sábado, 4 de outubro de 2014

The irony of fate
 Is frightening in times of change:
Russia has risen from its knees
 But has reared up.

 … And God is watching
, Trembling from fear,
 As the world lies at Russia’s feet
 With its face in the mud.

   Dmitri Bykov
Source: Russia Beyond the Headlines - http://rbth.com/literature/2014/10/01/political_poetry_in_russia_1990s_2000s_40279.html
Extract from a poem by Kirill Medvedev:

 we obtained the right to have an anti-fascist protest but not a march.
 I went with the human rights activist Ponomarev to sort it out at the mayor’s
 office. Ponomarev was very angry. I restrained him a bit.
 I’ll show them what it means to let fascists have rallies, he said.
 I felt that it wasn't going to end well.

   Oleinik, the department’s deputy director for mass rallies
 turned out to be a fat, rosy-cheeked kewpie. 





CHEGO ONDE SOU ESTRANGEIRO


Nada é tão precário quanto viver
Nada quanto ser é tão passageiro
É quase como gelo derreter
E para o vento ser ligeiro
Chego onde sou estrangeiro
.... ....

Louis Aragon

SENTINELA


A cruz da torre assusta uma estrela
O cavalo arfa fumaça
O ferro ringe sonolento
Névoas afogam
Chuvas
Congelam calafrios
Afagam
Sussurram
Você!
Wache
Das Turmkreuz schrickt ein Stern
Der Gaul schnappt Rauch
Eisen klirrt verschlafen
Nebel Streichen
Schauer
Starren Frösteln
Frösteln
Streicheln
Raunen
Du!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 82-83.

ZONA DE COMBATE


Assombrolhos esquadrinham campos rotos
Acima abaixo
Abaixo acima
O sol
Explode
O sol pedra
E
Desexplode.
Kampfflur
Glotzenschrecke Augen brocken wühles Feld
Auf und nieder
Nieder auf
Brandet
Sonne
Steinet Sonne
Und
Verbrandet.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 80-81.

TÚMULO DE GUERRA


Estacas imploram braços em cruz
A escrita teme o pálido imprevisto
Flores desafiam
Pós se encolhem
Lágrima
Treme
Espelha
Esquecer.
Krieggrab
Stäbe flehen kreuze Arme
Schrift zagt blasses Unbekannt
Blumen frechen
Staube schüchtern.
Flimmer
Tränet
Glast
Vergessen.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 78-79.

TEMOR


Os céus pendem
Sombras sequestram nuvens
Medos
Saltam
Estreitam
Estiram
Cavam cavam
Rôta
Bôta
Resiste
A
Cunha
Cova.
Zagen
Die Himmel hangen
Schatten haschen Wolken
Aengste
Hüpfen
Ducken
Recken
Schaufeln schaufeln
Müde
Stumpft
Versträubt
Die
Gehre
Gruft.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 76-77.

PATRULHA


Pedras pontam
Janela ri traição
Galhos esganam
Montes moitas desfolham sussurros
Guincham
Morte
Patrouille
Die Steine feinden
Fenster grinst Verrat
Aeste würgen
Berge Sträucher blättern raschlig
Gellen
Tod.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 74-75.

PROJÉTIL


O céu lança nuvens
E estala em fumaça.
Faíscas riscam.
Pés roçam pós.
Olhos casquinam no caos
E
Desesguelham.
Schrapnell
Der Himmel wirft Wolken
Und knattert zu Rauch.
Spitzen blitzen.
Füße wippen stiebig Kiesel.
Augen kichern in die Wirre
Und
Zergehren.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 72-73.

GUERRA


A dor draga
A espera encara o horror
Parturir estremece
Gestar estira os membros
A hora sangra
A pergunta ergue o olho
O tempo pare
Cansaço
Pro
Cria
A Morte.
Krieg
Wehe wühlt
Harren starrt entsetzt
Kreißen schüttert
Bären spannt die Glieder
Die Stunde blutet
Frage hebt das Auge
Die Zeit gebärt
Erschöpfung
Jüngt
Der
Tod.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 70-71.

GUARDA


A noite embala as pálpebras
O sono pisca e chispa
O inimigo farisca
O cachimbo
Faísca
E Todos os espaços
Tremem
Miúdos
Mudos.
Wacht
Die Nacht wiegt auf den Lidern
Müdigkeit falckt und neckt
Der Feind verschmiegt
Die Pfeife schmugt
Verloren
Und
Alle Räume
Frösteln
Schrumpfig
Klein.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 68-69.

CAÍDO


O céu vela o olho
A terra unha a mão
O ar zumbe
Chora
E
Entrelaça
Lagrimulheres
Dentre
Madeixas
Gefallen
Der Himmel flaumt das Auge
Die Erde krallt die Hand
Die Lüfte sumsen
Weinen
Und
Schnüren
Frauenklage
Durch
Das strähne Haar.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 66-67.

