terça-feira, 20 de setembro de 2011

DREAMING THE BREASTS

SONHANDO COM SEIOS



Mother,

strange goddess face

above my milk home,

that delicate asylum,

I ate you up.

All my need took

you down like a meal.

What you gave

I remember in a dream:

the freckled arms binding me,

the laugh somewhere over my woolly hat,

the blood fingers tying my shoe,

the breasts hanging like two bats

and then darting at me,

bending me down.

The breasts I knew at midnight

beat like the sea in me now.

Mother, I put bees in my mouth

to keep from eating

yet it did no good.

In the end they cut off your breasts

and milk poured from them

into the surgeon’s hand

and he embraced them.

I took them from him

and planted them.

I have put a padlock

on you, Mother, dear dead human,

so that your great bells,

those dear white ponies,

can go galloping, galloping,

wherever you are.



SONHANDO COM SEIOS

Mãe,

estranho rosto de deusa

sobre a minha casa de leite,

esse delicado asilo,

devorei-te.

Todas as minhas necessidades tragaram-te

como se fosses comida.

O que me deste

recordo-o num sonho:

os braços sardentos envolvendo-me,

o riso algures sobre o meu chapéu de lã,

os dedos de sangue atando os meus sapatos,

os seios suspensos como dois morcegos,

precipitando-se depois sobre mim,

até me dobrar.

Agora os seios que conheci à meia-noite

batem em mim como o mar.

Mãe enchi a boca de abelhas

para evitar comer

e isso não foi nada bom para ti.

Finalmente amputaram os teus seios

e o leite derramou-se

nas mãos do cirurgião

e ele abraçou-os

e eu retirei-lhos

e plantei-os.

Coloquei-te um cadeado,

mãe, querida morta humana,

para que as tuas grandes campânulas,

aqueles queridos póneis brancos,

possam galopar, galopar,

aonde quer que estejas.

Anne Sexton – Poesia & Lda.

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