesmo de serem presos. O próximo grupo é o dos donos e seus escravos da mídia, sempre com as bocas tapadas, todos preocupados com o que podem mostrar e falar, tudo para não desagradarem os chefes de redação e muito menos os donos familiares da grande mídia. A bateria dos fracos industriais, com pouco ritmo, segue acorrentada com sua dependência, arcaísmo, timidez e baixo espírito de inovação. Não querem fazer barulho para não incomodar e são importadores de tecnologia, usam mão de obra barata e são exportadores de matéria prima não manufaturada. Muitos querem logo casar com uma mocinha das outras alas para poderem apagar a sua origem imigrante e trabalhadora, muitas vezes até sujaram as mãos com trabalho braçal e manual, antes de enriquecerem. O apito de sonegadores é distribuído para todos integrantes da Escola de Samba CDT desde a concentração. Somente o vampirão neoliberalista Temer seria emprestado da Tuiuti, mais uma comissão traseira, uma comissão do atraso, da corrupção e com todos os protagonistas do golpe: Eduardo Cunha de terno, sorridente, com sua família esquiando e com prisão de mentirinha, Profeta Jucá, Angorá, Padilha, Geddel, boys do MBL, artistas do Cansei, muitos ministros golpistas, toda a quadrilha feliz e cantando no final.
RCO

Sem dúvida que, para um cientista social, ter um livro (ou livros) transformado em samba enredo não deixa de ser uma consagração. Parabéns ao Prof. Jessé de Souza pelo alto fator de impacto de seus textos, qualquer que seja nosso grau de concordância com as teses por ele defendidas. Oxalá nos próximos anos continue assim, para as ciências sociais se difundirem cada vez mais entre a população, demonstrando sua importância para o aumento de nossa cultura cívica e qualidade da democracia. Sublinhe-se também que, ao que parece, os sambistas estão mais politizados e esclarecidos do que nossas autoridades judiciais e policiais, que continuam fazendo sua formação doutrinária a partir de velhos manuais dos longínquos tempos da guerra fria e predominantemente pelo que sai na grande mídia corporativa. Tem que dar uma melhorada do nível dos manuais e no processo de formação doutrinária dessa turma aí...
SSB

sábado, 10 de fevereiro de 2018

LUIS INÁCIO "LULA" DA SILVA E O PRIMO "GEORGE BUCH"...GENEALOGIA.

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Escrito por David Gueiros | 19 Abril 2005