OCASO


O ócio tece
O torpor anoitece
O orar pesa
O sol chaga
Afaga
Você.
Abend
Müde webt
Stumpfen dämmert
Beten lastet
Sonne wundet
Schmeichelt
Du.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 64-65.

ASSALTO


De todos os ângulos terrores uivam querer
Ácida
Açoita
A vida
Ante
Si
Aqui
A morte arfante
Os céus farrapam
O horror ceifa selvagante os cegos.
Sturmangriff
Aus allen Winkeln gellen Fürchte Wollen
Kreisch
Peitscht
Das Leben
Vor
Sich
Her
Den keuchen Tod
Die Himmel fetzen.
Blinde schlächtert wildum das Entsetzen.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 62-63.

FERIDA


A terra sangra sob o capacete
Estrelas caem
O universo tacteia.
Calafrios rangem
Rede
Moínham solidões.
Névoa
Chora
Longe
Teu olhar.
Wunde
Die Erde blutet unterm Helmkopf
Sterne fallen
Der Weltraum tastet.
Schauder brausen
Wirbeln
Einsamkeiten.
Nebel
Weinen
Ferne
Deinen Blick.
Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 60-61.

CAMPO DE BATALHA


Torrões moles afrouxam o ferro
Sangues filtram flocos de limo
Crostas migalham
Carnes lamam
Amamentar estua nos destroços
Entrematanças
Chispam
Olhos de crianças.
Schlachtfeld
Schollenmürbe schläfert ein das Eisen
Blute filzen Sickerflecke
Roste krumen
Fleische schleimen
Saugen brünstet um Zerfallen.
Mordesmorde
Blinzen
Kinderblicke.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 58-59.

ALVORADA


A noite
Geme
Às seivas sonolentas
Beijos.
O ferro ringe opaco.
O ódio se estira
E
Arrasta o sonho entre os sulcos.
Rir pesa
O bosque lanceia as sombras.
No olho choram
Estrelas
E se afogam.
Wecken
Die Nacht
Seufzt
Um die schlafen Schläfen
Küsse.
Eisen klirrt zerfahlen.
Haßt reckt hoch
Und
Schlurrt den Traum durch Furchen.
Wiehern stampft
Schatten lanzt der Wald.
Ins Auge tränen
Sterne
Und
Ertrinken.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 56-57.

PASSEIO NOTURNO


Na noite declinante
Cala-se o nosso passo
Mãos palor temem um tremor convulso
Luz ceifa sombras em nossa cabeça
Nas sombras
Nós!
Alta reluz a estrela
O álamo pende acima
E
Ergue a terra consigo
A terra em sono abraça o céu desnudo.
Tremes e tramas
Teus lábios molham
O céu beija
E
Nos nasce o beijo!
Abendgang
Durch schmiege Nacht
Schweigt unser Schritt dahin
Die Hände bangen blaß um krampfes Grauen
Der Schein sticht scharf in Schatten unser Haupt
In Schatten
Uns!
Hoch flimmt der Stern
Die Pappel hängt herauf
Und
Hebt die Erde nach
Die schlafe Erde armt den nackten Himmel.
Du schaust und schauerst
Deine Lippen dünsten
Der Himmel küßt
Und
Uns gebärt der Kuß!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 52-53.

MALDIÇÃO


Vedas e vetas!
Incêndios uivam
Chamas
Queimam!
Nem eu
Nem tu
Nem ti!
A mim!
Mim!
Fluch
Du sträubst und wehrst!
Die Brände heulen
Flammen
Sengen!
Nicht Ich
Nicht Du
Nicht Dich!
Mich!
Mich!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 50-51.

COMPROMISSO


Teu andar sorri pra mim
E
Toma meu coração.
O aceno prende e afia.
Na sombra do teu vestido
Alça-se
Oscilante
Ameaçador
Murmura!
Ondeias e ondeias.
Meu punho agarra às cegas.
O Sol sorri!
E
Coxeia débeis medos!
Perdido perdido!
Begegnung
Dein Gehen lächelt in mich über
Und
Reißt das Herz.
Das Nicken hakt und spannt.
Im Schatten deines Rocks
Verhaspelt
Schlingern
Schleudert
Klatscht!
Du wiegst und wiegst.
Mein Greifen haschet blind.
Die Sonne lacht!
Und
Blödes Zagen lahmet fort
Beraubt beraubt!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 48-49.

