quinta-feira, 7 de junho de 2012

In Galleria

Un occhio di stelle
ci spia da quello stagno
e filtra la sua benedizione ghiaociata
su quest'acquario
di sonnmbula noia.

Giuseppe Ungaretti

Na Galeria

Um olho de estrelas
nos espia daquele charco
e filtra sua benção gelada
sobre este aquário
de tédio sonâmbulo.

Trad: Sérgio Wax
"Se quisesse e soubesse dizer por que trilhos passara, falaria de veredas e carreiros que nunca conhecera, descobertos na ocasião pelo instinto dos pés, e rasgados no meio de uma natureza cósmica, verde como uma alucinação."

Miguel Torga. O Caçador
futebol.Lamentavelmente transformado em lavanderia de dinheiro, tão corroída de corrupção.Onde os pés de obra(a maioria ,não os poucos astros miliardários desse picadeiro )são não mais escravos ,tratados como mera mercadoria vivemos momentos de escapismo e histeria, arremessamos nossas tragédias na ópera futebol.

Wilson Roberto Nogueira

mirror

I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, un misted by love or dislike.
I am not cruel, only truthful -
The eye of a little god, four-cornered.

Sylvia Plath, Mirror

Sou prata e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engolir imediatamente
Assim como é, un misted de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro -
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.

Sylvia Plath, Mirror
?Est-ce que vous faites quelquefois votre prière?? demanda-t-elle.
Elle vit le chapeau noir bouger entre les omoplates.
?Jamais?, dit-il.
Il y eut un coup de pistolet dans le bois, suivi presque immédiatement d’un second. Puis tout fut silence. La tête de la grand-mère pivota vers le bois. Elle entendit la rumeur du vent qui glissait dans les cimes des arbres, comme une longue aspiration voluptueuse.

Flannery O’Connor, Les braves gens ne courent pas les rues


Você às vezes reza ? , perguntou ela.
Ela viu o chapéu preto se movendo entre as omoplatas.
Nunca?, Disse.
Um tiro de pistola na floresta.Um estampido e Tudo era silêncio. A cabeça da avó virou para os bosques. Ela ouviu o som do vento que caiu nas copas das árvores, como uma aspiração muito voluptuosa.

Flannery O'Connor, As pessoas boas não crescem em árvores

LADRO

Oggi mi sento un ladro
non prendo in prestito
ma rubo con destrezza.
Non esiste ingordigia
nella mia bocca
ma solo stile di convinzione.

Cadono gesti difformi
la vista li cattura
ne arresta l’evoluzione
prevedendoli
ma il sorriso,
ne decreta la libertà.

tra i miei bottini vi sono
nudi baleni sospesi
tra rocce laviche,
frescura silente bianca e umile
occhi rassicuranti
di genitori lontani.

Rubo ragnatele di pensieri
nascosto tra le cosce della musica
soave ridacchio dei mie averi
Rubo...rubo senz’alibi
come un animale privo di istinto
la luce del sole penserà a coprirmi

Marco Scarpulla
Estaba sentado en el escano de madera bajo las hojas amarillas del parque solitario, contemplando los cisnes polvorientos con las dos manos apoyadas en el pomo de plata del baston, y pensando en la muerte.

Gabriel Garcia Marquez, Doce cuentos peregrinos.
A memória é como um cão que se deita onde lhe agrada.
Cees Nooteboom, Rituels
En arrivant ici, j’ai toujours l’impression d’avoir été engloutie par un monstre. Je m’assieds, et mes cheveux, mes sourcils et le corsage de mon uniforme ne tardent pas à s’imprégner de la chaleur ambiante et à devenir moites. Je baigne dans une humidité plus douce que la transpiration, d’où s’élève une discrète odeur de crésol.

Yôko Ogawa, La piscine

(Chegando até aqui, tenho a impressão de ter sido engolida por um monstro. Sento-me, e meu cabelo, minhas sobrancelhas e o corpete do meu uniforme não demorara muito tempo para absorver o calor do ambiente e tornar-se úmido. banhei-me numa umidade mais suave do que uma transpiração, do qual ergue-se um leve cheiro de cresol)

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca