sábado, 27 de junho de 2015

Não nos peças a palavra


Não nos peças a palavra que esquadre por todo o lado
a alma nossa informe e com letras de fogo
a declare e resplandeça como um croco
perdido no meio de um poeirento prado.
Ah o homem que anda seguro
aos outros e a si mesmo amigo
e da sombra sua não cuida que a canícula
imprime num muro arruinado!
Não nos peças a fórmula que mundos possa abrir-te
sim alguma torta sílaba e seca como ramo.
Só isso hoje podemos dizer-te:
o que não somos, o que não queremos.

Eugenio Montale


Breve balanço das greves da educação do Paraná


por Hermes Silva Leão

Foram 73 dias de greve na rede estadual de educação do Paraná. Em apenas um  quadrimestre letivo duas grandes greves de Professores/as e Funcionários/as das escolas públicas movimentaram o conjunto da população paranaense. Em mais uma assembleia histórica da categoria, 12 mil educadores/as definiram no dia 09 de junho no Estádio da Vila Capanema em Curitiba encerrar esta segunda greve no ano letivo 2015.

Num curto espaço de tempo a movimentação dos/as educadores/as em conjunto com os/as demais servidores/as do estado efetuou uma forte modificação na conjuntura política, mudando os rumos de um governo que tinha uma avaliação positiva e passou a ter um nível de rejeição altíssimo em virtude dos ataques aos direitos dos/as trabalhadores/as do serviço público e das inúmeras denúncias de corrupção.

Além de todo esse processo, durante as duas greves houve uma reorganização dos secretariados do Governo com a queda dos seguintes membros do governo, em função do nosso movimento:

– Chefe de Recursos Humanos da SEED, Cyrce Bernadete da Silva;
– Secretário de Educação, Fernando Xavier Ferreira;
– Renuncia ao cargo do Comando Geral da Polícia Militar do Paraná, Coronel Cesar Kogut;
– Secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini.

A sociedade paranaense igualmente atingida com as políticas de austeridade do governo Beto Richa (PSDB), apoiou intensamente toda a mobilização, participando de atos, contribuindo com doações para os acampamentos, publicando opiniões nas redes sociais. Também foi muito forte o apoio vindo dos/as estudantes e familiares, que compreenderam a pauta da greve, que foi para além dos direitos dos/as educadores/as e da defesa da escola pública.

Numa breve avaliação das duas greves, que foram de resistência a intensos ataques aos direitos, elas garantiram:

– Impedimento da desestruturação das carreiras, tanto na greve de fevereiro quando derrotamos o pacotaço, através das ocupações na ALEP, como a mensagem de lei nº 26/2015 que em seu artigo 6º retomava o achatamento da tabela salarial;

– O compromisso do governo de implementação e pagamentos de promoções e progressões de professores e funcionários;

– Garantia dos acertos de direitos trabalhistas dos PSS (Contratos Temporários), bem como a retomada do pagamento mensal juntamente com os demais servidores no ultimo dia útil de cada mês;

– Retomada de programas e projetos educacionais que estavam suspensos pelo governo, com isso os/as estudantes tiveram de volta o acesso a cultura, esporte e língua estrangeira, bem como trouxe de volta ao interior das escolas mais de 5 mil professores/as e funcionários/as PSS;

– Impedimento da superlotação de estudantes nas salas de aula, limitando o número máximo de alunos por turma;

– Posse de 1478 novos/as professores/as concursados/as, que haviam sido convocados/as e posteriormente dispensados com suas vagas consideradas excessivas;

– Retomada do programa de desenvolvimento educacional (PDE) e das licenças especiais para o segundo semestre de 2015;

– Regularização do repasse dos recursos do fundo rotativo para as administrações escolares;

PREVIDÊNCIA DOS/AS SERVIDORES/AS – Nossa luta não impediu que o governo avançasse no ataque aos direitos previdenciários, descumprindo compromisso do encerramento da primeira greve. O FES – Fórum das entidades Sindicais continuará pela via judicial toda luta pela derrubada desta Lei, considerando avaliações de especialistas quanto da ilegalidade do texto aprovado. O tema acaba se ser enviado ao STF.

COMPROMISSOS PÚBLICOS DO GOVERNO NO ENCERRAMENTO DA SEGUNDA GREVE:

– Não consignação de faltas e não desconto dos dias de greve;

– Abrir mesa de negociação específica para discutir todos os temas relativos a educação básica;

– Nenhum processo administrativo sobre os/as diretores/as de escola;

– Retirada das ações judiciais contra a APP-Sindicato;

O MASSACRE DO DIA 29 DE ABRIL

A violência decorrida durante a votação da previdência expôs ao mundo a face autoritária e antidemocrática do governo Beto Richa (PSDB). Historiadores/as paranaenses avaliam que desde os episódios de conflito de luta pela terra nos anos de 1950, passando inclusive pelos confrontos da ditadura civil militar, não se viu ação tão violenta quanto essa ocorrida no Centro Cívico de Curitiba. Posterior a tudo isso se desencadeou debates, seminários e conferências em sindicatos, universidades e movimentos sociais sobre o ocorrido  no dia 29 de abril, como forma de se produzir um memorial e resgatar as memórias daquele dia para não se perder nenhum detalhe.

O Ministério Público do Paraná instalou um inquérito que visa apurar todas as responsabilidades ocorridas neste episódio, com mais de 180 depoimentos colhidos, matérias, registros que constam como subsídio para os devidos encaminhamentos jurídicos.

No dia 8 de maio ocorreu no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná um Julgamento Moral sobre o Massacre do Centro Cívico de Curitiba. O evento contou com a participação de mais de mil pessoas entre estudantes, juristas, professores/as e servidores/as e foi realizado pela Faculdade de Direito e pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR.

Numa banca composta por juristas de renome nacional, o Governador Beto Richa foi condenado, diante do debate do Jurista Celso Antônio Bandeira de Mello que disse: “quem responde pelo governo, pelo Estado, é a autoridade, é o governador, se o Estado fez o que fez, é ele que tem que responder a sanção natural para o que aconteceu é o Impeachment do governador Beto Richa”

O Congresso Nacional promoveu uma audiência pública onde, para além da denúncia nacional do episódio, várias ações foram deliberadas, inclusive uma audiência pública conjunta do poder público federal e estadual em Curitiba.

DATA-BASE – Como mais uma medida de ataque aos direitos dos/as servidores/as a proposta inicial do governo era reajuste zero em 2015. A greve da educação e demais servidores/as fez o governo e a base parlamentar produzir uma proposta de parcelamento que não encontrou apoio dos/as servidores/as públicos/as e dos/as deputados/as de oposição. Esse tema está em debate na Assembleia Legislativa do Paraná (PL 421/2015) e a assembleia estadual da categoria que encerrou a greve da educação  não condicionou o retorno das aulas a esse projeto.

CENÁRIOS PARA O FUTURO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO PARANÁ

Levando em consideração que temos neste período histórico do Paraná, um governo identificado fortemente com o ideário das políticas neoliberais que incidem sobre os/as trabalhadores/as retirando-lhes direitos e, neste caso, sobre os/as servidores/as públicos do Paraná.

Teremos o desafio de resistir e persistir na luta, como forma de barrar o avanço dessas políticas sobre os serviços básicos de atendimento a população paranaense, com destaque para a saúde e educação. Sendo assim, reafirmamos nosso compromisso com a democracia, com a defesa dos direitos dos/as professores/as e funcionários/as e a defesa histórica da APP sobre a escola pública, gratuita, laica e de qualidade para todos e todas.

Fonte : APP Sindicato

Instruções da vida

Otto Leopoldo WinckComo não vem manual de instruções da vida, a gente tem que aprender vivendo. O problema é que, quando a gente aprende uma lição, sua fase de aplicação já passou. Assim, a experiência é como uma casaco de pele num dia de verão ou como uma sunga no Himalaia. Não serve pra nada. Talvez pra escrever livros de memórias ou romances de autoficção -- falando da vida que poderia ter sido e que não foi.