CREPÚSCULO


O claro acorda o escuro
O escuro aborta a luz
O espaço rompe os espaços
Farrapos afogam-se na solidão!
A alma dança
E
Oscila e oscila
E
Estremece no espaço
Você!
Meus membros buscam-se
Meus membros roçam-se
Meus membros
Oscilam afundam afundam afogam-se
Na
Imensidão
Você!
O claro aborta o escuro
O escuro devora a luz!
O espaço se afoga na solidão
A alma
Ferve
Ferrolha-se
Para!
Meus membros
Giram
Na
Imensidão
Você!
O claro é luz!
A solidão sorve!
A imensidão escorre
Rasga
Me
Em
Você!
Você!
Dämmerung
Hell weckt Dunkel
Dunkel wehrt Schein
Der Raum zersprengt die Räume
Fetzen ertrinken in Einsamkeit!
Die Seele tanzt
Und
Schwingt und schwingt
Und
Bebt im Raum
Du!
Meine Glieder suchen sich
Meine Glieder kosen sich
Meine Glieder
Schwingen sinken sinken ertrinken
In
Unermeßlichkeit
Du!
Hell wehrt Dunkel
Dunkel frißt Schein!
Der Raum ertrinkt in Einsamkeit
Die Seele
Strudelt
Sträubet
Halt!
Meine Glieder
Wirbeln
In
Unermeßlichkeit
Du!
Hell ist Schein!
Einsamkeit schlürft!
Unermeßlichkeit strömt
Zerreißt
Mich
In
Du!
Du!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 44-47.

REENCONTRO


Teu passo treme
O olho morre no olhar
O vento
Agita
Pálidos panos.
Tu
Te re
Tornas!
O tempo corteja o espaço!
Wiedersehen
Dein Schreiten bebt
In Schauen stirbt der Blick
Der Wind
Spielt
Blasse Bänder.
Du
Wendest
Fort!
Den Raum umwirbt die Zeit!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 42-43.

DESEJO


Mãos esticam
Rigidez treme
Terra cresce da terra
Teu perto longeia
O passo afunda
O estar persegue o ido
Um olhar
Tem
É!
Vanilusão
Eueja!
Sehnen
Die Hände strecken
Starre bebt
Erde wächst an Erde
Dein Nahen fernt
Der Schritt ertrinkt
Das Stehen jagt vorüber
Ein Blick
Hat
Ist!
Wahnnichtig
Icht!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 40-41.

INTIMIDADE


O ouvir fala
Brasas fremem
Esgares esguelham
Sangue suspira
Teu joelho dobra
Os rios ferventes
Lavam
Lava
No mar
E
Nossas almas
Mur
Muram
Em
Si.
Heimlichkeit
Das Horchen spricht
Gluten klammen
Schauer schielen
Blut seufzt auf
Dein Knie lehnt still
Die heißen Ströme
Brausen
Heiß
Zu Meere
Und
Unsere Seelen
Rauschen
Ein
In
Sich.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 38-39.

MELANCOLIA


Trilhar testar
Viver tenta
Estuante estar
Olhares buscam
Expirar cresce
O porvir
Grita!
E
Mude
Ser.
Schwermut
Schreiten Streben
Leben sehnt
Schauern Stehen
Blicke suchen
Sterben wächst
Das Kommen
Schreit!
Tief
Stummen
Wir.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 36-37.

DESESPERADO


No alto ressoa um seixo agudo
A noite verte vidro
O tempo estaca
Eu
Cascalho
Tu
Te
Vidras!
Verzweifelt
Droben schmettert ein greller Stein
Nacht grant Glas
Die Zeiten stehn
Ich
Steine.
Weit
Glast
Du!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 34-35.

SONHO


Pelos arbustos estrelas se enroscam
Olhos submergem fumam afundam
Murmuram balbúcios
Flores fendem
Olores instilam
Borrascas inundam
Ventos vagam tragam apagam
Lenços se rasgam
Cair assusta na noite funda.
Traum
Durch die Büsche winden Sterne
Augen tauchen blaken sinken
Flüstern plätschert
Blüten gehren
Düfte spritzen
Schauer stürzen
Winde schnellen prellen schwellen
Tücher reißen
Fallen schrickt in tiefe Nacht.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 32-33.

PASSAR


A casa faísca nas estrelas
Meu passo para e esfria.
Em teu seio meu cérebro dorme.
Dúvidas me devoram!
Pleno
Sombra teu busto na janela
A espreita me cala
Estrelas roçam ferro em brasa
Meu coração
Carboniza!
Em tua janela
Gela
Cinza de brisa
Os pés arrastam um peso vazio!
Vorübergehn
Das Haus flackt in den Sternen
Mein Schritt verhält und friert.
In deinem Schoße schläft mein Hirn.
Mich fressen Zweifel!
Voll
Schattet deine Büste in dem Fenster
Das Spähen hüllt mich lautlos
Die Sterne streifeln glühes Eisen
Mein Herz
Zerkohlt!
An deinem Fenster
Eist
Ein Windhauch Asche.
Die Füße tragen weiter leere Last!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 30-31.

