quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cinco breves poemas

I



Talvez a juventude apenas seja isto:

sem arrependimento amar sempre os sentidos.



(de Croce e delizia, 1958)



II



Este corpo que aperto (e me aperta)

tem um sabor de estrelas e de lodo.

E eu não sei quem agora me tinge

(profundíssimo jogo) de vermelho

as estrelas.



(de Stranezze, 1976)



III



Era no cinema, onde as portas

se abrem e fecham continuamente.

Àquele rumor ela pensou

que ele voltasse

mas não voltou.



(de Stranezze, 1976)



IV



Fazer do verde prado

um jogo proibido.

Já o tenho tentado.

Sem o ter conseguido.



(de Appunti, 1950)



V



«Poeta exclusivo do amor»

me chamaram. E era talvez certo.

Mas o vento aqui sobre a erva e os rumores

da cidade longínqua

não são eles também amor?

Sob nuvens quentes

não são ainda o som

de um amor que arde

e não mais se afasta?



(de Stranezze, 1976)



Sandro Penna
– Poesia & Lda.






Tradução de David Mourão-Ferreira