Arquivo

Torneiro mecânico, proletário autêntico do ABC paulista, Luiz Inácio Lula da Silva dificilmente poderia imaginar ser parente de gente ilustre. No entanto, mesmo antes de sua eleição, já apareciam “primos” dele, de todos os lados, alguns ilustres e outros nem tanto.
Primeiro foram os parentes de Garanhuns e Caetés, convidados a participar das festividades da posse do novo Presidente da República. Estes vieram a Brasília, viveram aqui seus 15 minutos de glória, e voltaram a Pernambuco para rememorar a ocasião pelo resto da vida.
Um desses primos de Lula, chamado Bartolomeu Atanásio de Morais, autodenominado “genealogista da família da Silva”, deixou em Brasília alguns primores de suas investigações genealógicas, alegando, inclusive, ter traçado a genealogia do presidente até oito gerações. É muita coisa, pois isso coloca Lula como descendente dos pioneiros colonizadores dos Campos dos Garanhuns, nos alvores do século XVIII. Naquela época, uma endogamia grupal foi formada naquele sertão serrano, que incluía gente como Simoa Gomes, neta de Domingos Jorge Velho, Antônio Vaz da Costa, ancestral do conhecido economista e ex-diretor do BID, Rubens Vaz da Costa, e Micael de Amorim Souto, dono do latifúndio da Mochila, ancestral do deputado Antônio Souto Filho (“Soutinho”) de grande distinção na Primeira República, sem falar de Renato Barreto Rego, ancestral dos Atanásio de Morais. Gente fina, toda ela. Sei que não cai bem um proletário que se presa ter ascendentes tão ilustres, mas prossigamos.
De início, Bartolomeu afirmou que, através da família Atanásio de Morais, Lula é também contra parente de José Ermírio de Morais. A partir dessa informação, sabe-se estar o presidente irremediavelmente ligado, por laços de parentesco, à fina flor do capitalismo brasileiro. Não sei se isso alegrará seu coração proletário, porém presumindo que as informações fornecidas pelo “genealogista da família da Silva” são corretas, sem dúvida alguma haverá razão para orgulho. Afinal, José Ermírio de Morais, à sua maneira, é pessoa tão bem sucedida quanto o próprio Lula, apesar de ser da terrível classe capitalista, exploradora do povo.
Todas as informações sobre a genealogia de Lula, afirmou ainda Bartolomeu de Morais, estão registradas na obra do historiador garanhuense, Alfredo Leite Cavalcanti (História de Garanhuns, Vol. I 1968). Essa dica é válida, porém incompleta, pois o livro de Alfredo Leite (como ele era conhecido) não registra a genealogia de todas as famílias garanhuenses, tendo esse pesquisador se limitado a traçar apenas os nomes das linhagens mais conhecidas localmente. Os parentes pobres ficaram de fora. Afinal, pobre parente é carne no dente.
Assim, há um missing link, ou mesmo vários missing links, nas listagens de Alfredo Leite, de modo que não pode um pesquisador de fora, com absoluta certeza, traçar a linhagem do Lula através delas. Dessa maneira, resta aceitar a palavra de Bartolomeu de Morais, como sendo fiel e correta, aceitando inclusive a alegação de que Bartolomeu pessoalmente tem os nomes de todos os ancestrais de Lula, ainda que não revelados, por ocasião da visita do abnegado genealogista a Brasília.
Seguindo a pista dada por Bartolomeu, descobre-se no livro de Alfredo Leite o casal pioneiro, através do qual esse genealogista traça a família de Lula: Renato Barreto Rego e Eugênia Soares de Abreu, ancestrais dos Atanásio de Morais. Estes foram avós de Francisca Pereira do Nascimento e Ana Pereira do Nascimento, que se casaram respectivamente com os irmãos José Paes de Lira e Bernardo Luís da Silva. Êpa! Chegamos perto do nome de Lula, pois a linhagem deste, de acordo com Bartolomeu, passa por este último senhor.
Os dois rapazes acima citados eram filhos de Manuel da Silva Gueiros, e netos de Manuel Dias da Silva. Vindo de Sergipe, Manuel Dias da Silva se casou com Maria Paes Cabral, filha do latifundiário garanhuense Micael de Amorim Souto. Sugere então Alfredo Leite que esse sergipano - homem de posses, pois casou com a filha de um grande latifundiário - era ligado à Casa da Torre, em sua expansão pastoril, muito além das margens do São Francisco. A Casa da Torre, da família Dias D’Ávila - poderosos cristãos novos - chegou a possuir milhares de quilômetros quadrados de terra, indo da Bahia ao Piauí, incluindo ainda trechos de Sergipe, partes da Capitania das Alagoas e pedaços de Pernambuco.
Latifundiários! Que horror! Mais ainda, os da Casa da Torre eram cristãos novos – judeus convertidos a ferro e a fogo. Caso essa informação seja correta, Lula seria então um provável descendente de judeus. Logo ele, que anda arrastando a asa para os ditadores árabes, inclusive trazendo-os ao Brasil, para um encontro em maio próximo!
Como provável descendente de Manuel da Silva Gueiros, Lula estaria então ligado a muitos nomes de distinção no Brasil. Entre estes, o jurista Nehemias da Silva Gueiros, o Ministro Esdras da Silva Gueiros, o Vice-governador do Pará Deputado Antônio Teixeira Gueiros, o Ministro Evandro Gueiros Leite, o Senador e Governador do Pará Hélio Motta Gueiros e outros mais desse nome, que se distinguiram nesta República, na segunda metade do século passado.
Menciona-se essa linhagem Gueiros, porque piores coisas podem ser ditas sobre as ligações desses “contra-parentes dos contra-parentes”. No meio desse caminho encontra-se, horror dos horrores, a família Bush do Texas. Sim, do próprio George W. Bush! Como pode?
Acontece que o pastor Jerônimo Gueiros, de Garanhuns, no começo do século passado, casou com Cecília Frias. Esta era uma das três filhas - Cecília, Dorcas e Prelediana - de Inocêncio Frias, fazendeiro e conselheiro municipal de Garanhuns. Ocorre que a irmã de Cecília Frias, chamada Prelediana, casou com um pastor norte-americano de origem portuguesa, missionário batista, chamado Jepheter Hamilton. Este trabalhou no Brasil por uns tempos, tendo eventualmente ido morar nos Estados Unidos, na Nova Inglaterra. Ao se aposentar, o casal foi morar em Portugal, deixando, porém, os filhos adultos nos Estados Unidos. Esse lado norte-americano da família tem mantido contato com os primos brasileiros, de tempos em tempos.
Assim, a informação que segue vem de Charles K. Ortel, neto de Prelediana, um renomado “investidor independente”, na Nova Inglaterra. A filha mais nova de Prelediana, assim informa Charles Ortel, casou com um colega da Universidade de Yale, chamado Ortel, de tradicional família da Nova Inglaterra, com ligações familiares em todo o pa&i acute;s, inclusive no Texas. Foi mãe de três rapazes, destarte netos da garanhuense Prelegiana Frias, um dos quais recebeu o sobrenome de Gueiros e outro de Frias. Como o próprio Charles Ortel nos informa, através das ligações familiares da sua família paterna, ele é primo legítimo de George W. Bush, no lado americano, e primo legítimo dos filhos e netos de Jerônimo Gueiros e Cecília Frias, no Brasil. Os Ortel são não apenas capitalistas, mas também Republicanos conservadores. Isso não pega bem, para um presidente proletário, ter contra parentes desse tipo.
Os caminhos são tortuosos, como soem ser os levantamentos genealógicos. Porém, presumindo-se que as informações de Bartolomeu de Morais são corretas, então Lula descende mesmo de pioneiros dos Campos dos Garanhuns. Mais ainda, pode-se afirmar que, como descendente de Manoel Dias da Silva, ele é provavelmente de ascendência judaica; é também parente do capitalista José Ermírio de Morais; é parente dos descendentes de Prelediana Frias, e através deles é “primo” (com mil aspas) do companheiro George W. Bush. Que horror! “Contra-parente dos parentes dos contra-parentes da mulher do cavalariço del Rei”, já dizia Jerônimo Gueiros.
Essas conclusões são tão absurdas, que seria bom voltar a Garanhuns a fim de consultar o genealogista Bartolomeu Atanásio de Morais, a ver se de alguma maneira ele não se enganou no levantamento que fez da genealogia de Lula.


Fonte : DIAZ NOTÍCIAS 
http://diaznoticia.blogspot.com.br/2012/02/luis-inacio-lula-da-silva-e-o-primo.html