INFIEL


Teu riso chora em meu peito
Os lábios irabrasados ferrolham
No hálito farejam murchifolhas!
Teu olhar traicida-se
E
Precipita palavras vociferantes!
Esquecer
Esmigalhar nas mãos!
Livre
Corteja a fímbria do teu vestido
Coleante
Do alto alto!
Untreu
Dein Lächeln weint in meiner Brust
Die glutverbissnen Lippen eisen
Im Atem wittert Laubwelk!
Dein Blick versargt
Und
Hastet polternd Worte drauf.
Vergessen
Bröckeln nach die Hände!
Frei
Buhlt dein Kleidsaum
Schlenkrig
Drüber rüber!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 28-29.

ENCONTRO


O portão agarra com fitas listras
Meu bastão bate
Retine
No escanchado marco de pedra.
O riso
Aterroriza
No escuro
Ilusexcitante
Em
Tremor cálido
Tropeça
Brusco
O pensamento.
Um beijo negro
Furta arisco porta afora
O lampião
Bruxu
Luz
Atrás
Dele
No beco.
Verabredung
Der Torweg fängt mit streifen Bändern ein
Mein Stock schilt
Klirr
Den frechgespreizten Prellstein.
Das Kichern
Schrickt
Durch Dunkel
Trügeneckend
In
Warmes Beben
Stolpern
Hastig
Die Gedanken.
Ein schwarzer Kuß
Stiehlt scheu zum Tor hinaus
Flirr
Der Laternenschein
Hellt
Nach
Ihm
In die Gasse.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 26-27.

A CAMINHO DA IGREJA


Montanhas soam
Teu andar vibra sóis
As mãos fulgem
Luzes
Estrelas
A torre da igreja dominga
Murmura
Onde está você
Kirchgang
Die Berge läuten
Dein Gang wippt Sonnen
Die Hände funkeln
Lichten
Sternen
Der Kirchturm sonntagt
Raunt
Wo bist Du.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 22-23.

Escrito con Tinta Verde

A tinta verde cria jardins, selvas, prados,
folhagens onde gorjeiam letras,
palavras que são árvores,
frases de verdes constelações.
Deixa que minhas palavras, ó branca, desçam e te cubram
como uma chuva de folhas a um campo de neve,
como a hera à estátua,
como a tinta a esta página.
Braços, cintura, colo, seios,
fronte pura como o mar,
nuca de bosque no outono,
dentes que mordem um talo de grama.
Teu corpo se constela de signos verdes,
renovos num corpo de árvore.
Não te importe tanta miúda cicatriz luminosa:
olha o céu e sua verde tatuagem de estrelas.

- Octavio Paz, em “Transblanco: em Torno a Blanco de Octavio Paz”.
 [tradução Haroldo de Campos]. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

Escrito con Tinta Verde
La tinta verde crea jardines, selvas, prados,
follajes donde cantan las letras,
palabras que son árboles,
frases que son verdes constelaciones.
Deja que mis palabras, oh blanca, desciendan y te cubran
como una lluvia de hojas a un campo de nieve,
como la yedra a la estatua,
como la tinta a esta página.
Brazos, cintura, cuello, senos,
la frente pura como el mar,
la nuca de bosque en otoño,
los dientes que muerden una brizna de yerba.
Tu cuerpo se constela de signos verdes
como el cuerpo del árbol de renuevos.
No te importe tanta pequeña cicatriz luminosa:
mira al cielo y su verde tatuaje de estrellas.

- Octavio Paz.


http://www.elfikurten.com.br/2014/08/octavio-paz.html

Elsa

Les Yeux d' Elsa 

Tandis que je parlais le langage des vers
Elle s’est doucement tendrement endormie
Comme une maison d’ombre au creux de notre vie
Une lampe baissée au coeur des myrrhes verts
Sa joue a retrouvé le printemps du repos
Ô corps sans poids posé dans un songe de toile
Ciel formé de ses yeux à l’heure des étoiles
Un jeune sang l’habite au couvert de sa peau
La voila qui reprend le versant de ses fables
Dieu sait obéissant à quels lointains signaux
Et c’est toujours le bal la neige les traîneaux
Elle a rejoint la nuit dans ses bras adorables
Je vois sa main bouger Sa bouche Et je me dis
Qu’elle reste pareille aux marches du silence
Qui m’échappe pourtant de toute son enfance
Dans ce pays secret à mes pas interdit
Je te supplie amour au nom de nous ensemble
De ma suppliciante et folle jalousie
Ne t’en va pas trop loin sur la pente choisie
Je suis auprès de toi comme un saule qui tremble
J’ai peur éperdument du sommeil de tes yeux
Je me ronge le coeur de ce coeur que j’écoute
Amour arrête-toi dans ton rêve et ta route
Rends-moi ta conscience et mon mal merveilleux

Louis Aragon