Mitiko Ynoue 'Viver é uma peça de teatro que não permite ensaios'. - Chaplin. - Mas bem que eu queria dar uma ensaiadinha de vez em quando.

Angelina Fibonacci Depois dessa preciso de vinho!

Willy Bortolini Mas aí você termina de escrever e percebe que poderoa ter escrito coisas melhores e que o tal livro não passa de simulacro daquilo que foi e já não eh mais. Kkkk

Sissi Catharina as vezes a gente repete o erro e não aprende a lição.

Elizabete Alves Geraldo Sanches Viver é uma grande arte e não tem rascunho, não há tempo para passar a limpo .

Mayra Coelho O bom dessa presepada que os deuses fizeram quando nos inventaram (e terão feito mesmo?) é que ao viver escrevemos uma narrativa que jamais poderá ser plagiada. E quem haveria de querer?A vida é um livro aberto diante de um analfabeto. Mas nem por isso aumento o volume de minhas queixas, que mesmo que sejam de cair o queixo, nada vão acrescentar. "Antonio Thadeu Wojciechowski"

Jorge Luiz Fonseca Alguém já disse, não me lembro quem, que a experiência é como um carro que tem os seus faróis virados para trás, na frente só escuridão. Mas esses seus exemplos são ótimos: casaco de pele no verão e sunga no Himalaia.


Gustavo Pereira Nos basta esperar as próximas oportunidades para aplicar aquilo que aprendemos ou próximo verão quente do himalaia.

Ódio


Sentimento está no DNA da classe dominante brasileira, que historicamente derruba, pelas armas se for preciso, toda ameaça ao seu domínio, seja qual for a sigla

Não vi a entrevista do Jô com a Dilma, mas, conhecendo o Jô, sei que ele não foi diferente do que é no seu programa: um homem civilizado, sintonizado com seu tempo, que tem suas convicções — muitas vezes críticas ao governo — mas respeita a diversidade de opiniões e o direito dos outros de expressá-las. Que Jô fez uma matéria jornalística importante e correta, não é surpresa. Como não é surpresa, com todo esse vitríolo no ar, a reação furiosa que causou pelo simples fato de ter sido feita.

A deterioração do debate político no Brasil é consequência direta de um antipetismo justificável, dado os desmandos do próprio PT no governo, e de um ódio ao PT que ultrapassa a razão. O antipetismo decorre, em partes iguais, da frustração sincera com as promessas irrealizadas do PT e do oportunismo político de quem ataca o adversário enfraquecido. Já o ódio ao PT existiria mesmo que o PT tivesse sido um grande sucesso e o Brasil fosse hoje, depois de 12 anos de pseudossocialismo no poder, uma Suécia tropical. O antipetismo é consequência, o ódio ao PT é inato. O antipetismo começou com o PT, o ódio ao PT nasceu antes do PT. Está no DNA da classe dominante brasileira, que historicamente derruba, pelas armas se for preciso, toda ameaça ao seu domínio, seja qual for sua sigla.

É inútil tentar debater com o ódio exemplificado pela reação à entrevista do Jô e argumentar que, em alguns aspectos, o PT justificou-se no poder. Distribuiu renda, tirou gente da miséria e diminuiu um pouco a desigualdade social — feito que, pelo menos pra mim, entra como crédito na contabilidade moral de qualquer governo. O argumento seria inútil porque são justamente estas conquistas que revoltam o conservadorismo raivoso, para o qual “justiça social” virou uma senha do inimigo.

Tudo isto é lamentável mas irrelevante, já que o próprio Lula parece ter desesperado do PT. Se é verdade que o PT morreu, uma tarefa para investigadores do futuro será descobrir se foi suicídio ou assassinato. Ele se embrenhou nas suas próprias contradições e nunca mais foi visto ou pensou que poderia ser a primeira alternativa bem-sucedida ao domínio dos donos do poder e acordou um dia com um tiro na testa?
De qualquer maneira, será uma história triste.


(Fernando Verissimo )